Marcos 11.15-19 - Jesus condena o templo

Marcos 11.15-19


Introdução

           "Porque escolhi e santifiquei esta casa, para que nela esteja o meu nome perpetuamente; nela, estarão fixos os meus olhos e o meu coração todos os dias" (2 Cr 7.16). 
           Deus tem um imenso zelo pela santidade do Seu nome: Mt 6:9: "Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome".
           A primeira petição que Jesus nos ensina é para que o nome de Deus seja santificado! Santificado é o oposto de profano, impuro ou comum.
           Esse zelo pela santidade do nome de Deus deve ser alicerce de qualquer cristão – que o ‘nome’, ou seja, o caráter de Deus seja santificado, separado entre todos os povos.
           Is. 48:9-11 "Por amor do meu próprio nome eu adio a minha ira; por amor de meu louvor eu a contive, para que você não fosse eliminado. Veja, eu refinei você, embora não como prata; eu o provei na fornalha da aflição. Por amor de mim mesmo, por amor de mim mesmo, eu faço isso. Como posso permitir que eu mesmo seja difamado? Não darei minha glória a nenhum outro". (NVI). O zelo pela santidade do seu nome deve ser a marca da Igreja de Cristo!
           Essa história em Marcos 11 nos mostra o zelo de Jesus pelas coisas de Deus. O zelo de Cristo pela santificação do nome de Deus é tanta, que o lugar, ou a nação, ou a pessoa que professa ter os frutos de justiça de Deus, mas na verdade não produz nenhum fruto e acaba por profanar o nome de Deus, é condenada e amaldiçoada por Jesus!
           Como você se sente ao ver a santidade de Deus sendo profanada?
           Como você reage para com a corrupção na adoração verdadeira a Deus?


Elucidação

           Jesus havia finalmente em sua caminhada ministerial chegado à Jerusalém (11.1-11). Em sua chegada foi bastante aclamado pelo povo, tanto os habitantes de Jerusalém quanto os visitantes que estavam lá para a festa de páscoa, gritaram Hosana (que significa 'ajuda-nos'). Era uma multidão composta especialmente por mulheres e crianças. Jesus chega em simplicidade, montado sobre um jumentinho, estava para demonstrar que o seu reino ao contrário das expectativas daqueles que o aclamavam não era um reino terreno, portanto, ele não chega à cidade como os reis e conquistares de sua época, que montavam o melhor cavalo que possuíam. Sua intenção é ir ao Templo, e diz o v. 11 que ele em sua visita apenas observou o que ali acontecia, pois o horário já era impróprio para qualquer pregação. Em um outro momento Jesus retorna ao Templo, agora com tempo disponível, e resoluto a fazer quanto o que tinha de fazer naquele local. Fica, portanto, manifesto neste texto o quanto o Senhor é zeloso para aquilo que foi consagrado à adoração à Deus.

Jesus condena o templo


I. A atividade de Jesus no tempo, v. 15, 16.

           Havia com certeza uma expectativa que envolvia a pessoa de Jesus de Nazaré em sua chegada ao templo. A atitude de Jesus expressa toda sua indignação com tudo o que estava ocorrendo naquele local sagrado. Diz o texto que havia um comércio estabelecido. Era uma verdadeira feira. Naquela época do ano realmente era necessário a venda de animais para o sacrifício no templo. A condenação de Jesus não está necessariamente no comércio em sim, mas no local onde estava sendo realizado, uma parte do templo conhecida como Pátio dos Gentios. O problema é que tudo estava sendo realizado no Templo, local santo ao Senhor. 
           Jesus condena a atitude daqueles que vendiam, embora houvesse uma exploração no preço, sem dúvida, a condenação de Jesus tem foco neste momento não a exploração, mas a profanação ali realizada por aqueles que vendiam. Mas Jesus condena também a atitude passiva daqueles que compravam, eram igualmente culpados de profanação, de desrespeito para com o Templo.
           Havia também os cambistas que faziam a troca do dinheiro para que pudessem está pagando o imposto requerido em Êx 30.11-16, igualmente condenados aqui por Jesus.  
v. 16 "Não permitia que alguém conduzisse qualquer utensílio pelo templo..." 
           Expulsar as pessoas, derrubar mesas e proibir as pessoas de carregarem utensílios pelo templo são ações de condenação e não de purificação! Toda essa ação de Jesus traz significado de necessidade de transformação de todo esse contexto religioso judaico.
“As ações de Jesus são intencionalmente simbólicas. Como os profetas do A.T., Ele faz um gesto dramático encenando a rejeição de Deus para com o Templo. Ele ataca os alicerces de operação do templo: as contribuições e os sacrifícios. Se dinheiro não pode ser mais trocado pela santa moeda (aceita pelo Templo), então o apoio financeiro para os sacrifícios do Templo e o sacerdócio devem terminar. Se os animais para sacrifício não podem ser comprados, então o sistema sacrificial deve acabar. Se nenhuma mercadoria pode ser carregada pelo Templo, então a atividade de culto deve cessar.” (Zondervan Illustrated Bible Background Commentary – Mark, pg.271)
           Embora ele esteja declarando que esse sistema sacrifial chegou ao seu fim, também está se levantando contra essa situação de desrespeito, de falta de reverência para com a casa de oração que deveria ser aquele local. Jesus estava furioso sim, é difícil para algumas pessoas imaginar Jesus derrubando mesas, gritando, expressando raiva. No relato de João é dito que ele até utilizou-se de um "azorrague de cordas", e lá explica que os discípulos compreenderam que ele estava vivendo o cumprimento do Sl 69.9: "Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias do que te ultrajam caem sobre mim".
           E quanto a você meu irmão(ã), qual tem sido o seu zelo pela casa de Deus, pelo Seu reino, pela Sua obra?


II. A justificativa de Jesus, v. 17.

           Jesus os ensinava. Agora todos os olhos estavam postos nele. E o que ele faz? Começa a ensinar. E como ele ensina? Expõe a Palava de Deus. Ele não produz um discurso filosófico belo, ele expõe a Palavra citando Isaías 56.7 e Jr 7.11. Isso traz uma reflexão para nós: a casa de Deus é local de exposição da Palavra de Deus. Se uma igreja ou um líder substitui isso por qualquer outra coisa estará agindo tão malignamente como os judeus enfrentados por Jesus. A igreja precisa é de ensino claro e desafiador das Escrituras.
           Jesus explica que eles abandonaram o sentido de estarem ali, macularam a santidade daquela casa. Esqueceram que ali era um local de oração, de busca ao Senhor, de comunhão com Deus. "Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar" (2 Cr 7.15). No entanto, transformaram o Templo em covil de ladrões. O covil de ladrões eram locais onde eles se escondiam para não ser achados e também aguardarem o momento oportuno de atacar a próxima vítima. O Templo, assim como aquela figueira (11:12-14), tinha uma grande beleza externa, aparentava saúde e prometia vida, mas por dentro estava todo podre! Não havia frutos de santidade e justiça, apenas cobiça e hipocrisia! Essa era a realidade dos religiosos judeus, principalmente a liderança, incluindo a liderança sacerdotal do templo. Os sacerdotes ganhavam um lucro das vendas e ganhavam para que os cambistas se instalassem no Templo, as pessoas eram obrigadas a trocarem dinheiro no templo e os animais que eram muito mais baratos em outros lugares eram vendidos por altíssimos preços – uma verdadeira ladroagem!
           Em nossos dias não é tão diferente: há o comércio dos templos, há os líderes ávidos por engordar sua conta bancária, há uma falta de respeito por aquilo que deveria ser tido como santo, que é o local consagrado à adoração à Deus. Mas a verdade é que muitos desses lugares nem mesmo são consagrados à Deus, mas a mamon, expressão utilizada para uma personificação da riqueza. 


III. A reação dos sacerdotes, 18-19.

Esses principais sacerdotes era um grupo de cerca de duzentos homens, estando apenas sob o sumo sacerdote; eram eles quem cuidavam do templo. Jesus já havia dito acerca deles que estariam envolvidos em sua morte (8.31). 
           Diante daquilo tudo que estava acontecendo eles queriam ver Jesus morto, não pararam para examinar se Jesus estava certo. É sempre perigoso se levantar para defender a integridade da santidade de Deus, mas ai daquele que não se levanta, que permite as deturpações no meio da igreja do Senhor.
           Os sacerdotes não aceitaram serem confrontados com a verdade. E você, como se sente quando é confrontado com a verdade? Espero que não haja em você indignação, como houve naqueles sacerdotes, quando alguém lhe mostrar o quanto está em erro.
            O desafio profético de Jesus custou-lhe a própria vida. Independentemente de como as pessoas irão reagir não podemos nos calar. 
           Depois desses eventos, em pouco tempo Jesus seria preso e morto. O sacrifício perfeito foi ofertado e inicia-se um novo tempo no qual adoração não mais é feita pelo Templo, mas pela cruz. Pois é apenas pela cruz de Jesus que há verdadeira adoração, salvação, libertação e expiação. Por causa da Cruz daquele que aboliu o sistema sacrificial judaico no Templo nos tornamos nós mesmos templo de Deus: "Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Co 3.16). E assim como Jesus se levantou contra os sacerdotes, o Senhor zela por aqueles que lhes pertence, por isso o texto de 1 Coríntios continua no v. 17: "Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado".


Aplicações

           A igreja atual em muito se assemelha ao estado do templo e da religião judaica!
           As igrejas hoje em dia são indústrias de dinheiro e marketing.
           O uso das igrejas para a promoção de: CDs, livros, shows de música, venda de diversos tipos de Bíblia, venda de óleos para unção, venda de água que liberta, pedaço de pano que cura... está sob a direta condenação trazida por Jesus.
“Qualquer igreja ou ministério que tenta tirar vantagem da presença de Deus para ter lucros e construir um império financeiro está sob o julgamento de Jesus.” (Zondervan Illustrated Bible Background Commentary – Mark, pg.271)
           Hoje as pessoas fazem os maiores absurdos com dinheiro e acham que podem encontrar proteção na igreja! Cuidado com esses ladrões travestidos de "apóstolos", "bispos", "missionários" e "pastores", todos em busca do lucro financeiro.
I Pe 4:7,17 - "Ora, fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações. 17 - Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?"


Conclusão

1 - Uma vez que nós somos o Templo de Deus (I Co 6:19), se Jesus nos visitar como Ele visitou o Templo e como Ele visita as igrejas em Apocalipse, o que Ele vai encontrar?
           O que Jesus viria em você (o templo de Deus)?
* a mesma cobiça por lucro e mais lucro?
* a mesma hipocrisia dos líderes religiosos em apenas aparentar uma coisa?
* um covil de ladrões?
* falta de zelo pela santidade de Deus?
* uma casa de oração?
* uma figueira com frutos?

2 – Zelo pelas coisas do Reino de Deus: somos chamados a seguirmos o exemplo do Senhor, cujo nome é Zeloso (Ex 34:14). Sigamos o exemplo de Jesus.
           Temos que ser zelosos por adoração genuína = bíblica!
           Quando você tem uma visão limitada de Deus, você age de uma forma que mostra que as coisas do Senhor não são santas.
           Os judeus perderam o entendimento da santidade de Deus. A santidade de Deus é algo que deve gerar um grande temor em todas as pessoas. Mas devido à perda de zelo pela santidade de Deus, os judeus se comportavam como se não havia problema no que faziam. O mesmo ocorreu na igreja Católica Romana (na época Medieval) e o mesmo ocorre com a igreja atual.
           O grande problema da falta de temor pela santidade afeta o que é mais essencial para o homem: ADORAÇÃO!
           Eles perderam o temor pela santidade de Deus e como conseqüência eles tinham uma adoração vazia – nada além de folhas!
           Que o zelo pelas coisas de Deus nos consuma de forma geral:
· Zelosos pela santidade de Deus nos nossos casamentos – no modo como tratamos nossos maridos e esposas;
· Zelosos pela santidade de Deus no modo de educar nossos filhos – zelo para que eles sejam doutrinados diariamente pela Palavra de Deus;
· Zelosos pela santidade de Deus nos nossos trabalhos e divertimentos – prestaríamos maior atenção nos filmes e programas que assistimos;
· Zelosos pela santidade de Deus na igreja – já nos prepararíamos no sábado para o culto de domingo; domingo seria verdadeiramente o Dia do Senhor.
           Que o Senhor nos conceda graça para sermos zelosos e não legalistas; falarmos a verdade, mas em amor; criticar o errado, mas fazer o certo; condenar as falsas doutrinas, mas viver a sã doutrina – tudo isso só é possível através da misericórdia de Deus!



RYLE, J. C. - Meditações no evangelho de Marcos. Editora Fiel, 2 edição, São Paulo, 2007, p. 133.
POHL, Adolf - O Evangelho de Marcos, Comentário Esperança. Editora Evangélica Esperança, Curitiba, PR, 1ª edição, 1998.
DAVIS, John D. – Dicionário da Bíblia.  Rio de Janeiro – RJ, editoras Candeia e JUERP, 20ª edição, 1996.
(Zondervan Illustrated Bible Background Commentary – Mark, pg.271).

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