Apocalipse 2.12-17 - UMA IGREJA SOB PROVAÇÕES

12 Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:
13 Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.
15 Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.
16 Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.
17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.


Introdução

           O texto que examinaremos é uma das sete cartas que João escreveu às igrejas da Ásia, esta endereçada à igreja que se encontrava em Pérgamo. Aquela cidade era bastante rica e também forte centro religioso. Havia nela a adoração a Zeus, Esculápio e Atenas. Também lá era o início do recente culto ao imperador. É bom lembrar que a recusa de quem quer que fosse de adorar ao imperador romano como deus tornava a pessoa forte candidato à desconfiança de infidelidade ao Estado. A igreja de Pérgamo, portanto, convive com esse contexto.


I – UMA IGREJA EM CONDIÇÕES ADVERSAS, 12-15.

           A igreja de Pérgamo vivia em um contexto de uma cidade que era um centro de idolatria, inclusive a expressão: “onde está o trono de Satanás”, refere-se justamente à referida adoração ao imperador romano. Havia então uma pressão cultural para que a igreja pudesse se conformar a esta condição idólatra, o que certamente fornecia momentos de provação para muitos cristãos. Havia no contexto daquela igreja dois grupos específicos, que tinham por sua vez atitudes semelhantes: coadunavam com a cultura corrompida e idólatra de Pérgamo, eram os baalamitas e os nicolaítas.
           Para entender o balaamismo, temos que voltar ao Antigo Testamento (Números 22 a 31).
           Balaão foi alguém que alugou os seus serviços proféticos ao rei Balaque, inimigo de Israel. Num primeiro momento, Balaão, repreendido por Deus por intermédio de anjo (naquele episódio em que o Senhor dar voz a uma jumenta), foi fiel a Deus e abençoou o seu povo (Nm 22.21-41). Mais tarde, no entanto, ele instruiu Balaque a como levar o povo de Israel à prostituição e à idolatria (Números 31.16). O conselho de Balaão era basicamente tentar seus homens hebreus para que se casassem com mulheres pagãs, levando assim o povo à idolatria de suas mulheres. E o povo o seguiu.
           Quanto ao nicolaitismo, ele aparece aqui como um termo genérico para o libertinismo, que propõe que o corpo e a alma não se comunicam; logo, segundo esta equivocada visão, o cristão está livre para fazer o que quiser com o seu corpo, sem que isto interfira em seu relacionamento com Deus.
           Eles aderiam a esta equivocada ideia, pois tornava fácil o relacionamento deles para com aqueles que sacrificavam aos ídolos; eles podiam recordar que o apóstolo Paulo em seus escritos permitia que comprassem no mercado carne sacrificada aos ídolos, contanto que suas consciências não os acusassem e isso não fosse escândalo para a igreja (os mais fracos na fé, conforme 1 Co 10.23-33). O problema aqui é que eles queriam participar das festas pagãs entendendo que aquilo que pudessem praticar com o corpo não interferia em seu relacionamento com Deus.
           Nesta carta de Apocalipse, os pergameses cristãos são advertidos a triunfarem sobre estes dois perigos. Em meio a tudo isto se destacou um mártir, Antipas. Um apologeta, um defensor da verdade, que como é de costume termina sofrendo por defendê-la. Mas como é glorioso para um cristão sofrer pela verdade de cristo e partir deste mundo como um mártir do Senhor.
           A igreja, portanto, encontrava-se dividida, em sua maioria não negava o nome de Cristo, não se apartavam da fé. Mas a minoria que vacilava diante do baalismo e do nicolaismo era um grande perigo, como está escrito em Gl 5.9: “Um pouco de fermento leveda toda a massa”, ou seja, um ensinamento errado, se permitido e não combatido pode trazer danos a toda a igreja.
           Mas além de enfrentar esses perigos recebe da parte do Senhor uma palavra de que deveria tomar uma atitude urgente: arrependimento.


II – ERA UMA IGREJA CHAMADA AO ARREPENDIMENTO, 16.

           Esta igreja é chamada ao arrependimento, a advertência não é feita apenas para os pregadores baalamitas e nicolaítas. Certamente caso eles não se arrependessem de desviar o povo da verdade de Deus sofreriam o peso da ira divina. Mas é perceptível também no texto que a igreja de modo geral pecava, pois embora muitos não se dobrassem às práticas idólatras, ainda assim eram demasiadamente tolerantes, negligenciavam na aplicação da DISCIPLINA eclesiástica. A igreja torna-se culpada diante do Senhor, peca por negligência, quando ver as falsas doutrinas surgirem no seu meio sem tomar uma atitude séria. A igreja deve lutar pela sua pureza doutrinária, porque a pureza doutrinária influenciará a pureza moral, isto é, aquilo em que se crê influenciará a prática da vida, as ações. A igreja de Pérgamo estava permitindo agir de conformidade com as práticas mundanas, influenciada por uma cultura corrompida, depravada, demoníaca. Sendo simpatizante com aquilo que era ofensivo ao Senhor.
           É interessante no versículo 16 a forma como o senhor afirma que pelejará contra os idólatras: “contra eles pelejarei com a espada da minha boca”. Mais uma vez se refere à Sua Palavra, à verdade divina.  Não importava o que aquelas pessoas criam, a verdade deles não subsistiria diante da verdade divina, a verdade deles se mostraria uma mentira, uma falácia: “... Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado” (Rm 3.4). No v. 16 há a declaração que a mentira deles seria exposta, que eles seriam envergonhados.
           Mas Jesus não apenas repreende como também faz promessas àqueles que seriam vencedores nesta batalha pela fé.


III – UMA IGREJA COM PROMESSAS GLORIOSAS, 17.

           Os cristãos não precisavam comer nas festas pagãs, porque tinham como alimento o maná oferecido por Deus. Como lemos na Torah (Êxodo 16.33 e outros), durante 40 anos Deus alimentou o seu povo, até chegarem a Canaã, com este cereal do céu: “Fez chover maná sobre eles para alimentá-los, e lhes deu cereal do céu” (Salmo 78.24). Moisés mostrou que, com esta provisão, o Senhor mostrou que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem: “Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dá a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo que procede da boca do SENHOR viverá o homem” (Deuteronômio 8.3). Ou seja, é o ensinamento de que eles estavam com falta de fé em estarem demasiadamente preocupados com o alimento físico quando serviam ao Deus que provê todas as necessidades.
           O maná se tornou um memorial da providência divina para o seu povo. Desse modo Deus lhes ordenou que guardassem na arca da aliança juntamente com a vara de Arão que havia milagrosamente criado flores e as tábuas da Lei uma porção do maná. A arca perdeu-se com o tempo e juntamente com ela o maná, por isso a expressão “maná escondido”.
           No entanto, o maná aponta para um alimento mais excelente: Cristo, o pão vivo que desceu do céu. Jesus diz de modo muito claro: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.48-51).
           E é na Palavra que nós encontramos Cristo, é nela que nos alimentamos d’Ele.
           A outra promessa para os vencedores é que receberão uma pedra branca, com um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.
           Segundo nos informam os historiadores, a estrutura social do mundo antigo era constituída, simplificando, de duas grandes classes sociais: os cidadãos (patrões ou patronos) e os clientes. A cada dia, os pobres recebiam dos seus protetores alimento e dinheiro para as suas necessidades básicas. Eles também podiam receber presentes especiais. Para identificá-los, recebiam uma espécie de barra, feita de madeira, metal ou pedra, chamada tessera. Esta tessera era a senha que lhes dava acesso a muitos benefícios.
           Era comum também no mundo antigo o uso de pedras brancas para servirem como bilhetes de entrada aos festivais públicos. Sem estas pedras brancas, não se tinha acesso às grandes festas promovidas pelos governantes das cidades.
          Os irmãos de Pérgamo ouviram que tinham ao seu dispor uma pedra branca, uma senha de acesso direto a Deus, por meio de Jesus Cristo, através de Quem podem usufruir todas as bênçãos do depósito inesgotável do Trono do Pai. Essa senha está em nosso poder. Os cristãos não precisamos mendigar diariamente à porta de patrão algum. Nós já participamos da festa do Cordeiro, que não vai terminar jamais.
           Esta pedra branca tem uma inscrição, um nome novo, que será conhecido apenas por quem o recebe. A maioria dos comentadores entende que este nome é o nome de Jesus. Na festa do Cordeiro, Sua revelação terminará e nós O conheceremos de modo perfeito, não mais por enigma.
           Portanto, a promessa que também é um incentivo para os vencedores de estarem diante do senhor para todo o sempre.


Aplicação

1. Assim como a igreja de Pérgamo, a igreja atual no contexto brasileiro também passa pela provação de ter a sua pureza doutrinária testada. Infelizmente a igreja brasileira também se deixa levar por idolatrias. Penso que se o Senhor se estivesse escrevendo uma carta à igreja atual provavelmente diria: tenho, porém, contra ti que toleras os que sustentam a doutrina da teologia da prosperidade, da idolatria a Israel, da salvação pelas obras, de uma incompreensão da graça divina (como se ela pudesse ser comprada por algo que fazemos), e tantas outras falsas doutrinas que o Senhor poderia mencionar.

2. Que você meu irmão possa ter uma postura de Antipas, defender a verdade divina, mesmo quem venha a sofrer por isso.

3. A igreja deve ser misericordiosa, compassiva, mas não tolerante com o pecado, ela não pode negligenciar da disciplina. Lembremos de como o apóstolo Paulo repreendeu severamente os coríntios por permitirem o pecado no seu meio sem tomarem uma atitude de disciplina para com o ofensor – 1 Co 5 – o caso do homem que estava tendo relações sexuais com  a madrasta.

4. Não se deixe levar meu irmão, minha irmã, pelas influências dos “baalamitas e nicolaitas”. Não permita que haja contaminação de uma influência mundana em sua vida. E caso haja, que você possa se arrepender e voltar-se para o Senhor.

5. Passamos provações em nossa caminhada, mas temos promessas maravilhosas: teremos Cristo eternamente, teremos um relacionamento com ele incomparavelmente mais rico do que o que já vivenciamos.

6. Meus irmãos, vocês foram chamados para serem vencedores, que possam prosseguir então como igreja vitoriosa para a glória de Deus.


Conclusão


           Cada igreja tem o contexto histórico e cultural aos quais se encontra inserida. Que a Igreja Batista dos Guararapes possa olhar para igreja de Pérgamo, não com um olhar de julgamento, mas com um olhar de aprendiz, entendendo que também deve dar ouvido à voz daquele que tem a espada de dois gumes. Que possa então entender suas provações, e delas sair como vencedora; saber em que tem pecado contra o Senhor e se arrepender; mas sempre confiante em suas promessas gloriosas.

Salmo 15 - Perguntas necessárias, respostas implicantes

1 Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?
2 O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade;
3 o que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho;
4 o que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata;
5 o que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente. Quem deste modo procede não será jamais abalado.


Introdução

Muitos de nós nos preocupamos com respostas e não atentamos com as perguntas. Alguns de nós perderam a curiosidade de estar sempre se perguntado por algumas questões ou perguntando a Deus. É interessante essa característica nas crianças pequenas: sempre indagando, sempre querendo saber o porquê. Mas crescem e vão perdendo um pouco de sua curiosidade.
Para termos as respostas corretas é necessário formularmos as perguntas corretas. O nosso salmista, Davi, faz aqui duas perguntas ao Senhor, peguntas retóricas, que depois se põe a responder.




I – Perguntas que constrangem acerca da proximidade do SENHOR, V.1.

As perguntas do v. 1º tem como pano de fundo a realidade cúltica de Israel no Antigo Testamento. O que era o tabernáculo?
O Tabernáculo era o local ordenado por Deus aos israelitas onde seria realizado o culto oficial por meio dos sacerdotes. Deus ordena sua construção de modo metódico, com detalhes que deveriam ser seguidos à risca. O interior do Tabernáculo era dividido em dois cômodos: o Santo Lugar e o Santo dos Santos. No Santo Lugar encontravam-se os pães da proposição à direita e o candelabro à esquerda. Uma cortina dividia o santo lugar do Santo dos Santos. Antes da cortina ou véu ficava o altar de ouro (altar para incenso). Era no Santo dos Santos onde ficava a Arca da Aliança.
O povo poderia entrar até o pátio onde era construído o Tabernáculo, mas era necessário fazer um sacrifício de sangue, sem isso não poderia se chegar a presença de Deus. No Santo Lugar só era permitido os sacerdotes. Ali, o candelabro deveria estar sempre aceso, símbolo de que a presença de Deus não se apagava nem de dia nem de noite. Os pães da proposição simbolizavam o alimento espiritual de Deus para o povo, deles sacerdotes podiam comer livremente; e apontavam para o verdadeiro pão da vida - Jesus cristo. O altar de ouro, onde os sacerdotes queimavam incenso representa a oração do povo ao Senhor. A fumaça do incenso enchia o Santo dos Santos e o Santo Lugar com seu aroma suave. A cortina que dividia aquele lugar tinha imagens de Querubins voando. A arca da Aliança dentro do santo dos Santos mostrava que Deus está entronizado entre os Querubins.
Na Arca da Aliança que estava no Santo dos Santos em sua tampa estava o Propiciatório, onde o sangue do sacrifício anual era derramado perlo Sumo Sacerdote.
Quem subirá ao Seu Santo Monte? Uma referência ao Monte Sinai, onde foi manifestada a glória divina quando concedeu os mandamento ao povo e com ele fez a Aliança. Mas as duas perguntas tem o mesmo sentido, estão juntas apenas para reforçar a ideia apresentada pelo texto.
Esses são símbolos por excelência para o salmista falar da presença divina. Perceba a solenidade do tabernáculo. Essas perguntas tem um sentido espiritual além daquilo que já podia ser observado pelo salmista. Apenas o Sumo Sacerdote e apenas uma vez por ano, depois de se ter purificado poderia entrar no Santo dos Santos para oferecer o sacrifício pelo povo. Perguntar quem pode habitar o santo lugar é perguntar quem é digno, quem tem essa condição. São perguntas a respeito de comunhão, de proximidade.
A primeira resposta que pode ser dar é ver Cristo no Salmo. Ele como sumo sacerdote por excelência subiu ao Monte por nós. O próprio Tabernáculo é símbolo de sua obra.
A segunda resposta é que o que se segue salmo, não se tratam de qualidades para se achegar a presença do Pai, mas de qualidades que devem estar presentes na vida daqueles que em Cristo estão na presença do Pai. Assim, ninguém está apto, não há sequer um que possa dizer que vive de tal modo em integridade que poderá achegar-se ao santo monte de Deus por conta de suas ações. Jesus cristo foi o único que viveu essa perfeição.


II – Qualidades de um cidadão celestial, v.2 – 5.

No contexto do salmista ele estar apresentado a dicotomia existente entre os judeus tementes ao Senhor, aos quais em muitos momentos são chamados de justos e o hipócritas, que diziam temer a Deus, mas suas vidas na relação com os outros não demonstravam isso. Por isso ele passa a falar das relações horizontais.
Ele falar de viver em integridade. Integridade é o que mantém o nosso ser coeso, em outras palavras: ser o mesmo em qualquer circunstância, ser inteiro, completo, no sentido de viver não em busca de aparentar ser, mas simplesmente sê-lo. Nossa preocupação não deve ser meramente com a reputação. A integridade nos permite ter a consciência limpa, mesmo se a reputação for atacada.
Sendo a pessoa íntegra agirá com justiça, mesmo em meio a uma sociedade onde a injustiça impera, onde a verdade é substituída pela mentira que momentaneamente parece vantajosa. Quem é íntegro age com justiça e fala a verdade.
Tabernacular com Deus, viver no seu Santo Monte implica também conter-se para não difamar, não pecar com a língua. Muitas são as referências bíblicas de advertência a esse respeito, citarei apenas três: Tiago no cap. 3 de sua epístola argumenta de modo metafórico a dificuldade e a importância de se domar a língua. Ele diz: “É fogo, é mundo de iniquidades”, “Contamina o corpo inteiro”, “Põe em chamas toda a carreira da existência humana”, “Inflamada pelo inferno”, “é mal incontido, carregado de veneno mortífero”. Por isso atente para Pv 13.3: “O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína”. E lembre-se da advertência de Jesus: “Toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo” (Mt. 12:36). Assim, tenha muito cuidado em falar sobre alguém, em postar alguma na internet sobre alguém.
Quem desse modo se contém e sendo íntegro não estará fazendo mal ao próximo, não estará injuriando, mas ao mesmo tempo que não coadunará com as ações ímpias dos perversos, pois terá por desprezível seu comportamento, amará sua pessoa, mas não a honrará, dará a honra – no sentido de valor – aos que temem ao Senhor.
O salmista ainda diz que o lugar da comunhão com o Senhor não combina com se tirar vantagem de forma a explorar o sofrimento alheio. Pois maldosamente age quem empresta dinheiro com a intenção de lucrar.
Percebam meus irmãos que o salmista revela algumas características que denotam duas coisas: caráter e conduta.
O cidadão do céu, o cristão, neve ficar evidente em qualquer lugar onde se encontre o seu caráter. O seu caráter é manifesto pela sua conduta, pela forma de agir. Caráter é um conjunto de traços referentes à maneira de agir, é o que serve de base para as atitudes. Conduta é a expressão do caráter; é o que é feito.
A lista apresentada pelo salmo é exemplificativa, não exaustiva, são alguns indicadores de um coração grato por estar conduzido por Cristo à presença do Pai.
Mas ainda há algo no texto que merece ser mencionado: há uma promessa.


III – A promessa de estar inabalável, v. 5.

Perceba que é uma promessa condicional. Esteja agindo com integridade e não será abalado, fale a verdade e não será abalado. Tenha uma conduta que reflita Cristo em sua vida que você viverá de forma mais plena o privilégio de ser cristão. Há pessoas que sempre agem de forma contrária ao que o salmista expôs e imagina que vai se dá bem. De modo algum, pois: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará(Gálatas 6:7).


Conclusão

Tomás de Aquino diante da pergunta: Quais são as coisas necessárias para a salvação? Ele responde: Saber o que deve crer – Cristo; o que se deve desejar – Deus; e como se deve viver – em retidão e justiça.
O não ser abalado perpassa essa existência na maravilha de viver com o Senhor nesta vida e prossegue na eternidade, daí que o v. 11 do Salmo 16 é tão complementar à nossa reflexão: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”.
E ainda:

"Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos" (Is 57.15).

Apocalipse 2.8-11 - UMA IGREJA POBRE, CONFORTADA PELO CRISTO VITORIOSO

8 Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver:
9 Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás.
10 Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida.
11 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.

Introdução

A Etimologia do nome da cidade: Esmirna=Mirra. Mirra é uma substância extraída de uma árvore espinhosa que gosta de ficar ao sol. Dela se extrai perfume, tem uma resina que produz medicamentos e ela serve para auxiliar no embalsamento.


Elucidação

Este texto que acabamos de ler é a segunda carta das sete enviadas às igrejas na Ásia Menor. Em todas as cartas é o próprio Senhor Jesus Cristo que escreve através do seu apóstolo João. Ele é aquele que está andando no meio dos candeeiros, que são as igrejas (2.1). Ele é o dono delas. E por isso, Ele pode, tanto exortar como advertir, animar como ameaçar.
           Esta segunda carta foi dirigida à igreja em Esmirna. Esmirna era uma bela cidade. Ela era rival da cidade de Éfeso. Ela reivindicava o direito de ser a “primeira Cidade da Ásia em beleza”. Já que Éfeso ocupava este posto. Esmirna era uma cidade gloriosa. Ela com seus lindos edifícios públicos situados no alto da colina Pagos, formavam o que se chamava “a coroa de Esmirna”. A brisa ocidental vinda do mar soprava por toda cidade. Que mesmo durante o verão era uma cidade com um clima agradável. Desde o começo da ascensão do império romano, mesmo antes dos seus dias de grandeza, Esmirna era sua aliada e reconhecida como tal por Roma.
           Com toda probabilidade a igreja de Esmirna foi fundada por Paulo durante a sua terceira viagem missionária (At 19.10), entre 53 e 56 d. C. É possível que Policarpo fosse bispo da igreja de Esmirna naquela época. Ele foi discípulo de João. Fiel até à morte, este venerando líder foi queimado vivo num poste. “Deixem-me como estou. Aquele que me dá força para suportar o fogo também me dará capacidade para ficar imóvel na fogueira sem que precisem me amarrar” (Policarpo)¹. Esta igreja é uma das duas igrejas que o Senhor Jesus Cristo não critica e nem ameaça. A outra igreja é a de Filadélfia. Ela sendo fiel e sem motivo de ameaça, o Senhor se dirige de uma maneira a fortalecer ainda mais aquela igreja a permanecer firme. Ele se apresenta assim: “Ao anjo da Igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Ele se apresenta a sua igreja amada como o Cristo vitorioso. Isto nos leva ao seguinte tema desta pregação:   




I – CRISTO APRESENTA-SE COMO SENHOR DA VIDA E DA MORTE, V 8.

Jesus diz acerca de si que é o primeiro e o último, o que esteve morto e tornou a viver.  Ele introduz a palavra de conforto àquela igreja lembrando a ela quem é o seu senhor. O dono da igreja é aquele que venceu a morte, aquele que ressuscitou. Eles necessitavam desse entendimento. Viviam em uma época de grande instabilidade, onde declarar-se cristão em alguns momentos poderia implicar perda de bens, separação da família ou até em morte. Nem sempre a perseguição vinha de forma oficial por parte do governo romano, às vezes eram perseguidos até pelos próprios judeus, ou pelos romanos de modo não oficial. Ser cristão então era muito diferente do que vivemos hoje no contexto do Brasil em pleno século XXI.
           A palavra de conforto neste versículo embora na época presente não nos toque coletivamente, com certeza nos fala de modo individual. A igreja não passa atualmente por perseguição por parte do Estado, mas cada um de nós podemos vivenciar momentos nos quais lembrar de Cristo como Senhor da vida e da morte traz conforto às nossas almas. Todos estamos sujeitos a passar por experiências da perda de entes familiares, e nestes momentos devemos lembrar que a vida pertence ao Senhor e que ele tem direito absoluto sobre cada uma de suas criaturas. Este conhecimento prévio nos capacita diante de situações que poderemos vivenciar.
           Mas o Senhor Jesus depois dessa introdução faz uma declaração maravilhosa sobre aquela igreja.


II – ELA É RICA INDEPENDENTEMENTE DE SEU ESTADO FINANCEIRO, V 9.

Materialmente aqueles irmãos eram pobres, embora vivendo em uma cidade rica. O termo utilizado aqui para pobreza é ptocheía, que tem o sentido de pobreza extrema, opressiva até. É a mesma expressão utilizada por Paulo em 2 Co 8.9: “...pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. O texto aos coríntios fala de riqueza, mas obviamente em sentido espiritual. Era o caso daqueles irmãos de Esmirna, embora pobres materialmente, mas vivenciando uma riqueza na graça de Deus, ricos para com o Senhor. Eram ricos porque havia a presença de Deus em suas vidas. Eram ricos porque não eram dominados pela avareza (Lc 12.13-21 – Jesus reprova a avareza e diz que é louco aquele que “...entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus”, v 21).
           Aqueles irmãos de Esmirna eram ricos porque buscavam viver a fidelidade ao Senhor, mesmo em meio a tribulação de perseguição por parte dos falsos judeus e a despeito da escacês material.
           No contexto deles, além de sua pobreza material extrema tinham de enfrentar a “blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás”. Os judeus difamavam o Messias e negavam a sua vinda. Esses judeus desprezaram com toda sua força o Cristo. Eles alimentavam um ódio maligno contra os cristãos. Eles arrastavam os cristãos diante dos tribunais e os acusavam injustamente. São chamados de falsos judeus porque os verdadeiros judeus são os verdadeiros herdeiros da promessa dada a Abraão, ou seja, o Israel espiritual, a igreja de Cristo formado por judeus e não judeus, portanto os verdadeiros judeus no sentido de povo de Deus. De igual modo há muitos hoje que se declaram cristãos, contudo, são antes Casa do Diabo, pois não querem para suas vidas a riqueza espiritual ofertada por Cristo, mas antes, a riqueza material ambicionada pela sua carnalidade e lhes ofertada pelo Diabo. Riqueza material sem riqueza da comunhão com Deus é ruína espiritual. Os irmãos de Esmirna sofriam pela pressão (perseguição) por parte desses judeus. À semelhança de Esmirna a igreja de nossos dias que de fato queira viver em fidelidade doutrinária estará sofrendo por observar tantas blasfêmias contra Cristo, muitas vezes que não se expressam de forma verbal, outras vezes supostamente falando em nome de Jesus, mas o conteúdo reprovável por Cristo.
           O Senhor ainda anuncia que mais tribulação viria sobe a vida daquela igreja, mas anima-os a serem corajosos.


III – ELA PROSSEGUIRÁ RICA AO VENCER AS PROVAÇÕES – O DIABO, V 10.

Aquela era uma igreja fiel, elogiada pelo Senhor por sua fidelidade. Então não é de se estranhar que padecessem perseguições, pois como escreveu o Apóstolo Paulo à Timóteo:  2 Timóteo 3.12: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. Mas é bom lembrar que não há conforto maior que saber da presença de Cristo em momentos assim, como ele mesmo disse, conforme relatado no cap. 14 de João, enviaria o Espírito, e, que, portanto, se faz presente pela atuação do Espírito na igreja. No mesmo capítulo há a promessa de sua vinda para levar a igreja para si, mas enquanto isso não ocorre certamente o Diabo fará forte oposição à igreja, e cabe a nós a fidelidade ao Senhor mesmo sob as condições mais desfavoráveis.
           O Senhor disse aqueles irmãos de Esmirna, que eles só iriam sofrer por dez dias. Isso significa um tempo definido. Eles deveriam guardar sua fé pura. Porque através daquele sofrimento, o Senhor estaria também provando aqueles crentes. Purificando e aumentando a fé daqueles fiéis.
           A promessa para o vencedor é a coroa da vida, a presença eterna com o Senhor. Que fique claro então que esta coroa é para todos os salvos, não diz respeito a uma recompensa especial para aqueles que foram perseguidos com risco de morte.  Mas é aqui um incentivo para prosseguir avante mesmo em face ao risco.
           Por fim, Ele reafirma a garantia mais importante para a vida da igreja, que não é que diz respeito a este mundo, mas à entrada triunfante nos céus.


IV – ELA ALCANÇARÁ RIQUEZA MAIOR NOS CÉUS, V 11.

Temos aqui reafirmada a certeza que em nossos corações de que modo algum passaremos pela segunda morte. Aqui há uma referência à declaração de condenação no juízo eterno. O dano da segunda morte não ocorrerá para a igreja, mas para aqueles que desprezaram o Senhor, e que esse desprezo é manifesto no seu comportamento como enfatiza Apocalipse 21. 8: “Quanto porém aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. 
           A igreja, porém, pelos méritos de Cristo tem o livramento dessa condenação garantida. Usufruirá da presença do Senhor eternamente. Não importa o quanto tenham sofrido, pois estarão finalmente de posse da felicidade perfeita. Estarão livres da natureza pecaminosa. Todo o sofrimento terá passado, e como nos diz a Palavra em uma linguagem muito bela: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima...” (Ap. 21.4).


Aplicação

1. Os cristãos de Esmirna foram literalmente esmagados, tornando-se um cheiro de perfume suave para Deus, mas jamais se desesperaram ou se entregaram ao materialismo. Existe, hoje, uma mensagem generalizada que o crente não pode sofrer. Existem “orações poderosas” para espantarem o fantasma do sofrimento da vida dos fiéis. No entanto, contrariando esse pensamento o apóstolo Paulo diz claramente: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados. Perseguidos, mas não desamparados. Abatidos, mas não destruídos. Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos”. 2 Co 4.8-10.

Rm 5.3 -  E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
Rm 12.12 -  Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;
2 Co 1.4 -  Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.
2 Co 4.17 -  Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;
At 14.22 -  Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.

2. Há tanto hoje que enfatizam a busca pela riqueza material, mas esquecem, ou negligenciam, ou deturpam malignamente a maravilhosa revelação que afirma não haver nada mais sublime do que a riqueza da presença de Deus em nossas vidas.

3. Como cristão certamente você virá a passar por mais provações em sua vida, mas digo para você: não se atemorize, olhe para a coroa da vida, ela é incorruptível, imarcessível (não murcha). Você um dia estará com o Senhor, e não há nada mais glorioso do que isso.


Conclusão

Que sejamos, meus irmãos, como aqueles crentes de Esmirna!
Perfume - O crente/Esmirna influencia o ambiente com os valores do cristianismo (perfume) mesmo quando passa por tribulações e sofrimentos pessoais.  “E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem” (II Coríntios 2.14, 15).
Mendicamento - O crente/Esmirna com sua vida produz o bem para os que estão ao redor. Gera conforto e cura para os males da alma porque transmite paz.
Embalsamento - O crente/Esmirna conserva a sociedade por meio dos princípios cristãos de moral e conduta que possui. “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (Mateus 5.13).



¹Que falem os primeiros cristãos

Apocalipse 2.1-7 - UMA IGREJA COM POTENCIAL, PORÉM MORIBUNDA



Introdução


                     1. Qual o potencial que você enxerga na sua igreja?
                      2. Até onde você imagina que podemos chegar?
                      3. O que você considera que é essencial não se perder nessa caminhada?


Elucidação

           O livro de Apocalipse foi escrito pelo Apóstolo João quando se encontrava preso na ilha de Patmos devido à perseguição ao evangelho. Foi o último livro do N. T. a ser escrito, por volta de 90-96 d. C. João escreve as cartas às igrejas da Ásia, repreendendo a transigência ao pecado por parte dessas igrejas e chamando-as ao arrependimento. Também busca encorajar os irmãos a permanecerem firmes naquele momento de perseguição que a igreja estava sofrendo. Também trás a revelação dos acontecimentos dos últimos dias. É o livro de maior dificuldade de interpretação do N. T.
           No texto em apreço são dirigidas palavras à igreja de Éfeso. A cidade de Éfeso era uma cidade muito importante. Era rica e próspera, magnificente e formosa, devido a seu templo da deusa Diana. Ela tinha capacidade para aportar os maiores navios. Além disto, era facilmente acessível por terra, pois Éfeso estava ligada, por meio de estradas, com as cidades mais importantes da Ásia Menor. Era já por longo tempo o centro comercial da Ásia. O templo pagão da deusa Diana era ao mesmo tempo casa do tesouro, museu, bem como lugar de refúgio para criminosos. Fornecia empregos a muitos, incluindo os ourives que miniaturavam santuários de Diana. Foi nesta cidade que o apóstolo Paulo fundou a igreja de Éfeso. Ele passou três anos ali pregando as boas novas do Senhor Jesus. Éfeso era uma cidade idólatra. Lá as pessoas encontravam vários tipos de deuses também. O culto pagão era livre. O culto ao imperador era obrigatório. Quando muitos se converteram, muitos ourives perderam seus empregos. Porque os novos convertidos deixaram de cultuar aos ídolos e ao imperador. Bem como também queimaram seus livros de magia. Paulo fundou aqui a igreja que se tornou o centro para a evangelização do resto da província e aqui residia o apóstolo João. A igreja em Éfeso, consequentemente, deve ter-se tornado a principal do leste, com a possível exceção de Antioquia.
           O apóstolo João escreve para aquela igreja aquilo que o senhor lhe revelou sobre ela:



I – UMA IGREJA BATALHADORA, V. 1, 2.


           Quando Jesus diz “Eu sei”, “conheço” na ARA, declara uma verdade de importância dupla. A frase encabeça cada uma das sete cartas, ora proporcionando conforto (Ap 2.9; Ap 2.13, etc.), ora envergonhando (Ap 3.1-15). Aqui ela precede uma recomendação. E a recomendação vem daquele que tem os pastores em suas mãos. Que motivo de conforto e segurança para a igreja! De igual modo ele diz que anda no meio da igreja. Mais uma palavra confortadora, afinal ele sabe quem na igreja está frio espiritualmente, quem está se sentindo fraco, quem está passando por guerras interiores. Lembremos que é ele que sustenta a vida espiritual da igreja, que é representada aqui como candeeiro, igreja é para brilhar, para irradiar a luz de Cristo (v.1).
           Aquela era uma igreja proveniente da missão do apóstolo Paulo, e por ele instruída, portanto, tinha uma base doutrinária considerável. E era uma igreja que batalhava pela causa do evangelho no sentido de defendê-lo contra as heresias não aceitando os falsos mestres. Era uma igreja de labor (kopon), labor até a exaustão. E este labor era justamente a luta contra os heréticos.
          Jesus elogia aquela igreja por aquilo que há de positivo nela. O que nos faz pensar sobre o que ele veria ou está vendo de positivo em nós. Assim como a igreja de Éfeso, devemos ser igreja batalhadora, tanto na defesa da fé, quanto na obra que realizamos no Reino em quaisquer aspectos.


II – UMA IGREJA FIRME EM SUAS DOUTRINAS, V. 3, 6.

           Jesus aprova a fidelidade teológica daquela igreja. Por ser assim fiel, a igreja de Éfeso (e a nossa assim deve proceder também) pôde resistir aos nicolaítas, seguidores de Nicolau de Antioquia. Pouco sabemos sobre esta heresia do primeiro século cristão. O mais comum é lhes atribuir o ensino do libertinismo, a crença de, como corpo e alma, não se comunicam, aquilo que uma pessoa fizer no plano corporal (imoralidade, prostituição, etc.) não tem qualquer significado espiritual. Há hoje poucas pessoas que acreditam nisto, mas muitas que praticam isto. Este é o verdadeiro dúplice.
           É interessante que ele diz que eles não se cansaram, do grego kekopiakas, que denota cansaço moral. Significa então que por mais que sofressem pressão permaneceram fiéis moralmente, não traíram seu discurso, não mudaram sua pregação, foram perseverantes neste sentido. Uma das pressões que as igrejas, bem como seus líderes às vezes podem sofrer é falta de resultados imediatos. Pode vir o pensamento de que as coisas (o serviço para o Reino) poderiam estar sendo feitas de uma outra forma para se alcançar os resultados mais rapidamente e mais grandiosamente. O problema é que ao se aderir a este pensamento não estará longe de trair a verdade bíblica em sua pureza. Mas que nós, como igreja, e individualmente, que também somos tentados de igual modo, sejamos perseverantes naquilo que a Palavra nos ensina.


III – UMA IGREJA QUE PERDEU O VIGOR ESPIRITUAL, V. 4.

           Mas esta carta não é só elogio, agora vem aquilo que era negativo entre eles e que precisavam urgentemente corrigir. Eles abandonaram o seu primeiro amor. Não significa aqui que eles se desviaram da fé, não significa também que deixaram de crer nas doutrinas corretas. O significado é que embora trabalhassem para o Senhor, já não havia prazer espiritual no que faziam, já não havia paixão no que faziam. Refiro-me ‘paixão’ aqui não no sentido de relacionamento interpessoal, mas naquele sentido de impulso para a ação, de prazer na ação, de alegria por estar junto de quem se ama e fazer algo para quem se ama. Já não amavam ao Senhor com a intensidade que se deve amar, a consequência disso podemos imaginar é que também estariam com o amor para com o outro debilitado. A frieza espiritual estava presente nos corações, embora estivessem sendo muito ativos. Parece a teologia deísta aplicada a igreja. A teologia deísta diz que Deus criou o mundo, mas não se relaciona com ele, o abandonou às leis por Ele estabelecidas na natureza. No deísmo não pode haver relacionamento com Deus. Deus instituiu e deu corda à igreja, e ela agora busca fazer algo para Ele, busca até em algumas comunidades crer n’Ele e em suas obras conforme as Escrituras; mas no relacionamento está distante d’Ele, como se fosse possível trabalhar para Ele sem relacionar-se com Ele. Não podemos esquecer que a forma como trabalhamos na obra de Deus é mais importante do que o que estamos fazendo, pois o que conta é comunhão com Deus no ato do serviço.


IV – UMA IGREJA QUE RECEBE UMA NOVA OPORTUNIDADE, V. 5.


           A igreja então é chamada ao arrependimento. Metanonson – mudar de mente, pensar diferentemente, arrepender-se. É Jesus dizendo àquela igreja: “Tenham em mente os amorosos relacionamento que vocês desfrutaram uma vez, e façam uma clara ruptura na vossa maneira atual de viver”.
           O arrependimento acontece quando há consciência da necessidade de mudar. Demanda autoconhecimento, algo muito difícil. A igreja do Senhor necessita autoexaminar-se constantemente, assim como cada um de nós de forma individual.


Aplicação

           Façamos um inventário de nossas disposições e de nossas atitudes.
           Que não venhamos a nos desviar da doutrina ensinada nesta igreja. Mas que confiemos de que Jesus Cristo está cuidando dos oficiais desta igreja e que Ele está no nosso meio andando. Olhando como está a nossa vida com Deus.
           Merecemos os elogios que Éfeso recebeu?
           Merecemos a crítica que recebeu?       
       É Jesus quem nos julga, mas podemos fazer uma autoavaliação.
          Devemos nos arrepender dos nossos pecados. Eu sei: ninguém gosta de ser confrontado com seu erro. Porém, olhando a palavra de Deus, essa é a situação.
         O Senhor está no meio da sua igreja andando. Ele sabe o que cada um sofre. O que cada um está em falta. E se estamos em falta em nosso amor a Jesus Cristo, devemos o quanto antes nos arrepender. Senão o Senhor afiará a sua espada e pelejará contra os infiéis. Esta advertência a Igreja em Éfeso, também serve para nós aqui na Igreja Batista dos Guararapes.


Conclusão

           Conforme o versículo 7 Cristo vai recompensar aqueles que permanecer firme. Ele diz que ao vencedor darei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus. Esta árvore foi plantada no jardim do Éden. Após a queda do homem, Deus expulsou o homem do jardim para não comer daquela árvore, porque não permaneceu firme no seu estado original. Depois de expulsar o homem colocou querubins com espadas de fogo na entrada do jardim e assim impedindo o caminho para a árvore da vida. O paraíso ficou fechado para o homem depois da queda. Mas, em Cristo ele se abre para aquele vencedor que permanece firme no Senhor. O vencedor é aquele crente que luta contra o diabo e o pecado. E por seu amor a Jesus Cristo ele persevera até o fim. A esse vencedor é oferecido a comida que dar vida. O jardim do Éden agora é chamado em Apocalipse de a nova Jerusalém. A árvore está no meio da cidade. Como diz Apocalipse 22.2: “No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas são para a cura dos povos” e também o verso 14: “Bem-aventurados aqueles que lavam as vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhe assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas”.
           É dessa árvore que será dado aos fiéis ao Senhor Jesus Cristo. Porque Jesus Cristo abriu as portas do paraíso para nós entrarmos e recebermos o fruto da árvore da vida. Quer dizer, receberemos a vida eterna. Estaremos para sempre com o Cordeiro de Deus. Por isso, ouça o que o Espírito tem a dizer. Persevere naquele que morreu por você. Que te concedeu arrependimento e fé.
           Em face às turbulências que passamos como igreja nunca podemos esquecer que há reservado para nós aquilo que nem mesmo Adão vivenciou, pois ele não ‘comeu’ da árvore da vida, e a nós nos é reservado este tesouro.



Apocalipse 1.1-8


 Introdução

O livro de Apocalipse possivelmente é o livro menos lido da Bíblia. É um livro diferente de todos os outros: cheio de simbolismo, imagens vívidas, repetições numéricas, fala do dragão, da serpente, do número 666 como número da Besta. Tudo isso enquanto é fascinante para alguns, para outros é assustador. É um livro de difícil interpretação, se isso ocorre entre os estudiosos, muito patente entre o povo em geral. Muitas pessoas tem uma visão meramente futurista de Apocalipse, desconsideram ou desconhecem que ele também fala acerca do presente. Interpretar esse livro somente como conteúdo de profecias futuras é algo alienante. Erroneamente alguns já usaram este livro para defender algumas posturas equivocadas; por exemplo: a ideia de que a ex-União Soviética juntamente com a China era um bloco comunista diabólico profetizado em Apocalipse (Gogue e Magogue - Ap 20,7-8), que combateriam os cristãos democráticos e capitalistas, os quais, entretanto, venceriam com a ajuda de Cristo (obviamente essa visão foi difundida por intérpretes norte-americanos). Esse é apenas um exemplo de muitos absurdos já apregoados por meio de uma interpretação errada do livro.
O livro de apocalipse enquanto é encantador para alguns, para muitos outros é considerado estranho, e por isso é evitado. Há duas razões básicas porque isso acontece:
a) a ideia de que ele é um livro selado, encoberto.
Pelo próprio título do livro essa ideia já deveria ser descartada. Apocalipse significa revelação. O Senhor diz a João: "Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo" (22:10). O que nele está escrito deve ser conhecido por todos. Traz revelações acerca do futuro próximo e do futuro distante.
b) a ideia de que fala de catástrofe, de caos.
Essa ideia prevalece hoje. Inclusive na cultura mundana o apocalipse é algo que deve ser evitado, que o ser humano deve lutar para evitar que aconteça. Há muitos filmes que retratam isso. Mas o livro de Apocalipse, embora mostre tragédias, sofrimento, é antes, a revelação da vitória final de Cristo e sua igreja. Jesus Cristo em sua glória é o tema do livro.
Por que devemos ler Apocalipse?
Primeiramente porque é Palavra de Deus, e como tal é útil para o ensino, para a correção, para instruir na justiça (2 Tm 3.16).
Em segundo lugar porque é bastante confortador, pois revela a vitória final de Cristo e de sua igreja.


I – O título, o autor e o assunto do livro, v. 1-3.

O próprio livro esclarece suas peculiaridades: ele é a revelação daquilo que em breve acontecerá; foi escrito por João, o mesmo que escreveu as epístolas e o evangelho; e revela Cristo em sua glória.
Em um tempo de perseguição e de grande sofrimento para a igreja João recebe essa revelação acerca do Cristo vitorioso, que voltará e porá em triunfo a Sua igreja.
Este é um livro repleto de símbolos, e há uma razão para isso. Nesse sentido é parecido com as parábolas, esclarece para uns e oculta para outros. A igreja compreendia o que era dito por meio dos símbolos, no entanto os ímpios nada entendiam. Assim: para falar acerca de um ditador falou de uma besta, em vez de falar acerca de todo o sistema sedutor e maligno do império romano falou da Meretriz, de Babilônia, a grande.


II – Os leitores de Apocalipse, v. 4-8.

Jesus envia sua mensagem por meio de Joãos às sete igrejas da Ásia. Poderia ser a seis igrejas ou a oito, contudo o livro é enviado a sete igrejas por um motivo específico. O número sete se repete com frequência no livro: há sete candeeiros, sete estrelas, sete selos, sete trombetas, sete taças, sete espíritos, sete cabeças, sete chifres, sete montanhas. Isso ocorre porque que o número sete significava algo completo. Então ao escrever às sete igrejas tem o sentido de estar escrevendo a toda a igreja, isso em todos as eras e em todos os lugares.
É um livro destinado a todos os verdadeiros cristãos. Nos exorta, nos encoraja. Somos abençoados ao ouvir a sua mensagem, ao guardá-la em nossos corações. Deve ser lido nos cultos ao Senhor.
Não devemos nos aproximar desse livro como meros curiosos. A reação de João diante da revelação divina foi semelhante à de Daniel (D 10.7-10; Ap 1.17). Ficaram esmagados diante da grandeza do Senhor. Desse modo, devemos nos aproximar do livro de Apocalipse com reverência.


III – O remetente do livro de Apocalipse, v. 4-5.

João os saúda com a graça e a paz. É uma saudação de encorajamento para uma igreja que está vivendo um martírio. Ele fala em nome do verdadeiro autor do livro, o Deus Triúno. Nesses versículos temos a revelação da Trindade. O Deus Pai, o Deus Filho e o Deus Espírito, que é um Deus Triúno, estão no total controle da situação vivenciada pela igreja, em meio à tribulação que ela enfrenta Ele envia Sua Graça e sua Paz.
Mas esses versículos também nos mostram como a igreja deve ver o noivo. O que aqui está exposto traz a revelação do tríplice ofício de Cristo:
a) Ele é Profeta – A Fiel Testemunha nunca deixou de anunciar o Pai em seu ministério terreno, mesmo na hora do sofrimento e da morte. Ele mesmo disse: “Eu vim para fazer a vontade do pai” (Jo 6.38);

b) Ele é Sacerdote – Ele nos representou em sua vitória contra a morte, é o primogênito na ressurreição e nós o seguiremos também ressuscitando no corpo. Uma igreja que passa por perseguição e martírio precisa ouvir que o seu senhor é aquele que venceu a morte;

c) Ele é Rei – O Soberano dos reis da terra. Ele é o rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele está acima dos impérios, tem domínio absoluto sobre tudo.

Qual então deve ser a postura da igreja? João em sua descrição passa a adorar a Cristo. E essa deve ser a postura constante de toda a igreja, pelas razões por ele exposta:
a) Ele nos ama. O verbo no presente indica a permanência desse amor. Ele nos amou, nos ama e continuará nos amando perpetuamente.

b) Ele nos libertou dos nossos pecados. João fala do ato da redenção já concluído.

c) Nos constituiu reino e sacerdotes. Já reinamos com Cristo nas regiões celestiais, e reinaremos de modo mais excelente. Além da posição real ao lado de Cristo também nos concedeu ser sacerdotes. Os sacerdotes tinham uma mitra na qual tinha uma placa de ouro onde estava escrito “Santidade ao Senhor”. Como sacerdotes, então, devemos viver uma vida de santidade.


IV – O tema do livro de Apocalipse, v. 7-8.

Eis aqui o grande tema do livro: a vitória de Cristo em sua volta gloriosa. A vinda de Cristo será:
a) Uma vinda Pessoal
Não será um evento do qual ouviremos, mas veremos, vivenciaremos, contemplaremos. Assim como foi pessoal a sua partida será pessoal o seu retorno. Vários textos bíblicos corroboram (Jo 14.3; 1 Ts 4.16; At 1.11).

b) Uma vinda Pública e visível.
“[...todo o olho o verá...] (1.7).
“e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória” (Mt 24.30).

c) Uma vinda Poderosa e para juízo
Aquele que veio em estado de humilhação, viveu em estado de humilhação e morreu também em humilhação sendo vítima de um julgamento  falso, voltará gloriosamente para julgar todas nações (Mt 25.31-46). Sua vinda será em grande glória (Mt 24.30; Mc 13.26; Lc 21.27).
No v. 8 o Senhor mesmo fala de seus atributos de onipotência e eternidade, isso para mostrar que ele é poderoso para executar o seu plano na história humana.


Conclusão

Ao contemplar essa revelação de Cristo devemos estar nos perguntando:
·        Temos hoje como igreja e como cristãos individualmente constantemente diante de nossos olhos a visão desse Cristo glorificado?
·        Temos nos percebido em viver uma vida de preparação para o seu retorno?
·        Estamos sendo como aquelas jovens prudentes, nossas lâmpadas estão cheias de azeite? Ou temos sido relaxados?
Impendentemente do que estejamos passando tenhamos em mente que a mensagem de Apocalipse é para nós; e nos fortalece, nos anima e nos exorta.