DONS ESPIRITUAIS - 1 Coríntios 12.1-11 (parte 1/3)

 



Introdução


A igreja do SENHOR ou comunidade da fé em Cristo é uma comunidade de serviço. Não há como servirmos ao Senhor fielmente com base em nossas próprias capacidades, mas dependemos do Espírito Santo. Ele capacita seus servos, e para servir no Reino de Deus nos concede dons espirituais, e também usa nossos talentos pessoais. Todos fomos chamados para servir ao Senhor. Necessitamos então entender nossa vocação, nosso chamado específico, para isso precisamos identificar os dons nos concedido pelo Senhor.

Este estudo visa que na prática os servos do Senhor identifique seus dons e se encontrem no serviço do reino de modo a que estejam servindo no lugar onde melhor seus dons espirituais possam ser aproveitados. Para que possamos atingir nosso objetivo tencionamos neste estudo definirmos os termos relacionados a esse tema, refletir sobre o objetivo dos dons e enunciá-los; no segundo estudo, analisar os dons espirituais nos textos bíblicos, ou seja, entendê-los biblicamente bem como analisar as perspectivas teológicas sobre dons espirituais; e no terceiro estudo perceber as formas bíblicas de identificação dos dons espirituais e suas aplicações.

 


I – O que são dons espirituais?

 

Podemos definir dons espirituais como a capacidade concedida pelo Espírito Santo para uso em favor da edificação espiritual da igreja. Assim, dons espirituais são concedidos para serviço ao outro.

Vejamos alguns termos bíblicos relacionados a esse assunto em 1 Coríntios 12.

 

a) Dons

Em 1 Coríntios 12 no v.1 no original grego não aparece a palavra dons, apenas “espirituais” (pneumatikon - pneumatikon). A palavra “dons” aparece no verso 4, que é karismaton (CARISMA). Tal expressão talvez em nossos dias tenha tomado popularmente outros sentidos, mas originalmente o termo bíblico tem o significado de “graça”. Assim, os dons espirituais são manifestações da graça de Deus, não são recompensas por algo feito, como por exemplo, um esforço para que Deus conceda algum dom ou mesmo consequência de uma vida em santidade. O Espírito distribui o dom a quem quer de modo soberano, independentemente da consagração dessa pessoa ou de sua maturidade espiritual. São dons da graça de Deus.

O dom do Espírito Santo é diferente de dons do Espírito Santo. Em Atos 2.38 encontramos “Respondeu-lhe Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus cristo para remissão de vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo”. Nesse versículo a expressão “dom” tem o sentido de salvação”.

Também não podemos confundir os dons espirituais com o fruto do Espírito. Em Gálatas 5.22-24 temos uma a relação do fruto do Espírito, ou seja, virtudes geradas em nós pela operação do Espírito Santo; o conjunto dessas virtudes é o fruto do Espírito.

Às vezes há uma dificuldade de distinguir dons de talentos. Talentos são capacidades normalmente consideradas naturais dos indivíduos, porém, também podem ser adquiridas. Todas as pessoas têm algum talento. Os dons são concedidos pelo Espírito Santo com o objetivo específico para o uso no reino de Deus. Os talentos quando são usados por pessoas que passaram pela experiência da conversão são também usados de modo a servir ao SENHOR servindo à igreja. Um exemplo clássico de talento é a capacidade musical, que é usada na igreja de modo espiritual.

 

b) Serviços (v.5).

Serviço é diakonia, isso implica que os dons são para servir; servir a outros, pois servir ao Senhor se desdobra no serviço a outros.

 

c) Realizações (v.6)

Realizações ou operações (ARA), atuação (NVI), vem da palavra grega ‘energema’, de onde provém a nossa palavra energia. Ou seja, a capacidade ou energia para o serviço vem de Deus. É basicamente a mesma coisa expressa pelo apóstolo Pedro: “Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus, se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que em todas as coisas, seja Deus glorificado, por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!”

 

d) manifestações (v.7).

Manifestar é tornar claro, visível. O Espírito Santo torna claro nosso dom para o serviço ao outro. Os dons são para uso no contexto coletivo, jamais para ser usado de modo egoísta, por isso logo em seguida Paulo utiliza a ilustração do corpo para a igreja no intuito de ilustrar a importância de todos os membros no exercício de seus dons na unidade orgânica da igreja. Os dons devem ser utilizados em amor, ele enfatiza: “o amor não busca os seus próprios interesses” (13:5).

 


II – Qual o objetivo dos dons espirituais? (v.7)

 

Conquanto é dito no versículo que Deus concede o dom individualmente tem-se em vista um objetivo coletivo. Os dons espirituais nunca são concedidos para uso meramente individual. O objetivo ou propósito da concessão dos dons visa um fim proveitoso, deve-se ter em mente o serviço a Deus servindo à igreja. Para Stott (2007) conforme Efésios 4.12 há um propósito imediato e um propósito ulterior. Propósito imediato: o aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço. Propósito ulterior: a edificação do corpo de Cristo. A palavra serviço é (ministério = diakonia) não significando a obra de pastores, mas o serviço realizado por toda igreja do Senhor. Todo o povo de Deus é chamado para servir, embora algumas pessoas tenham um chamado específico para o pastorado ou outro.

 


III – Quais são os dons espirituais relatados na Bíblia? (v.8-10).

 

Dos versículos 8 a 10 vemos uma das listas dos dons espirituais. Aqui se encontram: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, dons de curar, operação de milagres, profecia, discernimento de espírito, variedades de línguas, interpretação de línguas. Há outras listas: Apóstolos, profetas, mestres, milagres, dons de curar, socorros, governos, variedade de línguas (1 Co 12.28). Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Ef 4.11).

 

Dons ministeriais ou de serviço, Ef. 4.11-13.

Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Entende-se que para cada uma dessas funções há uma capacitação divina correspondente. Entretanto há algumas observações que devem ser feitas aqui. Nesse texto a palavra serviço ou ministério é diakonia, então o que está em foco não é o ministério específico pastoral, mas o serviço ou ministério de todo o povo de Deus. Logo, como bem comenta Sttot (2007), o pastor não deve ser alguém centralizador que não permite que as pessoas desenvolvam seus dons, mas “uma pessoa que ajuda e encoraja todo o povo de Deus a descobrir, desenvolver e exercer seus dons” (STOTT, 2007, p. 120).


 

Aplicação


1. Dons espirituais não deve se traduzir em símbolo de status na igreja. A Igreja de Corinto cometeu esse erro, tinha todos os dons (cap. 1 v.7), mas permitiu que o dom de línguas fosse considerado em alto grau de modo que isso chegou a ser um problema nos cultos.

 

2. Os dons espirituais devem ser usados no culto de maneira racional. Algumas pessoas na igreja de Corinto estavam nos cultos como quando eram pagãos, pois em transe chegavam a amaldiçoar Cristo! E Paulo deixa claro que aquilo não era exercício de dons espirituais (v. 2-3). Em algumas igrejas dos nossos dias também ocorre estranhas manifestações que não são do Espírito Santo!

 

3. Ficar triste por não ter um dom específico é imaturidade (15-16).

 

4. Se ensoberbecer por ter determinados dons também é imaturidade e carnalidade (v. 21-24 e 4.7).

 

5. Todos com nossos dons devemos ser cooperadores uns com os outros (v. 25).

 


Conclusão


Quando a igreja local trabalha com seus membros a partir dos seus dons ela terá mais possibilidade de crescimento na edificação e numericamente também. Sejam quais forem seus dons espirituais você tem sua importância no Reino de Deus. Na unidade orgânica no Corpo de Cristo nos complementamos.



Referência

 

STOTT, John. A Mensagem de Efésios: a nova sociedade de Deus. 2 ed. Abu Editora, São Paulo, 2007, 240 p.

 

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