SÉRIE DE MENSAGENS EM TIAGO - 2011


Tiago 1.12-18

Introdução: Porque ovelhas não chafurdam
Era uma vez uma ovelinha que, junto com sua mãe, passava em frente de um chiqueiro todos os dias a caminho do pasto. Os porcos se divertiam tanto rolando na lama que num dia de muito calor a ovelinha pediu à mãe que a deixasse pular a cerca e chafurdar na lama fresca.
           A mãe respondeu que não. A ovelinha fez a clássica pergunta: “Por que não?” A resposta foi simples: “Porque ovelhas não chafurdam.”
           A ovelinha não se contentou. Achou que a mãe havia feito pouco caso dela e abusado de sua autoridade quando não devia. Assim que a mãe se afastou, a ovelinha correu para o chiqueiro e pulou a cerca. Sentiu a lama fria em seus pés, suas pernas e barriga. Pouco depois achou que já era hora de voltar para junto da mãe, mas não conseguiu! Estava presa!
           Lama e lã não combinam. Seu prazer havia se transformado em prisão. A ovelinha estava desesperadamente presa em conseqüência de sua tolice. Ela pediu socorro e foi resgatada por um lavrador caridoso.
           Depois de ter sido limpa e estar de volta ao aprisco, a mãe relembrou: “Não se esqueça de que ovelhas não chafurdam!”
           O mesmo acontece com o pecado. Parece tão gostoso, tão fácil de ser abandonado quando bem entendermos. Mas não é assim! Os prazeres nos aprisionam. Os cristãos não devem chafurdar (2 Pedro 2:14-22) - Autor desconhecido


Elucidação: Tiago escreve esta carta para ajudar os crentes dispersos a vencerem as provações a que estavam expostos, buscando ao mesmo tempo, o alvo da maturidade cristã.
2. Ele ensinou nos versos 2-4 que as provas são compatíveis com a fé cristã, são variadas, passageiras e pedagógicas.
3. Nos versos 5 a 8 mostra a importância da sabedoria para viver os momentos de provação.
4. Nos versos 9 a 11 deixa claro que ninguém está isento das provações, seja qual for sua classe econômica, e que todos deveriam ser gloriar no Senhor.
           Agora, ele nos ensina como deve ser nossa relação com essa realidade devastadora que é o pecado.


Tema: O HOMEM NO ESTADO DE PECADO E A TRASFERÊNCIA DA CULPA


I – EM MEIO ÀS PROVAS PERMANEÇA FIEL, V.12.
Provas, dificuldades, problemas, tribulações; seja qual o nome que você for dar aos infortúnios da vida, eles estarão presentes a todos e de forma diversa. Isso ocorre justamente porque vivemos em um mundo caído no pecado e nós, pecadores que somos, embora salvos em Cristo não estamos imunes a essas coisas. Porém, a Palavra nos mostra que para aqueles que tem a Cristo há uma grande diferença nas experiências diárias que nos fazem sofrer em comparação com aqueles que estão distantes do Senhor. Ao sofrermos em Cristo, sofremos para o nosso amadurecimento, são sofrimentos que vem como prova da nossa fé para a nossa edificação.
           Aqui Tiago utiliza uma expressão muito interessante (peirasmos), que tanto é traduzida por provação como por tentação. Mas conforme o contexto em que a palavra é traduzida nós vemos uma grande diferença entre esses dois conceitos. Provação é uma situação na qual o Senhor nos coloca para provocar o nosso crescimento e amadurecimento. Em meio à provação poderá aparecer a tentação, que por sua vez não vem do Senhor, é proveniente do Diabo. Para ilustrar lembremos-nos da tentação de Cristo, ele foi conduzido pelo Espírito ao deserto, mas a tentação veio mediante a ação de Satanás. Eu diria que as provações são pressões externas, alheias ao nosso querer, já as tentações tanto podem ser externas, por virem do Diabo, mas também são pressões internas, por encontrarem um ponto de contato em nosso interior, a nossa natureza pecaminosa.
           As provas então são uma realidade na vida do fiel, diante dessa realidade devemos ser perseverantes na obediência, aliás, quem assim age estará sendo feliz e receberá a coroa da vida. Essa cora da vida é o desfrutar da presença de Deus na eternidade.
               
           Mas Tiago além das provações nos fala abertamente sobre as tentações que vivenciamos em nosso cotidiano.


II – AO CAIR DIANTE DAS TENTAÇÕES, ASSUMA SEUS PECADOS, V. 13.
Tiago ensina que em primeiro lugar não devemos transferir a culpa de nossas transgressões, erros ou pecados. E se essa culpa, não pode ser transferida a outras pessoas, quanto mais a Deus. Certamente que se você cair em pecado não será culpa do Senhor, pois Ele já lhe garante em Sua Palavra em I Co 10.13 que: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”. Se você caiu no pecado não foi por falta de providência divina para que você não caísse, foi você que desprezou a providência de Deus e ao invés de tomar posse dela, abraçou a tentação.
           Quando nós pecamos não adianta tentar transferir a culpa do nosso pecado, a verdade é que queremos sempre racionalizá-lo, tomando aquela postura de Adão no momento da Queda, que transferiu a culpa para Eva, e Eva transferiu para a Serpente.  As pessoas querem transferir a culpa de seu pecado muitas vezes para a sociedade (as condições sociais degradantes), para o Estado, para as outras pessoas, e como ocorre muito frequentemente para o Diabo. Certamente o Maligno terá prazer em lhe ver pecando, mas você não está isento de sua culpa, assuma.

           Nem todos caímos todos os dias, mas todos os dias somos tentados.


III – AO ESTAR DIANTE DAS TENTAÇÕES, VIGIE PARA NÃO CAIR, V.14, 15.
Tiago usa duas figuras para ilustrar o engano da tentação: 1) A figura do caçador que usa uma armadilha (atrai,); 2) A figura do pescador que usa o anzol com isca (seduz). Se Ló pudesse ver a ruína que estava por trás de Sodoma e se Davi pudesse ver a tragédia sobre a sua casa quando deitou-se com Bate-Seba eles jamais teriam caído. Precisamos identificar a arapuca do diabo e isca do diabo antes das consequências nefastas que podem vir sobre nossas vidas.
           O nascimento do bebê chamado pecado – (1:15) – Tiago muda a figura da armadilha e do anzol para a figura do nascimento de um bebê maldito, chamado PECADO.
           O homem por sua natureza caída tende a ser levado pela sua própria concupiscência ou cobiça, que é o desejo desenfreado da carne. É por isso que o crente deve vigiar para não entrar em tentação: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” Mc 14.38. Martinho Lutero diz: “um pássaro pode até pousar em sua cabeça, porém não podemos deixar que ele faça o seu ninho”. 
           A tentação em sim ainda não constitui pecado, mas se você não estiver orando e vigiando, fatalmente você cairá.

           Há algo mais que Tiago nos diz sobre esse assunto.


IV – AO SER PROVADO OU TENTADO, ENXERGUE A BONDADE DE DEUS, V.16-18.
Quando Satanás tentou Eva no jardim e Jesus no deserto, ele questionou o amor de Deus. A bondade de Deus é o grande escudo contra a tentação do diabo. Quando sabemos que Deus é bom não precisamos cair nas armadilhas do diabo para suprir as nossas necessidades. É melhor estar faminto dentro da vontade de Deus do que estar cheio fora da vontade de Deus.
Tiago apresenta três fatos sobre a bondade de Deus:
a) Deus dá somente boas dádivas – Tudo o que Deus dá é bom, até as provas. O espinho na carne de Paulo foi um dom estranho, mas foi uma grande bênção para ele (2 Co 12:1-10).
b) Deus dá constantemente – O verbo “descendo” é um presente particípio = continua sempre descendo. Deus não dá seus dons apenas ocasionalmente, mas constantemente.
c) Deus não muda – Deus não pode mudar para pior porque ele é santo. Ele não pode mudar para melhor porque ele é perfeito.

           Embora você seja tentado por uma natureza maligna que há em você, nuca esqueça que também há uma natureza que Cristo implantou.

V – OLHE PARA DENTRO E CONSIDERE A NATUREZA DIVINA DENTRO DE VOCÊ, V. 18.
Tiago agora menciona nossa redenção em Cristo. Ensina que Deus nos gerou conforme a Sua Palavra, para que N’Ele venhamos a vencer o maligno [I Jo 2.13], passar pelas tentações [I Co 10.13], e seguirmos para o alvo, que é sermos à semelhança de Cristo [Rm 8.29].

Aplicação: 1. Quanto às provações meu irmão, gostaria que você lembrasse sempre aquilo que a Palavra nos diz em Rm 8.18: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelados em nós”.

2. Lembre-se, para Deus mais terrível do que o próprio pecado é quando nós não admitimos que pecamos. É como se quiséssemos chegar diante dele com uma santidade que não temos, e o Senhor diz que Ele não se deixa escarnecer. Se agirmos dessa forma é como se estivéssemos zombando d’Ele. É preferível que você esteja cometendo pecados terríveis, mas se quebrante e se arrependa verdadeiramente, do eu está cometendo pecados que por sua vez não escandalizam ninguém, porém ao mesmo tempo se considerando muito correto e não tem pedido perdão ao Senhor. Ai de você!

3. Cuidado com o sutil processo da tentação. Esteja alerta quanto àquilo que mais desperta sua natureza pecaminosa. Para alguns pode ser o dinheiro, estar em um trabalho onde esteja lidando com o dinheiro e tendo facilidade quanto à sua administração pode se constituir em uma tentação para o roubo. Para outros pode ser o poder ou a fama, a ascensão social ou tornar-se reconhecido pode trazer consigo a sugestão para a soberba e a vaidade. Para outros ainda, especialmente os homens, pode ser o sexo, mas lembre-se: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual. [...] Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (1 Ts 4.3, 7).

4. Independentemente do que você esteja passando ou venha a passar no futuro, nunca permita que o diabo ofusque a sua visão para que você deixa de perceber o quanto o Senhor lhe tem sido bom. A bondade do Senhor está presente em sua vida, e o propósito dele para você é imutável, porque ele é imutável.

5. Finalmente, quero lhe dizer que você foi chamado para ser um vencedor. Foi chamado para que em sua vida você esteja vencendo o pecado, foi chamado para que o Senhor esteja sendo glorificado por meio de seu comportamento.
*Minha irmã, a vitória em Cristo para sua vida é você resistir à tentação da fofoca. *Jovem, a vitória em Cristo para sua vida é você resistir à tentação de viver uma vida superficial e descompromissada que a mídia quer impor sobre você.
*Meu irmão, a vitória para sua vida é você resistir à tentação da atração que aquela colega de trabalho causa em você, ou aquela vizinha, ou aquela que se assemelha a mulher relatada em Pv. 7, que seduz o homem para levá-lo a uma destruição total de sua vida.

Conclusão: Que nenhum de nós esteja chafurdando no pecado, pois somos ovelhas do Senhor. Logo, que 2 Pe 2.20-22 jamais se aplique a nós: “Portanto, se, depois de terem escapado das contaminações do muno mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, se deixam enredar de novo e são vencidos, tornou-se o seu último estado pior do que o primeiro. PIS melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou o seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou as revolver-se no lamaçal”.

A Deus toda a glória!

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