Apocalipse 2.8-11 - UMA IGREJA POBRE, CONFORTADA PELO CRISTO VITORIOSO


Apocalipse 2.8-11

Introdução: A Etimologia do nome da cidade: Esmirna=Mirra. Mirra é uma substância extraída de uma árvore espinhosa que gosta de ficar ao sol. Dela se extrai perfume, tem uma resina que produz medicamentos e ela serve para auxiliar no embalsamento.
Elucidação: Este texto que acabamos de ler é a segunda carta das sete enviadas às igrejas na Ásia Menor. Todas as cartas é o próprio Senhor Jesus Cristo que escreve através do seu apóstolo João. Ele é aquele que está andando no meio dos candeeiros, que são as igrejas. Ele é o dono delas. E por isso, Ele pode, tanto exortar como advertir, animar como ameaçar.
           Esta segunda carta foi dirigida à igreja em Esmirna. Esmirna era uma bela cidade. Ela era rival da cidade de Éfeso. Ela reivindicava o direito de ser a “primeira Cidade da Ásia em beleza”. Já que Éfeso ocupava este posto. Esmirna era uma cidade gloriosa. Ela com seus lindos edifícios públicos situados no alto da colina Pagos, formavam o que se chamava “a coroa de Esmirna”. A brisa ocidental vinda do mar soprava por toda cidade. Que mesmo durante o verão era uma cidade com um clima agradável. Desde o começo da ascensão do império romano, mesmo antes dos seus dias de grandeza, Esmirna era sua aliada e reconhecida como tal por Roma.
           Com toda probabilidade a igreja de Esmirna foi fundada por Paulo durante a sua terceira viagem missionária (At 19.10), entre 53 e 56 d. C. É possível que Policarpo fosse bispo da igreja de Esmirna naquela época. Ele foi discípulo de João. Fiel até à morte, este venerando líder foi queimado vivo num poste. E esta igreja é uma das duas igrejas que o Senhor Jesus Cristo não critica e nem ameaça. A outra igreja é a de Filadélfia. Ela sendo fiel e sem motivo de ameaça, o Senhor se dirige de uma maneira a fortalecer ainda mais aquela igreja a permanecer firme. Ele se apresenta assim: “Ao anjo da Igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver”. Ele se apresenta a sua igreja amada como o Cristo vitorioso. Isto nos leva ao seguinte tema desta pregação:   

UMA IGREJA POBRE, CONFORTADA PELO CRISTO VITORIOSO

I – CRISTO APRESENTA-SE COMO SENHOR DA VIDA E DA MORTE, V 8.
Jesus diz acerca de si que é o primeiro e o último, o que esteve morto e tornou a viver.  Ele introduz a palavra de conforto àquela igreja lembrando a ela quem é o seu senhor. O dono da igreja é aquele que venceu a morte, aquele que ressuscitou. Eles necessitavam desse entendimento. Viviam em uma época de grande instabilidade, onde declarar-se cristão em alguns momentos poderia implicar perda de bens, separação da família ou até em morte. Nem sempre a perseguição vinha de forma oficial por parte do governo romano, às vezes eram perseguidos até pelos próprios judeus, ou pelos romanos de modo não oficial. Ser cristão então era muito diferente do que vivemos hoje no contexto do Brasil em pleno século XXI.
           A palavra de conforto neste versículo embora na época presente não nos toque coletivamente, com certeza nos fala de modo individual. A igreja não passa atualmente por perseguição por parte do Estado, mas cada um de nós podemos vivenciar momentos nos quais lembrar de Cristo como Senhor da vida e da morte traz conforto às nossas almas. Todos estamos sujeitos a passar por experiências da perda de entes familiares, e nestes momentos devemos lembrar que a vida pertence ao Senhor e que ele tem direito absoluto sobre cada uma de suas criaturas. Este conhecimento prévio nos capacita diante de situações que poderemos vivenciar.
           Mas o Senhor Jesus depois dessa introdução faz uma declaração maravilhosa sobre aquela igreja.

II – ELA É RICA INDEPENDENTEMENTE DE SEU ESTADO FINANCEIRO, V 9.
Materialmente aqueles irmãos eram pobres, embora vivendo em uma cidade rica. O termo utilizado aqui para pobreza é ptocheía, que tem o sentido de pobreza extrema, opressiva até. É a mesma expressão utilizada por Paulo em 2 Co 8.9: “...pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos”. O texto aos coríntios fala de riqueza, mas obviamente em sentido espiritual. Era o caso daqueles irmãos de Esmirna, embora pobres materialmente, mas vivenciando uma riqueza na graça de Deus, ricos para com o Senhor. Eram ricos porque havia a presença de Deus em suas vidas. Eram ricos porque não eram dominados pela avareza (Lc 12.13-21 – Jesus reprova a avareza e diz que é louco aquele que “...entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus”, v 21).
           Aqueles irmãos de Esmirna eram ricos porque buscavam viver a fidelidade ao Senhor, mesmo em meio a tribulação de perseguição por parte dos falsos judeus e a despeito da escacês material.
           No contexto deles, além de sua pobreza material extrema tinham de enfrentar a “blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás”. Os judeus difamavam o Messias e negavam a sua vinda. Esses judeus desprezaram com toda sua força o Cristo. Eles alimentavam um ódio maligno contra os cristãos. Eles arrastavam os cristãos diante dos tribunais e os acusavam injustamente. São chamados de falsos judeus porque os verdadeiros judeus são os verdadeiros herdeiros da promessa dada a Abraão, ou seja, o Israel espiritual, a igreja de Cristo formado por judeus e não judeus, portanto os verdadeiros judeus no sentido de povo de Deus. De igual modo há muitos hoje que se declaram cristãos e não são, são antes Casa do Diabo, pois não querem para suas vidas a riqueza espiritual ofertada por Cristo, mas antes, a riqueza material ambicionada pela sua carnalidade e lhes ofertada pelo Diabo. Riqueza material sem riqueza da comunhão com Deus é ruína espiritual. Os irmãos de Esmirna sofriam pela pressão (perseguição) por parte desses judeus. À semelhança de Esmirna a igreja de nossos dias que de fato queira viver em fidelidade doutrinária estará sofrendo por observar tantas blasfêmias contra Cristo, muitas vezes que não se expressam de forma verbal, outras vezes supostamente falando em nome de Jesus, mas o conteúdo reprovável por Cristo.
           O Senhor ainda anuncia que mais tribulação viria sobe a vida daquela igreja, mas anima-os a serem corajosos.

III – ELA PROSSEGUIRÁ RICA AO VENCER AS PROVAÇÕES – O DIABO, V 10.
Aquela era uma igreja fiel, elogiada pelo Senhor por sua fidelidade. Então não é de se estranhar que padecessem perseguições, pois como escreveu o Apóstolo Paulo à Timóteo:  2 Timóteo 3.12: “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. Mas é bom lembrar que não há conforto maior que saber da presença de Cristo em momentos assim, como ele mesmo disse, conforme relatado no cap. 14 de João, enviaria o Espírito, e, que, portanto, se faz presente pela atuação do Espírito na igreja. No mesmo capítulo há a promessa de sua vinda para levar a igreja para si, mas enquanto isso não ocorre certamente o Diabo fará forte oposição à igreja, e cabe a nós a fidelidade ao Senhor mesmo sob as condições mais desfavoráveis.
           O Senhor disse aqueles irmãos de Esmirna, que eles só iriam sofrer por dez dias. Isso significa um tempo definido. Eles deveriam guardar sua fé pura. Porque através daquele sofrimento, o Senhor estaria também provando aqueles crentes. Purificando e aumentando a fé daqueles fiéis.
           A promessa para o vencedor é a coroa da vida, a presença eterna com o Senhor. Que fique claro então que esta coroa é para todos os salvos, não diz respeito a uma recompensa especial para aqueles que foram perseguidos com risco de morte.  Mas é aqui um incentivo para prosseguir avante mesmo em face ao risco.
           Por fim, Ele reafirma a garantia mais importante para a vida da igreja, que não é que diz respeito a este mundo, mas á entrada triufante nos céus.


IV – ELA ALCANÇARÁ RIQUEZA MAIOR NOS CÉUS, V 11.
Temos aqui reafirmada a certeza que em nossos corações de que de modo algum passaremos pela segunda morte. Aqui há uma referência à declaração de condenação no juízo eterno. O dano da segunda morte não ocorrerá para a igreja, mas para aqueles que desprezaram o Senhor, e que esse desprezo é manifesto no seu comportamento como enfatiza Apocalipse 21. 8: “Quanto porém aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”. 
           A igreja, porém, pelos méritos de Cristo tem o livramento dessa condenação garantida. Usufruirá da presença do Senhor eternamente. Não importa o quanto tenham sofrido, pois estarão finalmente de posse da felicidade perfeita. Estarão livres da natureza pecaminosa. Todo o sofrimento terá passado, e como nos diz a Palavra em uma linguagem muito bela: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima...” (Ap. 21.4).

Aplicação: 1. Os cristãos de Esmirna foram literalmente esmagados, tornando-se um cheiro de perfume suave para Deus, mas jamais se desesperaram ou se entregaram ao materialismo. Existe, hoje, uma mensagem generalizada que o crente não pode sofrer. Existem “orações poderosas” para espantarem o fantasma do sofrimento da vida dos fiéis. No entanto, contrariando esse pensamento o apóstolo Paulo diz claramente: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados. Perseguidos, mas não desamparados. Abatidos, mas não destruídos. Trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos”. 2 Co 4.8-10.

Rm 5.3 -  E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,
Rm 12.12 -  Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração;
2 Co 1.4 -  Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.
2 Co 4.17 -  Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;
At 14.22 -  Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus
2. Há tanto hoje que enfatizam a busca pela riqueza material, mas esquecem, ou negligenciam, ou deturpam malignamente a maravilhosa revelação que afirma não haver nada mais sublime do que a riqueza da presença de Deus em nossas vidas.
3. Como cristão certamente você virá a passar por mais provações em sua vida, mas digo para você: não se atemorize, olhe para a coroa da vida, ela é incorruptível, imarcessível (não murcha). Você um dia estará com o Senhor, e não há nada mais glorioso do que isso.

Conclusão: Que sejamos, meus irmãos, como aqueles crentes de Esmirna.
Perfume - O crente/Esmirna influencia os ambiente com os valores do cristianismo (perfume) mesmo quando passa por tribulações e sofrimentos pessoais.  “E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem” (II Coríntios 2.14, 15).
Medicamento - O crente/Esmirna com sua vida produz o bem para os que estão ao redor. Gera conforto e cura para os males da alma porque transmite paz.
Embalsamento - O crente/Esmirna conserva a sociedade por meio dos princípios cristãos de moral e conduta que possui. “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (Mateus 5.13).

 (Mensagem pregada na Igreja Batista dos Guararapes, em 06 de novembro de 2011).

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