Marcos 14.1-11 - Diferentes reações a Jesus



Introdução

           Segundo o costume judaico, quando uma moça estava prestes a casar-se, deveria adquirir um vaso de alabastro cheio de perfume. Se levasse o vaso de alabastro cheio de perfume, ela seria bem sucedida na casa de seu marido. Mas se levasse apenas um pequeno vaso, com pequena porção do perfume, a recepção não seria tão calorosa. Por isso, o vaso de alabastro cheio de perfume significava muito para a moça desejosa de casar-se. Maria tinha preparado esse vaso havia muito tempo: ano após ano viera ela economizando aqui e ali, para adquiri-lo. Todavia, quando ela se encontrou com Cristo, seu coração abriu-se em adoração ao Senhor. Ela O amava tanto que quando Jesus foi a Betânia, ela trouxe seu tesouro mais precioso, o vaso de alabastro cheio de perfume. Removendo a tampa, ela derramou o unguento sobre a cabeça do Senhor e em Seus pés, enxugando-os com seus cabelos. Muitas pessoas vão à Igreja pelo caminho do ritualismo e pensam ter cultuado a Deus. Mas, Deus não aceita esse tipo de culto. Deus quer seu tesouro, seu coração; Deus quer você inteirinho, inclusive seu vaso de alabastro cheio de perfume.


Elucidação

           Chegamos à etapa final do Evangelho de Marcos. Nos capítulos 14 a 16, Marcos começa a descrever o processo da crucificação e ressurreição de Jesus.
           O livro todo anuncia e prepara o leitor para esse tão esperado momento: a morte de Jesus (2:20; 3:6;8:31;9:11-13,31;10:33-34).
           Mas a cruz não é só o tão esperado momento no Evangelho de Marcos, ela é o tão esperado momento para todo o Antigo Testamento! Toda a história da humanidade aguardava esse momento. O tão esperado Cordeiro pascal está prestes a ser morto. Todos os grandes eventos e sacrifícios do Antigo Testamento apontavam para esse momento. Hoje nós temos o privilégio de entrarmos na história e caminhar com o Servo Sofredor até o momento em que Ele se torna o Cordeiro pascal que tem o seu sangue derramado, promovendo verdadeira salvação e um êxodo eterno. Mas não acaba na morte, andaremos até o momento em que Servo se torna o Filho do Homem, ascende à direita de Deus e recebe todo poder!
           Tudo o que ocorre nesses momentos preparativos para a morte de Jesus está sob o total domínio do Senhor. Esse texto, que mostra três reações distintas à pessoa de Jesus deve ser observado com essa correlação.




I – A reação de Caifás, conspiração, Mc 14.1 e 2; Mt 26.1-5.

           Estava muito próxima a festa da Páscoa, a principal celebração religiosa dos judeus que comemorava a libertação daquele povo da escravidão do Egito. Aquela festa era seguida imediatamente pela Festa dos Pães Asmos, que eram sete dias de festas. A alta liderança religiosa judaica estava reunida, o Sinédrio, o local de reunião era a casa de Caifás, que era o sumo sacerdote (Mt 26.4). A grande discussão deles era como poderiam prender e matar Jesus. O ódio deles por Jesus só havia crescido. Eles não desejavam que Jesus fosse morto durante a festa da Páscoa, queriam ser discretos. A conspiração deles estava armada, o plano deles era que tudo ocorresse após as festas. Naquela época a festa da Páscoa e dos Pães Asmos atraíam uma grande multidão de judeus que viviam em outras regiões, estimula-se que a população de Jerusalém era de 30 mil pessoas, e durante a Festa circulava umas 500 mil pessoas em Jerusalém. Então matar Jesus naquele momento seria chamar muito a atenção, mas os planos deles esbarram nos propósitos eternos do Senhor.
           Já estava determinado pelo Senhor que Cristo seria o nosso cordeiro pascal, por isso em Apocalipse 13:8 está escrito que o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo, cordeiro remete ao sacrifício pascal. O propósito divino era que Jesus fosse morto na Páscoa. Jesus seria morto apenas no tempo do propósito divino, Herodes tentou matá-lo quando ele era bebê (Mt 2.13-15); houve outras tentativas de assassiná-lo (Lc 4.28-30;  João 5.18; 7.30; Marcos 12:13; Lc 19:47-48).
           Jesus haveria de ser morto sim, mas não por ser conforme a ótica deles um líder fracassado, mas porque era o eterno plano do Senhor: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At 2.23). Em sua soberania o Senhor utiliza-se até da vilania desses homens maus.
Pv 19.21 “Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá”.
Sl 2.1-6 “Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?
Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido, dizendo:
Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas.
Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles.
Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá.
Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião”.
           Mas além dessa reação de Caifás, podemos notar nesses momentos preparatórios à crucificação um relato muito tocante acerca de uma mulher que valorizou acima de tudo a oportunidade de estar com Cristo.


II – A reação de Maria, adoração, Mc 14.3-9; Jo 12.1-8.

           O texto de Marcos não cita o nome dessa mulher, mas ficamos sabendo por João que se trata de Maria, irmã de Lázaro e Marta. Jesus estava em Betânia, a última sede de seu ministério e cidade de seus três amigos, Lázaro, Marta de Maria.
           Há algumas características na reação de Maria que devem ser observadas:

a) Maria deu o seu melhor, v. 3-5.
           Maria utiliza um vaso de alabastro, um tipo de vaso próprio para produtos valiosos, pois sua borda é fina o suficiente para evitar desperdício. O conteúdo do vaso que Maria usou era nardo, um perfume extremamente valioso. Judas calculou o conteúdo daquele perfume em 300 denários (Jo 12.5). Um denário era o equivalente a um dia de trabalho, assim aquele nardo valia 300 dias de trabalho.
           Maria foi extravagante na sua adoração ao Senhor, deu o melhor de si, o melhor que pôde, e isso foi o mais importante, mais importante até do que o próprio valor do perfume.
UNGIR A CABEÇA = ao ungir a cabeça de Jesus, Maria proclama que Jesus é o verdadeiro Rei, que Ele é o Messias (o Ungido de Deus).
UNGIR OS PÉS = lavar os pés e passar perfume nos pés era o serviço do mais baixo escravo da sociedade. Ao ungir os pés de Jesus com o mais caro dos perfumes, Maria está proclamando ser a mais baixa de todas as escravas e que Jesus é o seu grande Senhor.
           Ao quebrar o frasco é como se ela estivesse dizendo que poucas gotas não são suficientes diante da dignidade de Jesus
           Hoje às vezes estamos dando o mínimo para Jesus. O mínimo de voz durante o louvor, o mínimo de força durante a semana para ler a Palavra, o mínimo de tempo, o mínimo de bens, o mínimo de contato com os irmãos.

b) Maria buscou agradar só ao Senhor, v.3-7.
           Maria não estava preocupada com a aprovação ou desaprovação dos discípulos, com o que poderiam pensar dela, seu desejo é de agradar ao Senhor.

c) Maria demonstrou seu amor em tempo oportuno, v. 7-8.
           Ela não deixou para depois, não perdeu a oportunidade que estava diante dela, sabia que o seu senhor haveria de morrer, e antecipa-se a ungir o seu corpo. É interessante que outras mulheres buscaram ungi-lo quando ele foi sepultado (Mc 16.1-6), mas ele já não estava mais no túmulo.
           O que tens a entregar ao Senhor, faze-o hoje, não deixe para depois.

d) Maria foi elogiada pelo Senhor, 8-9.
           A atitude de Maria foi aceita pelo Senhor a tal ponto que ele diz que onde o evangelho do reino fosse anunciado ela seria lembrada.
           Enquanto Pedro houvera tentado dissuadir Jesus de não ir à Jerusalém, de fugir do perigo da morte iminente, Maria o prepara para a sepultura. De certo modo então Jesus a coloca acima dos discípulos nesse momento, aquela que estava em um momento de humilhação é exaltada pelo Senhor, porque todo aquele que se humilhar será exaltado: “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espirito obterá honra” (Pv 29.23); “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt 23.12).
           Além de Caifás com os membros do sinédrio e de Maria, o texto complementa com uma terceira personagem que representa uma terceira reação a Jesus.


III – A reação de Judas, negociação, Mc 14.10 e 11.

           Judas era um dos doze, andava com Jesus, comia com Jesus, estava contado entre os discípulos, mas tinha um coração iníquo, era inclusive desonesto em sua reponsabilidade no ministério de Jesus. Ele era o tesoureiro do grupo, foi ele quem disse que o perfume que Maria usou poderia ter sido vendido e o valor dado aos pobres, mas João informa que ele era ladrão e disse aquilo apenas pensando em fazer um desvio de verba (Jo 12.5 e 6).
           O exemplo de Judas retrata uma pessoa religiosa que pode se autoproclamar um discípulo de Jesus e mesmo assim continuar nos seus pecados e nunca ter sido realmente salvo!
           A verdade é que há muitas pessoas nas igrejas parecidas com Judas, passam anos ‘seguindo’ a Jesus na expectativa do que vão conseguir em troca. O resultado é a hipocrisia, fingem ser o que verdadeiramente não são.
           Ao que parece Judas estava bastante frustrado, ele queria a glória humana, o domínio de um reino terreno, mas o que estava soberanamente guardo para Jesus era a cruz e por isso no entendimento dele as coisas estavam indo mal, então busca satisfazer a sua cobiça.
           Como vimos os sacerdotes e escribas não queriam que a morte de Jesus se desse na Páscoa, mas o Senhor usa a malignidade de Judas para o cumprimento de seu propósito. O plano de Judas é tão atraente que eles não resistem.
V.11 - “Eles, ouvindo-o, alegraram-se e lhe prometeram dinheiro”.
           Marcos não informa o valor, mas Mateus, afirma que foram 30 moedas (Mt 26:14-15), o equivalente a 4 meses de salário, o equivalente ao preço de um escravo. Que contraste com Maria! Enquanto Jesus se humilhou ao ponto de lavar os pés de Judas, este humilha Jesus ao ponto de vendê-lo como um escravo.
           E assim é diante do Evangelho de Jesus, ou a pessoa se humilha e O adora como único Senhor e Salvador ou se afasta com desprezo e rejeição, ainda quando essa rejeição é expressa em uma linguagem polida, continua sendo rejeição.
           Você hoje quer sair daqui mais semelhante à Maria, ou mais semelhante à Judas?


Aplicações

1. Como é maravilhosos servirmos a um Deus que tem o controle sobre todas as coisas! Ele conduziu soberanamente os eventos da morte de Seu Filho Amado! É confortador então para nós a convicção que Ele conduz maravilhosamente os eventos de nossas vidas!


2. O que você tem de precioso para derramar sobre Jesus. Hoje em dia uma das coisas mais preciosas que as pessoas têm é o tempo. Dedique o seu tempo ao Senhor, em oração, leitura da Palavra, em busca por edificação espiritual e serviço no reino.


3. Um adorador não é aquele que fica guardando para si, mas que dá tudo de si ao Senhor!
           Quando foi a última vez que você adorou ao Senhor de forma extravagante? Quando foi a última vez que você agiu de forma extravagante para a glória de Cristo?
           Maria é um exemplo que deve ser imitado! Que durante esta semana você esteja sendo extravagante em tudo o que for fazer para o Senhor!


4. Como podemos ver, Jesus é realmente o maior polarizador da humanidade. À medida que você O conhece, à medida que você passa tempo ouvindo Suas palavras: ou você se afasta dele, ignorando Suas verdades, ou você se aproxima d’Ele, abdicando suas vontades.
           Como está o seu coração? À medida que você é exposto à Luz do Evangelho – Jesus – o seu coração tem sido atraído a Jesus ou tem traído Jesus com os seus próprios desejos e vontades?


Conclusão

           Que sua reação ao inexplicável amor de Cristo seja semelhante à de Maria. Judas amou mais o dinheiro do que á Jesus, Caifás e os sacerdotes e escribas amavam o poder e por isso sua reação a Jesus era de inveja e os impedia de vê-lo como o Messias aguardado. Mas que você ame a Cristo e toda a sua vida seja uma demonstração desse amor!






(Sermão pregado no Templo Sede da Igreja Batista dos Guararapes no dia 02 de março de 2014 no Culto Solene).

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