RESENHA DE LIVRO



RESENHA - Fundamentos da Teologia do Antigo Testamento*
*WESTERMANN, Claus. Os fundamentos da teologia do Antigo Testamento. Tradução de Frederico Datler e revisão de Vagner Montrezol. São Paulo: Editora Academia Cristã, 2005. (Contém 208 páginas. Encadernação simples).



Fundamentos da Teologia do Antigo Testamento é uma obra do teólogo alemão Claus Westermann. O autor nasceu em 7 de outubro de 1909 na cidade de Berlim. Depois de estudar teologia em Tübingen, Marburg e Berlim, concluiu seu doutorado em Zurique com a tese "Das Loben Gottes em dem Psalmen" sob a orientação de W. Zimmerli. De 1958 até a sua aposentadoria em 1978, Westermann foi professor de Antigo Testamento na Faculdade de Teologia da Universidade de Heidelberg, Alemanha. Além de outras obras, tornou-se mundialmente conhecido pelo seu grande comentário ao livro de Gênesis. Morreu em 11 de junho de 2000, antes de completar 91 anos de idade.

Fundamentos da Teologia do Antigo Testamento é uma obra dividida pelo seu autor em seis partes. É iniciada com uma lista de abreviaturas a serem utilizadas em notas de rodapé, segue-se a esta o Índice Geral, ficando no final a Bibliografia, o Índice Onomástico e um Índice de Passagens Bíblicas utilizadas na referida obra. O autor mostra em toda a sua obra como se deu a história da relação de Deus com o homem conforme os textos veterotestamentários. Na primeira parte: 'Deus no Antigo Testamento' (pp 15 - 43) inicia tratando do procedimento metódico do estudo do Antigo Testamento. Claus Westermann faz uma abordagem sobre a questão do gênero histórico do Antigo Testamento e sobre a história da salvação para em seguida mostrar que a palavra de Deus se fez presente no período do Antigo Testamento através do seu falar e do seu agir. E mostra também que há uma resposta humana a esse falar divino e como se dá essa resposta.

Na segunda parte: 'Deus-Redentor e História' (pp 47 - 95) o nosso autor fala de Deus como redentor e traz à luz o sentido de salvação no Antigo Testamento, que é bem diverso do referido no Novo Testamento. É digna de nota a abordagem acerca dos medianeiros na relação de Deus com o homem. Ele explana acerca de Moisés, o primeiro dos medianeiros, dos líderes carismáticos no livro dos Juízes, dos reis a partir de Saul, dos sacerdotes e dos profetas.

A terceira parte: 'Deus-Benfeitor e Criação' (pp 99 - 132) apresenta Deus como criador e abençoador de toda sua criação. Logo no início dessa terceira parte o autor deixa claro que não existe contradição entre explicação religiosa e científica da origem do mundo. Tratando do homem como criatura de Deus é enfatizada a limitação humana manifesta na realidade da morte e na sua capacidade para o pecado. Contudo é mostrado que o homem é imagem de Deus, e o fato de ele ser imagem é simplesmente ele ser homem. Há ainda uma interessante reflexão acerca do trabalho e sabedoria que capacita o homem a criar técnicas para a realização do trabalho. No mesmo capítulo se faz menção às bênçãos divinas, tanto de caráter geral como bênçãos específicas conforme relatadas no Antigo Testamento. Westermann faz um esclarecimento acerca da bênção na história do povo de Deus do Antigo Testamento; na era dos patriarcas, no Deuteronômio, na era dos juízes até a monarquia, depois do exílio e no livro de Jó.

Na parte quatro: 'Juízo e misericórdia de Deus' (pp 135 – 170), o autor faz uma abordagem sobre a questão do pecado e do castigo nas profecias. Há uma análise do pecado na pré-história da humanidade, na história do povo de Deus e na vida individual. É interessante notar a diferença apresentada pelo autor de pecado no Antigo Testamento para pecado no Novo Testamento. Em seguida é tratada a questão dos vaticínios divinos assim como o meio pelo qual são transmitidos os vaticínios: os profetas. Deus é mostrado em sua compaixão, e essa compaixão é direcionada tanto ao homem de modo individual quanto de modo coletivo, o povo de Deus. Nesta quarta parte há uma interessante análise do Salmo 103, um salmo de louvor tanto individual como coletivo. A compaixão de Deus é trabalhada de modo eficaz nos vaticínios de salvação. Este profetismo que anuncia a salvação é trabalhado pelo autor em três períodos sucessivos: dos patriarcas até os profetas escritores, de Amós até a queda de Jerusalém, e a época exílica e pós-exílica. Esta quarta parte é encerrada com diferenciação de apocalipse e profecia, onde o autor delineia que a profecia atinge simultaneamente o passado, o presente e o futuro, enquanto o apocalipse descreve o futuro em uma história supra-real. Para o autor a profecia centraliza a nação de Israel, enquanto o apocalipse reaviva a história de Gn 1.1-11 na qual interessa a humanidade inteira e o universo todo (cf. Ap 4 e 5).

A quinta parte do livro: 'A resposta' (pp 173 - 232), nos traz justamente a resposta humana ao falar e agir de Deus. Para o autor há três formas pelas quais o homem responde a Deus: O homem responde falando, o homem responde agindo, e responde também se utilizando da reflexão teológica. De uma forma hábil, Claus Westermann coloca que a resposta através da fala se dá pelo meio da oração, do louvor e da lamentação. Assim, ele destrincha as peculiaridades desses elementos no Antigo Testamento. De igual modo, ao referir-se à resposta humana através da ação, o autor mostra que há uma diferença significativa entre mandamentos e leis, e faz uma reflexão acerca do culto em Israel. Por fim, ele encerra esta quarta parte mostrando que a reflexão teológica produzirá também uma resposta, que abrangerá todo o 'seu ser'. Mas de igual modo o homem pode recusar a resposta desobedecendo ao seu criador e negando-lhe a honra de direito. O autor ainda faz um comentário acerca das três obras historiográficas, o Javista (J), o Deuteronomista (Dtn) e o documento sacerdotal (P).

E na sexta parte: 'Antigo Testamento e Jesus Cristo' (pp 235 - 249), Claus Westermann conclui sua obra fazendo um paralelo entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, apresentando os pontos em comum em ambos os testamentos. Em seguida, analisa algumas profecias messiânicas provando o quanto tais profecias eram palavras referentes à situação concreta de sua referida época. Também nos mostra o autor que assim como há uma resposta humana no Antigo Testamento, no Novo Testamento também há uma resposta correspondente. Acentua a influência dos salmos nas palavras de Jesus, como exemplifica o grito de Jesus crucificado citando o Salmo 22.1, conforme Mc 15.34 e Mt 27.46. Essa resposta se manifesta de uma forma ativa pela obediência daqueles que experimentaram a salvação, e como conseqüência há o culto ao Deus salvador, que é influenciado também pelo culto veterotestamentário. Afirma ainda o autor, que em Cristo o Antigo Testamento recebe o seu 'Sim e Amém', mas recebe de Cristo também o seu 'Não' referente ao que tinha de ser abolido: a vinculação da salvação divina com o poder temporal e político, bem como a vingança contra os adversários.

Enfim, Fundamentos da Teologia do Antigo Testamento é uma obra indicada para professores e professoras de teologia, seminaristas, pastores e pastoras e líderes da igreja que trabalhem com o ensinamento das Sagradas Escrituras e queiram aprofundar-se um pouco mais na área de Antigo Testamento. A linguagem utilizada pelo autor nem sempre é de fácil compreensão, mas com o estudo acurado o leitor compreenderá as idéias do autor. Claus Westermann consegue atingir o seu objetivo, que é falar de teologia do Antigo Testamento mostrando que o seu centro é a relação de Deus como criador, redentor e bem-feitor com o homem, sua criatura e objeto de sua salvação. E que o homem na concretude de sua existência responde ao falar e agir divinos.

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