Salmo 12 - A falsidade do homem e a verdade de Deus

Sermão nº 149, 05 de abril de 2015, E.B.D. da Igreja Batista dos Guararapes.


Introdução

           O que é a falsidade? Podemos dizer que é a característica do que não é verdadeiro. Infelizmente vivemos em uma sociedade onde muitas vezes as pessoas se sentem quase que obrigadas a agirem falsamente. Falsa aparência, esnobação, mentira são consideradas por muitos como necessárias para se relacionar com algumas pessoas. Muitos por orgulho e busca de reconhecimento trazem consigo uma necessidade de aparentar o que não é. A falsidade para algumas pessoas traz certos proveitos, sejam eles obtenção de lucros, ascensão social, etc. Essa a ética do mundo.
           O grande jurista brasileiro Rui Barbosa (1849-1923) afirmou certa vez que de tanto ver triunfar a mentira e a falsidade tinha vergonha de ser honesto. Penso que o que ele quis transmitir foi esse sentimento de isolamento, quando se olha ao redor e você sente-se só no que tange à honestidade, à veracidade, à integridade, e outras virtudes.


Elucidação

           Este é um salmo de Davi, mais uma vez um daqueles compostos em momentos de perseguição, em momentos que ele observa quem está ao seu lado e nota que muitos são falsos. Neste Salmo o salmista mostra um pouco desse sentimento de estar diante de pessoas tomadas pela falsidade, no entanto, também ele demonstra sua confiança em Deus, que em Sua verdade o preservará.


I – O fiel em meio de uma geração pervertida. V. 1 e 2.

           O salmista ora ao Senhor pedindo socorro de um contexto no qual ele observa a esmagadora presença de pessoas que estão sempre a agir maliciosamente. Pessoas que falam falsidade e que também agem de modo bajulador para alcançar os seus interesses.

a) Os falsos que encontramos na vida.

           Pessoas que fingem se importar conosco. Às vezes pessoas com as quais nos relacionamos, com quem convivemos, e que suas palavras podem ser afetuosas, mas quem tem um discernimento mais apurado poderá perceber que não há realmente sinceridade no que está sendo dito. Uma intenção outra qualquer estar por trás. Tais pessoas normalmente estão sempre visando seus próprios interesses.
           Há aquelas pessoas com quem não relacionamos pessoalmente, mas que mantemos contato esporádico, tais pessoas dirão o que for necessário, ou então dirão o queremos ouvir sem se preocupar com as consequências para nós.
           Agem também falsamente aqueles que fingem se importar com o povo de Deus, mas pregam mentiras. São inimigos disfarçados de amigos. Lobos disfarçados de pastores. Por isso buscam comprar com palavras e atitudes a aprovação das pessoas. Muito melhor ouvir coisas difíceis de escutar por quem de fato nos ama. Provérbios já nos alerta: “Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto. Fiéis são as feridas dum amigo, mas os beijos dum inimigo são enganosos.” (Provérbios 27.5,6).

b) Os bajuladores são outro perigo, egoístas e medíocres.

           Poucas características de uma pessoa são tão deploráveis quanto essa. O indivíduo bajulador é aquele é aquele que busca enaltecer o outro, normalmente que está em uma posição superior à sua, com segundas intenções. Na verdade está sempre pensando em si, mas submetendo-se a outras pessoas ou a uma situação não porque está tentando fazer a coisa certa, mas porque entende ser um caminho para alcançar o que almeja. Tal atitude é deplorável, deningre a integridade humana e principalmente é contrária aos princípios cristãos de sinceridade, verdade e fraternidade.
           Às vezes estamos lidando com pessoas que agem com falsidade, mesmo no contexto da igreja poderemos encontrar tais posturas em alguns. Que diante disso possamos assim como o salmista orar ao Senhor para que Ele possa nos livrar da malícia da falsidade de outros, e também nos livrar de sermos igualmente falsos.


II – O livramento do Senhor para os seus filhos, v.3-5.

          v.3 O salmista roga ao senhor por providência contra os bajuladores e os soberbos. Contra aqueles que por meio das palavras estão a prejudicar o servo do Senhor. Esses receberão a devida paga de suas atitudes iníquas, serão julgados pelo Senhor.
           v.4 O pedido do salvo contra os ímpios deve se basear principalmente no fato de que eles estão em revolta contra Deus. Imaginam que prevalecerão. Enganam-se quanto a isso. “Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão de dar conta no dia do juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado”. Mateus 12.36-37.
           Enganam-se também quando pensam que tem total liberdade quanto às suas palavras, como se pudessem falar o que quisessem sem sofrer prejuízo. “[...] os lábios são nossos, quem é senhor sobre nós”. Não reconhecem, ainda que lhes tenha sido ensinado, que tudo o que somos pertence ao Senhor. “Respondeu-lhe o SENHOR: Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR?” (Ex 4.11).
           “Eu falo o quero” dizem alguns, no entanto o discípulo de Cristo não pode pensar desse modo. De fato podemos no usufruto de nossa liberdade falarmos o que quisermos, mas sempre podemos sofrer as consequências naturais do que é dito, assim como as consequências diante do julgamento divino quando da prestação de conta ao Senhor.
           Imaginam estarem livres sem perceberem suas próprias algemas. “Quem é senhor sobre nós”, dizem. Mas sempre que estamos vencidos por algo nos tornamos servos do que nos deixamos vencer. “Não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” Romanos 6.16. Então, para tais pessoas sua língua felina faz delas seus escravos. São servas de suas malignidades.
           v.5  O livramento do Senhor. “Este versículo toma a forma de um oráculo do Senhor respondendo a oração sincera dos fiéis. Deus promete sua ajuda, que resultará em segurança completa”. (Comentário Bíblico Moody).
           Mas como é esse livramento? Com certeza não é fazer com que você nunca esteja diante de pessoas falsas, mentirosas ou hipócritas; pois para isso seria necessário tirá-lo desse mundo. Mas ele pode nos dar a sabedoria de conviver nesse mundo caído sem cairmos nas garras da malignidade, sem sermos presas fáceis de pessoas falsas.


III – A pureza das palavras de Deus, v.6-7.

           As palavras do Senhor a nós são sempre as que necessitamos, são puras e restauradoras. Devemos como servos do Senhor sermos instrumentos para a disseminação de sua palavra a outros. Isso significa na prática:

a) muitas vezes dizer o que o outro não quer ouvir;

           Falsidade se combate com a verdade de Deus. Primeiramente viver o evangelho e sua mensagem depurada é a exigência para se combater a falsidade. É ser verdadeiro com quem está sendo falso com você, por mais difícil que à vezes isso possa ser.

b) dizer ao outro o que não gostaríamos de dizer;

           Nem tudo o que precisamos falar nos traz prazer em fazer. Sabemos que às vezes as pessoas não tem maturidade para ouvir o que devemos lhes dizer, então ocorre um choque, uma tensão. Evidentemente não apenas o que é dito, mas a forma como é dito influencia nesta questão, no entanto, não temos garantia de aceitação ou compreensão quando temos que dizer algo verdadeiro que outro precisa ouvir: por exemplo, quando movidos pelo Espírito Santo temos de repreender alguém pelo seu pecado. Apesar da dificuldade o amor de Cristo em nós deve nos motivar a não nos acovardarmos.

c) exaltar a verdade divina acima de nossa suposta verdade.

           O salmista exalta no v.6 a pureza das palavras de Deus. Mais importante do que o que pensamos sobre os outros é o que o Senhor revela em sua Palavra. Portanto, que nossas palavras transmitam a verdade de Deus.


Aplicações

1. Devemos ter muito cuidado com o que vamos falar de alguém, de algum comentário que poderemos estar fazendo. Assim como quanto àquilo que estamos ouvindo sobre alguém. Em ambos os casos passemos a suposta informação no crivo das três peneiras.
As Três Peneiras de Sócrates
Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu:
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.

2. Não ponha-se na posição de juiz, esse é o lugar de Cristo!
“Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão, e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz”. Tiago 4.11

3. É difícil em uma sociedade que contradita com as verdades divinas ser íntegro e ponderado nas palavras, falar o que é edificante, ser verdadeiro sempre, mas busquemos agir desse modo.
           O Apóstolo Pedro exorta – “Pois, quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano” - I Pedro 3.10.


Conclusão

           Que nunca nos acostumemos com a falsidade presente em nossa sociedade! Como igreja lutemos contra sua presença em nosso contexto! E que individualmente levemos isso sempre a sério e sejamos sempre críticos conosco mesmos para que também não venhamos a agir desse modo reprovável!                     
           Portanto, que sejamos como o salmista: "Por meio dos teus preceitos, consigo entendimento; por isso, detesto todo caminho de falsidade” - Sl 119.104. Detestemos a falsidade!
           Afinal, o nono mandamento trata justamente dessa questão: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” - Ex 20.16.


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