Salmo 123 - ENFRENTANDO AS HOSTILIDADES E AS PESSOAS HOSTIS

 


Para ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus.
Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor, e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora, também os nossos olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus, esperando que ele tenha misericórdia de nós.
Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós! Já estamos cansados de tanto desprezo.
Estamos cansados de tanta zombaria dos orgulhosos e do desprezo dos arrogantes (Sl 123).


Introdução


        Este é dos chamados salmos de romagem, ou salmo dos degraus, ou dos peregrinos; ou seja, salmos da peregrinação. Foram compostos em sua maioria para que os judeus cantassem no momento em que peregrinavam para Jerusalém para participar da adoração no Templo, local onde era estabelecido oficialmente o culto ao púbico ao SENHOR, pois era lá onde se encontrava a Arca da Aliança. No caminho para Jerusalém os peregrinos estavam sujeitos a muitos perigos, tanto por parte de pessoas vis como ladrões como até mesmo os perigos climáticos. Então estavam sujeitos a vivenciar diversos sentimentos como medo, hostilidade, etc.

É bem provável que este salmo tenha sido escrito no final do cativeiro babilônico, quando os judeus estavam peregrinando para Jerusalém, e encontrou lá a oposição de dos vizinhos pagãos e dos samaritanos (Ne 1.; 2.19).

O salmo assume uma importância espiritual para nós porque também somos peregrinos neste mundo.

Este salmo nos trás a resposta do que fazer quando não aguentamos mais a hostilidade presente deste mundo. Em sua exposição iremos inverter a ordem do texto falando primeiro sobre os soberbos deste mundo, depois sobre nossa dependência do SENHOR para então refletirmos brevemente sobre as hostilidades no tempo presente à igreja do SENHOR e por fim aplicá-lo às nossas vidas.

 

I – O DESPREZO DOS ARROGANTES, V.3 E 4.


Misericórdia, Senhor! Tem misericórdia de nós! Já estamos cansados de tanto desprezo.
Estamos cansados de tanta zombaria dos orgulhosos e do desprezo dos arrogantes (Sl 123).

Os arrogantes mencionados podem ter sido samaritanos, ou pagãos que habitavam aquela região quando os judeus voltaram a Jerusalém sob o comando de Esdras e Neemias. Toda a oposição que puderam fazer para tentar impedir a reconstrução dos muros de Jerusalém e do Templo eles fizeram. O desprezo, a tentativa de humilhar o povo de Deus era constante.

O que leva as pessoas a serem dominadas pelo orgulho? É muito comum, o ser humano que é orgulhoso por conta do pecado, é soberbo, não se sujeita de modo natural ao SENHOR. Entretanto, podemos mencionar que muitas pessoas se deixam dominar de modo mais perverso pela soberba quando possuidoras de muitos bens, de muito conhecimento, de poder secular, de muita influência, etc. Tais pessoas poderão ter uma tendência a desprezar os outros. A igreja que está neste mundo perverso, não deixará de viver a possibilidade do desprezo, da perseguição por parte daqueles que estão no mundo.

Diante disso o que aprendemos neste Salmo é olhar para o SENHOR.

 

II – NOSSA DEPENDÊNCIA DO SENHOR, V. 1 E 2.

Para ti levanto os meus olhos, a ti, que ocupas o teu trono nos céus.
Assim como os olhos dos servos estão atentos à mão de seu senhor, e como os olhos das servas estão atentos à mão de sua senhora, também os nossos olhos estão atentos ao Senhor, ao nosso Deus, esperando que ele tenha misericórdia de nós.

Aqui temos a partir do contexto cultural do salmista uma ilustração de dependência. Como pessoas que não exerciam cidadania, os servos eram totalmente dependentes de seus senhores, inclusive quando sofriam hostilidade por parte de outros, poderiam apenas recorrer a seus senhores em busca de auxílio. O texto obviamente não é uma defesa do estado de escravidão, apenas utiliza um exemplo cultural para expressar uma realidade espiritual. E esta realidade é que sempre podemos contar com a misericórdia do SENHOR. Que podemos fixar nossos olhos n'Ele nos momentos em que somos injustiçados.

No versículo 1 o salmista inicia o salmo fazendo a declaração que o SENHOR habita os céus (ARA), OU OCUPA O TRONO DOS CÉUS (NVI), uma forma de ele dizer que nada neste mundo foge ao Seu controle e que ele confia no Deus que livra os seus, que se põe ao lado do seu povo quando escarnecido, oprimido e perseguido.

Que possamos não confiar em nossos próprios recursos diante de injustiças sofridas, mas no SENHOR. Obviamente isso não implica não fazer uso dos instrumentos corretos na perspectiva bíblica em prol de nossa defesa, como por exemplo, os meios legais. Mas que nosso coração, nossa confiança está no SENHOR, que poderá instrumentalizar tais meios.

Estamos sujeitos a vivenciar muitos momentos de hostilidades impetradas por aqueles que não são de Cristo, vejamos alguns exemplos.

 

III – OS TIPOS DE HOSTILIDADES A QUE ESTAMOS SUJEITOS HOJE.


Jesus nos advertiu quanto a isso. Por estarem em oposição à Cristo, estarão em oposição a nós (Jo 15.18-19). Então a igreja enfrentará inevitavelmente a hostilidade dos defensores de ideias contrárias ao evangelho. Por exemplo: os conceitos humanistas atuais acerca de família e gênero. Há pensamentos e “pensadores” que inevitavelmente verão a igreja que se mantém fiel à Palavra como um obstáculo para o avanço da fomentação de suas ideologias. Em muitos ambientes o cristão poderá esta sendo ridicularizado, seja na faculdade que impere o pensamento mais influenciado pela política do que pelo saber científico, seja em contexto de trabalho.

Quantas vezes não já se ouviu de jovens cristãos universitários que foram menosprezados por professores por conta de sua fé?

Outro local de oposição pode ser o próprio lar. Algumas pessoas podem enfrentar dificuldades com familiares ao se declarem por Cristo.

   Fora esses exemplos mais gerais há todos aqueles momentos em que individualmente você como cristão poderá estar sendo perseguido por alguém, ou sofrendo alguma injustiça em questões particulares. Em todos esses momentos eleve os seus olhos ao SENHOR, de onde lhe virá o socorro (Sl 121.1-2).

 

Conclusão


1. Estamos sujeitos nesse mundo a sofrer escárnio e desprezo.


2. É natural humanamente falando que haja situações nas quais possamos dizer ao SENHOR: “não agüento mais”! Não somos super-crentes!


3. A verdade é que sempre aguentamos um pouco mais (ilustração – a marcha dos soldados). Aguentamos não por nossas forças, mas porque temos a graça de Deus para ajudar a suportarmos.


4. Ao orarmos a Deus em pedido de socorro há duas possibilidades: Deus pode remover o problema, e isso do modo que lhe apraz, segundo sua vontade! Ou pode não remover o problema, mas ao fazer isso concede graça para suportarmos, por exemplo, o espinho na carne de Paulo (Gl 12.1-10).


5. Nosso pedido ao SENHOR terá que ser sempre humilde. Por vezes no texto o salmista pede que Deus tenha misericórdia. Não se ver reivindicação ou palavras que expressem ódio aos perseguidores ao invés de clamor pela graça de Deus.


6. Cuidado para você não ser aquela pessoa que está no outro lado, que por conta de atitudes ou palavras está trazendo sofrimento a outros.


7. Reflita se o que você está passando não tem sido consequência de suas próprias ações, ao invés de perseguição de outros.


8. Siga o exemplo de Jesus que em tais momentos sempre que injustiçado se entregava à dependência do Pai.


9. Não deseje a ruína de quem lhe quer o mal, mas ore por essa pessoa. "Vocês ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo'. Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mt 5.43-44).



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