A IGREJA QUE QUEREMOS SER – ATOS 2.42-47

 Introdução

O que é a igreja? Como ela deve estar atuando neste século XXI? Quais seus desafios? Quais seus pecados atuais? Em que ela tem acertado? Muitas são as interrogações que podem ser postas sobre a igreja. E, também variados são os entendimentos da expressão “igreja”.
Nesta série de estudos em Atos objetivamos analisar a vida da igreja de Jerusalém e a partir da realidade daquela igreja buscar estar nos enquadrando na vontade de Deus revelada para sua igreja.
A Igreja enche o mundo todo e é peregrina sobre a terra. Ela tem sua origem na graça celestial. Pois os filhos de Deus nascem, não da carne e do sangue, mas pelo poder do Espírito. Eis a razão por que a Igreja é chamada a mãe dos crentes. E, indubitavelmente, aquele que se recusa a ser filho da Igreja debalde deseja ter a Deus como seu Pai. Pois é somente através do ministério da Igreja que Deus gera filhos para si e os educa até que atravessem a adolescência e alcancem a maturidade (João Calvino).
O versículo 42 nos mostram quatro pilares essenciais para uma igreja saudável, crescente, vibrante.


Quatro pilares essenciais de uma igreja cheia do Espírito Santo


I – Valorização da doutrina bíblica.

O texto no diz que eles eram perseverantes. E o que é ser perseverante? É permanecer com frequência na busca de um objetivo. Não desistir, apesar de momentos de desânimos e ou das dificuldades encontradas. É isso o que acontece com a igreja de Jerusalém.
Lembremos que pouco antes o Espírito Santo desceu sobre os discípulos no Pentecostes. Os convertidos, os três mil que ouviram a pregação de Pedro, estavam agora em uma nova realidade de vida. Para saber como deveria ser sua nova vida teriam de atentar para a doutrina dos apóstolos.
A doutrina dos apóstolos era o ensinamento acerca da pessoa e palavras de Jesus. Não há mais apóstolos hoje, e para nós que temos a Bíblia completa perseverar na doutrina dos apóstolos significa observarmos, aprendermos e por em prática a Palavra de Deus. Significa permanecermos na sã doutrina revelada nas Escrituras, e tudo o que não estiver na Palavra recusarmos, por mais que aparentemente possa parecer algo de Deus.
O apóstolo Paulo enfatiza o ensinamento da Palavra com suas recomendação à Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.14-17). Enfatiza: “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.1–2). Tanta ênfase é porque somente a pura Palavra de Deus trás edificação para a igreja.
O que fazer então?
Valorize a escola Bíblica Dominical, bem como todos os momentos em que a igreja enquanto instituição favorece o ensino e aprendizado da Palavra.
Mantenha uma frequência na leitura bíblica devocional.
Entretanto, a perseverança daquela igreja não era apenas na Palavra.


II – Valorizavam a comunhão.

Essa comunhão enfatizada em grego é “Koinonia”. A palavra indica o afastamento de interesses particulares e a união com outras pessoas para o cumprimento de alvos comuns. Koinonia, portanto, é colocarmos de lado nossos interesses egoístas visando somar forças para juntos servirmos ao Senhor. Assim, podemos afirmar que só há essa koinonia primeiramente porque há comunhão com o Deus Triuno. Havendo comunhão com Deus, essa comunhão se expressará nas relações interpessoais. Se em nossos relacionamentos não há unidade, atitudes de misericórdia, companheirismo então é porque também não há verdadeira comunhão com Deus.
Deve haver alvos comuns, e no contexto esses alvos eram bem tangíveis. Havia pessoas que precisavam ser atendidas em suas necessidades materiais. Os irmãos então, movidos pelo amor, pelo sentimento de que era algo banal manter posses materiais, uma vez que Cristo logo voltaria, e pelo costume cultural de acolher aqueles que tinham vindo de lugares longínquos para a Festa de Pentecostes vendiam suas propriedades e entregavam o valor aos apóstolos para que fosse distribuído aos mais necessitados.
Como podemos de modo prático viver a comunhão aqui expressa?
·        Estar juntos. Podemos estar juntos sem estar em comunhão, mas para vivermos de modo prático a comunhão precisamos estar juntos. Não se trata apenas de estar em mesmo espaço físico – o Templo – mas viver a mesma fé, no mesmo Espírito, com os mesmos objetivos. Então é necessário ser salvo. É importante cultuar juntos no templo, porém, nossas relações necessitam de ser extramuros da igreja.
·        Compartilhar o que temos. Não significa uma apologia ao socialismo ou comunismo. A propriedade privada na época da igreja primitiva era algo comum, jamais vista como maligna, ou seja, as pessoas podiam ter seus bens, desde que não fossem insensíveis para as necessidades de outros. A Palavra de Deus é bem enfática sobre essas questões: “Se alguém é rico e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o seu coração para essa pessoa, como pode afirmar que, de fato, ama a Deus?” (1Jo 3.17, NTLH)! Ademais, não precisamos nos sentir constrangidos a compartilhar com quem é preguiçoso e não quer trabalhar (2 Ts 3.6-12).

Podemos dizer que o terceiro elemento de uma igreja cheia do Espírito é uma extensão do foi dito anteriormente.


III – Valorizavam o partir do pão.

Há o entendimento de que a expressão “partir do pão” é uma referência a duas ideias; a primeira é que eles expressavam sua comunhão nas refeições uns com os outros. E a segunda conotação é que aponta para a Santa Ceia do Senhor. Como a Santa Ceia naquela época era literalmente uma refeição, é possível que as duas coisas ocorriam juntas. Todas as vezes que partiam o pão lembravam que Cristo foi “partido” por eles e para eles. Assim, o momento do partir o pão era momento de ensino do evangelho para a família, vizinhos, amigos, qualquer um que estivesse presente. A Ceia era e é uma proclamação do evangelho de Cristo. Como pontuou Matthew Henry (methiu Henri) quando declarou: “A Ceia do Senhor é um sermão para os olhos e uma confirmação da palavra de Deus para nós. É um incentivo para as nossas orações e uma expressão solene da ascensão de nossa alma a Deus”.
Como isso se aplica nós? Valorizando a Ceia do Senhor bem como todos os momentos de adoração.
Além do que já foi exposto, vemos os irmãos da igreja de Jerusalém sendo crentes perseverantes em oração.


IV – Valorizavam a oração.

Tudo o que a igreja de Jerusalém fazia era antecedido por oração.
Ø  Havia o bom exemplo da liderança – era hábito orarem no Templo às três horas da tarde (At 3.1).
Ø  Buscavam intensamente ao Senhor nos momentos de perseguição (Atos 4:31; 12.5).
Ø   Nada para os líderes era mais importante em sua atividade apostólica do que a pregação da Palavra e a oração (At 6.4).
Ø  Para a igreja de Antioquia as portas das missões são abertas e a oração antecede o envio dos missionários (At 13.1-3).
Quanto a nós, que a oração seja algo constante, como nos recomenda a Palavra.
ü  Que suas orações possam ser teocêntricas, não antropocêntricas, no sentido de não querer fazer de Deus seu servo, entendo que a vontade d’Ele embora às vezes tão difíceis de serem vividas, é o que humildemente deve ser aceito.

ü  Uma forma simples de saber se estamos orando corretamente é se perguntar: Jesus faria a oração que estou fazendo? Estou desejoso de ver o nome do SENHOR glorificado em minha vida, em minha família, na igreja, etc?

ü  Cuidado com o falatório, Jesus disse que não é pelo muito falar que seríamos ouvidos pelo Senhor. Isso não implica deixar de ser perseverante na oração, mas também saber ouvir o Senhor. A esse respeito há uma frase interessante que diz: “A oração não se mostra verdadeira quando Deus escuta o que se lhe pede. Ela é verdadeira, quando quem ora continua orando, até que seja ele mesmo a escutar o que Deus quer. Quem ora de verdade, nada mais faz senão escutar.” (Orar com o coração – Edições Paulinas – p. 24).
Há muito que pode ser dito sobre oração, a intenção no momento é apenas ressaltar sua importância para o cristão individualmente, e para a igreja coletivamente.


Conclusão


Viver a vida em Cristo, que deve ser evidenciada pelo crescimento e valorização do conhecimento da Palavra, pela luta por se viver em comunhão, valorizando o que o Senhor estabeleceu para sua igreja, como a Ceia e ser perseverante em oração é dever de todo cristão e indicativo de estar cheio do Espírito Santo. E uma igreja formada de cristãos que vivem essas características é uma igreja cheia do Espírito Santo.

Apocalipse 3.14-22 - Cristianismo indeciso?

14 Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
17 pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.
18 Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.
22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.


Introdução

O que pensamos acerca de nós? Que imagem temos de nossa igreja? Como nos consideramos, frios, mornos, quentes, fervorosos, indecisos, determinados, visionários, conformados, realistas?
O que você pensa acerca de si? Você se considera um cristão vigorosa(a) ou alguém apático, sem energia?
A igreja de Laodiceia tinha uma imagem acerca de si. Mas a imagem que tinha não era que Jesus dizia a seu respeito. Na verdade somente Jesus pode dizer quem realmente somos. Jesus diz que aquela era uma igreja indecisa e autoenganada. Mas convida a sair do autoengano e viver profundamente a relação com ele.


Elucidação

A cidade de Laodicéia estava situada no vale do Lico, estava distante de Filadélfia cerca de 69 km, de Colossos cerca de 18km e de Hierápolis uns 10km (Cl.4:13). O nome da cidade foi dado por Antíoco II em homenagem a sua esposa Laodice. A cidade foi conquistada pelos romanos em 133 a.C, eles construíram um sistema rodoviário de leste para oeste e de norte para o sul, isso favoreceu Laodicéia trazendo muita prosperidade para a cidade. Lá havia uma forte indústria de lã negra e uma escola de medicina que se especializou no cuidado dos ouvidos e dos olhos, lá eles também desenvolveram um colírio eficaz para infecção nos olhos. Esses dados acerca da cidade nos faz entender melhor as palavras usadas pelo Senhor Jesus ao exortar sua igreja.




I – Uma igreja indecisa, v, 15-16.

v.15 – aquele que conhece perfeitamente sua igreja, conhece suas obras, estar a dizer de sua real condição. O termo “frio” tem aqui o sentido de alguém que não ouviu o evangelho, que não conhece a verdade que aquece o coração. O termo “quente” aqui se refere a alguém que está inflamado pelo amor ao Senhor e à sua obra.
O problema da igreja de Laodiceia é que embora tenha ouvido o evangelho, tenha supostamente se comprometido com ele, suas vidas não estavam em conformidade que essa verdade. Eram pessoas indecisas, que ficavam no meio do caminho, que assumiam um compromisso pela metade. Eram indiferentes e despreocupados para com as coisas do Senhor.
Devido essa indecisão daquelas pessoas Jesus diz a elas algo bastante forte: “Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (v.16).
Jesus classifica aquela igreja como morna. Essa forma de ilustrar a situação daquela igreja vem do fato que a água que abastecia aquela cidade era cheia de carbonato de cálcio (sal não solúvel em água). Era então uma água que provocava náuseas em quem consumia. Assim o Senhor diz que está nauseado com aquela igreja. Mas ao dizer que está a ponto de vomitá-la tanto é algo forte por dizer que não está mais suportando-a, quanto ainda que pareça paradoxal, denota esperança para aquela igreja, pois é uma palavra de graça, Ele ainda espera mudança por parte do seu povo ante que derrame juízo sobre ele.
O que seria uma igreja morna?
Podemos falar de algumas características de mornidão:

a) Mornidão tem a ver com SATISFAÇÃO.
Satisfação aqui no sentido do conformismo. O morno está satisfeito com sua situação, não percebe sua real condição, está pobre, cego e nu; mas considera que está tudo bem.
Esse sentimento de conformismo é prejudicial em todos os âmbitos da vida. Profissionalmente o conformado é alguém que não ousa mudar, que não se arrisca, que não quer melhorar. Na vivência da igreja é alguém que apenas vive os ritos, apenas participa das atividades sem se importar muito de como está participando, o importante é estar fazendo algo.

b) Mornidão tem a ver com INDIFERENÇA.
A pessoa indiferente é aquela para quem nada importa. Se Jesus está a bater à porta, considera que é para outra pessoa, não para ela. A pessoa indiferente não se deixa tocar.

c) Mornidão te a ver com INDECISÃO.
É aquela pessoa escrava da conveniência, vai pelo momento, dividida em seus pensamentos, indecisa, não toma uma postura. Não é firme em suas posições. Isso acontecia naquela igreja, cheia de crentes que agiam de acordo com conveniência, sempre prontos a se comprometerem com o mundo, eram crentes frouxos, aceitavam todas as opiniões e não se posicionavam de modo corajoso do lado da verdade de Deus.
Há algo mais que o Senhor Jesus reprova naquela igreja, ela não se via dessa forma, achava que estava tudo bem.


II – Uma igreja autoenganada, v. 17-18.

Ap.3.17 – “pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.
Aqueles irmãos tinham boa condição material, mas infelizmente ao invés de manterem a humildade consideravam-se autossuficientes. Confiavam na instabilidade da riqueza. Faz lembrar aquele homem da parábola citado por Jesus que seu maior objetivo na vida era acumular mais riqueza (Lc 12.13-21).
Mas o Senhor faz lembrar a real condição daquele povo:
a) Miserável – embora tivessem suficiência material, careciam da verdadeira riqueza diante de Deus;
b) Pobre – aqui não no sentido material, mas da falta do que é mais importante;
c) Cego – Não conseguia enxergar sua real condição. Não apenas os ímpios são cegos espiritualmente, os salvos em alguns momentos podem estar com sua visão espiritual nublada sem perceber seus pecados. Por isso o apóstolo Pedro ao recomendar uma vida plena de fé, virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor diz que: “[...] aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora” (1 Pe 1.9).
d) Nu – essa expressão é para denotar sua condição pecaminosa diante do Senhor que deveria trazer vergonha para ele.
Todos nós não estamos isentos do autoengano. Podemos estar nos iludindo, julgando que está tudo bem, contudo, as críticas do senhor àquela igreja podem ser válidas a nós. “estou rico e abastado” é o sentimento de um suposto cristianismo de alguém que pensa que já sabe tudo a respeito de Deus, que não percebe que está lhe faltando algo, não atenta para essa falta que pode ser preenchida todos os dias, não é renovado espiritualmente e diariamente pelo Senhor. Não é renovado porquê não busca, não busca porquê não deseja, não deseja porquê se altoengana.
Diante de sua real condição vem o conselho do Senhor.
Ap.3.18 – “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas”.
Jesus utiliza uma linguagem de mercado para enfatizar que deveria buscar o que realmente importa, a verdadeira riqueza.
a) “ouro refinado pelo fogo” é uma referência à fé verdadeira que sobrevive até mesmo na tribulação;
b) “vestiduras brancas” enfatiza a justificação que nos foi dada pelo sangue de Jesus, pois somente ele remove o pecado e a culpa do homem diante de Deus (Rm.3:21-26; Ap.16:15; 19:18).
c) “colírio para ungires os olhos”. Naquela cidade se produzia um colírio famoso e Jesus usa desse fato para mostrar a eles que somente ele poderia leva-los ao reconhecimento da verdade da Palavra de Deus e da real condição espiritual que eles se encontravam diante do Senhor. Só ele pode nos mostrar o que é ilusão e o que é verdade em nossas vidas.
Essa palavra dura, sem elogios, é motivada pelo amor do Senhor à sua igreja.


III – Uma igreja convidada a mudar sua postura, v. 19-20.

V. 19 – “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te”.
A verdade exposta pelo Senhor conforme se encontra também em Hb 12.6 e Pv 3.12 faz lembrar a igreja sua necessidade de arrependimento, caso contrário não poderia esperar nada mais do que juízo do Senhor. Que possamos trocar aquilo que julgamos ser ou ter, nos desfazendo de qualquer ilusão e decididamente estarmos tendo plenamente a Cristo! Que ele possa ser tudo em nós e para nós! E ainda que ele venha a nos disciplinar, que nos alegremos em saber que isso é motivado por seu amor.
O v.20 com certeza é o mais lembrado desse texto. “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo”.
Já pensou ir fazer uma visita a alguém que lhe querido é essa pessoa fingir não estar em casa? Como nos sentiríamos?
Apesar de tantas vezes fecharmos nossas portas para o Senhor ele diz que é perseverante, ele estar a bater. A realidade daquela igreja é que o próprio senhor dela não estava tendo espaço em seu meio. Mas o mesmo acontece com muitas comunidades cristãs hoje e com muitos crentes. Isso denota falta de comunhão. Queremos comunhão com Cristo, uma comunhão diária, constante e crescente? Que sejamos então zelosos por nossa vida espiritual, que vivamos de modo mais intenso o arrependimento de nossos pecados!


Conclusão

1. Há muitas possibilidades para nós enquanto igreja: podemos nos portar como um clube onde as pessoas têm deveres e prazeres ou podemos viver como uma casa onde o Senhor habita.
E você, que tipo de igreja tem contribuído para edificar? Que conceito tem acerca de si mesmo(a)?


2. Que bom sabermos que servimos aquele que tem poder para conduzir os vencedores ao seu trono de glória (v. 21). Além das realidades já presentes por termos aberto nossos corações para ele: vivemos as riquezas do seu reino, recebemos vestes de justiça, nossos olhos foram abertos, temos a alegria da comunhão com Cristo; podemos também sentir-nos motivados neste mundo por sabermos que sentaremos com ele no trono da glória. A ideia aqui é de conquista e autoridade. É a comunhão da mesa secreta transformada em comunhão pública.

Apocalipse 3.7-13 - Uma igreja que aproveita as oportunidades

7 Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá:
8 Conheço as tuas obras – eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar – que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.
9 Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.
10 Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra.
11 Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.
12 Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome.
13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.


Introdução

A cidade de Filadélfia foi fundada pelo rei Átalo, de Pérgamo. O apelido desse rei era Filadelfo (“aquele que ama o irmão”), daí o nome da cidade. Esta cidade, (hoje Alasehir, na Turquia), era bem localizada, junto a uma estrada bastante movimentada que ligava a Àsia à Europa. Assim mantinha sempre uma porta aberta à indústria, ao comércio e a cultura grega, que se difundiu naquela região.
No ano 17 a. C. foi atingida, juntamente com outras cidades, como Sardes, por um grande terremoto. Tibério César ajudou a reconstruí-la e ela passou a chamar-se Neocesaréia em homenagem a ele. Por conta então do medo de terremotos muitos moradores passaram a viver em tendas fora dos muros da cidade, daí a promessa de Jesus no v. 12: “Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá”. E porque a cidade mudou de nome a ênfase acerca do novo nome dado por Cristo.
Essa é uma das duas igrejas que Jesus apenas elogia, não traz repreensões, a outra é Esmirna.
Podemos de dizer que esta era uma igreja que tinha uma visão correta do Reino de Deus. Era uma igreja que olhava para as oportunidades, não para as dificuldades.


I – Uma igreja com uma grande oportunidade diante de si, v. 7-8.

Quem lhe concede tal oportunidade é aquele que é santo e verdadeiro. Como sempre Jesus se apresenta falando de sua santidade para ser de incentivo aos irmãos que busquem santidade de vida. Diz também que é o verdadeiro como forma de contrapor os falsos mestres citados no v. 9.
Esse que é santo e verdadeiro é quem possui a Chave de Davi. Essa é uma declaração que visa denotar sua messianidade. Como profetizado por Isaías em 22.2: “Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá”. Assim, ele é aquele que tem autoridade. Chaves aqui é símbolo de autoridade. Ele é o Messias prometido descendente de Davi. É Ele que tem as chaves da salvação.
A igreja não tem a chave do reino de Deus no sentido acreditado pelos católicos romanos. Não é a igreja quem decide que vai para o céu ou para o inferno. Jesus é o senhor absoluto, a ele pertence a salvação. Ele é a porta, ele é o caminho e é ele quem tem a chave, quem tem autoridade.
No v. 8 Jesus elogia aquela igreja, pois embora pequena mantêm-se fiel ao seu Senhor. Aquela não era uma igreja influente, com recursos. Tinha poucas possiblidades de ação. Possivelmente essa é uma das premissas usadas pelos seus adversário, os “supostos” judeus, para se chegar a conclusão de que Deus não estava com eles. Uma conclusão falsa. O próprio Senhor diz a eles: “conheço as tuas obras”. Sua pouca força não implicava distanciamento do Senhor, os judeus não compreendiam a lógica do reino de Deus. E os irmãos de Filadélfia precisavam ser fortalecidos naquilo que no passado o Senhor falou ao seu povo em Is 41.14: “Não temas, ó vermezinho de Jacó, povinho de Israel; eu te ajudo, diz o SENHOR, e o teu Redentor é o Santo de Israel”. Isso é repetido a eles de uma forma diferente para enfatizar a proteção do Senhor na vida daquela igreja.
Jesus diz que porá uma porta aberta para ela. Essa porta é a da evangelização. Não importava que fosse uma congregação pequena formada em sua maioria de pobres e escravos; o seu poder e a eficiência de sua mensagem não viria de sua condição social, mas do Senhor.
Quando o Senhor Jesus nos abre uma porta para pregar o seu nome temos a garantia de que ninguém pode fechá-la.
Uma pergunta que podemos estar nos fazendo é quais são as portas que ele tem aberto para nós anunciarmos o evangelho? Temos sabido aproveitá-las?


II – Uma igreja que enfrenta inimigos, 9-10.

Jesus menciona os falsos judeus, inimigos da igreja do Senhor, pessoas arrogantes, soberbas, que se ufanavam em sua linhagem judaica como sendo a coisa mais excelente da vida.
Mas aquela pequena igreja, aparentemente sem força recebe a promessa do Senhor de que tais adversários não triunfariam contra ela. Afinal, as portas do inferno não prevalecem contra a igreja do Senhor.
A forma como a igreja deveria enfrentar seus inimigos judeus aqui era continuar anunciando o evangelho de Cristo. Quando é dito no final do v. 9 que os judeus iriam se prostrar aos seus pés está significando que alguns judeus iriam ser convertidos ao Senhor e isso lhes seria de consolo. Assim como não eram todos os judeus que os rejeitavam, também não seriam todos os judeus que viriam a ser convertidos. Mas haveria conversões.
Outro inimigo ou desafio a ser enfrentado pela igreja era uma grande provação que estava por vir sobre aqueles irmãos. Não apenas sobre eles, mas também sobre os ímpios até de outras nações. Provação aqui trás a ideia de um tempo de dificuldades e sofrimento. Este versículo pode ter o sentido tanto de perigo imediato quanto de uma tribulação futura que a igreja em sua totalidade viria a enfrentar - a chamada Grande Tribulação. O Senhor diz que os guardará. Contudo, guardar aqui não implica livrá-los de vivenciar qualquer dor, não é fazer com que a igreja não passe pela grande Tribulação. “eu te guardarei” significa que manterá os seus na pureza. O sentido dessa expressão é compreendido lembrando João 17.15 quando Jesus ora pela igreja pedindo ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal”. Mas aqueles irmãos poderiam sentir-se tranquilos, pois seja qual fosse a situação futura, como é dito em hebreus 2.8 enquanto tais tempos de provação são de juízo para os ímpios, para os justos é de crescimento.


III – Uma igreja com promessas maravilhosas, v. 11-12.

A primeira dessas promessas é acerca da vinda do Senhor. Aqui sua vinda pode ser entendida de forma mais ampla. Pois essa referência pode dizer respeito a:
a) Uma vinda para julgamento ou juízo;
b) Uma referência à morte física;
c) A vinda escatológica.
Isso tudo porque a ideia da vinda está atrelada à do encontro com ele. Mas há aqui não apenas a promessa de sua vinda como também uma exortação a prosseguirem fielmente. A referência da coroa é acerca da vitória. Deveriam ter cuidado para manterem-se vitoriosos. A expressão poderia ser entendida com se a igreja já possuísse a grinalda de vencedora, mas na verdade ainda estavam na corrida, o prêmio final ainda seria alcançado, embora já lhe estivesse garantido (2 Tm 4.8), preservado para ela ( 1Pe 1.4). Mas deveriam enquanto neste mundo estivessem continuar na luta para não perder aquilo que o evangelho lhes trouxe: a perseverança por Jesus, a independência de honra humana ou fama, e até o amor aos inimigos. Perder essas coisas seria ser derrotados.
Aqueles irmãos que viviam em uma cidade que já fora abalada por terremotos recebe do Senhor a promessa de serem feitos colunas no santuário de Deus.
A promessa aqui é de segurança. Para uma igreja que habitava em uma cidade onde as pessoas viviam inseguras com medo de terremotos o Senhor Jesus diz que eles habitarão para sempre em sua presença. Dizer que gravará sobre eles o nome de Deus é uma afirmação de que eles pertencem ao Senhor, são verdadeira igreja do Senhor. A sua cidadania celestial é ratificada ao dizer-lhes que lhe gravará o nome da nova Jerusalém. E ainda diz que gravará o seu novo nome como uma referência à consumação de sua obra redentiva. Assim são promessas gloriosas concedidas à igreja.
Quem é o vencedor aqui? O texto é exortativo, assim busca incentivar os irmãos a prosseguirem como estão. O vencedor é todo aquele que é verdadeiramente “judeu espiritual”, todo aquele que é lavado no sangue de Cristo, todo o salvo.


Conclusão

1. Certamente se formos ficar observando apenas os obstáculos não estaremos aproveitando as oportunidades que o Senhor nos concede, essa é uma verdade que tanto vale para as questões individuais de nossas vidas como para o serviço que podemos estar prestando ao Senhor enquanto igreja.

2. O Senhor é que abre as portas, se ele o faz devemos trabalhar, se ele fecha devemos parar.


3. Será que nos assemelhamos com a igreja de Filadélfia?

Apocalipse 3:1-6 - UMA IGREJA QUE NECESSITA DE REAVIVAMENTO

Ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto.
Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras  as tuas obras na presença do meu Deus.
Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como um ladrão, e não conhecerás de modo algum em que horas virei contra ti.
Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.




Introdução

A história da igreja em Sardes tem um pouco a ver com a história da cidade. Sardes houvera sido capital da Lídia no século VII a.C, uma cidade importante. Situada no alto de uma colina, sentia-se muito segura, inexpugnável, jamais seus habitantes imaginariam cair nas mãos de inimigos.
A cidade de Sardes tinha uma atividade econômica basicamente do comércio da lã. A cidade ocupava uma posição estrategicamente importante, pois lá havia uma rota comercial. O comércio era algo intenso e que gerava riqueza, contudo, para os cristãos havia um problema, era uma atividade exclusiva dos adoradores da besta. Como é dito em 13.16 para comprar e vender é necessário ter a marca da besta, o nome da besta, o número do seu nome.
Aqui há esse dilema, por um lado há o poder do dragão que domina, persegue, exige adoração exclusiva; e por outro lado, os cristãos, não podendo ceder a essa exigência, estão cansados e perguntado ao Senhor: “até quando?” (6.10).
Aquela cidade, considerada inconquistável, com sua muralha eficiente a lhe proteger, caiu nas garras de Ciro da Pérsia em 529 a. C, seu exército entrou por um buraco na muralha e dominou toda a cidade. Mais tarde, em 218 a. C, Antíoco Epifânio dominou a cidade da mesma forma. Assim, os moradores de Sardes entendiam bem as palavras: "Sede vigilantes! ... senão virei como ladrão de noite".
A cidade foi reconstruída no período de Alexandre Magno e dedicada à deusa
Cibele. Essa divindade padroeira era creditada com o poder especial de restaurar vida aos mortos. Mas a igreja estava morrendo e só Jesus poderia dar vida aos crentes.
No ano 17 d. C. Sardes foi parcialmente destruída por um terremoto e reconstruída pelo imperador Tibério. A cidade tornou-se famosa pelo alto grau de imoralidade que a invadiu e a decadência que a dominou.
Quando João escreveu esta carta, Sardes era uma cidade rica, mas totalmente degenerada. Sua glória estava no passado e seus habitantes entregavam-se agora aos encantos de uma vida de luxúria e prazer. A igreja tornou-se como a cidade. Em vez de influenciar, foi influenciada. Era como sal sem sabor ou uma candeia escondida. A igreja não era nem perigosa nem desejável para a cidade de Sardes.
É nesse contexto que vemos Jesus enviando esta carta à igreja. Sardes era uma poderosa igreja, dona de um grande nome. Uma igreja que tinha nome e fama, mas não vida. Tinha performance, mas não integridade. Tinha obras, mas não dignidade.
A esta igreja Jesus envia uma mensagem revelando a necessidade imperativa de um poderoso reavivamento. Uma atmosfera espiritual sintética substituía o Espírito Santo naquela igreja. Ela substituía a genuína experiência espiritual por algo simulado. A igreja estava caindo num torpor espiritual e precisava de reavivamento. O primeiro passo ao reavivamento é ter consciência de que há crentes mortos e outros dormindo que precisam ser despertados.
Não é diferente o estado da igreja hoje. Ao sermos confrontados por aquele que anda no meio dos candeeiros, precisamos também tomar conhecimento da nossa necessidade de reavivamento. Devemos olhar para esta carta não como uma relíquia, mas como um espelho, em que nos vemos a nós mesmos.




I – Uma aparente de condição de vida, v.1-2.

Como ocorre em todas as cartas Jesus se apresenta com seu título que faz parte da revelação à João, assim como consta no capítulo primeiro (1.4, 16, 20; 2.1).
Mais uma vez a menção aos sete Espíritos de Deus, expressão que busca designar a plenitude do Espírito Santo. Faz-se necessária essa ênfase, pois embora aquele igreja aparente estar muito viva, se encontrava decadente. E somente o Espírito de Deus pode trazer vida à igreja. Uma igreja pode ter estratégias acerca de suas atividades, isso lhe ajuda a se manter enquanto comunidade local, contudo, é algo que pode existir sem que haja vida real na igreja. A vida dinâmica espiritual só há mediante a atuação do Espírito Santo.
O Senhor Jesus também faz menção que em suas mãos estão as “sete estrelas”, referência aos sete líderes, pregadores, daquelas igrejas. Os mensageiros da Palavra de Deus são os canais para que o Senhor fale à igreja e venha então a gerar vida.
Jesus declara: “conheço as tuas obras, que tens nome de que vive e estás morto” (v.1). Infelizmente era uma igreja sob a influência mundana. Podiam os crente ali serem muito ativistas, mas sua fama não correspondia com sua realidade espiritual. Aquela era uma igreja que tinha todas as características externas de uma igreja viva. Contudo, internamente estava infrutífera, morta.
Uma igreja deve ser ativa, mas não é raro em nossos dias isso ser confundido com ativismo. Ativismo é algo que pode fazer uma igreja ter reputação, mas isso acontecendo estando cheia de crentes carnais de nada adianta ao Reino do Senhor e a essas pessoas.
“Sê vigilante” (v.2), isto é, tenham muito cuidado, pois em um pequeno vacilo vocês poderão estar conhecendo a derrota. Isso faz lembra que por falta de vigilância aquela cidade foi derrota por seus inimigos no passado que entraram por uma pequena brecha no muro. Como comunidade e individualmente devemos estar alerta, não permitindo brechas espirituais, pois nosso adversário sabe aproveitá-las muito bem.
Com a expressão “consolida o resto que estava para morrer” vem a ideia de fortalecer, fortificar, tornar firme (v.2). Aquela era uma igreja de pessoas enfraquecidas espiritualmente. Os que estavam conscientes da realidade da igreja deveriam ajudar aqueles que se encontravam em condição de mornidão espiritual. Para que uma igreja não tenha apenas aparência de vida, mas verdadeira vida em comunidade é necessário que os irmãos se ajudem mutuamente: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrige-os com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado. Levai as cargas um dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.1, 2).
 “Porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus” (v.2). Aquela era uma igreja que tinha seus rituais, fazia suas obras, mas fazia sem amor, sem fé genuína, sem prazer espiritual, e isso não é suficiente para o Senhor. Por mais que seja difícil às vezes, por conta de circunstâncias adversas, busque servir ao SENHOR com alegria e singeleza de coração.


II – A advertência do possível juízo divino, v.3.

Deveriam lembrar o evangelho que receberam. A obediência deveria voltar a fazer parte de suas vidas, a chamada ao arrependimento era urgente aqui. Deveriam ter uma mudança de mente e de coração. Arrependimento diz respeito à percepção racional do pecado, ao entristecimento por ter pecado e ao desejo de não mais voltar a tal prática.
A igreja foi devidamente cuidada pelo Senhor, alimentada espiritualmente, tem a presença de seu Santo Espírito. Contudo, a igreja de Sardes parecia estar vivendo como se nada disso tivesse acontecido. A palavra de Jesus é uma só: arrepende-te, senão virei em juízo.
A ameaça do juízo está posta para o caso do não arrependimento.
Todo reavivamento na história da igreja esteve presente a chamada ao arrependimento, o consequente arrependimento do povo e a restauração do Senhor na vida do povo.


III – Gloriosas promessas aos vencedores, v.4-6.

Em sua graça o Senhor sempre sustenta alguns na pureza. Mesmo em uma igreja que estava contaminada pela influência mundana, havia aqueles que não mancharam suas vestimentas. Roupas brancas e limpas é símbolo de conduta e estilo de vida moral aprovada pelo Senhor. A promessa do Senhor é que essas pessoas andariam com ele, por serem dignas. Essa dignidade não é própria, mas por causa da obra de Cristo aplicada a elas (Ap 7.13-15).
No v. 5 a ideia é que o vencedor será vestido de vestidura branca pelo próprio Cristo, isto é uma indicação da glorificação dos santos. Diz ainda que de nenhum modo será apagado o seu nome do Livro da Vida, aqui a referência é à certeza da salvação, à segurança dos santos. Aqueles que em Cristo podem sentir-se seguros de que serão vencedores, seus nomes estão escritos no Livro da Vida.
Essa expressão “Livro da Vida” é interessante aqui, pois os romanos apagavam os registros civis dos condenados antes de sua execução. O Senhor está garantindo àqueles que estavam como réus tendo a possiblidade de perderem sua cidadania romana, que não havia como eles perderem sua cidadania celestial. No antigo Testamento a expressão “Livro da Vida” tem o sentido de morte terrena, por isso que Moisés pede para o Senhor riscar o seu nome do Livro da Vida quando intercede pelo povo (Ex 32.32, 33).
O v. 5 termina com o Senhor Jesus dizendo: “Confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”. Essa é uma repetição do que consta em Mateus 10.32. Muito melhor do que a boa fama, do que ser visto em alto conceito pela sociedade, do que ter a fama de estar vivo, é de fato tudo isso corresponder com a realidade de estarmos em Cristo e termos nosso nome proclamado por ele nos céus como um dos redimidos, para o louvor de sua glória.
Assim, meus irmãos, quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas, valorize, ponha em prática.


Aplicações

1. Que como igreja local não nos preocupemos primordialmente com nossa aparência de igreja ativa e trabalhadora, não devemos essa satisfação à sociedade nem a outras igrejas. Nossa preocupação é que de fato estejamos sendo uma igreja viva, que trabalha na dependência e poder do Espírito Santo.

2. Muitos crentes tem ouvido a repreensão do Senhor e a chamado ao arrependimento, quando isso ocorrer conosco que não percamos tempo, mas caiamos aos pés do Senhor em confissão de pecados.

3. Você é um(a) vencedor(a) em Cristo Jesus. Pode ser que sofra algumas derrotas nesta vida. Lute para viver mais vitórias do que derrotas. Mas que as derrotas sofridas não tirem sua percepção de que a vitória final é garantida pelo sangue do Cordeiro.


Conclusão


“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9.8). Reavivamento é santidade de vida.

Filipenses 1.27-30 - Vivam de modo digno do evangelho

Introdução

Nós cristãos vivemos uma tensão no que diz respeito ao fato de temos duas cidadanias. Somos brasileiros, vivenciamos as coisas referentes ao nosso contexto secular; mas ao mesmo tempo somos cidadãos dos céus, temos uma pátria celestial, e neste mundo consequentemente somos embaixadores desse reino espiritual. Vivemos também a tensão entre o nosso encontro futuro com Cristo, quando então nossa cidadania espiritual se efetuará e prevalecerá sobre a atual, e a nossa cidadania do presente. A igreja então está entre aquilo que é e aquilo que virá a ser.
Assim, não podemos jamais esquecer quem somos e que neste mundo somos peregrinos: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos o salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).
Enquanto nos encontramos aqui como encontrar o equilíbrio entre essas duas cidadanias? Como lidar com esses conflitos?


Elucidação

Paulo, ao escrever essa epístola estava preso em Roma, tencionava expressar gratidão pela ajuda enviada por aquela igreja através de Epafrodito (Fp 2.25; 4.18). Aproveita a ocasião para incentivá-los à unidade cristã, à uma vida coerente com o evangelho de Cristo. Faz isto utilizando os aspectos sociais e culturais daquela cidade. Filipos era uma colônia romana, seus cidadãos eram romanos, falavam latim, vestiam vestimentas romanas, lembravam e se orgulhavam do fato de mesmo estarem localizados em território grego eram totalmente romanos. Eles tinham um grande orgulho de sua cidadania.
Desse modo, o nosso texto incentiva a igreja a viver de modo digno da cidadania celestial.



I – Vivam a missão cristã, v.27.

A expressão utilizada pelo apóstolo Paulo que foi traduzida por “vivei” tem na íntegra o sentido aqui de “se portem como cidadãos”. Ele já havia falado muitas coisas nesse capítulo, mas chama a atenção aqui para algo sobremodo importante – “acima de tudo”.
O incentivo de Paulo parte não de uma teoria, mas do fato de que ele mesmo vivia de modo digno do evangelho. A causa do evangelho foi sempre central para Paulo:
No passado, v. 12;
Ele não se importava em ter passado privações, perseguições, desde que tudo tenha contribuído para o progresso do evangelho.
No presente, v. 14-18.
Paulo não se preocupava com os invejosos, com aqueles que queriam o seu “posto” na igreja, desde que pregassem Cristo e não heresias. O importante para ele era cristo ser anunciado.
No futuro, v. 20, 21.
O presente era Cristo, sua vida era Cristo e fazê-lo conhecido. O futuro seria encontro com Cristo, então morrer seria lucro.
Paulo entende toda a sua história, passado, presente e futuro à luz da mensagem de Cristo.
Que assim como Paulo, cada um de nós cumpramos a nossa missão! Que vivamos de modo digno do evangelho. Entenda a centralidade de Cristo em toda a nossa história de vida.


II – Utilizem a estratégia cristã, v.27, 28.

A estratégia correta a ser utilizada então é viver em unidade. Lembremos quão enfaticamente Jesus enfatizou a importância desse elemento espiritual:
“Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34–35). “[..] e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos” (Jo 17.21–22).
O apóstolo Paulo sabia muito bem que uma igreja só pode ser vitoriosa batalhando em unidade. O desejo dele é que mesmo em sua ausência pudesse estar ouvindo falar da maturidade daquela igreja, ouvisse que eles estavam se prontificando para batalhar pela causa de Cristo. O “estais firmes” na verdade aqui é uma linguagem militar, que traz o sentido de ‘prontos para o combate’. Deveria estar “em um só espírito”. Espírito aqui pode ser o Espírito Santo ou uma atitude presente conjuntamente em cada cristão. Os intérpretes se dividem a respeito. Deveriam então estar lutando juntos, e isso é mais do que uma associação para uma causa comum, trata-se de uma unidade que excede àquela encontrada em contextos seculares. Juntos, por ser uma única família, por ter uma ligação espiritual realizada pelo próprio Cristo em sua obra e operacionalizada pelo Espírito Santo deve a igreja “lutar pela fé evangélica”. Trata-se aqui de fé no sentido de conteúdo daquilo que cremos, ou seja, das doutrinas. Paulo está incentivando a uma luta evangelística e apologética. Ele quer unidade para a igreja, mas ele sabe que não existe verdadeira unidade destituída da verdade da Palavra.
Que lutemos juntos não por modismos ou doutrinas de homens, mas pela verdade de Deus, e assim vivenciaremos verdadeira unidade (Ef 4.1-6).
Que nesta luta não nos sintamos intimidados. Esta expressão (pturemenoi = intimidados) era utilizada para se referir a um cavalo assustado no campo de batalha. Paulo é bastante realista, sabe que como cristãos estamos todos em guerra, mas nos incentiva a prosseguirmos avante.
Os verdadeiros crentes não terão esperança de serem amigos do mundo, pois sua própria presença já é uma censura ao que o mundo abraça. Podemos correr o risco de sermos vistos como presunçosos por afirmarmos que estamos em Cristo e somente por meio de Cristo há salvação. Muitos consideram-nos intolerantes e homofóbicos por falarmos contra o adultério e contra o homossexualismo. Então diante disso tudo ou as pessoas serão impactadas pelo evangelho ou se oporão aos cristãos. Mas Jesus já nos advertiu a não esperarmos simpatia do mundo: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” (Jo 15.18). Daí Paulo diz para não nos intimidarmos.
Essa situação é prova evidente de perdição para eles, pois serão julgados pelo Senhor (2 Ts 1.7-9). Para nós é prova de salvação no sentido de que é uma prova de que pertencemos ao Senhor. O Senhor Jesus já havia proferido: “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.10–12).
Não desanime diante de perseguições, se alegre em Cristo, ainda que delas advenham sofrimentos.


III – Viva o estímulo cristão, v. 29.

O estímulo cristão para prosseguir vitoriosamente em Cristo está em algo estranho a quem não tem o Espírito Santo. Por estranho que à primeira vista possa parecer, o nosso estímulo é a graça de padecermos por Cristo.
Paulo tem toda propriedade para incentivar isso aos irmãos. Ele mesmo quando visitara Filipos para pregar o evangelho e então iniciar a igreja naquela cidade teve a oportunidade de expulsar um espírito maligno de uma jovem. Tal evento deixou as pessoas que exploravam aquela situação enraivecidas e conseguiram prendê-lo sob a acusação de perturbação da ordem social. Diz o texto bíblico de Atos 16 que mesmo na prisão, mesmo tendo sido açoitados injustamente Paulo e Silas louvavam à Deus alegremente (v.25) Tão impactante foi esse momento que redundou na conversão do carcereiro e sua família.
Isso não significa     que o cristão deve precipitar-se inconsequentemente a uma situação de sofrimento, mas que caso venha a estar presente pelas razões de vivermos o evangelho devemos entender como privilégio manifesto pela graça do Senhor. Se sofrermos, não por consequência de nossos pecados, mas por andarmos em fidelidade à nossa cidadania celestial neste mundo hostil, isto redundará em glória para nós: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados (Rm 8.17);  (1Pe 4.12-16).
Diante de tudo isso, há alguns desafios para nós como embaixadores de Cristo em nossa cidadania presente.


Aplicação

Desafios do cristão:
1. Viver o equilíbrio de estar na expectativa da consumação da pátria espiritual sem desconectar da realidade social. O cristão pode se envolver politicamente em sua conjuntura social. Pode sentir orgulho de sua pátria, desde que não a idolatre.

2. Entender que a unidade do corpo de Cristo deve exceder àquilo que vemos como unidade no contexto de não-igreja.

3. Saber se estamos em nossa caminhada sendo aprovados ou reprovados pelo Senhor.

4. Não fugir ao compromisso do evangelho de Cristo para simplesmente não vivermos algum prejuízo.


Conclusão

No v. 30 Paulo lembra que sofreu quando chegou em Filipos, colocando-se como exemplo ao mesmo tempo que mostra que o combate que viram nele é compartilhado pelos filipenses. Mas não apenas por eles, por todos os cristãos. Assim, viva esse combate, essa tensão entre o temporal e o eterno, entre a pátria celestial e a terrena de tal forma que as pessoas reconheciam você como cidadão do Reino de Deus.