Marcos 12.1-12


Introdução

           Esta parábola é uma das três nas quais Jesus ataca diretamente os representantes de autoridade em Israel. A primeira delas é a dos trabalhadores na vinha (Mt 20, 1-16), a segunda é a dos dois filhos (Mt 21. 28-32), e esta de Mc 12.1-12 é a terceira. Os elementos não são difíceis de serem correlacionados: a vinha representa o povo de Israel, o dono da vinha é Javé-Deus e os arrendatários eram os dirigentes do povo, especialmente os religiosos. Logo os servos são evidentemente os profetas e o filho do dono da vinha o próprio Jesus Cristo. Assim sendo, por meio desta parábola Jesus faz um apanhado histórico da reação dos líderes judeus à forma como os Senhor os tratava bem como se refere à sua própria pessoa rejeitada pelos judeus. 
           Observemos este texto para refletirmos se existencialmente nós também estamos ou não agindo em determinados momentos à semelhança daqueles homens de coração endurecido.


Jesus rejeitado pelos líderes judeus


I - Os judeus haviam sido acolhidos por Deus, v. 1.

           Neste texto encontramos mais uma vez a ilustração da vinha como representação do povo de Deus. No salmo 80, 9 está escrito: "Arrancaste uma vinha do Egito e para transplantá-la expulsaste as nações". O homem referido na parábola aponta para o próprio Deus. É dito que ele plantou uma vinha, exerceu o devido cuidado para com ela, mas houve a necessidade de ausentar-se, portanto arrendou-a. Aqueles que houviam a parábola não tinham dificuldade de compreender a linguagem utilizada por Jesus. A vinha tem como base as vides ou videiras, que são plantas lenhosas e, portanto, muito perduráveis de até 100 anos. Uma nova videira precisa de 3 a 4 anos para dar frutos. Por isso, segundo a lei (Lv 19, 23-25), os frutos dos três primeiros anos serão considerados como frutos de um incircunciso e os frutos do quarto ano serão entregues como primícias, como sagrados, numa festa de louvor a Jahweh. Então, era comum que os proprietários arredassem sua vinha ao cuidado de outros, no devido tempo, no quarto ano, cobrariam os seus frutos. Caso o proprietário não aparecesse legalmente a vinha passaria a ser dos arrendatários. 
           A ilustração da vinha nos faz refletir no cuidado divino, na bondade de Deus para com aquele povo. O Senhor lhes conferiu privilégio peculiares. Ao seu antepassado Abraão deu-lhe a promessa que dele surgiria uma grande nação e que nele seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12). Como é visto no livro de Êxodo, os colocou em uma boa terra, expulsando daquele região da palestina outras nações. Deu-lhes Sua lei para viverem em harmonia com Ele e uns com os outros (Ex 19 e 20). Em Ex. 19.5,6: "Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a terra é minha.E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo. Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel". E o Senhor esclarece que tudo isso é manifestação de Sua graça para com aquele povo: "O SENHOR não se afeiçoou a vocês, nem os escolheu por serem mais numerosos do que os outros povos, pois vocês eram o menor de todos. Mas foi porque o SENHOR amou-os e por causa do juramento que fez aos seus antepassados. Por isso, tirou-os com mão poderosa e redimiu-os da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito. Saibam, portanto, que o SENHOR, o seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel, que mantém a aliança e a bondade por mil gerações daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos." (Dt 7.7-9 NIV).
           Tantos benefícios da parte do senhor para com aquele povo poderia ser mencionado.
           Como igreja do Senhor podemos também testemunhar do cuidado divino em nossas vidas. Também fomos plantados espiritualmente em Cristo Jesus. "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de proriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamaou das trevas para a sua maravilhosa luz..." (1Pe 2.9). Também temos seu cuidado protetor, temos o Espírito Santo, temos Sua Palavra, que são as manifestações mais evidentes desse cuidado. 
           Individualmente acredito que cada um de nós podemos atestar o quanto o Senhor tem sido bom para conosco. Nos livrou da condenação eterna, purificou nossos pecados pelo sacrifício de seu único filho. Nos concedeu então esta nova vida em Sua presença.
           Que você possa perceber seu privilégio em Cristo, não de um modo soberbo, mas com humildade. Ele te escolheu, te redimiu, te deu uma nova vida e agora vives sob seu constante cuidado. 
           Mas vemos no texto que não apenas o Senhor acolheu aquele povo, mas que esse acolhimento se manifesta até mesmo nos momentos de desvios dele. Quando isto ocorria eram enviados os profetas.


II - Os judeus haviam sido advertidos por Deus, v. 2-5.

           Nos versículos 2 a 5 Jesus fala a respeito do triste fato de que por diversas vezes trataram com violência os profetas de Deus enviados a eles para repreenderem-nos pelos seus pecados. O Antigo Testamento é repleto de relatos dessa postura demoníaca dos líderes judeus. Lembremos que Elias teve que fugir por sua vida (1 Rs 19, 3). Temos Micaías que foi esbofeteado por um falso profeta chamado Zedequias (2 Cr 18, 23). Alguns dos profetas foram mortos à espada como vemos em 1Rs 19.14. Finalmente temos Zacarias que foi apedrejado no pátio do templo por ordem do rei Joás (2 Cr 24.21). O profeta Isaías foi outro que sofreu martírio. Segundo um livro “apócrifo” do século I DC, Vidas dos Profetas, escrito por um anônimo judeu da Palestina, o rei Manassés teria mandado serrar Isaías ao meio no ano 681 a.C. Evidentemente que essa informação não é inerrante, mas sabe-se que ele foi martirizado.
           Por que tanta resistência aos profetas? Porque em sua arrogância a liderança judaica bem como o povo em muitos momentos não queriam aceitar a correção divina. Os profetas eram enviados em momentos de desvios, de idolatria, de frieza espiritual, de injustiça social, de distanciamento da comunhão com o Deus que com eles estabelecera uma aliança. Por mais duras que fossem as palavras dos profetas era expressão do amor de Deus para com o seu povo. Jesus declara isto e condena a resistência deles em Lc 13.34: "Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir teus filhos como a galinha ajunta os de seus próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quiseste!".
           Que jamais em sua vida ao ser advertido pelo Senhor ponha barreira em seu coração para o que o Senhor está lhe falando. A repreensão às vezes pode ser dura, mas é o Senhor te acolhendo "debaixo de suas asas". Como diz o Salmo 91.4: "Cobrir-te-á com as sua penas, e, sob suas asas, estarás seguro; a sua verdade é pavês e escudo".
           O texto ainda nos revela algo muito triste sobre reação dos judeus, especialmente da liderança.


III - Os judeus rejeitaram o Filho de Deus, v. 6-12.

           Na parábola os lavradores tencionam e concretizam matar o último enviado, o prórpio filho do dono da vinha, uma vez que era ele o herdeiro, e morrendo o dono da vinha sem herdeiro eles poderiam se apropriar daquela vinha. Aqui Jesus já fala profeticamente sobre o que aconteceria com ele. E os fariseus e sacerdotes sabiam que jesus estava falando sobre eles como diz o versículo 12. Rejeitaram o Filho de Deus. 
           É bem verdade que tudo isso fazia parte do plano redentor do Senhor, como nos mostra 1 Pe 1.18-20: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós...". No entanto, em sua rejeição e malícia cometeram o ato infame de matar a Jesus e são responsáveis por sua maldade, conforme denuncia o apóstolo pedro em At 2. 23: "...sendo este entregue pelo determinado conselho de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos...". Mas Jesus deixa claro que a rejeição a ele não fica impune (v.9). A vinha seria passada a outros, ou seja, pessoas de outras nacionalidades teriam o privilégio de ouvir as boas novas de salvação. 
           Jesus deixa claro para eles citando o Salmo 118.22-23 que embora sendo rejeitado, ele seria a pedra angular, aquela que era mais importante da base nos prédios dos judeus, ilustrando com isso que sobre ele edificaria a sua igreja, como afirma em Mt 16.13-20, especialmente o v. 18: "Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela".
           Você, que pela graça do Senhor tem a oportunidade de ouvir a pregação do evangelho, não rejeite a Cristo, mas que possa recebê-lo em seu coração. Rejeitá-lo é um ato de iniquidade, é um desprezo à sua obra, é considerar como sem valor seu sofrimento, morte e ressurreição. 
           Finalmente meus irmãos, esse maravilhoso texto nos leva a algumas aplicações práticas para todos nós.


Conclusão

1. Deus te escolheu, te elegeu em Cristo, te salvou, te deu uma nova vida, tem cuidado de você diariamente com alimento espiritual, com livramentos das ciladas do inimigo. Ele tem te sustentado em Sua destra fiel. O cuidado dele em sua vida é algo permanente. Que você possa perceber isso em seu cotidiano. Que possa louvá-lo pela Sua bondade. Ele tem sido generoso para com você! Que haja então gratidão por todos os benefícios que Ele tem te proporcionado.

2. Às vezes você pode ouvir mensagens que batem fortemente em você! Que possa haver maturidade de sua parte e não pôr empecilhos para aceitar o que está sendo dito, mas que haja sempre a reflexão se o que está sendo pregado de algum modo se aplica a você! Perceba a longanimidade de Deus: sempre enviando profetas no A.T., e hoje também sempre lhe advertindo. Que sua postura não seja igual à dos líderes judeus, mas que haja arrependimento, quebrantamento.

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