Introdução
Este
é dos chamados salmos de romagem, ou salmo dos degraus, ou dos peregrinos; ou
seja, salmos da peregrinação. Foram compostos em sua maioria para que os judeus
cantassem no momento em que peregrinavam para Jerusalém para participar da
adoração no Templo, local onde era estabelecido oficialmente o culto ao púbico
ao SENHOR, pois era lá onde se encontrava a Arca da Aliança. No caminho para
Jerusalém os peregrinos estavam sujeitos a muitos perigos, tanto por parte de pessoas
vis como ladrões como até mesmo os perigos climáticos. Então estavam sujeitos a
vivenciar diversos sentimentos como medo, hostilidade, etc.
É
bem provável que este salmo tenha sido escrito no final do cativeiro babilônico,
quando os judeus estavam peregrinando para Jerusalém, e encontrou lá a oposição
de dos vizinhos pagãos e dos samaritanos (Ne 1.; 2.19).
O salmo assume uma importância espiritual
para nós porque também somos peregrinos neste mundo.
Este salmo nos trás a resposta do que fazer quando não aguentamos mais a hostilidade presente deste mundo. Em sua exposição iremos inverter a ordem do texto falando primeiro sobre os soberbos deste mundo, depois sobre nossa dependência do SENHOR para então refletirmos brevemente sobre as hostilidades no tempo presente à igreja do SENHOR e por fim aplicá-lo às nossas vidas.
I – O DESPREZO DOS ARROGANTES, V.3 E 4.
Os
arrogantes mencionados podem ter sido samaritanos, ou pagãos que habitavam
aquela região quando os judeus voltaram a Jerusalém sob o comando de Esdras e
Neemias. Toda a oposição que puderam fazer para tentar impedir a reconstrução
dos muros de Jerusalém e do Templo eles fizeram. O desprezo, a tentativa de
humilhar o povo de Deus era constante.
O
que leva as pessoas a serem dominadas pelo orgulho? É muito comum, o ser
humano que é orgulhoso por conta do pecado, é soberbo, não se sujeita de
modo natural ao SENHOR. Entretanto, podemos mencionar que muitas pessoas se deixam dominar de modo mais perverso pela soberba quando possuidoras de muitos bens,
de muito conhecimento, de poder secular, de muita influência,
etc. Tais pessoas poderão ter uma tendência a desprezar os outros. A igreja que
está neste mundo perverso, não deixará de viver a possibilidade do desprezo, da
perseguição por parte daqueles que estão no mundo.
Diante
disso o que aprendemos neste Salmo é olhar para o SENHOR.
II – NOSSA DEPENDÊNCIA DO SENHOR, V. 1 E 2.
Aqui
temos a partir do contexto cultural do salmista uma ilustração de dependência.
Como pessoas que não exerciam cidadania, os servos eram totalmente dependentes
de seus senhores, inclusive quando sofriam hostilidade por parte de outros,
poderiam apenas recorrer a seus senhores em busca de auxílio. O texto
obviamente não é uma defesa do estado de escravidão, apenas utiliza um exemplo
cultural para expressar uma realidade espiritual. E esta realidade é que sempre
podemos contar com a misericórdia do SENHOR. Que podemos fixar nossos olhos n'Ele nos momentos em que somos injustiçados.
No
versículo 1 o salmista inicia o salmo fazendo a declaração que o SENHOR habita
os céus (ARA), OU OCUPA O TRONO DOS CÉUS (NVI), uma forma de ele dizer que nada neste mundo foge ao Seu controle e que
ele confia no Deus que livra os seus, que se põe ao lado do seu povo quando
escarnecido, oprimido e perseguido.
Que possamos não confiar em nossos
próprios recursos diante de injustiças sofridas, mas no SENHOR. Obviamente isso não implica não fazer uso dos
instrumentos corretos na perspectiva bíblica em prol de nossa defesa, como por
exemplo, os meios legais. Mas que nosso coração, nossa confiança está no
SENHOR, que poderá instrumentalizar tais meios.
Estamos
sujeitos a vivenciar muitos momentos de hostilidades impetradas por aqueles que
não são de Cristo, vejamos alguns exemplos.
III – OS TIPOS DE HOSTILIDADES A QUE ESTAMOS SUJEITOS
HOJE.
Jesus
nos advertiu quanto a isso. Por estarem em oposição à Cristo, estarão em
oposição a nós (Jo 15.18-19). Então a igreja enfrentará inevitavelmente a hostilidade
dos defensores de ideias contrárias ao evangelho. Por exemplo: os conceitos
humanistas atuais acerca de família e gênero. Há pensamentos e “pensadores” que
inevitavelmente verão a igreja que se mantém fiel à Palavra como um obstáculo
para o avanço da fomentação de suas ideologias. Em muitos ambientes o cristão
poderá esta sendo ridicularizado, seja na faculdade que impere o pensamento
mais influenciado pela política do que pelo saber científico, seja em contexto
de trabalho.
Quantas
vezes não já se ouviu de jovens cristãos universitários que foram menosprezados
por professores por conta de sua fé?
Outro
local de oposição pode ser o próprio lar. Algumas pessoas podem enfrentar
dificuldades com familiares ao se declarem por Cristo.
Fora esses exemplos mais gerais há
todos aqueles momentos em que individualmente você como cristão poderá estar
sendo perseguido por alguém, ou sofrendo alguma injustiça em questões
particulares. Em todos esses momentos eleve os seus olhos ao SENHOR, de onde
lhe virá o socorro (Sl 121.1-2).
Conclusão
1. Estamos sujeitos
nesse mundo a sofrer escárnio e desprezo.
2. É natural humanamente
falando que haja situações nas quais possamos dizer ao SENHOR: “não agüento
mais”! Não somos super-crentes!
3. A verdade é que
sempre aguentamos um pouco mais (ilustração – a marcha dos soldados). Aguentamos
não por nossas forças, mas porque temos a graça de Deus para ajudar a
suportarmos.
4. Ao orarmos a Deus em pedido de socorro há duas
possibilidades: Deus pode remover o
problema, e isso do modo que lhe apraz, segundo sua vontade! Ou pode não
remover o problema, mas ao fazer isso concede graça para suportarmos, por exemplo,
o espinho na carne de Paulo (Gl 12.1-10).
5. Nosso pedido ao SENHOR terá que ser sempre humilde. Por vezes no texto o salmista pede que Deus tenha
misericórdia. Não se ver reivindicação ou palavras que expressem ódio aos
perseguidores ao invés de clamor pela graça de Deus.
6. Cuidado para você
não ser aquela pessoa que está no outro lado, que por conta de atitudes ou palavras
está trazendo sofrimento a outros.
7. Reflita se o que
você está passando não tem sido consequência de suas próprias ações, ao invés
de perseguição de outros.
8. Siga o exemplo de
Jesus que em tais momentos sempre que injustiçado se entregava à dependência do
Pai.
9. Não deseje a ruína de quem lhe quer o mal, mas ore por
essa pessoa. "Vocês
ouviram o que foi dito: 'Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo'. Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que
os perseguem” (Mt 5.43-44).
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