Introdução
A
igreja do SENHOR ou comunidade da fé em Cristo é uma comunidade de serviço. Não
há como servirmos ao Senhor fielmente com base em nossas próprias capacidades,
mas dependemos do Espírito Santo. Ele capacita seus servos, e para servir no
Reino de Deus nos concede dons espirituais, e também usa nossos talentos
pessoais. Todos fomos chamados para servir ao Senhor. Necessitamos então
entender nossa vocação, nosso chamado específico, para isso precisamos
identificar os dons nos concedido pelo Senhor.
Este
estudo visa que na prática os servos do Senhor identifique seus dons e se
encontrem no serviço do reino de modo a que estejam servindo no lugar onde
melhor seus dons espirituais possam ser aproveitados. Para que possamos atingir
nosso objetivo tencionamos neste estudo definirmos
os termos relacionados a esse tema, refletir
sobre o objetivo dos dons e enunciá-los; no segundo estudo, analisar os
dons espirituais nos textos bíblicos, ou seja, entendê-los biblicamente bem
como analisar as perspectivas teológicas sobre dons espirituais; e no
terceiro estudo perceber as formas bíblicas de identificação dos dons
espirituais e suas aplicações.
I – O que são dons espirituais?
Podemos
definir dons espirituais como a capacidade concedida pelo Espírito Santo para
uso em favor da edificação espiritual da igreja. Assim, dons espirituais são
concedidos para serviço ao outro.
Vejamos
alguns termos bíblicos relacionados a esse assunto em 1 Coríntios 12.
a) Dons
Em
1 Coríntios 12 no v.1 no original grego não aparece a palavra dons, apenas
“espirituais” (pneumatikon - pneumatikon). A palavra “dons” aparece no verso 4, que é karismaton (CARISMA).
Tal expressão talvez em nossos dias tenha tomado popularmente outros sentidos,
mas originalmente o termo bíblico tem o significado de “graça”. Assim, os dons
espirituais são manifestações da graça
de Deus, não são recompensas por algo feito, como por exemplo, um esforço
para que Deus conceda algum dom ou mesmo consequência de uma vida em santidade.
O Espírito distribui o dom a quem quer de modo soberano, independentemente da
consagração dessa pessoa ou de sua maturidade espiritual. São dons da graça
de Deus.
O dom do Espírito Santo é diferente de dons do Espírito Santo. Em Atos 2.38
encontramos “Respondeu-lhe Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja
batizado em nome de Jesus cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis
o dom do Espírito Santo”. Nesse versículo a expressão “dom” tem o sentido de
salvação”.
Também não podemos confundir os dons
espirituais com o fruto do Espírito. Em
Gálatas 5.22-24 temos uma a relação do fruto do Espírito, ou seja, virtudes
geradas em nós pela operação do Espírito Santo; o conjunto dessas virtudes é o
fruto do Espírito.
Às vezes há uma dificuldade de
distinguir dons de talentos.
Talentos são capacidades normalmente consideradas naturais dos indivíduos,
porém, também podem ser adquiridas. Todas as pessoas têm algum talento. Os dons
são concedidos pelo Espírito Santo com o objetivo específico para o uso no
reino de Deus. Os talentos quando são usados por pessoas que passaram pela
experiência da conversão são também usados de modo a servir ao SENHOR servindo
à igreja. Um exemplo clássico de talento é a capacidade musical, que é usada na
igreja de modo espiritual.
b) Serviços (v.5).
Serviço é diakonia, isso implica que os dons são para servir; servir a
outros, pois servir ao Senhor se desdobra no serviço a outros.
c) Realizações (v.6)
Realizações ou operações (ARA), atuação
(NVI), vem da palavra grega ‘energema’, de
onde provém a nossa palavra energia. Ou seja, a capacidade ou energia para o
serviço vem de Deus. É basicamente a mesma coisa expressa pelo apóstolo Pedro:
“Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus, se alguém serve,
faça-o na força que Deus supre, para que em todas as coisas, seja Deus
glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio
pelos séculos dos séculos. Amém!”
d) manifestações (v.7).
Manifestar é tornar claro, visível. O Espírito Santo torna claro nosso dom para o serviço ao
outro. Os dons são para uso no contexto coletivo, jamais para ser usado de modo
egoísta, por isso logo em seguida Paulo utiliza a ilustração do corpo para a
igreja no intuito de ilustrar a importância de todos os membros no exercício de
seus dons na unidade orgânica da igreja.
Os dons devem ser utilizados em amor, ele enfatiza: “o amor não busca os seus
próprios interesses” (13:5).
II – Qual o objetivo dos dons espirituais? (v.7)
Conquanto
é dito no versículo que Deus concede o dom individualmente tem-se em vista um
objetivo coletivo. Os dons espirituais nunca são concedidos para uso meramente
individual. O objetivo ou propósito da concessão dos dons visa um fim proveitoso, deve-se ter em mente o serviço a Deus
servindo à igreja. Para Stott (2007) conforme Efésios 4.12 há um propósito
imediato e um propósito ulterior. Propósito
imediato: o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço. Propósito ulterior: a edificação do corpo de Cristo. A
palavra serviço é (ministério = diakonia) não significando a obra de pastores,
mas o serviço realizado por toda igreja do Senhor. Todo o povo de Deus é
chamado para servir, embora algumas pessoas tenham um chamado específico para o
pastorado ou outro.
III – Quais são os dons espirituais relatados na Bíblia?
(v.8-10).
Dos
versículos 8 a 10 vemos uma das listas dos dons espirituais. Aqui se encontram:
palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, dons de curar, operação de
milagres, profecia, discernimento de espírito, variedades de línguas,
interpretação de línguas. Há outras
listas: Apóstolos,
profetas, mestres, milagres, dons de curar, socorros, governos,
variedade de línguas (1 Co 12.28). Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4.11).
Dons ministeriais ou de serviço, Ef. 4.11-13.
Apóstolos,
profetas, evangelistas, pastores e mestres.
Entende-se que para cada uma dessas funções há uma capacitação divina
correspondente. Entretanto há algumas observações que devem ser feitas aqui.
Nesse texto a palavra serviço ou ministério é diakonia, então o que está em
foco não é o ministério específico pastoral, mas o serviço ou ministério de
todo o povo de Deus. Logo, como bem comenta Sttot (2007), o pastor não deve ser
alguém centralizador que não permite que as pessoas desenvolvam seus dons, mas
“uma pessoa que ajuda e encoraja todo o povo de Deus a descobrir, desenvolver e
exercer seus dons” (STOTT, 2007, p. 120).
Aplicação
1. Dons espirituais
não deve se traduzir em símbolo de status na igreja. A Igreja de Corinto
cometeu esse erro, tinha todos os dons (cap. 1 v.7), mas permitiu que o dom de
línguas fosse considerado em alto grau de modo que isso chegou a ser um
problema nos cultos.
2. Os dons
espirituais devem ser usados no culto de maneira racional. Algumas pessoas na
igreja de Corinto estavam nos cultos como quando eram pagãos, pois em transe
chegavam a amaldiçoar Cristo! E Paulo deixa claro que aquilo não era exercício
de dons espirituais (v. 2-3). Em algumas igrejas dos nossos dias também ocorre
estranhas manifestações que não são do Espírito Santo!
3. Ficar triste por
não ter um dom específico é imaturidade (15-16).
4. Se ensoberbecer
por ter determinados dons também é imaturidade e carnalidade (v. 21-24 e 4.7).
5. Todos com nossos
dons devemos ser cooperadores uns com os outros (v. 25).
Conclusão
Quando
a igreja local trabalha com seus membros a partir dos seus dons ela terá mais
possibilidade de crescimento na edificação e numericamente também. Sejam quais
forem seus dons espirituais você tem sua importância no Reino de Deus. Na
unidade orgânica no Corpo de Cristo nos complementamos.
Referência
STOTT, John. A
Mensagem de Efésios: a nova sociedade de Deus. 2 ed. Abu Editora, São
Paulo, 2007, 240 p.
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