Êxodo 23.14-19

14 Três vezes no ano me celebrareis festa.
15 Guardarás a Festa dos Pães Asmos; sete dias comerás pães asmos, como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito; ninguém apareça de mãos vazias perante mim.
16 Guardarás a Festa da Sega, dos primeiros frutos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, e a Festa da Colheita, à saída do ano, quando recolheres do campo o fruto do teu trabalho.
17 Três vezes no ano, todo homem aparecerá diante do SENHOR Deus.
18 Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão levedado, nem ficará gordura da minha festa durante a noite até pela manhã.
19 As primícias dos frutos da tua terra trarás à Casa do SENHOR, teu Deus. Não cozerás o cabrito no leite da sua própria mãe



Introdução

           Todo ano Israel deveria observar três festas que tinham a duração de uma semana cada uma. A Festa dos Pães Asmos, que começava com a Páscoa; a Festa das Colheitas, que era chamada de a Festa de Pentecostes, pois tinha o seu início cinquenta dias após a Páscoa; e por último, a Festa da Colheita, ou a Festa dos Tabernáculos, assim chamada pelo fato de Israel se mudar para tendas durante esta a festa (Levítico 23:39-44). O propósito destas festas era:
a) manter as tribos de Israel unificadas como nação: e
b) perpetuar a memória dos grandes eventos da história de Israel.

1. A Páscoa.
           Relembrava a eles o livramento concedido pelo Senhor quando do extermínio de todos os primogênitos dos egípcios. Os israelitas foram ordenados a marcar os umbrais de suas portas com sangue que demonstrava que naquela casa habitavam pessoas pertencentes ao povo de Yavéh, e que, portanto, o anjo não traria a morte para aquele lar. Em seu caráter profético aponta para o sacrifício de Cristo. Jesus desse modo é o nosso cordeiro pascal.

2. Festa dos Pães Asmos
           Sua instituição também encontra-se em Lv 23:6-11. Era realizada entre o décimo quinto e o vigésimo segundo dia do mês de Abibe (meados de março a meados de abril). Nenhum pão preparado com fermento deveria ser comido. Todo fermento deveria ser retirado das casas. Este uso dos pães asmos retratava a pressa com que Israel saiu do Egito. Eles não tiveram tempo para fazer pão levedado. Levava muito tempo para o fermento subir e eles estavam partindo às pressas. Prova disto, é que eles dormiram com os pés calçados (cf. Êx 12:11). No meio da noite, Israel teve permissão para partir. As mulheres empacotaram a massa não levedada que ainda se encontrava nas amassadeiras, e Israel partiu às pressas (cf. Êx 12:8-11,14-20, 31-39). Esta foi a comida básica deles durante aquela emocionante época de viagem, saindo do Egito, atravessando as águas do Mar Vermelho, e entrando no deserto. Deus os havia prevenido a misturarem a massa sem fermento a fim de que ela não ficasse velha durante aquele período crítico de partida (Êxodo). O aspecto profético da Festa dos Pães Asmos é que ela retrata o sepultamento de Jesus. Assim como a Festa da Páscoa ilustrava a Sua morte na Cruz, assim também a observância dos Pães Asmos ilustrava o Seu sepultamento. A razão histórica óbvia para a Festa dos Pães Asmos é que foi exigido que Israel comesse pão sem fermento. Isto se deve ao fato de que o fermento é um símbolo da malícia e da maldade (cf. 1Co 5:7,8).

3. A Festa de Pentecostes relembrava a Israel a entrega da lei no monte Sinai.

4. A Festa dos Tabernáculos relembrava Israel a peregrinação pelo deserto antes de entrarem em Canaã.

           As festas eram um meio de promover um tempo de descanso e celebração para o povo de Deus. O Senhor está interessado no bem estar do Seu povo. Em Deuteronômio 16:1-16, na instrução sobre a Festa de Pentecostes é dito que eles deveriam se alegrar perante o Senhor, toda a família juntamente com os servos, os estrangeiros e os órfãos e viúvas (v. 11 e 14). Nesta alegria não deveria haver separação, não deveria haver divisão social.
           E o Senhor diz a eles de um modo muito específico que não deveriam comparecer perante Ele de mãos vazias. Qual sentido real dessas palavras? O que Yavé estava exigindo? Como isso pode se aplicar a nós?
           Façamos então algumas observações acerca dessa exigência divina.


I – Trata-se de uma obrigação.

           Todos os homens estavam convocados a comparecer nestas festas diante do Senhor para oferecer ofertas. Em sua graça o Senhor exige ao mesmo tempo em que concede exceções. Estavam dispensados daquela obrigação: as mulheres, as crianças, os homens não livres, as pessoas com deficiência física, os idosos, aqueles que tinham deficiência mental e os enfermos. Todos os homens que não estavam nestas exceções não poderiam de modo algum negligenciar este dever.
           A obrigação estendia-se também para a forma como eles deveriam realizar o momento litúrgico. Em Deuteronômio 16 é revelado mais detalhes como deveria ser aquele momento de adoração ao Senhor.
           Trata-se de convocação para festas, festas de adoração ao Senhor com os objetivos práticos já assinalados de manter o povo unido enquanto nação e de relembrarem as obras do Senhor a favor deles.
           A celebração como era realizada em si mesma não tem nenhuma permanência para a igreja do Senhor, era algo para os judeus daquela época, portanto, não faz nenhum sentido algumas igrejas que rotulam a si mesmas de evangélicas celebrarem festas judaicas. Vivemos a Nova Aliança em Cristo, e não há nenhuma ordem no Novo Testamento para que a igreja cultue ao Senhor de acordo com a cultura judaica.
           A convocação nos faz refletir sobre o dever do culto ao Senhor, e o mesmo não pode ser realizado de acordo com a vaidade humana ou a moda da época. O que deve ficar para nós não são os elementos culturais judaicos, mas o correspondente prático no Novo Testamento da nossa obrigação quando nos reunimos como povo de Deus. O apóstolo Paulo na sua primeira epístola aos Coríntios declara o seguinte: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade” (1 Co 5.7, 8).
           Desse modo meus irmãos, que primeiramente nossa vida seja uma festa ao Senhor e nos reunamos com alegria em Sua presença, importando principalmente que o nosso viver diário seja permeado pelas virtudes da sinceridade e verdade. E quando reunidos em adoração ao nosso Deus seja uma adoração em espirito e em verdade. Que possamos em nossas santas convocações lançarmos fora os fermentos da malícia, da maldade, da inveja, da hipocrisia, da insensibilidade, e tantos outros.
           O dever aqui de cumprir a convocação é para todo o povo de Deus. O objetivo de unidade também permanece. Cada culto é uma festa ao Senhor, deve ser um momento tanto de contrição espiritual quanto de alegria, alegria por estar na presença do nosso Deus e por estar juntamente com nossos irmãos. Sendo um dever, a suposta vida não congregada, segregada dos demais constitui pecado. Por isso Hb 10.25 recomenda: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima”.
           Ademais meus irmãos, temos uma festa também enquanto igreja de Cristo que nos une de modo convencional enquanto povo de Deus: a Santa Ceia do Senhor. Esta é uma festa ordenada por Cristo para a vida da igreja. Poderíamos deixar de celebrar aniversário de Círculo de Oração, poderíamos deixar de celebrar aniversário de ministério feminino, mas nunca poderemos deixar de celebrar a morte de Cristo na cruz por cada um de nós.
           O mesmo texto que nos fala de uma obrigação fala que as mãos daqueles que são obrigados a comparecer não deverão estar vazias


II – Trata-se ao mesmo tempo também de uma voluntariedade.

           Voluntariedade não em ter de ofertar, pois a oferta deve ser trazida diante do Senhor. A observação de que não poderiam aparecer de mãos vazias diz respeito à oferta adequada e à realização do sacrifício apropriado. O texto de Dt 16.17 detalha essa questão: “...cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido”. A voluntariedade da qual nos referimos, portanto, é da quantidade daquilo que será ofertado. No entanto a recomendação divina era para que pudessem ofertar na proporção das bênçãos recebidas pelo Senhor.
           Infelizmente muitos cristãos atualmente têm ofertado ao Senhor proporcionalmente muito menos do que o Senhor tem lhe abençoado. Aqui entra o princípio bíblico da gratidão. Quanto mais o Senhor nos abençoa financeiramente mais também devemos expressar nossa gratidão contribuindo para o seu reino e abençoando também aqueles que o Senhor coloca em nosso caminho para sermos instrumentos do cuidado divino para com seus filhos.
           Tais ofertas voluntárias seriam motivo de alegria para todos (Dt 16.10, 11), pois estariam sendo beneficiados todos aqueles que naquele contexto estariam em condição social desfavorável. Não apenas os levitas, mas os estrangeiros, órfão e viúvas também seriam beneficiados. A alegria era de quem ofertava e de quem era beneficiado pelas ofertas.
            A esse respeito no N. T. lemos que “Deus ama ao que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7). E dar com alegria é ofertar com despreocupação, com espontaneidade, com liberdade e prazer; isto é dar com alegria. Como diz o mesmo versículo “não com tristeza”, ou seja, não dando o menos possível, como se estivesse desejando não ofertar. E também não “por necessidade”, isto é, não constrangido a isso, como resultado de alguma pressão psicológica. E o que é dar de modo espontâneo aquilo que está proposto em seu coração senão dar de acordo com a sua possibilidade? Deve-se ofertar proporcionalmente àquilo que se ganha, quem tem um bom salário deve ofertar também abundantemente e quem ganha pouco deve ofertar de acordo com sua possibilidade. E o interessante no texto de 2 Coríntios é que é também visualizada a dimensão coletiva: “Porque o serviço dessa assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda me muitas graças a Deus”.
           Que você possa ofertar ao Senhor com alegria crendo no que diz Atos 20.35: “Mais bem-aventurado é dar que receber”.


Conclusão

           Não negligencie as oportunidades de cumprir a santa convocação para adorar ao Senhor. Embora exista a dimensão individual na adoração, a dimensão coletiva é essencial e necessária para a nossa edificação. Desprezar isso é incorrer em pecado.

            Ofertar ao Senhor parte dos nossos recursos financeiros demonstra o nosso desapego ao dinheiro, mostrando que ele nos serve e que nós não estamos sendo servos dele. Demonstra também nossa confiança na providência divina, pois aquilo que ofertamos independentemente do valor cremos que não nos fará falta, pois o Senhor supre nossas necessidades. É um ato de grata adoração ao Senhor. Não permitamos que o contexto corrupto mercantilista de muitas supostas igrejas evangélicas nos desanime quanto a esta verdade bíblica. 

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