Gênesis 1.1 - 2.3 A CRIAÇÃO

Introdução

           O relato da criação é um dos textos mais estudados das Escrituras. De igual modo também é um dos mais combatidos por aqueles que estão fora da comunidade de fé, de modo especial por cientistas e filósofos. Os mesmos por não acreditarem que Deus criou o mundo ficam com uma das três teorias a seguir:

1. A teoria da geração espontânea - A teoria da geração espontânea diz que o universo deu a luz a si mesmo. Não houve um criador nem uma causa primeira. Essa posição pode ser sintetizada na seguinte sentença: “Ninguém vezes nada é igual a tudo”. Se é impossível para nós ver uma casa sem pensar que um pedreiro a construiu. Muito mais estonteante é pensar que esse vasto universo surgiu espontaneamente.

2. A teoria da explosão (Big Bang) - A teoria do Big Bang diz que o universo surgiu de uma gigantesca explosão cósmica. A pergunta é: será que o caos pode gerar o cosmos? Será que a desordem pode gerar a ordem? Será que uma colossal explosão pode gerar um universo com leis, movimentos, harmonia e propósito? Precisaríamos mais fé para aceitarmos a teoria da explosão como origem do universo do que crer que, no princípio criou Deus os céus e a terra.

3. A teoria da evolução das espécies - Charles Darwin em 1859 lançou em Londres o livro Origem das Espécies. Esse livro tornou-se o credo de milhões de pessoas a partir do século dezenove. Hoje, ensina-se a evolução nas Escolas e Universidades como se essa teoria fosse uma verdade científica. Segundo Darwin o mundo é o produto de uma evolução de milhões e milhões de anos. Essa evolução é regida pela seleção das espécies, ou seja, a sobrevivência do mais apto. (Hernandes Dia Lopes)

           Entre teólogos também não foram poucos que objetaram a interpretação literal deste texto. Os mesmos então apresentaram formas deferentes de observar Gênesis 1. Seria então o relato da criação um mito que esteve presente na mentalidade das primeiras comunidades da antiguidade? Teria sido escrito por um teólogo que viveu no período de Salomão? Trata-se de um relato colocado em linguagem mitológica para melhor compreensão ou deve ser interpretado literalmente? Vejamos o próprio texto e analisemos o seu conteúdo.


I – NO PRINCÍPIO

           A Bíblia não inicia tentando provar a ‘existência divina’, aliás, em local algum das Escrituras há essa tentativa, ela inicia relatando Deus agindo, criando. A expressão “no princípio” denota o início do tempo, pois este princípio é antes de tudo o mais existir, como defende Agostinho, Deus cria o tempo quando inicia sua obra criadora. 
           Versículo 1 - Deus (Elohim). Muitas derivações têm sido sugeridas para esta palavra. Sua significação parece ser "aquele que deve ser reverenciado por excelência". O termo plural,  'elohim, é um plural de intensidade, algumas vezes chamado de plural de "majestade". 
           Versículo 2 - Sem forma e vazia. A expressão hebraica (tohu wabhohu) tem o sentido de desolação e vacuidade. Em Is 45.18, onde aparece o termo bohu não contradiz aquele significado e dá a entender que Deus não abandonou a terra que criou: "Não a criou vazia, mas formou-a para que fosse habitada". O caos era um meio, não um fim.
           A partir do momento da criação da luz começa a ser mencionado a separação temporal entre dia e noite (v. 3 - 5). A pergunta aqui a ser feita é: Esses dias devem ser interpretados literalmente ou se seria mais adequado entender como um tempo definido, mas não como o dia conforme medimos em suas 24 horas? Alguns entendem que pode ser interpretado como longos períodos de tempo, eras geológicas. Outros interpretam como dias literais. Berkhof prefere ficar com a posição da interpretação literal, utilizando os seguintes argumentos:
a) A palavra “yon” (dia) em seu sentido primário denota um dia natural. Uma boa regra de exegese é a interpretação literal, a não ser que o contexto exija outro tipo de interpretação.
b) O autor de Gênesis faz referência a “tarde e manhã”, o mais provável portanto, é que esteja se referindo a dias literais.
c) Em Ex 20.9-11 encontra-se a ordem para que Israel trabalhasse em seis dias e descansasse no sétimo, porque Jeová fez a terra em seis dias e descansou no sétimo. Em ambos os casos a palavra “dia” deve ser entendida literalmente.
d) Os últimos três dias certamente foram dias comuns, no entanto podemos supor que os dias anteriores possam ser um período de tempo relativo ao dia literal. (Berkhof, 1996).


II – A CRIAÇÃO DO HOMEM 


           Façamos o homem (versículo 26). A criação do homem é o apogeu da obra criadora de Deus. É a Trindade quem delibera, sem qualquer intervenção ou consulta feita aos anjos. À nossa imagem, conforme à nossa semelhança (v. 26).
           O ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus. Mas o que significa isso de fato? 
           Ser imagem e semelhança de Deus tem basicamente três significados: 
a) O homem foi criado em retidão e verdadeira santidade; 
b) consiste em imortalidade; e 
c) o ser humano foi criado dotado de inteligência, razão e afeições. 
           Todas as pessoas são imagem e semelhança de Deus? As palavras traduzidas por “imagem” e “semelhança” têm o mesmo sentido, e diz respeito ao ser humano completo com todas as suas características essenciais. Trata-se duma semelhança natural e moral. Todo e qualquer ser humano é imagem e semelhança de Deus, desse modo, tratar um ser humano como não humano é uma ofensa ao seu Criador. Obviamente no atual estado da humanidade esta imagem encontra-se nublada pelo pecado. 


III – O DIA SÉTIMO E SEU SENTIDO EXISTENCIAL 

           E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou (Gn 2.3). Em presença deste texto somos levados a concluir que a instituição do sábado é anterior a Moisés, talvez motivo duma revelação especial. É possível que antes de Moisés já houvesse o conceito de um dia semanal de descanso.
           A reflexão para nós aqui é acerca da necessidade humana de descanso como algo sagrado. No Novo Testamento o dia adotado para este “descanso” passa a ser o domingo por ter sido o dia da ressurreição de Jesus, e a igreja passa a entender que é um dia para o serviço ao Senhor, descanso das coisas temporais e efêmeras para servir ao Senhor em adoração.


Conclusão

          Lembremos que a posição criacionista da origem do mundo e da vida não é algo irracional, pelo contrário, embora baseada na fé, é explicada racionalmente. A bem da verdade, também é necessário fé para acreditar na teoria evolucionista e na teoria do Big Bang, afinal são apenas teorias e temos sim o direito de criticar a posição intolerante de alguns cientistas quanto ao criacionismo.
            Deus criou os céus e a terra. A vida não se esgota no imanente. 
           O autor aos Hebreus já nos ensina: "A fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. Pois foi por meio dela que os antigos receberam bom testemunho. Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que aquilo se vê não foi feito do que é visível" (Hebreus 11.1-3).
        Não se apegue às coisas visíveis ou às temporais, seja o conhecimento, seja o dinheiro, seja a felicidade. Elas passam. O que é eterno é invisível. É o que vale.

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