Apocalipse 3.7-13 - Uma igreja que aproveita as oportunidades

7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:
8 Conheço as tuas obras – eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar – que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.
9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.
10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.
11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.
13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.


Introdução

A cidade de Filadélfia foi fundada pelo rei Átalo, de Pérgamo. O apelido desse rei era Filadelfo (“aquele que ama o irmão”), daí o nome da cidade. Esta cidade, (hoje Alasehir, na Turquia), era bem localizada, junto a uma estrada bastante movimentada que ligava a Àsia à Europa. Assim mantinha sempre uma porta aberta à indústria, ao comércio e a cultura grega, que se difundiu naquela região.
No ano 17 a. C. foi atingida, juntamente com outras cidades, como Sardes, por um grande terremoto. Tibério César ajudou a reconstruí-la e ela passou a chamar-se Neocesaréia em homenagem a ele. Por conta então do medo de terremotos muitos moradores passaram a viver em tendas fora dos muros da cidade, daí a promessa de Jesus no v. 12: “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá”. E porque a cidade mudou de nome a ênfase acerca do novo nome dado por Cristo.
Essa é uma das duas igrejas que Jesus apenas elogia, não traz repreensões, a outra é Esmirna.
Podemos de dizer que esta era uma igreja que tinha uma visão correta do Reino de Deus. Era uma igreja que olhava para as oportunidades, não para as dificuldades.


I – Uma igreja com uma grande oportunidade diante de si, v. 7-8.

Quem lhe concede tal oportunidade é aquele que é santo e verdadeiro. Como sempre Jesus se apresenta falando de sua santidade para ser de incentivo aos irmãos que busquem santidade de vida. Diz também que é o verdadeiro como forma de contrapor os falsos mestres citados no v. 9.
Esse que é santo e verdadeiro é quem possui a Chave de Davi. Essa é uma declaração que visa denotar sua messianidade. Como profetizado por Isaías em 22.2: “Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá”. Assim, ele é aquele que tem autoridade. Chaves aqui é símbolo de autoridade. Ele é o Messias prometido descendente de Davi. É Ele que tem as chaves da salvação.
A igreja não tem a chave do reino de Deus no sentido acreditado pelos católicos romanos. Não é a igreja quem decide que vai para o céu ou para o inferno. Jesus é o senhor absoluto, a ele pertence a salvação. Ele é a porta, ele é o caminho e é ele quem tem a chave, quem tem autoridade.
No v. 8 Jesus elogia aquela igreja, pois embora pequena mantêm-se fiel ao seu Senhor. Aquela não era uma igreja influente, com recursos. Tinha poucas possiblidades de ação. Possivelmente essa é uma das premissas usadas pelos seus adversário, os “supostos” judeus, para se chegar a conclusão de que Deus não estava com eles. Uma conclusão falsa. O próprio Senhor diz a eles: “conheço as tuas obras”. Sua pouca força não implicava distanciamento do Senhor, os judeus não compreendiam a lógica do reino de Deus. E os irmãos de Filadélfia precisavam ser fortalecidos naquilo que no passado o Senhor falou ao seu povo em Is 41.14: “Não temas, ó vermezinho de Jacó, povinho de Israel; eu te ajudo, diz o SENHOR, e o teu Redentor é o Santo de Israel”. Isso é repetido a eles de uma forma diferente para enfatizar a proteção do Senhor na vida daquela igreja.
Jesus diz que porá uma porta aberta para ela. Essa porta é a da evangelização. Não importava que fosse uma congregação pequena formada em sua maioria de pobres e escravos; o seu poder e a eficiência de sua mensagem não viria de sua condição social, mas do Senhor.
Quando o Senhor Jesus nos abre uma porta para pregar o seu nome temos a garantia de que ninguém pode fechá-la.
Uma pergunta que podemos estar nos fazendo é quais são as portas que ele tem aberto para nós anunciarmos o evangelho? Temos sabido aproveitá-las?


II – Uma igreja que enfrenta inimigos, 9-10.

Jesus menciona os falsos judeus, inimigos da igreja do Senhor, pessoas arrogantes, soberbas, que se ufanavam em sua linhagem judaica como sendo a coisa mais excelente da vida.
Mas aquela pequena igreja, aparentemente sem força recebe a promessa do Senhor de que tais adversários não triunfariam contra ela. Afinal, as portas do inferno não prevalecem contra a igreja do Senhor.
A forma como a igreja deveria enfrentar seus inimigos judeus aqui era continuar anunciando o evangelho de Cristo. Quando é dito no final do v. 9 que os judeus iriam se prostrar aos seus pés está significando que alguns judeus iriam ser convertidos ao Senhor e isso lhes seria de consolo. Assim como não eram todos os judeus que os rejeitavam, também não seriam todos os judeus que viriam a ser convertidos. Mas haveria conversões.
Outro inimigo ou desafio a ser enfrentado pela igreja era uma grande provação que estava por vir sobre aqueles irmãos. Não apenas sobre eles, mas também sobre os ímpios até de outras nações. Provação aqui trás a ideia de um tempo de dificuldades e sofrimento. Este versículo pode ter o sentido tanto de perigo imediato quanto de uma tribulação futura que a igreja em sua totalidade viria a enfrentar - a chamada Grande Tribulação. O Senhor diz que os guardará. Contudo, guardar aqui não implica livrá-los de vivenciar qualquer dor, não é fazer com que a igreja não passe pela grande Tribulação. “eu te guardarei” significa que manterá os seus na pureza. O sentido dessa expressão é compreendido lembrando João 17.15 quando Jesus ora pela igreja pedindo ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal”. Mas aqueles irmãos poderiam sentir-se tranquilos, pois seja qual fosse a situação futura, como é dito em hebreus 2.8 enquanto tais tempos de provação são de juízo para os ímpios, para os justos é de crescimento.


III – Uma igreja com promessas maravilhosas, v. 11-12.

A primeira dessas promessas é acerca da vinda do Senhor. Aqui sua vinda pode ser entendida de forma mais ampla. Pois essa referência pode dizer respeito a:
a) Uma vinda para julgamento ou juízo;
b) Uma referência à morte física;
c) A vinda escatológica.
Isso tudo porque a ideia da vinda está atrelada à do encontro com ele. Mas há aqui não apenas a promessa de sua vinda como também uma exortação a prosseguirem fielmente. A referência da coroa é acerca da vitória. Deveriam ter cuidado para manterem-se vitoriosos. A expressão poderia ser entendida com se a igreja já possuísse a grinalda de vencedora, mas na verdade ainda estavam na corrida, o prêmio final ainda seria alcançado, embora já lhe estivesse garantido (2 Tm 4.8), preservado para ela ( 1Pe 1.4). Mas deveriam enquanto neste mundo estivessem continuar na luta para não perder aquilo que o evangelho lhes trouxe: a perseverança por Jesus, a independência de honra humana ou fama, e até o amor aos inimigos. Perder essas coisas seria ser derrotados.
Aqueles irmãos que viviam em uma cidade que já fora abalada por terremotos recebe do Senhor a promessa de serem feitos colunas no santuário de Deus.
A promessa aqui é de segurança. Para uma igreja que habitava em uma cidade onde as pessoas viviam inseguras com medo de terremotos o Senhor Jesus diz que eles habitarão para sempre em sua presença. Dizer que gravará sobre eles o nome de Deus é uma afirmação de que eles pertencem ao Senhor, são verdadeira igreja do Senhor. A sua cidadania celestial é ratificada ao dizer-lhes que lhe gravará o nome da nova Jerusalém. E ainda diz que gravará o seu novo nome como uma referência à consumação de sua obra redentiva. Assim são promessas gloriosas concedidas à igreja.
Quem é o vencedor aqui? O texto é exortativo, assim busca incentivar os irmãos a prosseguirem como estão. O vencedor é todo aquele que é verdadeiramente “judeu espiritual”, todo aquele que é lavado no sangue de Cristo, todo o salvo.


Conclusão

1. Certamente se formos ficar observando apenas os obstáculos não estaremos aproveitando as oportunidades que o Senhor nos concede, essa é uma verdade que tanto vale para as questões individuais de nossas vidas como para o serviço que podemos estar prestando ao Senhor enquanto igreja.

2. O Senhor é que abre as portas, se ele o faz devemos trabalhar, se ele fecha devemos parar.


3. Será que nos assemelhamos com a igreja de Filadélfia?

Apocalipse 3:1-6 - UMA IGREJA QUE NECESSITA DE REAVIVAMENTO

Ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.
Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras  as tuas obras na presença do meu Deus.
Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como um ladrão, e não conhecerás de modo algum em que horas virei contra ti.
Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.




Introdução

A história da igreja em Sardes tem um pouco a ver com a história da cidade. Sardes houvera sido capital da Lídia no século VII a.C, uma cidade importante. Situada no alto de uma colina, sentia-se muito segura, inexpugnável, jamais seus habitantes imaginariam cair nas mãos de inimigos.
A cidade de Sardes tinha uma atividade econômica basicamente do comércio da lã. A cidade ocupava uma posição estrategicamente importante, pois lá havia uma rota comercial. O comércio era algo intenso e que gerava riqueza, contudo, para os cristãos havia um problema, era uma atividade exclusiva dos adoradores da besta. Como é dito em 13.16 para comprar e vender é necessário ter a marca da besta, o nome da besta, o número do seu nome.
Aqui há esse dilema, por um lado há o poder do dragão que domina, persegue, exige adoração exclusiva; e por outro lado, os cristãos, não podendo ceder a essa exigência, estão cansados e perguntado ao Senhor: “até quando?” (6.10).
Aquela cidade, considerada inconquistável, com sua muralha eficiente a lhe proteger, caiu nas garras de Ciro da Pérsia em 529 a. C, seu exército entrou por um buraco na muralha e dominou toda a cidade. Mais tarde, em 218 a. C, Antíoco Epifânio dominou a cidade da mesma forma. Assim, os moradores de Sardes entendiam bem as palavras: "Sede vigilantes! ... senão virei como ladrão de noite".
A cidade foi reconstruída no período de Alexandre Magno e dedicada à deusa
Cibele. Essa divindade padroeira era creditada com o poder especial de restaurar vida aos mortos. Mas a igreja estava morrendo e só Jesus poderia dar vida aos crentes.
No ano 17 d. C. Sardes foi parcialmente destruída por um terremoto e reconstruída pelo imperador Tibério. A cidade tornou-se famosa pelo alto grau de imoralidade que a invadiu e a decadência que a dominou.
Quando João escreveu esta carta, Sardes era uma cidade rica, mas totalmente degenerada. Sua glória estava no passado e seus habitantes entregavam-se agora aos encantos de uma vida de luxúria e prazer. A igreja tornou-se como a cidade. Em vez de influenciar, foi influenciada. Era como sal sem sabor ou uma candeia escondida. A igreja não era nem perigosa nem desejável para a cidade de Sardes.
É nesse contexto que vemos Jesus enviando esta carta à igreja. Sardes era uma poderosa igreja, dona de um grande nome. Uma igreja que tinha nome e fama, mas não vida. Tinha performance, mas não integridade. Tinha obras, mas não dignidade.
A esta igreja Jesus envia uma mensagem revelando a necessidade imperativa de um poderoso reavivamento. Uma atmosfera espiritual sintética substituía o Espírito Santo naquela igreja. Ela substituía a genuína experiência espiritual por algo simulado. A igreja estava caindo num torpor espiritual e precisava de reavivamento. O primeiro passo ao reavivamento é ter consciência de que há crentes mortos e outros dormindo que precisam ser despertados.
Não é diferente o estado da igreja hoje. Ao sermos confrontados por aquele que anda no meio dos candeeiros, precisamos também tomar conhecimento da nossa necessidade de reavivamento. Devemos olhar para esta carta não como uma relíquia, mas como um espelho, em que nos vemos a nós mesmos.




I – Uma aparente de condição de vida, v.1-2.

Como ocorre em todas as cartas Jesus se apresenta com seu título que faz parte da revelação à João, assim como consta no capítulo primeiro (1.4, 16, 20; 2.1).
Mais uma vez a menção aos sete Espíritos de Deus, expressão que busca designar a plenitude do Espírito Santo. Faz-se necessária essa ênfase, pois embora aquele igreja aparente estar muito viva, se encontrava decadente. E somente o Espírito de Deus pode trazer vida à igreja. Uma igreja pode ter estratégias acerca de suas atividades, isso lhe ajuda a se manter enquanto comunidade local, contudo, é algo que pode existir sem que haja vida real na igreja. A vida dinâmica espiritual só há mediante a atuação do Espírito Santo.
O Senhor Jesus também faz menção que em suas mãos estão as “sete estrelas”, referência aos sete líderes, pregadores, daquelas igrejas. Os mensageiros da Palavra de Deus são os canais para que o Senhor fale à igreja e venha então a gerar vida.
Jesus declara: “conheço as tuas obras, que tens nome de que vive e estás morto” (v.1). Infelizmente era uma igreja sob a influência mundana. Podiam os crente ali serem muito ativistas, mas sua fama não correspondia com sua realidade espiritual. Aquela era uma igreja que tinha todas as características externas de uma igreja viva. Contudo, internamente estava infrutífera, morta.
Uma igreja deve ser ativa, mas não é raro em nossos dias isso ser confundido com ativismo. Ativismo é algo que pode fazer uma igreja ter reputação, mas isso acontecendo estando cheia de crentes carnais de nada adianta ao Reino do Senhor e a essas pessoas.
“Sê vigilante” (v.2), isto é, tenham muito cuidado, pois em um pequeno vacilo vocês poderão estar conhecendo a derrota. Isso faz lembra que por falta de vigilância aquela cidade foi derrota por seus inimigos no passado que entraram por uma pequena brecha no muro. Como comunidade e individualmente devemos estar alerta, não permitindo brechas espirituais, pois nosso adversário sabe aproveitá-las muito bem.
Com a expressão “consolida o resto que estava para morrer” vem a ideia de fortalecer, fortificar, tornar firme (v.2). Aquela era uma igreja de pessoas enfraquecidas espiritualmente. Os que estavam conscientes da realidade da igreja deveriam ajudar aqueles que se encontravam em condição de mornidão espiritual. Para que uma igreja não tenha apenas aparência de vida, mas verdadeira vida em comunidade é necessário que os irmãos se ajudem mutuamente: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrige-os com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. Levai as cargas um dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.1, 2).
 “Porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus” (v.2). Aquela era uma igreja que tinha seus rituais, fazia suas obras, mas fazia sem amor, sem fé genuína, sem prazer espiritual, e isso não é suficiente para o Senhor. Por mais que seja difícil às vezes, por conta de circunstâncias adversas, busque servir ao SENHOR com alegria e singeleza de coração.


II – A advertência do possível juízo divino, v.3.

Deveriam lembrar o evangelho que receberam. A obediência deveria voltar a fazer parte de suas vidas, a chamada ao arrependimento era urgente aqui. Deveriam ter uma mudança de mente e de coração. Arrependimento diz respeito à percepção racional do pecado, ao entristecimento por ter pecado e ao desejo de não mais voltar a tal prática.
A igreja foi devidamente cuidada pelo Senhor, alimentada espiritualmente, tem a presença de seu Santo Espírito. Contudo, a igreja de Sardes parecia estar vivendo como se nada disso tivesse acontecido. A palavra de Jesus é uma só: arrepende-te, senão virei em juízo.
A ameaça do juízo está posta para o caso do não arrependimento.
Todo reavivamento na história da igreja esteve presente a chamada ao arrependimento, o consequente arrependimento do povo e a restauração do Senhor na vida do povo.


III – Gloriosas promessas aos vencedores, v.4-6.

Em sua graça o Senhor sempre sustenta alguns na pureza. Mesmo em uma igreja que estava contaminada pela influência mundana, havia aqueles que não mancharam suas vestimentas. Roupas brancas e limpas é símbolo de conduta e estilo de vida moral aprovada pelo Senhor. A promessa do Senhor é que essas pessoas andariam com ele, por serem dignas. Essa dignidade não é própria, mas por causa da obra de Cristo aplicada a elas (Ap 7.13-15).
No v. 5 a ideia é que o vencedor será vestido de vestidura branca pelo próprio Cristo, isto é uma indicação da glorificação dos santos. Diz ainda que de nenhum modo será apagado o seu nome do Livro da Vida, aqui a referência é à certeza da salvação, à segurança dos santos. Aqueles que em Cristo podem sentir-se seguros de que serão vencedores, seus nomes estão escritos no Livro da Vida.
Essa expressão “Livro da Vida” é interessante aqui, pois os romanos apagavam os registros civis dos condenados antes de sua execução. O Senhor está garantindo àqueles que estavam como réus tendo a possiblidade de perderem sua cidadania romana, que não havia como eles perderem sua cidadania celestial. No antigo Testamento a expressão “Livro da Vida” tem o sentido de morte terrena, por isso que Moisés pede para o Senhor riscar o seu nome do Livro da Vida quando intercede pelo povo (Ex 32.32, 33).
O v. 5 termina com o Senhor Jesus dizendo: “Confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”. Essa é uma repetição do que consta em Mateus 10.32. Muito melhor do que a boa fama, do que ser visto em alto conceito pela sociedade, do que ter a fama de estar vivo, é de fato tudo isso corresponder com a realidade de estarmos em Cristo e termos nosso nome proclamado por ele nos céus como um dos redimidos, para o louvor de sua glória.
Assim, meus irmãos, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas, valorize, ponha em prática.


Aplicações

1. Que como igreja local não nos preocupemos primordialmente com nossa aparência de igreja ativa e trabalhadora, não devemos essa satisfação à sociedade nem a outras igrejas. Nossa preocupação é que de fato estejamos sendo uma igreja viva, que trabalha na dependência e poder do Espírito Santo.

2. Muitos crentes tem ouvido a repreensão do Senhor e a chamado ao arrependimento, quando isso ocorrer conosco que não percamos tempo, mas caiamos aos pés do Senhor em confissão de pecados.

3. Você é um(a) vencedor(a) em Cristo Jesus. Pode ser que sofra algumas derrotas nesta vida. Lute para viver mais vitórias do que derrotas. Mas que as derrotas sofridas não tirem sua percepção de que a vitória final é garantida pelo sangue do Cordeiro.


Conclusão


“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8). Reavivamento é santidade de vida.

Filipenses 1.27-30 - Vivam de modo digno do evangelho

Introdução

Nós cristãos vivemos uma tensão no que diz respeito ao fato de temos duas cidadanias. Somos brasileiros, vivenciamos as coisas referentes ao nosso contexto secular; mas ao mesmo tempo somos cidadãos dos céus, temos uma pátria celestial, e neste mundo consequentemente somos embaixadores desse reino espiritual. Vivemos também a tensão entre o nosso encontro futuro com Cristo, quando então nossa cidadania espiritual se efetuará e prevalecerá sobre a atual, e a nossa cidadania do presente. A igreja então está entre aquilo que é e aquilo que virá a ser.
Assim, não podemos jamais esquecer quem somos e que neste mundo somos peregrinos: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos o salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).
Enquanto nos encontramos aqui como encontrar o equilíbrio entre essas duas cidadanias? Como lidar com esses conflitos?


Elucidação

Paulo, ao escrever essa epístola estava preso em Roma, tencionava expressar gratidão pela ajuda enviada por aquela igreja através de Epafrodito (Fp 2.25; 4.18). Aproveita a ocasião para incentivá-los à unidade cristã, à uma vida coerente com o evangelho de Cristo. Faz isto utilizando os aspectos sociais e culturais daquela cidade. Filipos era uma colônia romana, seus cidadãos eram romanos, falavam latim, vestiam vestimentas romanas, lembravam e se orgulhavam do fato de mesmo estarem localizados em território grego eram totalmente romanos. Eles tinham um grande orgulho de sua cidadania.
Desse modo, o nosso texto incentiva a igreja a viver de modo digno da cidadania celestial.



I – Vivam a missão cristã, v.27.

A expressão utilizada pelo apóstolo Paulo que foi traduzida por “vivei” tem na íntegra o sentido aqui de “se portem como cidadãos”. Ele já havia falado muitas coisas nesse capítulo, mas chama a atenção aqui para algo sobremodo importante – “acima de tudo”.
O incentivo de Paulo parte não de uma teoria, mas do fato de que ele mesmo vivia de modo digno do evangelho. A causa do evangelho foi sempre central para Paulo:
No passado, v. 12;
Ele não se importava em ter passado privações, perseguições, desde que tudo tenha contribuído para o progresso do evangelho.
No presente, v. 14-18.
Paulo não se preocupava com os invejosos, com aqueles que queriam o seu “posto” na igreja, desde que pregassem Cristo e não heresias. O importante para ele era cristo ser anunciado.
No futuro, v. 20, 21.
O presente era Cristo, sua vida era Cristo e fazê-lo conhecido. O futuro seria encontro com Cristo, então morrer seria lucro.
Paulo entende toda a sua história, passado, presente e futuro à luz da mensagem de Cristo.
Que assim como Paulo, cada um de nós cumpramos a nossa missão! Que vivamos de modo digno do evangelho. Entenda a centralidade de Cristo em toda a nossa história de vida.


II – Utilizem a estratégia cristã, v.27, 28.

A estratégia correta a ser utilizada então é viver em unidade. Lembremos quão enfaticamente Jesus enfatizou a importância desse elemento espiritual:
“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34–35). “[..] e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos” (Jo 17.21–22).
O apóstolo Paulo sabia muito bem que uma igreja só pode ser vitoriosa batalhando em unidade. O desejo dele é que mesmo em sua ausência pudesse estar ouvindo falar da maturidade daquela igreja, ouvisse que eles estavam se prontificando para batalhar pela causa de Cristo. O “estais firmes” na verdade aqui é uma linguagem militar, que traz o sentido de ‘prontos para o combate’. Deveria estar “em um só espírito”. Espírito aqui pode ser o Espírito Santo ou uma atitude presente conjuntamente em cada cristão. Os intérpretes se dividem a respeito. Deveriam então estar lutando juntos, e isso é mais do que uma associação para uma causa comum, trata-se de uma unidade que excede àquela encontrada em contextos seculares. Juntos, por ser uma única família, por ter uma ligação espiritual realizada pelo próprio Cristo em sua obra e operacionalizada pelo Espírito Santo deve a igreja “lutar pela fé evangélica”. Trata-se aqui de fé no sentido de conteúdo daquilo que cremos, ou seja, das doutrinas. Paulo está incentivando a uma luta evangelística e apologética. Ele quer unidade para a igreja, mas ele sabe que não existe verdadeira unidade destituída da verdade da Palavra.
Que lutemos juntos não por modismos ou doutrinas de homens, mas pela verdade de Deus, e assim vivenciaremos verdadeira unidade (Ef 4.1-6).
Que nesta luta não nos sintamos intimidados. Esta expressão (pturemenoi = intimidados) era utilizada para se referir a um cavalo assustado no campo de batalha. Paulo é bastante realista, sabe que como cristãos estamos todos em guerra, mas nos incentiva a prosseguirmos avante.
Os verdadeiros crentes não terão esperança de serem amigos do mundo, pois sua própria presença já é uma censura ao que o mundo abraça. Podemos correr o risco de sermos vistos como presunçosos por afirmarmos que estamos em Cristo e somente por meio de Cristo há salvação. Muitos consideram-nos intolerantes e homofóbicos por falarmos contra o adultério e contra o homossexualismo. Então diante disso tudo ou as pessoas serão impactadas pelo evangelho ou se oporão aos cristãos. Mas Jesus já nos advertiu a não esperarmos simpatia do mundo: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” (Jo 15.18). Daí Paulo diz para não nos intimidarmos.
Essa situação é prova evidente de perdição para eles, pois serão julgados pelo Senhor (2 Ts 1.7-9). Para nós é prova de salvação no sentido de que é uma prova de que pertencemos ao Senhor. O Senhor Jesus já havia proferido: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.10–12).
Não desanime diante de perseguições, se alegre em Cristo, ainda que delas advenham sofrimentos.


III – Viva o estímulo cristão, v. 29.

O estímulo cristão para prosseguir vitoriosamente em Cristo está em algo estranho a quem não tem o Espírito Santo. Por estranho que à primeira vista possa parecer, o nosso estímulo é a graça de padecermos por Cristo.
Paulo tem toda propriedade para incentivar isso aos irmãos. Ele mesmo quando visitara Filipos para pregar o evangelho e então iniciar a igreja naquela cidade teve a oportunidade de expulsar um espírito maligno de uma jovem. Tal evento deixou as pessoas que exploravam aquela situação enraivecidas e conseguiram prendê-lo sob a acusação de perturbação da ordem social. Diz o texto bíblico de Atos 16 que mesmo na prisão, mesmo tendo sido açoitados injustamente Paulo e Silas louvavam à Deus alegremente (v.25) Tão impactante foi esse momento que redundou na conversão do carcereiro e sua família.
Isso não significa     que o cristão deve precipitar-se inconsequentemente a uma situação de sofrimento, mas que caso venha a estar presente pelas razões de vivermos o evangelho devemos entender como privilégio manifesto pela graça do Senhor. Se sofrermos, não por consequência de nossos pecados, mas por andarmos em fidelidade à nossa cidadania celestial neste mundo hostil, isto redundará em glória para nós: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados (Rm 8.17);  (1Pe 4.12-16).
Diante de tudo isso, há alguns desafios para nós como embaixadores de Cristo em nossa cidadania presente.


Aplicação

Desafios do cristão:
1. Viver o equilíbrio de estar na expectativa da consumação da pátria espiritual sem desconectar da realidade social. O cristão pode se envolver politicamente em sua conjuntura social. Pode sentir orgulho de sua pátria, desde que não a idolatre.

2. Entender que a unidade do corpo de Cristo deve exceder àquilo que vemos como unidade no contexto de não-igreja.

3. Saber se estamos em nossa caminhada sendo aprovados ou reprovados pelo Senhor.

4. Não fugir ao compromisso do evangelho de Cristo para simplesmente não vivermos algum prejuízo.


Conclusão

No v. 30 Paulo lembra que sofreu quando chegou em Filipos, colocando-se como exemplo ao mesmo tempo que mostra que o combate que viram nele é compartilhado pelos filipenses. Mas não apenas por eles, por todos os cristãos. Assim, viva esse combate, essa tensão entre o temporal e o eterno, entre a pátria celestial e a terrena de tal forma que as pessoas reconheciam você como cidadão do Reino de Deus.


Apocalipse 2.18-29 - Uma igreja tolerante com o pecado



Introdução

A maior das cartas é dirigida a menor das igrejas. E a cidade de Tiatira não era uma cidade tão importante quanto as demais, não era um centro político nem religioso, tinha apenas um pouco de destaque no comércio.
Havia grêmios (grupos de comerciantes de lã, de couro, de linho, de bronze, de tintureiros, de alfaiates, de vendedores de púrpura, etc) que se reuniam com frequência. Era importante para os comerciantes fazer parte desses grêmios, ajudava nos negócios, na verdade, era essencial. Nessas reuniões havia sacrifícios aos ídolos e normalmente terminavam em orgias.
Essa carta nos mostra os perigos em ser cristão em um ambiente hostil e que não é possível servir a dois senhores (Mt.6:24; Tg.4:4). Infelizmente a igreja de Tiatira estava fazendo justamente isso, por ser demasiada tolerante com o pecado, tentavam agradar à sociedade e assim se contaminavam. Era como se estivessem tentando servir a dois senhores.



I - UMA IGREJA DINÃMICA, V.18-19.

V. 18 Mais uma vez a carta inicia com a apresentação de seu autor. Quem lhes escreve é o Filho de Deus. Essa ênfase no óbvio se faz necessária porque a carta é enviada a uma igreja que se encontra inserida em uma sociedade onde César e Apolo são tidos como divindades.
Ele apresenta-se como aquele que sonda e conhece todas as coisas, tem os “olhos como chama de fogo” (1:14), nada lhe é oculto. Além disso, diz que tem “pés semelhantes ao bronze polido” (1:15), ou seja, indica com isso que sua presença será percebida, pois ele julga a todos.
Depois de apresentar-se o Senhor falar-lhes o que está lhe agradando naquela igreja
v.19 – Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Aqui o Senhor revela que aquela era uma igreja dinâmica. Trabalhava bastante. Seria hoje uma igreja com agenda bem cheia. Também o amor era notório, e isso era algo muito positivo. Confiava no Senhor, a fé era genuína. Era perseverante em meio às provações. Tudo isso estava bem, contudo, ainda não era o suficiente. Em meio a todas essas coisas positivas havia algo que estava maculando sua santidade.


II – UMA IGREJA TOLERANTE AO PECADO, V. 20.


Percebam que antes de o Senhor repreender a Jezabel repreende a igreja por ser tolerante com aquela mulher. Quando os falsos ensinos estão no contexto da igreja aqueles que ouvem a aceitam são tão culpados quando os que ensinam heresias.
Jezabel faz lembrar aquela do A. T. de mesmo nome. A Jezabel do A. T. ensinou a idolatria ao povo, introduziu o culto pagão a Baal, perseguiu os profetas do SENHOR matando-os.
A Jezabel de Tiatira ensinava e induzia o povo ao erro. Pregava uma liberdade enganosa quanto ao pecado, uma tolerância não bíblica. Ensinava uma liberdade que era uma escravidão. Possivelmente dizia aos crentes comerciantes que não havia problemas de eles participarem daqueles grupos de comerciantes que sacrificavam aos ídolos e viviam na libertinagem sexual, afinal ela entendia que isso era necessário para poder se manter naquela sociedade. Transigir com o pecado nunca é a saída diante de uma situação de dificuldade.

Havia então nos ensinos daquela mulher uma falsa doutrina e uma falsa moralidade.

a) A falsa doutrina. Além de defender que não poderiam cometer um suicídio comercial deixando de participar daquelas festas, também dizia ela que era necessário conhecer as coisas profundas de Satanás (v. 24). Com isto ela queria dizer que só é possível de fato vencer o pecado se de algum modo mais profundo você conhecê-lo, ou seja, é necessário passar pela experiência da fornicação para saber o que de fato é isso e então poder vencer. Segundo Jezabel era necessário adulterar para poder vencer o adultério. Mas a Palavra de Deus nos diz totalmente o contrário, ora se nós já morremos para o pecado, como pois iremos admitir que vivamos sua prática? Como diz Paulo "na malícia... sede crianças (1 Co 14:20);  "devemos ser símplices para o mal" (Rm 16:19), ou seja, esse tipo de conhecimento prático não podemos jamais admitir.

b) A falsa moralidade. Jezabel está a ensinar uma moralidade liberal, ou seja, sem regras, sem legalismos, sem proibições.


III – UMA IGREJA COFRONTADA POR JESUS, V. 21.

Veja o Senhor em sua longanimidade. Ela teve tempo para que se arrependesse de seu pecado. O prazer do Senhor está não no exercício do juízo, mas em acolher quem se arrepende a vai aos seus braços.
Cada dia que o senhor não nos trata consoante os nossos pecados é tempo de graça para nós, que possamos aproveitar longanimidade e cair aos seus pés em arrependimento.


IV – UMA IGREJA QUE VERIA O JUÍZO DO SENHOR, V. 22-23.

Os atos de justiça do Senhor Jesus foi profetizado àqueles que comungavam com o pecado de Jezabel e que assim como ela não se arrependeram. Com sua atitude eles estavam a zombar da paciência de Cristo, mas o Senhor não se deixa escarnecer.  Eles receberiam o salário devido pelo seu pecado. O pecado inicialmente pode parecer atraente, mas o resultado é destruição. É como a oferta de estelionatário, que enaltece as supostas vantagens buscando seduzir sua vítima, mas no final a pessoa ver a realidade de sua condição.

VII – UMA IGREJA ENCORAJADA A PERMANECER FIEL ATÉ O FIM, V. 24-25.

Embora alguns tenham sido seduzidos pela influência de Jezabel, havia aqueles que permaneceram vivendo em santidade. É possível mesmo em meio a grande corrupção permanecer fiel. O Senhor diz que não colocaria outra carga sobre eles, apenas deveriam permanecer fiéis. Que eles continuassem levando o julgo de Cristo aguardando o Senhor.
O grande propósito do diabo é arruinar a igreja, afastá-la da fidelidade ao Senhor. Ele poderá usar de muitas estratégias para isso; naquele contexto a perseguição era uma dessas estratégias, a heresia também, assim como a influência do pecado.
Aqui no Brasil não somos uma igreja perseguida, mas somos uma igreja que está sangrando por conta das heresias e porque está permitindo que coisas mundanas lhe influencie. Que apesar desse contexto negativo possamos permanecer fiéis!


VIII – UMA IGREJA COM PROMESSA DE RECOMPENSA, V. 26-28.

O vencedor é todo aquele que guarda as obras de Jesus, são os verdadeiros salvos. Aqueles que desistem o fazem na verdade porque nunca foram salvos, são como Judas, vivem um grande privilégio de estar entre os salvos, presenciar o agir de Deus no meio de sua igreja, mas não possui a vida em si, pois nunca foram regenerados.
Essa “autoridade sobre as nações” faz lembrar que Jesus recebeu depois de sua obra expiatória toda a autoridade (Mt 28.18), e ao nos ordenar anunciar o evangelho ele está nos enviando a conquistar as nações pela pregação da Boas Novas, que é salvação para os eleitos, mas perdição para os ímpios (Sl.2:8,9). Também aqui está imbuído do sentido que quando o Senhor voltar, aqueles que foram desprezados por amor a Cristo, com ele estarão em glória.
A “estrela da manhã” é o próprio Cristo. Ele é a nossa herança, o nosso deleite, o nosso prazer para sempre, muito mais excelente do que qualquer banquete deste mundo.


Conclusão

V. 29. Essa carta não foi apenas para Tiatira, mas para nós também. Que jamais sejamos como igreja e individualmente transigentes com o pecado!


Apocalipse 2.12-17 - UMA IGREJA SOB PROVAÇÕES

12 Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:
13 Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.
15 Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.
16 Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.
17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.


Introdução

           O texto que examinaremos é uma das sete cartas que João escreveu às igrejas da Ásia, esta endereçada à igreja que se encontrava em Pérgamo. Aquela cidade era bastante rica e também forte centro religioso. Havia nela a adoração a Zeus, Esculápio e Atenas. Também lá era o início do recente culto ao imperador. É bom lembrar que a recusa de quem quer que fosse de adorar ao imperador romano como deus tornava a pessoa forte candidato à desconfiança de infidelidade ao Estado. A igreja de Pérgamo, portanto, convive com esse contexto.


I – UMA IGREJA EM CONDIÇÕES ADVERSAS, 12-15.

           A igreja de Pérgamo vivia em um contexto de uma cidade que era um centro de idolatria, inclusive a expressão: “onde está o trono de Satanás”, refere-se justamente à referida adoração ao imperador romano. Havia então uma pressão cultural para que a igreja pudesse se conformar a esta condição idólatra, o que certamente fornecia momentos de provação para muitos cristãos. Havia no contexto daquela igreja dois grupos específicos, que tinham por sua vez atitudes semelhantes: coadunavam com a cultura corrompida e idólatra de Pérgamo, eram os baalamitas e os nicolaítas.
           Para entender o balaamismo, temos que voltar ao Antigo Testamento (Números 22 a 31).
           Balaão foi alguém que alugou os seus serviços proféticos ao rei Balaque, inimigo de Israel. Num primeiro momento, Balaão, repreendido por Deus por intermédio de anjo (naquele episódio em que o Senhor dar voz a uma jumenta), foi fiel a Deus e abençoou o seu povo (Nm 22.21-41). Mais tarde, no entanto, ele instruiu Balaque a como levar o povo de Israel à prostituição e à idolatria (Números 31.16). O conselho de Balaão era basicamente tentar seus homens hebreus para que se casassem com mulheres pagãs, levando assim o povo à idolatria de suas mulheres. E o povo o seguiu.
           Quanto ao nicolaitismo, ele aparece aqui como um termo genérico para o libertinismo, que propõe que o corpo e a alma não se comunicam; logo, segundo esta equivocada visão, o cristão está livre para fazer o que quiser com o seu corpo, sem que isto interfira em seu relacionamento com Deus.
           Eles aderiam a esta equivocada ideia, pois tornava fácil o relacionamento deles para com aqueles que sacrificavam aos ídolos; eles podiam recordar que o apóstolo Paulo em seus escritos permitia que comprassem no mercado carne sacrificada aos ídolos, contanto que suas consciências não os acusassem e isso não fosse escândalo para a igreja (os mais fracos na fé, conforme 1 Co 10.23-33). O problema aqui é que eles queriam participar das festas pagãs entendendo que aquilo que pudessem praticar com o corpo não interferia em seu relacionamento com Deus.
           Nesta carta de Apocalipse, os pergameses cristãos são advertidos a triunfarem sobre estes dois perigos. Em meio a tudo isto se destacou um mártir, Antipas. Um apologeta, um defensor da verdade, que como é de costume termina sofrendo por defendê-la. Mas como é glorioso para um cristão sofrer pela verdade de cristo e partir deste mundo como um mártir do Senhor.
           A igreja, portanto, encontrava-se dividida, em sua maioria não negava o nome de Cristo, não se apartavam da fé. Mas a minoria que vacilava diante do baalismo e do nicolaismo era um grande perigo, como está escrito em Gl 5.9: “Um pouco de fermento leveda toda a massa”, ou seja, um ensinamento errado, se permitido e não combatido pode trazer danos a toda a igreja.
           Mas além de enfrentar esses perigos recebe da parte do Senhor uma palavra de que deveria tomar uma atitude urgente: arrependimento.


II – ERA UMA IGREJA CHAMADA AO ARREPENDIMENTO, 16.

           Esta igreja é chamada ao arrependimento, a advertência não é feita apenas para os pregadores baalamitas e nicolaítas. Certamente caso eles não se arrependessem de desviar o povo da verdade de Deus sofreriam o peso da ira divina. Mas é perceptível também no texto que a igreja de modo geral pecava, pois embora muitos não se dobrassem às práticas idólatras, ainda assim eram demasiadamente tolerantes, negligenciavam na aplicação da DISCIPLINA eclesiástica. A igreja torna-se culpada diante do Senhor, peca por negligência, quando ver as falsas doutrinas surgirem no seu meio sem tomar uma atitude séria. A igreja deve lutar pela sua pureza doutrinária, porque a pureza doutrinária influenciará a pureza moral, isto é, aquilo em que se crê influenciará a prática da vida, as ações. A igreja de Pérgamo estava permitindo agir de conformidade com as práticas mundanas, influenciada por uma cultura corrompida, depravada, demoníaca. Sendo simpatizante com aquilo que era ofensivo ao Senhor.
           É interessante no versículo 16 a forma como o senhor afirma que pelejará contra os idólatras: “contra eles pelejarei com a espada da minha boca”. Mais uma vez se refere à Sua Palavra, à verdade divina.  Não importava o que aquelas pessoas criam, a verdade deles não subsistiria diante da verdade divina, a verdade deles se mostraria uma mentira, uma falácia: “... Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem, segundo está escrito: Para seres justificado nas tuas palavras e venhas a vencer quando fores julgado” (Rm 3.4). No v. 16 há a declaração que a mentira deles seria exposta, que eles seriam envergonhados.
           Mas Jesus não apenas repreende como também faz promessas àqueles que seriam vencedores nesta batalha pela fé.


III – UMA IGREJA COM PROMESSAS GLORIOSAS, 17.

           Os cristãos não precisavam comer nas festas pagãs, porque tinham como alimento o maná oferecido por Deus. Como lemos na Torah (Êxodo 16.33 e outros), durante 40 anos Deus alimentou o seu povo, até chegarem a Canaã, com este cereal do céu: “Fez chover maná sobre eles para alimentá-los, e lhes deu cereal do céu” (Salmo 78.24). Moisés mostrou que, com esta provisão, o Senhor mostrou que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem: “Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dá a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo que procede da boca do SENHOR viverá o homem” (Deuteronômio 8.3). Ou seja, é o ensinamento de que eles estavam com falta de fé em estarem demasiadamente preocupados com o alimento físico quando serviam ao Deus que provê todas as necessidades.
           O maná se tornou um memorial da providência divina para o seu povo. Desse modo Deus lhes ordenou que guardassem na arca da aliança juntamente com a vara de Arão que havia milagrosamente criado flores e as tábuas da Lei uma porção do maná. A arca perdeu-se com o tempo e juntamente com ela o maná, por isso a expressão “maná escondido”.
           No entanto, o maná aponta para um alimento mais excelente: Cristo, o pão vivo que desceu do céu. Jesus diz de modo muito claro: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que todo o dele comer não pereça. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (Jo 6.48-51).
           E é na Palavra que nós encontramos Cristo, é nela que nos alimentamos d’Ele.
           A outra promessa para os vencedores é que receberão uma pedra branca, com um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.
           Segundo nos informam os historiadores, a estrutura social do mundo antigo era constituída, simplificando, de duas grandes classes sociais: os cidadãos (patrões ou patronos) e os clientes. A cada dia, os pobres recebiam dos seus protetores alimento e dinheiro para as suas necessidades básicas. Eles também podiam receber presentes especiais. Para identificá-los, recebiam uma espécie de barra, feita de madeira, metal ou pedra, chamada tessera. Esta tessera era a senha que lhes dava acesso a muitos benefícios.
           Era comum também no mundo antigo o uso de pedras brancas para servirem como bilhetes de entrada aos festivais públicos. Sem estas pedras brancas, não se tinha acesso às grandes festas promovidas pelos governantes das cidades.
          Os irmãos de Pérgamo ouviram que tinham ao seu dispor uma pedra branca, uma senha de acesso direto a Deus, por meio de Jesus Cristo, através de Quem podem usufruir todas as bênçãos do depósito inesgotável do Trono do Pai. Essa senha está em nosso poder. Os cristãos não precisamos mendigar diariamente à porta de patrão algum. Nós já participamos da festa do Cordeiro, que não vai terminar jamais.
           Esta pedra branca tem uma inscrição, um nome novo, que será conhecido apenas por quem o recebe. A maioria dos comentadores entende que este nome é o nome de Jesus. Na festa do Cordeiro, Sua revelação terminará e nós O conheceremos de modo perfeito, não mais por enigma.
           Portanto, a promessa que também é um incentivo para os vencedores de estarem diante do senhor para todo o sempre.


Aplicação

1. Assim como a igreja de Pérgamo, a igreja atual no contexto brasileiro também passa pela provação de ter a sua pureza doutrinária testada. Infelizmente a igreja brasileira também se deixa levar por idolatrias. Penso que se o Senhor se estivesse escrevendo uma carta à igreja atual provavelmente diria: tenho, porém, contra ti que toleras os que sustentam a doutrina da teologia da prosperidade, da idolatria a Israel, da salvação pelas obras, de uma incompreensão da graça divina (como se ela pudesse ser comprada por algo que fazemos), e tantas outras falsas doutrinas que o Senhor poderia mencionar.

2. Que você meu irmão possa ter uma postura de Antipas, defender a verdade divina, mesmo quem venha a sofrer por isso.

3. A igreja deve ser misericordiosa, compassiva, mas não tolerante com o pecado, ela não pode negligenciar da disciplina. Lembremos de como o apóstolo Paulo repreendeu severamente os coríntios por permitirem o pecado no seu meio sem tomarem uma atitude de disciplina para com o ofensor – 1 Co 5 – o caso do homem que estava tendo relações sexuais com  a madrasta.

4. Não se deixe levar meu irmão, minha irmã, pelas influências dos “baalamitas e nicolaitas”. Não permita que haja contaminação de uma influência mundana em sua vida. E caso haja, que você possa se arrepender e voltar-se para o Senhor.

5. Passamos provações em nossa caminhada, mas temos promessas maravilhosas: teremos Cristo eternamente, teremos um relacionamento com ele incomparavelmente mais rico do que o que já vivenciamos.

6. Meus irmãos, vocês foram chamados para serem vencedores, que possam prosseguir então como igreja vitoriosa para a glória de Deus.


Conclusão


           Cada igreja tem o contexto histórico e cultural aos quais se encontra inserida. Que a Igreja Batista dos Guararapes possa olhar para igreja de Pérgamo, não com um olhar de julgamento, mas com um olhar de aprendiz, entendendo que também deve dar ouvido à voz daquele que tem a espada de dois gumes. Que possa então entender suas provações, e delas sair como vencedora; saber em que tem pecado contra o Senhor e se arrepender; mas sempre confiante em suas promessas gloriosas.