Eclesiastes 5.1 - O Homem, Deus e o Culto a Deus


Introdução

            Muitas são as denominações evangélicas no Brasil. Sem tocar em nomes específicos de igreja, mas mencionando-as apenas considerando-as em seus grupos doutrinários podemos falar de igrejas históricas (as assim chamadas tradicionais), igrejas reformadas, igrejas pentecostais, “igrejas” neopentecostais. Mesmo dentro de cada um desses grupos há várias divisões e cada grupo com uma forma peculiar de realizar seus cultos.
Individualmente também podemos considerar que as pessoas se identificam mais com uma forma ou outra de cultuar no templo.
Falar sobre culto é falar sobre algo incômodo para algumas pessoas e até desconhecido: o Princípio Regulador do Culto. Há duas possiblidades de as igrejas se enquadrarem no Princípio Regulador do Culto: pode-se fazer no culto tudo o que a Bíblia não proíbe, ou, pode-se fazer apenas o que a Bíblia ordena. Obviamente que um dos dois tem de estar certo e o outro errado.

Elucidação

O texto de Eclesiastes 5 nos fala sobre culto, sobre adoração. Koelet, o pregador, parece fazer um parêntese em tudo o que estava a ensinar para falar de algo superior, eterno. O culto é um prenúncio da realidade eterna do novo Céu e nova Terra. Eternamente adoraremos o Senhor, eternamente lhe prestaremos culto. Por enquanto somos pecadores que atraídos pela graça divina se aproximam do Senhor em momentos de adoração. É sobre isto que queremos refletir nesta noite, sobre nossa postura neste encontro com o Senhor.



I – O homem revelado em Eclesiastes.

Até então O Pregador falou do homem que quer viver uma vida à parte de Deus. Mostrou que tal homem está vivendo sem sentido (uma vida de vaidades de vaidades). A vida assim disse ele é uma eterna mesmice (cap.1). O acúmulo das possessões que este homem busca adquirir nunca lhe será suficiente, sempre haverá um vazio não preenchido pela sua riqueza. Os prazeres aos quais ele poderia se entregar também não o satisfaria, nem mesmo a sabedoria na perspectiva meramente humana lhe será suficiente. Na vida há dor, sofrimento e está em uma situação vantajosa é algo bem passageiro (cap. 4). Mas apesar de tudo isso, e por conta de tudo isso esse homem deve voltar-se para o Senhor. Deve cultuá-lo, mas não de qualquer forma, deve relacionar-se com Ele, mas não de qualquer modo. Deve orar a Ele, mas deve ter cuidado com suas palavras.
O homem revelado em Eclesiastes é, portanto, o mesmo revelado em toda a Bíblia. E pela Palavra de Deus sabemos que adoração ao Senhor é uma necessidade de todos. Se não forem alcançados pela graça divina terão essa necessidade não satisfeita, mas distorcida, é por isso que Paulo diz em Romanos a respeito dos idólatras: “pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém” (Rm 1.25). A idolatria é a tentativa humana da completude do ser. Mas essa completude só é possível ao adorarmos ao único e verdadeiro Deus.

II – Deus revelado em Eclesiastes.

A revelação de Deus em Eclesiastes proclama sua soberania, mostra que o Senhor é dono absoluto do tempo da existência humana e que tudo o que acontece foi por Ele determinado.
Gostaria de complementar o que Salomão expõe sobre o Senhor com o que está exposto no Salmo 66, escolhi esse texto por ser muito similar ao conteúdo de Eclesiastes 5. Até o v. 12 o salmista fala da grandeza do Senhor revelada em sua obras, convidando todos a louvá-lo. A partir do v. 13 ele fala de sua da adoração que pessoalmente ele prestaria ao Senhor devido as maravilhas que Ele realizar em sua vida. Primeiro, contemplação de quem Deus é, de seus atributos, o salmista faz referência ao poder do Senhor e ao seu cuidado amoroso para com seus escolhidos. E então a reação que deve ser esperada: adoração, culto ao Senhor.
Esse Deus maravilhoso, que não necessita ser adorado, mas que é necessidade e dever nosso não aceitará qualquer culto. Jesus advertiu quanto a isso:                “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem” (Jo 4.23). Em espírito porque a adoração que o Senhor quer de nós transcende o físico, o espacial, a forma mecânica de agir, o mero ritualismo. Em verdade porque a adoração aceitável ao Senhor tem de estar fundamentada na verdade divina, não pode ser fruto de doutrinas de homem, mas estar conformidade com a revelação divina.
Embora possamos e devamos adorar a Deus em todo lugar, somos convocado por ele para oi culto público coletivo, e este tipo específico de culto, o ajuntamento solene também não pode ser de qualquer modo.

III – O Culto segundo Eclesiastes.

Voltando ao livro de Eclesiastes reflitamos sobre o encontro com o Senhor para a adoração.

Venha à casa de Deus para ouvir o Senhor, v.1.

Vivemos em uma época na qual se fala muito que somos geração de adoradores. É boa essa ênfase na adoração, pois afinal devemos desfrutar da presença divina, devemos honrá-lo constantemente reconhecendo que dele, por meio dele e para ele são todas as coisas (Rm 11.16). E o ajuntamento solene no culto público é lugar de coletivamente rendermos nossa alma a Ele em adoração. Contudo, embora vejamos a ênfase na adoração, muitas vezes ela está sendo realizada de forma equivocada. O homem é centralizado ao invés do Senhor, o objetivo pelo qual nos reunirmos pode estar sendo desvirtuado por conta de nossa insensatez, de nossa tolice. O objetivo primordial do culto público é ouvir a Deus, é ouvir a pregação da Palavra do Senhor. Nesse ponto, muitas igrejas tem pecado contra o Senhor, quando a Palavra não é anunciada em pureza, Deus não está verdadeiramente glorificado.
Venha ao templo pra ouvir ao Senhor, não oferecer sacrifícios de tolos. O sentido de tolos aqui é de alguém que está equivocado, está se enganando, está oferecendo ao Senhor uma adoração que não está sendo aceita. Em Malaquias 1.6-14 vemos Deus falando ao povo que não estava aceitando suas ofertas, sua adoração, porque estavam ofertando animais que o Senhor não aceitava. Estavam na verdade dando as sobras ao Senhor.
Que na Casa de Deus, no lugar consagrado ao culto público, você possa ter a máxima reverência, não der as sobras de seu tempo, de sua atenção, não ofereça a Ele sacrifícios tolos.
O dever de todo povo de Deus no culto é ouvir a Palavra. Entretanto, há de ser observado que ao mesmo tempo isso lhe constitui um direito, não diante de Deus, mas diante daqueles a quem Deus escolheu para ser canal de Sua voz. A igreja do Senhor precisa certificar-se de que aquilo que tem ouvido de fato é Palavra de Deus. Não pode ser meramente passiva no ato do ouvir, isso pode ser constrangedor para alguns pregadores, mas ao mesmo tempo é motivador, pois o obrigará a estudar mais, a orar mais, a buscar mais ao Senhor.
Por fim, o “ouvir” no sentido hebraico contém uma duplicidade. Não trata-se apenas de uma escuta atenta, mas do resultado do que foi ouvido. Ouvir é também pôr prática o que lhe foi falado, quando o povo ouve de fato a Palavra significa que estava a vive-la em seu cotidiano..
Que cada sermão por você ouvido possa ser um compromisso assumido com o Senhor, ou um compromisso ratificado.

Aplicações

1. Como tem sido sua reverência no culto? O que temos falado neste lugar? Falamos da vida de outros? Conversamos assuntos que fogem completamente da adoração? Atendemos ao celular dentro da Igreja e ficamos falando ao telefone bem alto durante o culto? Falamos ou zombamos de quem esta a frente da igreja cantando ou ministrando a palavra?

2. Nunca perca a reverência para com o Senhor ao cultuá-lo. Reverência não é contrária à alegria e espontaneidade, mas é contrário ao pensamento de que estamos em qualquer lugar e por isso podemos nos portar de qualquer modo. O momento de adoração a Deus é momento santo, por isso deve ser rejeitado tudo o que não o glorifique.

Conclusão

Nunca se deixe levar pela ideia demoníaca de que você não necessita estar no culto. Deus não exigiria de seu povo a presença no culto público se esse momento não fosse extremamente necessário: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.” (Hebreus 10.25).

O culto é coletivo, mas lembre-se, sua adoração é individual. Independentemente dos aspectos litúrgicos, da postura de outros, esteja em reverência ao Senhor, com coração contrito, com sua alma em abertura para o Eterno. 

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