ATOS 2.47 – O CRESCIMENTO SAUDÁVEL DA IGREJA


"[...] louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescenta-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos."

Introdução
         
Em nossos dias há muitas formas de ser igreja, cada uma delas norteada por uma interpretação teológica da doutrina da igreja e da doutrina do evangelismo. Muitas dessas formas não têm fundamento nas Escrituras, são muitas vezes mera estratégia humana para administrar a comunidade local que se diz igreja. Em consequência também as estratégias ditas evangelísticas pairam às vezes ao absurdo, fogem das Escrituras e é considerada mais a partir dos efeitos práticos aparentemente bons do que se estão enquadrados na Bíblia.
Queremos então observar que o crescimento da igreja não pode ser dissociado do entendimento do que é ser igreja.


I – SER IGREJA EM SUA ESSENCIALIDADE.

Louvando a Deus
Esta expressão no texto denota que a igreja em seu cotidiano prosseguia vivendo o que ela é em essência - comunidade de adoração vivendo para a glória de Deus. A consciência missionária da igreja estava presente, evidentemente que os apóstolos ainda vivenciavam o preconceito de não anunciar Cristo aos gentios, logo toda igreja ainda estava nesse entrave. Mas acertadamente, antes mesmo de uma preocupação institucional quanto a como evangelizar, viviam o evangelho. Se a igreja perder de vista que se deve anunciar o evangelho que se está vivendo passa não a anunciar o evangelho, mas alguma cultura religiosa, além evidentemente de está em hipocrisia.
Não é o crescimento numérico o elemento final pelo qual podemos avaliar a saúde de uma igreja local. Apenas porque uma comunidade está crescendo numericamente não significa necessariamente que ali esteja a presença do Espírito Santo.
Ao observamos os nossos dias, e considerarmos o crescimento evangélico no Brasil não será difícil notarmos algumas coisas contraditórias ao que poderia ser uma igreja saudável. Vemos por exemplo igrejas descompromissadas com a pregação fiel da Palavra, crentes interesseiros que buscam a Deus não pra usufruir da presença divina, mas por conta das bênçãos seculares; pastores corruptos, enganadores, falsos ministros vivendo um falso evangelho e corrompendo a muitos; escândalos sexuais, financeiros, etc.
A igreja deve crescer, sem dúvida, contudo, esse crescimento tem que ser sadio. Devemos viver a vida com Deus para sermos multiplicadores dessa vida a outros.


II – DAR UM BOM TESTEMUNHO NA COMUNIDADE.

“Contando com a simpatia de todo o povo”
Nessa questão devemos buscar um ponto de equilíbrio. Deve ser compreendido que a igreja tem de ser vista pela sociedade de modo e ser impactada por ela. Em contrapartida haverá momentos que a própria sociedade se voltará contra ela. Vejamos:
“Vós sois o sal da terra. Mas se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar? Para nada mais serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte. Nem se acende uma lâmpada e se coloca debaixo de uma vasilha, mas no candelabro, e ilumina a todos os que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. (Mateus 5.13-16). As figuras apresentadas neste texto remetem à influência e ao testemunho, falam da realidade da igreja, o que essencialmente ela é, logo, como deve viver para que sua essência transpareça fielmente.
Cair na graça ou na simpatia do povo significa que a igreja estava de fato brilhando e influenciando com a mensagem de Jesus.
Esse bom testemunho aponta para o fato de que o proceder dos cristãos deve ser tal que a sociedade nada de negativo possa ter para acusar com razão. Infelizmente vemos muitos supostos cristãos contribuindo negativamente para a imagem da igreja diante da sociedade. Isso acontece porque semelhantemente às pessoas que não tem compromisso com Cristo estão também sendo corruptas, insensíveis, extremamente materialistas, superficiais, arrogantes, adúlteras, etc. Poderiam ser mencionadas muitas causas para essa situação, duas delas são a superficialidade da experiência e do ensino nas igrejas locais.
Em Mateus 28.19-20 a Palavra diz que a igreja deveria fazer discípulos de Jesus. Mas muitas comunidades estão conformadas em ter em seu contexto apenas “adeptos” ou “membros fiéis”. Uma coisa é ser um religioso evangélico outra é ser discípulo de Cristo. Uma coisa é ter vivenciado uma experiência de adentrar a uma cultura religiosa, outra é passar pela experiência do novo nascimento e viver a alegria da salvação em Cristo. A igreja então tem dado um mal testemunho porque está cheia de pessoas não salvas em seu contexto. Mas há outra razão, o ensino medíocre que não faz os cristãos crescer espiritualmente.
A prática da igreja é dependente de seu ensino. A deficiência no ensino produz cristãos fracos, que não vivem o evangelho porque de fato não aprenderam o evangelho.
Outro ponto nessa questão que deve ser lembrado é que Jesus disse também que “sereis odiados de todos por causa do meu nome; [...]” (Mateus 10.22). De fato isso tem acontecido em muitas épocas e lugares. Sabe-se que na perseguição religiosa de nossos dias milhões de cristãos são mortos anualmente por perseguição à sua fé.
Entretanto, não sofremos esse tipo de perseguição no Brasil. Quando muito, sofremos críticas advindas da sociedade, mas não por causa de Cristo, muitas vezes é por conta do charlatanismo presentes em muitos contextos que se dizem evangélicos.
Diante de tudo isso sempre precisamos nos perguntar: Qual a imagem que a sociedade tem da igreja evangélica? Qual a imagem que a comunidade na qual a igreja local está inserida tem dessa igreja? Qual a imagem que as pessoas têm de mim como cristão?
Se como igreja temos dado um bom testemunho, se temos cumprido nossa missão em evangelizar, podemos confiar no Senhor para o crescimento saudável da igreja.


III – CONFIAR NA OPERAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO.

Acrescentava-lhes o Senhor.
O livro de Atos traz um foco sobre o crescimento da igreja voltado para Deus. Não é a estratégia humana, não é o carisma de um líder individual, Deus sempre está centralizado. Então o crescimento deve ser centrado em Deus. Essa a perspectiva de Paulo quando escreve: "Eu plantei, Apólo regou, mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (1Co 3.6-7). Assim, a igreja buscando a comunhão com Deus, buscando glorificá-lo, seu crescimento será saudável e denotará a presença de Deus na vida dos crentes.
Ao dizer que era o Senhor que acrescentava membros à igreja há uma ênfase na soberania divina.
Não há nenhuma contradição entre o fato de que a salvação é única e exclusiva obra de Deus e que temos o dever de evangelizar. Deus de fato elegeu alguns para serem salvos, o Espírito Santo irá operar no coração desses quando ouvirem o evangelho de Cristo e os regenerará, mas a igreja está incumbida de anunciar o evangelho a todos. Saber que somente os eleitos serão salvos não diminui o vigor evangelístico de quem conhece essa doutrina.


Conclusão

Que possamos prosseguir em viver o evangelho fielmente, sabendo que isto está intrínseco com a proclamação.

Atos 2.46 - A IGREJA QUE QUEREMOS SER (parte 3)



"Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração".

Introdução

Já tivemos a oportunidade de refletir sobre a importância do ensino bíblico correto na vida da igreja, tomando como base a igreja primitiva que era perseverante na doutrina dos apóstolos. Também sobre a comunhão daquela igreja, sua prática do partir do pão de casa em casa que expressa essa comunhão bem como era momento em que também vivenciavam a Santa Ceia estabelecida por Cristo. Percebemos também que a igreja primitiva era perseverante na oração.
Em nosso segundo estudo desse texto refletirmos sobre o temor que estava presente no coração dos cristãos com relação ao Senhor e àquilo que é santo. Refletimos sobre a realidade dos milagres na vida da igreja primitiva bem como no contexto atual.
Agora, no v. 46 desejamos enfatizar a forma de culto realizada na igreja primitiva e também a importância da continuidade do congregar na vida do cristão.


UMA IGREJA DE ADORAÇÃO COLETIVA


I – A ESSÊNCIA DO CULTO NA IGREJA NEOTESTAMENTÁRIA.

Primeiramente entendamos historicamente como se desenvolveu a questão das reuniões de culto na igreja primitiva:
a) inicialmente a igreja se reunia no Templo como diz em Atos 2.46. Isto acontecia porque os judeus não percebiam o quão diferente era o cristianismo do judaísmo, depois que notaram a diferença não permitiram a entrada dos cristãos naquele recinto;
b) paralela às reuniões oficiais de adoração coletiva os irmãos se reuniam também nos lares, certamente para orarem juntos, tomarem refeições juntos, vivendo assim a comunhão cristã;
c) durante algum tempo a igreja esteve sem templos, dependendo de reunir-se coletivamente em residências ou qualquer outro lugar que pudesse comportar muitos irmãos;
d) após os períodos das perseguições, assim que a igreja pôde mais livremente adorar ao Senhor passou a ter os templos como lugares oficiais de culto.
Mas voltemos para o período neotestamentário propriamente dito, para vermos a forma de realização do culto.
O culto no Novo Testamento era realizado de forma simples e de modo que todos pudessem participar. Ninguém estava assistindo culto, mas todos tinham a consciência de estar cultuando. Cada um contribuía conforme o Espírito Santo lhe concedesse para a edificação de todos, havia a leitura de salmos, entoavam hinos e cânticos espirituais, alguns traziam revelação, e aqueles que falavam em línguas tinham essas línguas interpretadas por outros irmãos (I Co 14.26; Ef 5.19). Tudo o que era realizado no culto público na igreja do período apostólico tinha o objetivo da edificação, desse modo o apóstolo Paulo é bastante duro quanto à falta de ordem no culto na igreja dos coríntios no que tange ao uso dos dons espirituais (I Co 12 – 14).  Paulo deixa claro que tudo no culto deveria ser feito com ordem e decência (I Co 14.40). Decência infelizmente é o que estava faltando aos coríntios na celebração da Ceia do Senhor, estavam realizando esta reunião solene sem que houvesse o discernimento espiritual que o momento da Ceia do Senhor exige, foram, portanto, foram severamente repreendidos por Paulo (I Co 11.17-34).
          Talvez o fato mais importante sobre o culto no Novo Testamento é que ele centralizava-se em Cristo. O culto era totalmente cristocêntrico.
          Na igreja dos primeiros anos não havia um grupo especial de sacerdotes como no Israel do Antigo Testamento. Ainda não havia uma liderança eclesiástica desenvolvida em hierarquia, mas a autoridade dos apóstolos era inquestionável. Contudo, aos poucos o Espírito Santo foi direcionando a igreja em organização.
Há pessoas em nossos dias que desprezam o reunir-se coletivamente por acreditarem que Jesus não deixou uma igreja como instituição humana. De fato Jesus não deixou instituição como conhecemos em nossos dias, contudo, deixou um povo direcionado pelo Espírito. E foi o Espírito Santo que esteve presente na vida da igreja quando ela se organizou como instituição. É ainda na igreja apostólica que começa a instituir ministérios de acordo com os dons concedidos pelo Senhor, assim, havia presbíteros, diáconos, mestres e guias (1Tm 3.1; 5.17,19; Tt 1.5; Fp 1.1; 1Tm 3.8,12; 1Tm 5.9; 1Tm 4.14). Inclusive na Bíblia encontramos o relato do primeiro concílio da igreja para tratar da inclusão dos gentios na igreja e a comunhão com os judeus convertidos (Atos 15.1-6). Tudo isto muito antes de Constantino. Sendo assim, peca quem em nossos dias não aceita a igreja instituída como autoridade e busca viver separado da comunhão dos santos.
Lembremos que o texto traz a ênfase da perseverança daqueles irmãos nos momentos de adoração.


II – A IMPORTÂNCIA DO CULTO PARA O CRISTÃO INDIVIDUALMENTE.

“Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hebreus 10:25).
          Em Hb 10.25 fica exposto que já naquela época alguns irmãos encontravam-se negligentes quanto à importância de estarem congregando.
Há várias razões fundamentais que favorecem individualmente o cristão que congrega com frequência:

a) é animado espiritualmente pela comunhão com os irmãos.
Viver em comunhão uns com os outros é uma necessidade espiritual. Essa necessidade é antagônica ao nosso egoísmo e arrogância. Os chamados desigrejados não compreendem isso e erram ao afirmar que não precisam congregar. Acertam ao dizer que podem adorar a Deus em todo lugar, mas pecam ao não desejar ter encontros coletivos com o Senhor.
Viver em comunhão em contexto de igreja é às vezes desafiador, sabemos dos problemas que podemos enfrentar: pessoas que podem nos ofender, nos magoar, nos decepcionar e ou até mesmo agir de forma maligna com más intenções. Contudo, a recíproca também é verdadeira, poderemos ser nós a estar agindo dessa forma com as pessoas. De qualquer forma são oportunidades concedidas pelo Senhor para desenvolvermos o perdão, a paciência, a tolerância, e assim vivermos o amor cristão.
Apesar dos problemas que podem ser encontrados, somos uma família: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus” (Efésios 2:19). Temos o mesmo Cristo, o mesmo Espírito, a mesma fé, temos uma ligação espiritual e nossa relação deve estar voltada para superar o que nos separa e contribuirmos mutuamente para o crescimento espiritual de cada um. Diante dos desafios individuais é muito bom sabermos que não estamos sozinhos, temos pessoas a lutar juntamente conosco: “Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só como se aquentará? Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade” (Eclesiastes 4:9-12). Há momentos em que precisamos da ajuda de outros, assim como há momentos que poderemos estar sendo ajudadores para outros. É muito bom saber que você pode contar com alguém. Por isso o apóstolo Paulo usou essas palavras: “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Filipenses 2.4).
Necessitamos uns dos outros para nos mantermos aquecidos espiritualmente.
E no v. 12 o pregador afirma que estaremos muito mais protegidos se não estivermos sós. Juntos nós podemos ser mais resistentes. Verdadeiros amigos defendem uns aos outros. Por isso na igreja a recomendação paulina é para que nosso comportamento possa estar favorecendo essas relações de amizade:
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia (Efésios 4.29-31).
A vida em comunidade na igreja do Senhor deve estar sendo local de desenvolvimento de amizades que nos fortalecem na caminhada cristã sobrecarregada de adversidades. A igreja deve ser lugar de amigos verdadeiros. Vivenciamos desapontamentos, decepções, mas ainda assim poucas coisas proporcionam tanta satisfação como a verdadeira amizade.

b) tem a oportunidade de desenvolver seus dons.
É na relação com outros que desenvolvemos nossos dons. O Senhor nos concede dons para que sejamos seus instrumentos para a edificação do corpo de Cristo. Esse é o fim proveitoso para o qual a manifestação do Espírito é concedida (1 Co 12.7).
Usando e desenvolvendo nossos dons na perspectiva correta o Senhor estará sendo glorificado em nossas vidas. Que no desenvolvimento de nossos dons possamos ter a consciência de servidão mutua: “... e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” “Mas o maior dentre vós será vosso servo” (Mt 20.27, 28; 23.11).       

c) estará sendo instruído na Palavra e assim será edificado espiritualmente.
O dever de todo povo de Deus no culto é ouvir a Palavra. Entretanto, há de ser observado que ao mesmo tempo isso lhe constitui um direito, não diante de Deus, mas diante daqueles a quem Deus escolheu para ser canal de Sua voz. A igreja do Senhor precisa certificar-se de que aquilo que tem ouvido de fato é Palavra de Deus. Não pode ser meramente passiva no ato do ouvir, isso pode ser constrangedor para alguns pregadores, mas ao mesmo tempo é motivador, pois o obrigará a estudar mais, a orar mais, a buscar mais ao Senhor.
No culto coletivo o ato de adoração é individual, a reverência ao Senhor, a atenção à Sua Palavra é um ato de adoração a Deus! Crentes maduros espiritualmente são crentes edificados na Palavra de Deus!


III – OS DESAFIOS PRÁTICOS DO CULTUAR COLETIVAMENTE EM NOSSOS DIAS.

1. Ter cuidado para não acostumar-se tanto com a igreja que ao invés de alegrar-se por estar em um ambiente de adoração a Deus centralizar-se nos problemas da instituição.
2. Não ser atraído pelo que não é bíblico. Muitos podem estar em um templo, em um suposto culto evangélico, mas um culto não aceitável ao Senhor.
3. Teu cuidado para não valorizar outras coisas mais do que estar em adoração ao Senhor.


Conclusão

Que o nosso alvo como igreja seja oferecer ao Senhor a adoração que lhe é devida da forma prescrita na Palavra, buscando simplesmente o louvor da sua glória e com certeza Ele estará cumprido sua parte nos edificando espiritualmente por meio de sua Palavra aplicada a nós pelo Espírito Santo.

Gálatas 6.1-10 - DEVERES DE MUTUALIDADE NA CAMINHADA EM CRISTO


 Introdução

Existe crente carnal?
É muito comum ouvirmos categorizações sobre as pessoas. A pessoa ser rotulada é ser posta dentro de uma categoria, e depois disso ficará bastante difícil ser vista de forma diferente. Respondendo a pergunta: Opção 1. Alguém que é categorizado como crente carnal é um salvo que circunstancialmente está vivendo carnalmente. Opção 2. Alguém que sempre vive e viveu enquanto crente, de um a forma carnal.
O que seria um crente espiritual?
Seria este alguém que ocasionalmente tem vivido uma espiritualidade mais elevada do que o carnal? Ou é este indivíduo alguém que sempre viveu dessa forma e também por ser tão espiritual sempre viverá assim.
Na verdade todo crente é espiritual por ter a natureza de Cristo, contudo, está sujeito a momentos de carnalidade. O importante é que em nossa caminhada com Cristo lembremos que não estamos sós: tanto em nossas circunstâncias carnais podemos estar sendo ajudados por outros quanto em nossos melhores momentos podemos ser instrumentos do Senhor para o resgate de nossos irmãos.
Então, não há o crente carnal contínuo, se o for é porque afinal nunca foi regenerado, é apenas um religioso. Assim como não há quem viva toda a sua vida em alta espiritualidade.


I – DEVEMOS ZELAR UNS PELOS OUTROS. V.1-5.

Cuidando da disciplina de todos (v.1). O apóstolo Paulo elucida como deve ser a ação da igreja para com aqueles que momentaneamente estão agindo de forma contrária à vida no Espírito. Há no texto um equilíbrio recomendado nas ações. Se alguém for surpreendido no pecado deverá ser corrigido. Assim, não basta a mera desconfiança. É incabível então essa correção para quem não admite o pecado e se coloca inocente em alguma situação específica. Contudo, o ato de amor para com irmãos que caem em pecado não é fingir que nada ocorreu, mas a correção. Entretanto, não há espaço para utilizar do momento de fragilidade do outro para oprimir, por isso que Paulo diz que a correção deve ser com brandura. Quem ninguém coloque-se em posição de superioridade. Sabendo que todos somos frágeis e sujeitos aos mesmos pecados, Paulo ressalta a importância de estar em vigilância contínua. O termo é skopon (VIGIANDO), indica ação contínua.
Aqueles que estão meramente preocupados em olhar para a vida dos outros sem de fato a intenção de ajuda, mas de julgamento, não estarão vigilantes quanto a sua própria vida. A consequência pode ser a queda espiritual, e isso acontecendo poderá aprender que não se mantém de pé por si, mas pela graça do SENHOR.
Sendo solidários (v.2). Devemos viver dispostos a ajudar em suas cargas, ou seja, nas situações que lhe são penosas. Vivendo desse modo, Paulo diz aos gálatas, que estariam cumprindo a lei de Cristo. Lembremos que os gálatas estavam demasiado preocupados com a lei de Moisés, ao ponto de terem sido repreendidos por Paulo por isso, uma vez que estavam desprezando o evangelho da graça de Deus. Então aqui está o incentivo para cumprir a lei de Cristo. Calvino comenta que o termo lei quando aplicado a Cristo representa um argumento, que há um contraste entre alei de Cristo e a lei de Moisés. Assim, é como se ele estivesse dizendo: “quer guardar alguma lei? Lembre-se do que Jesus ensinou: a benevolência, a compassividade, a compreensão amorosa”. Desse modo, o que é estranho ao amor é desnecessário. Quem assim leva as cargas de outros cumpre a lei de Cristo. E a ideia de cumprir a lei aqui é de uma totalidade, nada mais há de ser acrescentado.
Levar as cargas uns dos outros, entretanto, não é assumir para si os problemas dos outros, pois não é essa a exigência divina. Entrementes, não há de ser saudável quem assim tentar viver. Emocionalmente seria muito desgastante e de fato ao fazer isso se estiver tentando ajudar alguém não conseguirá.
Sendo humildes (v.3). Como posso eu ajudar alguém se meu conceito a meu respeito é de uma suposta superioridade espiritual. Assim não olharia com misericórdia.  A pessoa autoenganada (frenapatan), criou fantasias acerca de si. Deixou de perceber suas fraquezas, que de fato pode cair nos mesmos pecados que tem condenado. Poucas virtudes são tão sublimes quanto a humildade. E humildade é reconhecer nossa dependência do Senhor. 
Vivenciar a virtude da humildade faz que olhemos para nossos irmãos com misericórdia, pois ao não nos vermos como superiores espirituais a posição que assumimos não é de juiz, mas de companheiros de batalha.
A consciência de quem somos em Cristo nos auxilia quanto à humildade. Paulo já havia escrito no cap. 2 v. 19 e 20: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” Assim, saber o que é o evangelho e viver o evangelho é viver em humildade, pois sabemos que somos salvos pela graça de Deus bem como nos mantemos em sua presença também pela sua graça.
Sendo responsáveis (v. 4 e 5). Aqui possivelmente são os versículos do texto que traz mais dificuldade de ser entendido. Há quem entenda que Paulo está sendo irônico quando diz que cada um deve gloriar-se em si. Mas nem Paulo está incentivando a uma atitude arrogante que rouba para si a glória de Cristo, nem tão pouco está sendo irônico pelo fato de que ninguém pode realmente se gloriar em si. Mas o que ele diz então? Primeiramente o “prove cada um o seu labor” tem o sentido de ser aprovado depois de um teste. Em segundo lugar: não há uma contradição com o v. 2 onde diz que devemos levar as cargas uns dos outros. No v.2 Carga é bare, algo pesado demais para alguém suportar sozinho, no v. 5 fardo é fortion, termo usado no meio militar para a mochila do soldado, ou seja, para algo pesado, mas que se espera que essa pessoa pssa suportar. Ou seja, o sentido aqui é que cada um não pode fugir de sua reponsabilidades pessoal. Ainda que sejamos ajudados, somos responsáveis por nossas vidas, nossa questões, não devemos fugir àquilo que nos cabe.
E o gloriar-se em si não é arrogância, mas uma consciência clara de quem é em Cristo e como tem vivido. Como bem pontua Calvino, não desconsidera a glória de Deus, não exalta seus próprios méritos. Acredito que dá para entender melhor com a citação de 1 Co 1.12: “Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo e mais especialmente para convosco”.
Além do zelo mútuo, é necessário que em nossa caminhada na vida cristã estejamos partilhando nossos bens.


II – DEVEMOS PARTILHAR NOSSOS BENS, V. 6.

Primeiramente a observação de que aqui não há nenhuma indicação, por mínima que seja, de compartilhar na perspectiva da filosofia social marxista comunista. Passa muito longe o sentido desse texto.
Paulo tenta evitar um possível mal entendido. Cada um deve levar o seu fardo, mas isso não é desculpa para a igreja vir a ser negligente com aqueles que dedicavam-se ao exercício ministerial da pregação da Palavra. Esse cuidado de Paulo era necessário, pois parece que alguns obreiros estavam sendo negligenciados pela igreja. Paulo não está preocupado consigo, mas com os outros pregadores do evangelho que se dedicavam tempo integral ao ministério.
A ideia do texto é realmente fazer participante em coisas materiais. Então, esse um dos vários textos bíblicos que acentua o sustento ministerial da igreja aos seus pastores.
Aqueles que caminham nesta vida como irmãos em Cristo e que são espirituais entendem que devem também ser generosos. São mordomos de suas posses, e a generosidade é expressão de gratidão para com aqueles que os instrui na Palavra. Em contrapartida, aqueles que têm a responsabilidade de instruir na Palavra deve exercer a gratidão e deve trabalhar não por conta de valores a receber, mas por cumprimento de sua vocação ministerial. A esses cabe viver em modéstia e não enxergar o ministério como fonte de enriquecimento.
Além do zelo mútuo, da comunhão expressa na partilha de bens, é necessário que entendamos que colhemos aquilo que semeamos.


III – DEVEMOS SEMEAR PARA O ESPÍRITO, V. 7-8.

Para a intepretação desses versículos não pode ser desprezado o contexto imediato. Assim, concordo com Calvino, que afirma que Paulo prossegue seu raciocínio. Ele estava a falar a respeito da mutualidade entre os que são alimentados na Palavra e os que ensinam a Palavra. Dentro desse contexto é que adverte que Deus não se deixa escarnecer. Isto é, os compromissos assumidos com o Senhor não podem ser simplesmente desconsiderados. Escarnecer aqui é a ideia de “tornar Deus ridículo mediante a defraudação e o não cumprimento de Sua vontade” (BRUTON up cit. RIENECKER; ROGERS, 1995). Desse modo, se alguém semeia para a carne sendo avarento com os outros, sendo egoísta, vivendo as obras da carne como pois poderá colher bênçãos espirituais? Sua visão está sendo terrena e carnal. Mas o que semeia para o espírito, ou seja, tem se voltado para o Senhor, e o Espírito Santo tem gerado o fruto em sua vida: amor, bondade, benignidade, etc., colhe qualidade de vida com Deus. A expressão “vida eterna” não significa apenas vida interminável, mas uma espécie de vida, que é o que está sendo acentuado aqui. O texto não está apregoando salvação pelos méritos humanos, mas uma vida espiritual frutífera, porque em sua caminhada neste mundo a pessoa tem olhado para o objetivo de tudo o que faz, no sentido de olhar apara a eternidade em Cristo.
Mas em nossa trajetória na vida cristã, na comunhão com nossos irmãos, além do zelo mútuo, da comunhão expressa na partilha de bens, sabendo que colhemos aquilo que semeamos, é imprescindível que não deixemos de fazer o bem.


IV – DEVEMOS PRATICAR O BEM, V. 9-10.

Podemos ter a esperança da recompensa divina, v.9. O Senhor em graça há de recompensar pelo bem praticado neste mundo. Cabe a nós nãos sermos imediatistas e querermos a recompensa do Senhor o quanto antes. A Palavra diz que é a seu tempo, o que implica que a ceifa das boas ações podem não necessariamente ser no presente, mas quando da recompensa eterna. Enquanto isso, estejamos agindo para o bem do próximo não como quem objetiva principalmente a recompensa, mas movidos pelo amor.
Sabemos que há vários motivos que desanimam as pessoas em ser perseverante no agir beneficamente: às vezes podemos estar diante da ingratidão da pessoa a quem fizemos o bem, ou da indiferença de outros que também devem agir de igual modo, ou quem sabe a sensação de que apenas tentamos agir com bondade, contudo só levamos reveses em nossas relações. Tudo isso poderá está exaurindo o ânimo. O incentivo é que diante de tal situação não pense e aja carnalmente, mas espiritualmente, não desanime. Não desfaleça, apesar das dificuldades. A ideia do texto é que a recompensa é para quem vai até o fim. Não há colheita sem semeadura.
Devemos priorizar os irmãos em Cristo, v.10. É sempre bom recordar que aquele que sabe que deve fazer o bem e estar em condição para tal e não age em conformidade com misso está pecando (Tg 4.17). Como vemos aqui que é bíblico ser seletivo na prática do bem no sentido de priorizar os irmãos em Cristo. Assim como priorizamos nossa família terrena também temos o dever de priorizar nossa família espiritual. Isso evidentemente não deve nos levar a ser negligentes com aqueles que não são irmãos em Cristo. Ademais, conquanto esteja uma conotação material, podemos aplicar a muitos contextos. Desse modo, fazer o bem a nossos irmãos também é ter uma palavra de consolo, de encorajamento, mostrar que estamos juntos na caminhada, às vezes até esse fazer o bem é repreender.
Assim sendo, quero lhes exortar:


Aplicações

1. Fuja do autoengano, da vanglória e da irresponsabilidade. Lembre-se que tudo o que você realizar é por meio da Graça do Senhor.

2. Todos podem fazer algo por outros. Talvez falte recurso financeiro para ajudar materialmente, talvez até imagine que não pode fazer muito pela família da fé de forma geral, e isso é um engano. Você pode prestar uma ajuda imensurável por meio da intercessão, ore pelos seus irmãos.

3. Você tem que carregar o seu próprio fardo. Então lembre que tudo o que o Senhor te puser às mãos para fazer, faça-o com o máximo da capacidade que ele te concedeu (Cl 3.23).

4. Faça o bem sem pensamentos mercantis: “O que vou ganhar com isso? Espero que a pessoa preste gratidão pelo que estou fazendo”. Ideias como essa excluem a simplicidade do agir movido apenas pelo amor.


Conclusão

O crente verdadeiro poderá até vivenciar momentos carnais, mas Deus em graça o socorrerá e para isso poderá estar usando outros crentes espirituais, pois caminhamos juntos, andamos no Espírito juntos. Devemos então entender e vivenciar essa comunhão sendo instrumentos de Deus para ajudar e em outros momentos ser ajudados.



REFERÊNCIA

CALIVNO, João. Gálatas. Edições Paracletos, São Paulo – SP, 1998.


Atos 2.43 – A IGREJA QUE QUEREMOS SER (parte 2)



 Introdução

A igreja de Jerusalém mostra-se exemplo para a igreja dos nossos dias, era composta por pessoas tementes a Deus. Naquele momento inicial da história da igreja cristã houve muitos milagres. Duas perguntas básicas podem ser feitas a partir do v. 43 acerca da igreja de nossos dias: Como se encontra o temor nos corações dos cristãos? E por que não vemos milagres como naqueles dias? Não são perguntas fáceis de responder, contudo, buscaremos na graça do SENHOR refletir a respeito.


UMA IGREJA TEMENTE AO SENHOR E QUE REALIZA MARAVILHAS


I – O QUE É TEMER AO SENHOR?

Vivemos uma época em que as pessoas pensam a comunhão com o Senhor mais em um aspecto de proximidade e amizade do que de solenidade. Solenidade é o sentimento de respeito santo por algo ou alguém. Mas falta nos crentes esse temor santo. Temor não é medo no sentido de pavor diante de algo horrendo. Mas “medo” no sentido de reverência diante daquilo que é santo. Assim temer ao Senhor pode implicar para nós algumas posturas básicas:

a) Levar a sério o pecado.

Algumas pessoas atualmente parecem não considerar a malignidade do pecado, agem mais pelo o que lhes é conveniente ou não. No final das contas, agem não baseados no fato de suas ações serem agradáveis a Deus ou pecaminosas, mas baseados no que lhes fará se sentir bem ou não. O pecado é maligno em todas as suas expressões, não pode ser visto de outra forma, mesmo aqueles que não causam necessariamente escândalo social. O temor ao Senhor nos leva a afastar-se do pecado.

b) Não considerar o sagrado como profano.

Há algumas pessoas que não querem ver diferença entre sagrado e profano. Dizem que tudo é a mesma coisa. Sagrado aqui é tudo aquilo que foi separado para o uso do serviço santo ao Senhor. Profano em contrapartida tudo o que é comum, não separado para o serviço ao Senhor. Na verdade há espaços que são sagrados, há momentos que são sagrados, revestidos de um significado espiritual especial. Deturpá-los é um desprezo ao Senhor. Como exemplo citemos o uso dos templos de forma distorcida por alguns.
           O uso das igrejas para a promoção de: CDs, livros, shows de música, venda de diversos tipos de Bíblia, venda de óleos para unção, venda de água que liberta, pedaço de pano que cura... está sob a direta condenação trazida por Jesus. Aqui temos o clássico exemplo de Jesus purificando o templo em Marcos 11.15-19. E a Palavra nos diz acerca daquele templo: "Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que nela esteja o meu nome perpetuamente; nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias" (2 Cr 7.16).
“Qualquer igreja ou ministério que tenta tirar vantagem da presença de Deus para ter lucros e construir um império financeiro está sob o julgamento de Jesus” (Zondervan Illustrated Bible Background Commentary – Mark, pg.271).

c) Não escarnecer do Senhor.

Gálatas 6.7 nos adverte com relação às consequências de nossas ações: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. O sentido é que quem vive na prática do mal não há como colher coisas boas, esperar isso seria como desconsiderar a justiça divina assim como a ordem natural de sua providência. É a chamada lei da semeadura, ou como é dito na filosofia, a lei da causa e efeito. O temor ao Senhor nos leva a considerar as consequências de nossas ações.

Além de ser tementes ao Senhor podemos e devemos viver sendo usados por Ele para o louvor da sua glória.


II – O QUE É REALIZAR MARAVILHAS?

As expressões “prodígios” e “sinais” tem o mesmo sentido, apontam para milagres realizados por intermédio dos apóstolos. Há de se observar a razão específica historicamente justificada para que naquela época houvesse uma ação incomum do Espírito Santo na realização constante de milagres, trata-se da necessidade dos mesmos para ratificação de que a mensagem do evangelho era mensagem do Deus Todo Poderoso. Diante disso e do contexto dos nossos dias surgem duas perguntas fundamentais:

a) Há a necessidade de haver muitos milagres em nossos dias?

Penso que em cada época Deus em sua soberania e sabedoria age da melhor forma necessária. Isto significa que se Ele não realiza muitos milagres no contexto das igrejas de nossos dias é porque também não há essa necessidade implícita no que tange ao avanço do evangelho. Apenas pensar o aspecto da fé por parte das pessoas não responde à questão de forma satisfatória.
Observemos o texto de Marcos 16.14-18. Duas observações não podem ser negligenciadas neste texto a respeito dos milagres mencionados por ele: primeiramente está presente a condição da fé, não meramente de uma fé miraculosa, embora obviamente seja necessária, mas a referência é à fé salvadora. A todos os que creem na mensagem do evangelho, se comprometerem com Cristo, forem, por conseguinte, batizados estarão sendo usados por Deus na realização de maravilhas, dos sinais ou milagres. A segunda observação é que a concessão deste poder que o Espírito Santo operará é para o objetivo específico da proclamação do evangelho, não está aqui uma promessa de milagre meramente pelo milagre, mas para confirmar a mensagem como sendo divina. Os sinais hão de acompanhar aqueles que creem e estão indo.
           Queremos neste escopo recusar dois extremos: o primeiro daqueles que embora estejam bem intencionados afirmam que não há milagres hoje, por conta de o evangelho já está bem difundido, e, de acordo com o texto, segundo estes, a promessa era só para os primeiros tempos da igreja. Outro extremo que deve ser recusado é daqueles que entendem que a coisa mais importante é pessoas serem curadas de suas moléstias, e para esses não importa se tais pessoas serão salvas ou não. Estes últimos fazem seus shows com supostos milagres, mas não pregam o evangelho de Cristo.
           Com qual posição então podemos ficar? Deus é soberano e pode sim realizar milagres dentro de seus propósitos soberanos. Mas não está sujeito às nossas vaidades de marcarmos dia e hora para que ele opere milagres. Ademais, devemos admitir que já não há mais necessidade deles no presente como algo que objetiva confirmar a mensagem do evangelho.
           É prometido à igreja o poder no Espírito Santo de expulsar demônios, em nome de Jesus. A centralidade sempre é Cristo. O objetivo sempre é libertação para uma vida com Cristo. Em Atos há vários textos a respeito (5.16; 8.7; 16.16ss).
Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra. E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo. E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia; Pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados. (Atos 8.4-7).

b) O que dizer dos supostos milagres que percebemos?

Será que em nossos dias o que vemos na TV em alguns supostos programas evangélicos realmente são milagres legítimos? Se sejam, será que estão sendo de fato realizados pelo Senhor? A demonstração de que realmente é o Espirito Santo que está realizando milagres deve está nos efeitos. Quem está sendo exaltado? A realização dos milagres tem servido para a proclamação do evangelho? Lembremos que hostes demoníacas podem também realizar milagres (2 Ts 2.9, 10).


CONCLUSÃO

Queremos sim estar sempre sendo uma igreja cheia do Espírito Santo, como a operação do Espírito Santo estará se manifestando em nosso meio está dentro da alçada de sua soberania. Nosso desejo não deve ser necessariamente ser uma igreja que realiza prodígios e sinais, mas com certeza devemos querer todos ser cheios do temor do Senhor.

A IGREJA QUE QUEREMOS SER – ATOS 2.42-47

 Introdução

O que é a igreja? Como ela deve estar atuando neste século XXI? Quais seus desafios? Quais seus pecados atuais? Em que ela tem acertado? Muitas são as interrogações que podem ser postas sobre a igreja. E, também variados são os entendimentos da expressão “igreja”.
Nesta série de estudos em Atos objetivamos analisar a vida da igreja de Jerusalém e a partir da realidade daquela igreja buscar estar nos enquadrando na vontade de Deus revelada para sua igreja.
A Igreja enche o mundo todo e é peregrina sobre a terra. Ela tem sua origem na graça celestial. Pois os filhos de Deus nascem, não da carne e do sangue, mas pelo poder do Espírito. Eis a razão por que a Igreja é chamada a mãe dos crentes. E, indubitavelmente, aquele que se recusa a ser filho da Igreja debalde deseja ter a Deus como seu Pai. Pois é somente através do ministério da Igreja que Deus gera filhos para si e os educa até que atravessem a adolescência e alcancem a maturidade (João Calvino).
O versículo 42 nos mostram quatro pilares essenciais para uma igreja saudável, crescente, vibrante.


Quatro pilares essenciais de uma igreja cheia do Espírito Santo


I – Valorização da doutrina bíblica.

O texto no diz que eles eram perseverantes. E o que é ser perseverante? É permanecer com frequência na busca de um objetivo. Não desistir, apesar de momentos de desânimos e ou das dificuldades encontradas. É isso o que acontece com a igreja de Jerusalém.
Lembremos que pouco antes o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no Pentecostes. Os convertidos, os três mil que ouviram a pregação de Pedro, estavam agora em uma nova realidade de vida. Para saber como deveria ser sua nova vida teriam de atentar para a doutrina dos apóstolos.
A doutrina dos apóstolos era o ensinamento acerca da pessoa e palavras de Jesus. Não há mais apóstolos hoje, e para nós que temos a Bíblia completa perseverar na doutrina dos apóstolos significa observarmos, aprendermos e por em prática a Palavra de Deus. Significa permanecermos na sã doutrina revelada nas Escrituras, e tudo o que não estiver na Palavra recusarmos, por mais que aparentemente possa parecer algo de Deus.
O apóstolo Paulo enfatiza o ensinamento da Palavra com suas recomendação à Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.14-17). Enfatiza: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.1–2). Tanta ênfase é porque somente a pura Palavra de Deus trás edificação para a igreja.
O que fazer então?
Valorize a escola Bíblica Dominical, bem como todos os momentos em que a igreja enquanto instituição favorece o ensino e aprendizado da Palavra.
Mantenha uma frequência na leitura bíblica devocional.
Entretanto, a perseverança daquela igreja não era apenas na Palavra.


II – Valorizavam a comunhão.

Essa comunhão enfatizada em grego é “Koinonia”. A palavra indica o afastamento de interesses particulares e a união com outras pessoas para o cumprimento de alvos comuns. Koinonia, portanto, é colocarmos de lado nossos interesses egoístas visando somar forças para juntos servirmos ao Senhor. Assim, podemos afirmar que só há essa koinonia primeiramente porque há comunhão com o Deus Triuno. Havendo comunhão com Deus, essa comunhão se expressará nas relações interpessoais. Se em nossos relacionamentos não há unidade, atitudes de misericórdia, companheirismo então é porque também não há verdadeira comunhão com Deus.
Deve haver alvos comuns, e no contexto esses alvos eram bem tangíveis. Havia pessoas que precisavam ser atendidas em suas necessidades materiais. Os irmãos então, movidos pelo amor, pelo sentimento de que era algo banal manter posses materiais, uma vez que Cristo logo voltaria, e pelo costume cultural de acolher aqueles que tinham vindo de lugares longínquos para a Festa de Pentecostes vendiam suas propriedades e entregavam o valor aos apóstolos para que fosse distribuído aos mais necessitados.
Como podemos de modo prático viver a comunhão aqui expressa?
·        Estar juntos. Podemos estar juntos sem estar em comunhão, mas para vivermos de modo prático a comunhão precisamos estar juntos. Não se trata apenas de estar em mesmo espaço físico – o Templo – mas viver a mesma fé, no mesmo Espírito, com os mesmos objetivos. Então é necessário ser salvo. É importante cultuar juntos no templo, porém, nossas relações necessitam de ser extramuros da igreja.
·        Compartilhar o que temos. Não significa uma apologia ao socialismo ou comunismo. A propriedade privada na época da igreja primitiva era algo comum, jamais vista como maligna, ou seja, as pessoas podiam ter seus bens, desde que não fossem insensíveis para as necessidades de outros. A Palavra de Deus é bem enfática sobre essas questões: “Se alguém é rico e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o seu coração para essa pessoa, como pode afirmar que, de fato, ama a Deus?” (1Jo 3.17, NTLH)! Ademais, não precisamos nos sentir constrangidos a compartilhar com quem é preguiçoso e não quer trabalhar (2 Ts 3.6-12).

Podemos dizer que o terceiro elemento de uma igreja cheia do Espírito é uma extensão do foi dito anteriormente.


III – Valorizavam o partir do pão.

Há o entendimento de que a expressão “partir do pão” é uma referência a duas ideias; a primeira é que eles expressavam sua comunhão nas refeições uns com os outros. E a segunda conotação é que aponta para a Santa Ceia do Senhor. Como a Santa Ceia naquela época era literalmente uma refeição, é possível que as duas coisas ocorriam juntas. Todas as vezes que partiam o pão lembravam que Cristo foi “partido” por eles e para eles. Assim, o momento do partir o pão era momento de ensino do evangelho para a família, vizinhos, amigos, qualquer um que estivesse presente. A Ceia era e é uma proclamação do evangelho de Cristo. Como pontuou Matthew Henry (methiu Henri) quando declarou: “A Ceia do Senhor é um sermão para os olhos e uma confirmação da palavra de Deus para nós. É um incentivo para as nossas orações e uma expressão solene da ascensão de nossa alma a Deus”.
Como isso se aplica nós? Valorizando a Ceia do Senhor bem como todos os momentos de adoração.
Além do que já foi exposto, vemos os irmãos da igreja de Jerusalém sendo crentes perseverantes em oração.


IV – Valorizavam a oração.

Tudo o que a igreja de Jerusalém fazia era antecedido por oração.
Ø  Havia o bom exemplo da liderança – era hábito orarem no Templo às três horas da tarde (At 3.1).
Ø  Buscavam intensamente ao Senhor nos momentos de perseguição (Atos 4:31; 12.5).
Ø   Nada para os líderes era mais importante em sua atividade apostólica do que a pregação da Palavra e a oração (At 6.4).
Ø  Para a igreja de Antioquia as portas das missões são abertas e a oração antecede o envio dos missionários (At 13.1-3).
Quanto a nós, que a oração seja algo constante, como nos recomenda a Palavra.
ü  Que suas orações possam ser teocêntricas, não antropocêntricas, no sentido de não querer fazer de Deus seu servo, entendo que a vontade d’Ele embora às vezes tão difíceis de serem vividas, é o que humildemente deve ser aceito.

ü  Uma forma simples de saber se estamos orando corretamente é se perguntar: Jesus faria a oração que estou fazendo? Estou desejoso de ver o nome do SENHOR glorificado em minha vida, em minha família, na igreja, etc?

ü  Cuidado com o falatório, Jesus disse que não é pelo muito falar que seríamos ouvidos pelo Senhor. Isso não implica deixar de ser perseverante na oração, mas também saber ouvir o Senhor. A esse respeito há uma frase interessante que diz: “A oração não se mostra verdadeira quando Deus escuta o que se lhe pede. Ela é verdadeira, quando quem ora continua orando, até que seja ele mesmo a escutar o que Deus quer. Quem ora de verdade, nada mais faz senão escutar.” (Orar com o coração – Edições Paulinas – p. 24).
Há muito que pode ser dito sobre oração, a intenção no momento é apenas ressaltar sua importância para o cristão individualmente, e para a igreja coletivamente.


Conclusão


Viver a vida em Cristo, que deve ser evidenciada pelo crescimento e valorização do conhecimento da Palavra, pela luta por se viver em comunhão, valorizando o que o Senhor estabeleceu para sua igreja, como a Ceia e ser perseverante em oração é dever de todo cristão e indicativo de estar cheio do Espírito Santo. E uma igreja formada de cristãos que vivem essas características é uma igreja cheia do Espírito Santo.