1 João 2.18-29 – Características dos que são de Cristo e dos anticristos

Sermão nº 163, janeiro de 2016.

Introdução

           O apóstolo João escreveu esta epístola aos crentes por causa da heresia gnóstica e por causa do falso mestre Cerinto. Esta heresia negava a pessoa e a obra de Cristo. Esta heresia induzia as pessoas à lassidão moral.
           João começou defendendo Jesus dizendo-se testemunha ocular do que Ele fez e de quem Ele era – 1.1-4. Falou sobre o engano do pecado – 1.5-10. Apontou Jesus como o único que pode nos livrar do pecado e da morte – 2.1-2. Depois começou a distinguir os verdadeiros crentes dos falsos crentes – 2.1-17.
            Agora ensina quem é de Cristo e quem não é.
           Começa falando sobre os que não são. E ele diz que existe o Anticristo e os anticristos.
            Façamos uma análise de cada um deles separadamente.
           Anticristo - nomes que a Bíblia lhe dá – Abominável da desolação (Mt.24.15), Homem da iniquidade (2Ts.2), Besta (Ap.13), Anticristo (I Jo.2). Estes textos mostram que será um homem, enviado por Satanás, para se opor a Deus e a seus servos, requerer louvor e adoração para si, produzindo grande tribulação aos crentes. Ele já tem muitos servos trabalhando para ele, preparando-lhe o caminho: são anticristos.


I - Os anticristos - características:

           V.18 – São muitos e anunciam que é a última hora. Os anticristos são mencionados por João como um preâmbulo da chegada do Anticristo. A última hora mencionada por João é todo o período entre a primeira vinda de cristo e o seu retorno. O prefixo “anti” aqui significa “oposto” a Cristo. Mas não necessariamente uma oposição aberta, pelo contrário, uma oposição velada. O Anticristo será um homem que se coloca em status messiânico, se colocará no lugar de Cristo, como um salvador, esta é uma forma de se opor a Cristo. Os anticristos que o precedem são todos aqueles que se opõem à verdade, pregando o contrário de Cristo, distorcendo suas palavras, mesmo estando no meio dos que se dizem cristãos. Todo aquele que pega heresias é um anticristo (2:19; II Jo. 7).
           V.19 – Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, por que não permaneceram. João escreve em face a um problema real que enfrenta em sua época, os gnósticos. A saída deles da comunidade dos santos é providência divina em revelar a verdadeira natureza dos mesmos. Em nossos dias os anticristos também estão presentes. Também se nomeiam cristãos. Enquanto o Senhor não fizer cair sua máscara, continuarão enganando. Quem são os anticristos de nossos dias? Quais suas características? Na verdade não é difícil identificá-los. São todos aqueles que pregam uma doutrina contrária á pureza do evangelho. Enquanto Jesus disse para não acumularmos tesouros nos céus, tais pessoas ensinam a prioridade do acúmulo material nesta vida. Colocam-se muitas vezes em uma postura diante do povo não como exemplo dos fiéis, mas como quase perfeitos, de maneira a haver uma idolatria por parte de suas comunidades para com eles. Ensinam muitas coisas contrárias à verdade das Escrituras. Embora sejam carismáticos, atraem as pessoas, mas não há neles sinceridade, não há amor para com a igreja do Senhor e para com Sua obra.
           V.20 – Eles não têm unção de Cristo, por isso, seu conhecimento espiritual é falso. Apesar desse quadro tenebroso à qual a igreja do Senhor está sujeita, temos a unção que vem do Espírito Santo, isto é, temos a iluminação espiritual para compreender que eles de fato não são do Senhor. Eles em contrapartida, ainda que estejam falando de Jesus, estão em trevas. Pode até ser que acreditem que o que ensinam é a verdade, mas estão na mentira. No entanto, muitos deles realmente não estão se importando se o que dizem é doutrina bíblica ou não, a preocupação dos mesmos é consigo: “Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fp 3.18,19).
           V.21-25 – São mentirosos, negam Pai e Filho. No contexto de João essa é a grande mentira predominante naqueles anticristos, a negação do Pai e do Filho. Os gnósticos acreditavam que o Logos, a segunda pessoa da Trindade, veio habitar em Jesus no momento de seu batismo e saiu antes de sua morte. Assim eles negavam que Jesus era Deus-homem, desse modo, negavam o Filho. Mas negar o Filho é negar o Pai, pois Ele é a revelação máxima do Pai, sem Cristo o Pai não é conhecido (Mt 11.27).
           Os anticristos da atualidade não estão sendo identificados notoriamente por essa heresia, mas a mentira está presente em suas vidas, seja em suas doutrinas, seja em sua forma de viver.
           V.26 – São enganadores. É uma das fortes características desses líderes rotulados como anticristos. A igreja do senhor deve estar sempre alerta para identificar tais pessoas. E de fato levar a sério a santidade da igreja de Cristo recusando-as como mestres para suas vidas. Infelizmente vemos com pesar que muitas pessoas acabam se conformando e se colocando na posição revelada em 2 Timóteo 4.3-4: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas." Neste caso o povo torna-se cúmplice do pecado dos enganadores.
           Para que possamos nos resguardar podemos mencionar alguns tipos de pastores que a igreja do Senhor deve evitar.
a) Promotores de eventos. É aquele tipo de pastor que sua preocupação é fazer eventos, normalmente eventos para jovens como shows. A postura é de atrair os jovens e depois tentar mantê-los por meio das novidades. Com isso fica a ideia de que a pregação da palavra não é algo suficiente.
b) Pastores ecumênicos. São aqueles que acreditam que a coisa mais importante é a unidade e o amor, sendo assim não importa as diferenças doutrinárias. O desejo dos mesmos é apenas dialogar com outras “fés”. Sendo assim realizam atividades onde há participação de evangélicos, católicos e mórmons. Na concepção deles são todos cristãos, então não é relevante as discordâncias doutrinárias.
c) Pastores réprobos. Literalmente são aqueles que nem mesmo tem verdadeira experiência de conversão. Isso é identificável pelas doutrinas heréticas que pregam como a negação da Trindade, há até quem não crer na inspiração das Escrituras, no nascimento virginal de Jesus Cristo e outras doutrinas fundamentais da fé cristã.   Também são aqueles que vivem vida escandalosa com frequentes escândalos sexuais e ou financeiros, etc.
d) Pastores que pregam a teologia da prosperidade. Não necessitamos nos prolongar quanto a estes.
           Poderiam ser citados outros tipos de líderes que tem uma postura antibíblica, portanto, anticristã. Mas, os exemplos expostos são suficientes para que entendamos o quanto é importante a igreja do senhor atentar para as exigências bíblicas na escolha de seus líderes (1 Tm 3.1-7).


II - Os de Cristo – características:

           V.27 – Tem a unção de Cristo, e o conhecimento espiritual verdadeiro. Agora o apóstolo passa a demonstrar que já temos o que é necessário para nos esquivarmos dos falsos mestres. Ele diz que já recebemos a unção. Faz-se necessário aqui esclarecer um pouco sobre esse termo tão controverso: “unção”. No NT, as palavras “χριω” (chrio) “ungir” e “χρισμα” (chrisma) “unção” representam a doação do Espírito, do poder espiritual e de um chamado divino.
           Este sentido já está presente nos textos que falam da vocação messiânica de Jesus. Em Lc 4.18 há a citação da profecia encontrada em Is. 61.1,2: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos”. E Hebreus 1.9 cita o Salmo 45.7: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria como a nenhum dos teus companheiros”. E isto aconteceu no momento do batismo de Jesus, é inclusive o principal motivo pelo qual o Senhor Jesus submeteu-se ao batismo de João, naquele momento o Espírito Santo o capacita para a obra messiânica.
           Mas a palavra declara que também somos ungidos do Senhor. Não apenas algumas pessoas, não apenas aqueles que exercem ofício pastoral, diaconal ou missionário. Todos os cristãos são ungidos do Senhor. Todos os regenerados são escolhidos e capacitados para o exercício da obra de Deus. 2 Coríntios 1.21 enfatiza o que aqui está exposto: “Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus”.
           Como declara Atos 1.8, nós já temos o poder do Espírito Santo, já fomos ungidos para trabalharmos para o Senhor. Mas é evidente que para sermos mais usados pelo Senhor é necessários que estejamos vivendo o senhorio do Espírito Santo em nossas vidas. Isso se dá por meio da leitura da Palavra, da oração e da comunhão com os irmãos.
           E esta unção, como nos declara o apóstolo, nos protege dos enganos, das heresias. É evidente que ele não está dizendo que não necessitamos de que tenhamos o ensino na igreja por meio de mestres, pois o próprio Senhor Jesus ordenou que ensinemos tudo o que ele ordenou (Mt 28.20). E alguns são escolhidos e capacitados especialmente para esse ministério (Rm 12.7; Ef 4.11). Ele está dizendo que uma vez que se cumpriu João 16.13: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”, estamos capacitados a resistir aos falsos mestres, pois o Espírito Santo nos guia na Verdade. O Espírito Santo, por meio da Palavra de Deus guia os crentes à verdade e na verdade. Como igreja então, nós somos coluna da verdade (1 Tm 3.15).
           Que nos voltemos a conhecer mais ao Senhor por meio de Sua Palavra para que jamais ocorra conosco o que acontecia com o povo na época de Oséias: “Meu povo foi destruído por falta de conhecimento...” (Os. 4.6).
           V.28 – Tem confiança na presença do Senhor. Aqui temos um termo interessante no grego (parrhsia - parresía) traduzido por “confiança”. O sentido original é de alguém diante de um amigo que tem liberdade de palavra, que pode ficar à vontade. Ele está dizendo que quando Cristo voltar estaremos diante dele com confiança, com intimidade, estaremos à vontade por termos vivido na verdade, não nos envergonharemos por termos nos deixado levar por falsas doutrinas.
           V.29 – Sabem que Cristo é justo e praticam a justiça de Cristo; nasceram de Cristo. A prática da justiça nada mais é que a fidelidade, e essa deverá ser a prática cotidiniana de todo aquele que nasceu de novo.


Conclusão

1. Qual deve ser sua postura com relação aos anticristos? Considerá-los como os hereges que são, não se permita seduzir por suas palavras eloquentes. Não recomende a ninguém que os ouça.

2. Lembre-se sempre que você já tem tudo o que é necessário para entender as verdades divinas, logo, identificar as heresias, e ser usado(a) pelo Senhor como pregoeiro da verdade.

3. O que nos falta para darmos testemunho da verdade de Deus com mais poder? Não seria o pecado em nossas vidas que muitas vezes nos impede de sermos mais operosos, mais ousados?



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