Êxodo 20.3; Deuteronômio 5.7 - O Primeiro Mandamento: O testemunho da singularidade e exclusividade de Deus

Introdução

Os dez mandamentos podem e devem ser vistos de forma mais abrangente pela igreja. São eles parâmetros para a vida do povo de Deus revelado a Israel, quando tinha saído da escravidão do Egito e começaria sua peregrinação até a Terra Prometida. Nessas circunstâncias o Senhor diz o que exige deles enquanto povo da Aliança. Os Dez Mandamentos são então formas de viver que agradam ao Senhor; trazem as proibições ao comportamento inadequado bem como é dito o que deve ser feito. Assim, é um código de ética para o povo de Deus.
O povo de Deus da nova Aliança em Cristo Jesus deve também olhar para esses mandamentos observando-os em obediência considerando a amplitude a eles trazido pelo evangelho de Cristo.
Vejamos o primeiro desses mandamentos considerando-o a partir do Antigo Testamento e sua conceituação no Novo Testamento.


I – As proibições no Antigo Testamento.

O A. T. traz a proibição a toda forma de idolatria.
Êxodo 23.13. “Em tudo o que vos tenho dito, andai apercebidos. Do nome de outros deuses nem fareis menção; nunca se ouça da vossa boca o nome deles” (Versão Almeida Atualizada).
Ocorre nesse texto uma proibição de sequer lembrar os nomes dos falsos desuses das nações pagãs, não deviam nem citá-los. Isso é relevante para o contexto cultural dos judeus uma vez que eles consideravam o uso do nome de alguém como indicativo de relacionamento, era como identificar-se com tal pessoa.
“Não fareis para vós ídolos, nem vos levantareis imagem de escultura, nem estátua, nem poreis pedra figurada na vossa terra, para inclinar-vos a ela; porque eu sou o SENHOR vosso Deus” (Lv 26:1).
“Eu sou o SENHOR; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura”. (Is 42:8)

Mas diante desses textos como poderíamos formular respostado do porquê que Deus exige exclusividade.
Primeiramente, podemos dizer que a exigência divina pela exclusividade da devoção humana se dá pelo fato de sua singularidade, ou seja, Ele é único, o criador de todas as coisas, o único SER NECESSÁRIO.  Portanto exigido que sua criação volte-se a Ele. “Eu sou o Senhor” (v.2). Em Isaías 40:12-31 consta um relato de Sua grandeza nas colocações de que as nações para Ele são como uma gota de água em um balde, nem todas as florestas da terra seria suficiente para o fogo do altar, por ser incomparável é um insulto representa-lo por meio de imagens, e, domina tão absolutamente sobre todas as coisas que destrói os príncipes  e governadores do mundo com o sopro de sua boca. Palavras vívidas para demonstrar a grandeza do Senhor.
Em segundo lugar ele exige exclusividade por ser um Deus pessoal, “teu Deus” (v.2). O singular aqui é proposital, a mensagem é que os mandamentos falam de um Deus que, apesar de Sua grandeza, se relaciona pessoalmente com seus filhos amados. É interessante que em muitos momentos no A.T. está presente a expressão “Deus de Abraão, de Isaque, e de Jacó”, isso porque o relacionamento do Senhor com cada um deles é singular. De igual modo Ele se relaciona com cada um de nós, particularmente.
Em terceiro lugar Ele exige exclusividade porque é um Deus que age. Ele diz que é o Deus que libertou o povo da escravidão (v.2). É um Deus presente, que salva, que se relaciona.
Além do pecado da idolatria está implícito neste mandamento a proibição ao ateísmo.
Ateísmo na perspectiva bíblica tem duas formas:
a) Teórica:
“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus”. (Sl 14:1)
Esse é o tipo de ateísmo presente na mentalidade da comunidade científica, nos intelectuais, ou mesmo em algumas pessoas que simplesmente não conseguem acreditar que há um Deus soberano, criador de todas as coisas. Mas a Bíblia chama essa suposta sabedoria humana de loucura.
b) Prática:
Aqui muitos se enquadram, pois diz daqueles que afirmam acreditar que há Deus, até acreditam em Jesus e afirmam que Ele também é Deus, contudo, vivem suas vidas como se ele não existisse, sem temor e sem nenhuma devoção.


II – As proibições no Novo Testamento.

O Novo Testamento é repleto de textos que ampliam as proibições do Antigo Testamento.
“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. (Mt 6:19-21)
“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”. (Mt 6:24)
“E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; Em vão, porém, me honram, Ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens; como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição” (Mc 7.6-9).
Este texto denuncia a idolatria dos judeus da época de Jesus expressada na vivência de suas tradições. Buscando observar suas tradições em muitos momentos invalidava em suas vidas a palavra de Deus. Ou seja, eles queriam oferecer a Deus uma adoração de acordo com seus próprios pensamentos, não conforme o que o Senhor exigia. A tradição para eles tornou-se um deus.
Há ainda que se falar sobre outras formas de idolatria presentes no coração de muitos: coisas às quais as pessoas se deixam dominar considerando-as como excessivamente relevantes: honra, prestígio, posição social, orgulho, riqueza (a Bíblia taxativamente chama avareza de idolatria em Cl 3.5).


III – A versão positiva no Antigo Testamento.

Versão positiva significa que ao termos o Senhor como nosso Deus obedecemos a seu mandamento por meio daquilo que está presente em nosso relacionamento com Ele. Não ter outros deuses significa saber que o Senhor é suficiente para nós, é confiar na suficiência de Deus. Desse modo o exercício de uma vida em fidelidade é também uma forma de obedecer ao primeiro mandamento.
Adorar ao Senhor pode ser mencionado como expressão de obediência ao mandamento em questão. Davi em ações de graças nos convoca à adoração: “Tributai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; trazei oferendas e entrai nos seus átrios, adorai ao Senhor na beleza da sua santidade” (1 Cr 16.29).
Temer, obedecer, amar e servir ao Senhor com integridade. No Antigo Testamento temos um exemplo em Josué, viveu o primeiro mandamento nesses aspectos. Deixou seu exemplo de vida como legado e incentivou o povo pouco antes de sua morte: “Agora, pois, temei ao SENHOR e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses ao quais serviram vossos pais...” (Js 24.14).
Todas as exortações do Senhor que se encontram no A. T. a respeito de questões como ouvir a Sua voz, guardar sua lei ou palavra, buscar a sua presença, inclinar o coração para Ele, orar, manter comunhão, diz respeito à obediência do primeiro mandamento.


IV – A versão positiva no Novo Testamento.

A vivência do primeiro mandamento é válida no Novo Testamento em tudo que foi dito no Antigo, acrescentando-se que viver em Cristo é obedecer este mandamento. Afinal, quanto mais estamos próximos do Senhor Jesus menos os ídolos terão espaço em nossos corações.
Certa vez perguntaram a Jesus qual era o grande mandamento, a resposta: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.37-40). Assim Jesus expande o primeiro mandamento para o nível horizontal colocando um mandamento seu que deve está intrínseco ao contido na Lei. Amar a Deus sobre todas as coisas leva-nos, invariavelmente, a amar ao próximo.


Conclusão

1. Cuidado com qualquer coisa ou até mesmo pessoa que possa porventura está tomando a primazia em sua vida. Já dizia Calvino: “o coração do homem é uma fábrica de ídolos”. Desse modo, não é difícil de perceber como as pessoas vivem as idolatrias modernas: capitalismo, novas tecnologias da informação (computador, celular), status, etc.

2.         Deus se Revelou para ser conhecido e reconhecido. Assim, tendo um autêntico conhecimento dele, sabendo o que ele exige de nós em seus mandamentos, temos ciência do dever de tê-lo como centro de nossas vidas. Com isso, que possamos com perspectiva de que sempre estamos diante dele, não importando onde estejamos, pois Ele é nosso Deus soberano, deve nossa vida então glorificá-lo.


Um comentário:

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