ROMANOS 8.1-17

Sermão nº 131, pregado no Templo Sede da Igreja Batista dos Guararapes no culto da escola Bíblica Dominical do dia 02 de novembro de 2014.


Introdução

           Vivemos em constante luta contra o pecado, ou pelo menos essa deve ser uma prerrogativa de todo salvo. Por mais árdua que seja a batalha nuca deve desistir. Por mais que venha a sofrer derrotas nuca deve desistir. Um dos fatos patentes nessa nossa constante batalha espiritual é que sempre que confiamos em nós mesmos nos decepcionamos, fracassamos, pecamos. Para a vitória sobre a carne só podemos confiar na força que vem do Senhor a nós. Essa força ou poder em nós estar presente mediante a operação do Espírito Santo. Gostaria de refletir nesta manhã sobre o ministério do Espírito Santo levando em consideração essa nossa luta diária contra o pecado.


I – O ESPÍRITO SANTO PRODUZ LIBERTAÇÃO, v. 2-4.

            Paulo faz uma referência a Lei de Deus conforme expressa no A. T. Esta Lei revela e condena o pecado (7.7-9). Ela na realidade é santa, mas ao mesmo tempo ela se tornava opressora, pois não podiam obedecer-lhe plenamente. O apóstolo então declara que essa Lei que oprimia o homem com a exigência de uma observância perfeita, que apenas estava a expor seus pecados, agora dela ele encontra-se livre, pois se encontra em outra dispensação, a do Espírito.
          Falar da Lei do A. T. nos faz lembrar o esforço humano para obedecer a Deus e sua incapacidade de obter êxito nesse esforço. Outro texto onde também Paulo nos fala sobre o ministério do Espírito afirma que: “...onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2 Co 3.17). O Espírito de Deus é que pode lhe dar condições de obedecer a Deus de forma que lhe agrade. Sem sua ação até aquilo que parece obediência será na realidade uma prisão, ainda que essa prisão não seja percebível facilmente. É o que ocorre com quem vive sem Cristo, é escravo, mas não percebe sua prisão a não ser que o próprio Espirito ilumina sua escuridão espiritual. (ilustração – MATRIX).

            v. 3, 4 Diante do quadro da fraqueza humana, que não tem condições de serem aceitos por Deus, Ele mesmo toma providência:
a) Ele enviou seu Filho.
b) E este ato implicou na encarnação deste.
c) “como oferta pelo pecado”.
d) “... condenou o pecado na carne.”
e) Agora então, as exigências da Lei foram satisfeitas naqueles que vivem segundo o Espírito. Há aqui uma referência à justificação.
          O Espírito então produz liberdade aplicando a obra de Cristo no coração do pecador. Concede-nos os méritos de Cristo, imputa-nos sua justiça e por isso somos agora inculpáveis no sentido do pecado original. Assim sendo em nossa luta contra o pecado a primeira obra do Espírito é nos garantir a vitória final, pois independentemente de qualquer batalha vivida e ou sofrida não estamos mais sob condenação.


II – O ESPÍRITO FAZ COM QUE NOS VOLTEMOS PARA DEUS, 5-8.

          A natureza humana caída pende de modo natural para a carne. A única forma de não ser dominado pelas obras da carne é pela operação do Espírito em nós para nos fazer ser segundo ele.
          Em contraste com a mente regenerada, que no íntimo tem prazer na lei de Deus (7.22), a mente não regenerada não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo (7). São inimigos de Deus. Mas o Espírito Santo ao aplicar a obra de Cristo à nossas vidas age de tal modo que nos capacita a agradar a Deus.
           Libertos pelo Senhor passamos a viver esta constante luta em estarmos inclinados à carne ou estarmos inclinados ao Espírito. A palavra utilizada aqui traduzida por “inclinados” tem o sentido de colocar a mente e o coração em alguma coisa, denota a ação total da personalidade humana: sentimentos, vontade e razão. O interessante é que ao mesmo tempo que imbuídos dessa responsabilidade de inclinarmos nossas emoções, nossa e nossas vontades ao Senhor, sabemos que isso só possível mediante a ação em nós do próprio Espírito.
          A inclinação de quem é dominado pela carne já é voltada para a morte espiritual e conduz inevitavelmente à morte eterna, pois ela aliena tais pessoas de Deus, impossibilitando a comunhão com Ele.
          A inclinação de quem é dominado pelo Espírito é bem descrito pelos salmistas: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma.” (Sl 42.1)
“Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água.” (Sl 63.1).
          Além disto, o texto revela que essa inclinação da carne é inimizade contra Deus (v.7) e desse modo é impossível esses que são dominados pela carne agradar à Deus. Ainda que em seus pensamentos imaginem que lhe estejam sendo agradáveis. Assim são os NÃO regenerados que buscam a toda forma agradar a Deus vivendo de forma religiosa. Não poderão! Somente o Espírito Santo é que nos coloca em situação e paz com Deus (Rm 5.1) e nos capacita à obediência que se expressa em paz com as outras pessoas.
         

III – O ESPÍRITO SANTO HABITA NOS SALVOS, 9-15; Jo 14.17; 1 Co 6.19.

          “... o Espírito de verdade que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.” (Jo 14.17)
          “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6.19)
           No v.9 há a afirmação acerca da nossa realidade em Cristo: já não estamos na carne, mas no Espírito. No sentido de posição espiritual no que diz respeito à salvação isto é verdade para todos os que verdadeiramente foram regenerados e justificados em Cristo.
          Os vv. 10 e 11 dizem que no caso daqueles que têm a habitação do Espírito tem vida por causa da justiça de Cristo. Esta vida espiritual é a vida abundante anunciada por Cristo em Jo 10.10, vida baseada na justiça de Cristo.
          Mas o v. 10 também diz que o nosso corpo estar morto. Há aqui uma referência à nossa mortalidade. O Dr. Lloyde-Jones, pastor e médico, comenta este versículo: “No momento em que entramos neste mundo e começamos a viver, começamos também a morrer. Seu primeiro fôlego é um dos últimos suspiros que você jamais dará! ... o princípio da decomposição, que leva à morte, encontra-se em cada um de nós.” O que o apostolo está a dizer é que a presença de Cristo em nós não anula a nossa mortalidade, sofremos a morte física porque continuamos pecadores embora estando em Cristo, mas o espírito vive, por termos sido vivificados por Cristo, e desse modo nosso corpo também viverá, ou seja ressuscitaremos como consumação da completa obra de Cristo em nós.
           Então diante dessa maravilhosa realidade é que ele diz que somos devedores (v.12). Esta dívida é a dívida da obediência. E no v. 13 nós vemos a referência ao tema da mortificação do corpo (ou da carne). Podemos então perceber aqui três verdades sobre esse dever de mortificação das obras do corpo.
          a) O que é mortificação.
          Não é masoquismo nem ascetismo (rejeitar e negar o fato de que sem tem um corpo e apetites corporais naturais). É o reconhecimento claro e consciente do mal como mal e um repúdio radical a ele. É o que está expresse em Gl 5.24 como “crucificar a carne com as paixões e desejos”; e é o que Jesus disse em Mc 8.34: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
          b) Como se dá a mortificação.
          Só o Espírito pode fazer morrer os atos do corpo, porém a responsabilidade humana também é ressaltada. Nós temos de tomar a iniciativa, nós temos de querer a libertação dos pecados, nós temos que lutar. Ou vamos nos conformar com algum pecado de estimação, do qual deveríamos já estar libertos?
          É necessário então que estejamos voltando nossas mentes para o que é edificante: Cl 3.1s; Fp 4.8.
          c) Nosso dever de viver a mortificação.
         Somos devedores para com o Espírito de vida que habita em nós. E para desfrutarmos de forma mais intensa uma vida abundante, rica e realizadora não podemos desfalecer em nossa luta diária contra o pecado.
          No v. 13 ele não estar entrando em contradição com Rm 6.23, que diz que a vida eterna é um dom gratuito de Deus. Ele também não estar falando da vida por vir, mas da nossa qualidade de vida com Cristo aqui e agora.


IV – O ESPÍRITO SANTO TESTEMUNHA NOS SALVOS, V. 14-17.

           Somos guiados pelo Espírito Santo. Somos filhos de Deus. Que gloriosa posição, ao ponto de João dizer isto é um poder: “Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome...”
          v. 14, 15 O texto é claro, somente quem está em Cristo é filho de Deus por adoção, e somente estes têm esta convicção. Esta convicção nos vem trazida pelo próprio Espirito Santo. Mas deve ser dito que pode ocorrer que devido a pecados cometidos alguém fique momentaneamente confuso e chegue a pôr dúvida sobre a própria salvação, se realmente é um regenerado. Ao contrário do que pode parecer, esse tipo de pensamento, tão raro na verdade, quando não motivado por uma teologia de salvação pelas obras, está denotando uma seriedade na concepção de vida cristã. Independentemente das crises que possamos vivenciar, das dúvidas podem vir a nos assolar, o que o texto no coloca é a certeza que somos filhos de Deus que vem não de nós mesmos, mas do Espírito agindo em nós. E apesar de nossos pecados diários nos mantém nessa certeza da filiação em Cristo Jesus.
           Por sermos filhos por adoção somos agora co-herdeiros de Cristo. Herdeiros das dádivas celestes que nos vem não por merecimento, mas por Sua graça em aplicar a nós a obra de Cristo. Além disto, Deus mesmo é a nossa herança. Este era um pensamento comum para os Judeus. Não era difícil de compreender esse conceito. Os levitas, por exemplo, não receberam herança da terra de Canaã, pois o Senhor lhes disse que Ele mesmo seria a herança daquela tribo (Dt 18.2; 32.9). O salmista afirmava que Deus era a sua porção: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.1, 2). Nossa vida em comunhão com Ele é o maior bem que poderíamos herdar.


CONCLUSÃO

           O ministério do Espírito é sublime. Que valorizemos tudo o que realizou e tem realizado em nós. Que em nosso cotidiano possamos viver de modo  que expresse isso, ou seja, nos afastando continuamente do pecado. Resistindo às tentações, sendo vigilantes quanto a nossos pensamentos. Tendo cautela quanto à nossas vontades para darmos vazão somente àquelas que saibamos estar sendo agradáveis ao Senhor. E sermos guiados apenas pela sua Palavra, não pelos nossos corações, pois ele é enganoso, é corrupto.

            “E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Ef 4.30)

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