Introdução
A
história de Sansão parece um roteiro de um filme. Como ocorre nos filmes, há
três partes, primeira, a introdução com a apresentação dos personagens (cap 13
– Sansão e seus pais); segunda, o desenvolvimento (cap 14 a 16.1-21 – o
primeiro casamento, sua vingança, Sansão e Dalila e seu aprisionamento); e por
fim a conclusão, que é o clímax da estória (cap 16.23-31, a morte de Sansão).
Mas
diferentemente de um filme no qual podemos admirar o herói da estória, Sansão
não é exatamente um personagem bíblico do qual devemos nutrir admiração. Ele
era imprudente, infiel, dominado por seus sentimentos não pela lógica,
governado pela luxúria, desamparado diante das mulheres. Até mesmo quando luta
contra os filisteus não é para libertar Israel, sua principal motivação é a
vingança. É desrespeitoso para com os pais, insensível à sua vocação de
Nazireu, não leal ao seu povo, irreverente e rude para com sua esposa.
Vejamos
um pouco sobre a história desse homem e o que Deus tem a nos ensinar por essa
história.
I – Não permaneceu nos ditames da Aliança de Deus com o
seu povo, 14.1-3.
Seu pai e sua mãe lhe perguntaram: "Será que não há mulher entre os seus parentes ou entre todo o seu povo? Você tem que ir aos filisteus incircuncisos para conseguir esposa? " Sansão, porém, disse ao pai: "Consiga-a para mim. É ela que me agrada" (Jz 14.1-3).
Contrariando
a ordem divina para o Seu povo não se misturar com outras nações Sanção escolhe
se relacionar com uma filisteia. Ao analisar essa história sob a perspectiva da
responsabilidade humana percebemos que Sansão desobedece a ordem do Senhor para
o seu povo Israel de que não viessem a contrair matrimônio com pessoas de povos
pagãos: “Quando o Senhor, o seu Deus, os fizer entrar na terra, para a qual
vocês estão indo para dela tomar posse, [...]
Não se casem com pessoas de lá. Não dêem suas filhas aos filhos delas, nem
tomem as filhas delas para os seus filhos,
pois elas desviariam seus filhos de seguir-me para servir a outros deuses e,
por causa disso, a ira do Senhor se acenderia contra vocês e rapidamente os
destruiria” (Dt 7 1, 3-4).
O
que vemos então é que Deus estabeleceu essa antítese, essa separação entre o
seu povo e aqueles que não lhes servem. Isso chega até nós no século XXI
ressonando as palavras de Cristo que não somos pertencentes a este mundo embora
nele estejamos: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu;
como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o
mundo vos odeia” (Jo 15.19)
Neste
mundo aqueles que não sevem ao SENHOR vivem sob a perspectiva de uma cosmovisão
paganizada onde se valoriza mais a criatura do que o Criador, onde a vida moral
não tem por base a glorificação do nome do SENHOR, mas qualquer outro motivo;
aqueles que são do povo de Deus, da igreja de Cristo então têm que viver outra
cosmovisão, isto é, separados do mundo. A Aliança que Deus estabeleceu conosco
em Cristo exige isso de nós, com muita frequência somos instados a agirmos de
forma diferente de Sansão:
“Como é feliz aquele
que não segue o conselho dos ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se
assenta na roda dos zombadores!”
(Salmo 1.1).
“Não ameis o mundo
nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está
nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência
dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1 Jo 2.15-16).
Além
da triste escolha de Sansão também havia nele sérios problemas de caráter.
II – Sansão deixou-se conduzir pelas paixões, 16.1 e 4.
Depois dessas coisas, ele se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque, chamada Dalila (Jz 16.4).
Sansão
embora forte fisicamente forte era fraco espiritualmente, não tinha domínio
próprio. O texto narra seu momento em que ele esteve com uma prostituta, e
podemos imaginar que essa não foi a única vez. Deixou-se levar pela paixão sexual.
Além
disso, pelo relato de sua vida é fácil concluir que ele não manteve o voto do
nazireado de se de afastar do vinho. Ele havia sido consagrado pelos seus pais
como ordenado pelo Anjo do SENHOR ao voto do nazireado, ou seja: não poderia
beber vinho e nem mesmo consumir uva, não poderia se aproximar de um cadáver ou
cortar o cabelo. Embora normalmente esse fosse um voto temporário como vemos
ordenado em Nm 6.1-8, no caso de Sansão era para toda a vida. Tal voto era uma
forma de expressão que a pessoa estava consagrada, separada para Deus. A
palavra hebraica nazir, que deriva da raiz nazar, significa “separar”,
“consagrar” ou “abster-se”. Mas
Sansão foi dominado pela paixão do vinho. E lemos explicitamente que ele se
aproximou do cadáver do leão. O único ponto do voto que manteve foi não cortar
o cabelo.
Outra paixão de Sansão era um senso de humor
irresponsável, ele brincava com coisas
sérias. Durante seu casamento ele agiu de modo imprudente, fez um desafio com uma
charada motivado unicamente pela vaidade (14.11-14). Quando Dalila tenta
descobrir a razão de sua grande força ele continua brincando com a situação
(16.1-21).
Diante
de tantas coisas negativas acerca desse homem fica-nos uma pergunta:
III – Por que Deus usou Sansão?
Ao
olharmos a história de sansão sob a perspectiva da soberania divina e seu plano
para o Seu povo nos remetemos ao cap. 13.v.1 onde vemos que já fazia 40 anos que
o povo estava sob o domínio dos filisteus. Eles não clamaram ao SENHOR, mas
graciosamente aprouve a Deus levantar alguém, ainda que tão imperfeito como
Sansão para subjugar seus inimigos. Então apesar de todos os seus pecados Deus
quiz usar Sansão porque era da Sua vontade soberana.
Vemos
no cap 16, v. 23 a 31 o relato da morte desse homem e como o SENHOR por meio do
fim trágico de Sansão humilhou aquela nação pagã destruindo o Templo de Dagon e
matando mais de três mil filisteus.
Deus soberana e graciosamente pode nos usar apesar de nossos pecados, se notamos isso em
nossas vidas não significa que o SENHOR esteja aprovando nosso procedimento,
assim como não aprovou os pecados de Sansão e nem mesmo o seu suicídio. Mas
usou tudo isso de modo soberano para libertar seu povo.
O
que podemos então aplicar da história de Sansão para nossas vidas?
Aplicação
1. Sansão esqueceu
que ele era Nazireu de Deus, não vivenciou nem mesmo os elementos externos
desse compromisso, em outras palavras, comparado com nossa realidade, ele era
como um cristão que esquece que é cristão e age como se não o fosse. Lembre-se
que você é de Cristo e que nenhuma ação
sua passa despercebida nesse mundo, seja diante dos homens e ou principalmente
diante de Deus!
2. Sansão brincou com o pecado, e as consequências foram
desastrosas. Não cometa esse erro!
3. Sansão não demonstra
arrependimento na sua trajetória de vida, apenas antes de morrer é que o vemos
orar ao SENHOR, ainda assim percebe-se que está movido mais pela vingança
(16.28). Assim como Sansão pode ser que venhamos a errar muito, mas que possamos
estar sempre em arrependimento: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é
fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”
(1Jo 1.9).
Conclusão
Apesar
de não podermos ver Sansão como alguém que devamos imitar, a Palavra de Deus o
menciona como uma daquelas pessoas usadas pelo SENHOR em Hebreus 11:32-33 e 38 “E que mais direi? Certamente, me
faltará o tempo necessário para referir o que há a respeito de Gideão, de
Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas, os quais, por
meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas,
fecharam a boca de leões...homens dos quais o mundo não era digno...”
1 Comentários
Boa noite meu querido irmão, que Deus continue te usando em sabedoria para o crescimento do Reino de Deus, está palavra me ajudou bastante Deus abençoe
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