1 Pedro 5.1-4

Introdução: Leitura de Ef. 4.17 – 5.2 – Nosso alvo como pastores é que a igreja esteja vivendo em santidade, a unidade que nós abordamos ontem é um aspcto dessa vida santa. Hoje gostaríamos de refletir sobre nossas vidas levando em conta nosso processo na santificação, ressaltando como isso se expressa no desenvolvimento de nosso ministério. Portanto, devemos ser pastores preocupados com nossa própria vida espiritual e com a santidade da igreja do Senhor.

Elucidação: Pedro se dirige especificamente aos que têm responsabilidades especiais na Igreja. A prova ardente que sobrevirá à Igreja faz que se torne mais necessária ainda a fidelidade no ofício pastoral. A palavra realmente é "presbítero", dando-nos assim um vislumbre da organização simples da primitiva Igreja, copiada do sistema de vida das vilas, e dos costumes da sinagoga judaica. O termo "ancião" ou "presbítero" era permutável com "bispo" ou "supervisor". Note-se que Pedro não assume nenhuma superioridade eclesiástica, mas com profunda humildade nivela-se àqueles a quem está exortando. Aqui temos uma preciosa instrução de como devemos exercer nossos ministérios diante do Senhor, de como devemos ser enquanto pastores.

PASTORES COMPROMETIDOS COM A SANTIDADE DA IGREJA

I – SÃO PASTORES QUE DE FATO PASTOREIAM, V. 1 – 2.
Pedro usa o verbo poimanate “pastorear” este verbo é um imperativo aoristo ativo. A idéia é de um pastoreado feito de forma completa, plena e ativa.
           A atitude de um pastor em relação a sua ovelha é de proteção e cuidado. O próprio Davi em certas ocasiões lutava com animais selvagens para não deixar que nenhuma de suas ovelhas se perdesse. Era costume em Israel que, mesmo quando uma ovelha não pudesse ser salva das feras, o pastor deveria trazer um pedaço dela para mostrar que lutou por sua ovelha.
           Vivemos em uma época de grande ativismo. Os pastores muitas vezes são lembrados pelo o que fazem ou deixam de fazer. Em resposta a essa realidade muitos colegas preocupam-se em apresentar resultados de seu serviço. Então o que às vezes é uma sobrecarga de atividades. E o pastor se ver rodeado por muitas tarefas ao ponto de se ficar esquecido os pilares básicos do ministério pastoral. Você não é apenas um administrador de igreja, nem é um profissional de eventos evangélicos, você foi chamado par cuidar de vidas, e isto você tem de realizar por três vias principais.
a) Pregação da Palavra.
Nada no ministério é tão fundamental, tão básico e tão necessário. Se quisermos uma igreja madura temos de nos preocupar de modo especial com a qualidade de nossas mensagens. Lembre-se de 2 Tm 2.15: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”. Para tanto, você deve estudar constantemente a Palavra. Manejar bem a Palavra da verdade é não deturpá-la. É necessário que o obreiro tenha a humilde de reconhecer que precisa sempre aprender mais e ser diligente na busca pelo conhecimento bíblico.
           Você deve pregar a Palavra corajosamente, 2 Tm 4.1-5:
                    Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino,
Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.
Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;
E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.
Mas tu, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu
ministério.
           que você tenha a coragem e fidelidade ao Senhor para não se vender e deixar de pregar aquilo que o povo precisa ouvir. Todos poderemos ser tentados ao relaxamento ou a aderir ao um tipo de mensagem que conquiste a massa.  Que todos nós sempre possamos fazer coro com o apóstolo Paulo que não deturpou o evangelho para agradar a nenhum grupo, 1 Co 1.22-23 diz: “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”.

b) Oração.
Quando houve aquele problema na igreja primitiva entre os helenistas e os hebreus no capítulo 6 de Atos, os apóstolos enfatizaram que o ministério deles constituía-se na oração e na pregação da Palavra. A pregação da palavra é sempre lembrada, mas atualmente muitos de nós não vemos a oração como algo constitutivo do nosso ministério. É necessário despertarmos e entendermos que a oração é um dever pastoral. Como você pode se preocupar com a santidade da igreja, incentivá-la a orar se você mesmo tem sido negligente quanto á oração.
c) Formação discipular.
Somos chamados a fazer discípulos como nos é dito na grande comissão. Você só poderá fazer discípulos reais e verdadeiros se você estiver cuidando de suas ovelhas. Você tem de pastoreá-las de fato, conhecer suas necessidades, seus problemas, seus sofrimentos, suas alegrias, suas dificuldades espirituais. Temos que nos aproximar mais de nossas ovelhas, somos nós que temos de cuidar delas, não os pastores multimídias.
           As Escrituras descrevem o cuidado que os presbíteros devem ter pelo Rebanho de Deus:
                     Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue.  29 Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos vorazes, que não pouparão o rebanho.  30 E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.  31 Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um. Atos 20. 28-31
           Pastores que da fato pastoreiam com certeza também serão pastores que trabalham com uma motivação correta.

II – SÃO PASTORES BEM INTENCIONADOS, V. 2b -3a.
O texto nos dá informações antitéticas, ou seja, proibições seguidas da maneira correta de ser portar.
           A primeira informação: me. avnagkastôs não por constrangimento, necessidade, forçado.Mas, (conjunção hiperordenativa) “e`kousiosvoluntariamente.
           A segunda informação: mede. aiscrokerdws não porém, por ganho vergonhoso”. Mas, (conjunção hiperordenativa) protu,mws prontamente, zelosamente”. A palavra é extremamente forte e expressa entusiasmo e zelo devotado.
A terceira informação: med ôs katakurieu,ontes to/n kle,ron nem como dominadores dos que vos foram confiados” . Mas, (conjunção hiperodenativa) vos tornando modelos do rebanho. O verbo tornar no original é um particípio com sentido imperativo presente, ou seja, é uma ordem que Pedro dá aos presbíteros e esta ordem precisa ser obedecida de forma constante.
           Pastores que se preocupam com a santidade da igreja, que são bem intencionados trabalham com coração voluntário entendendo sempre sua missão, sua vocação. Tais pastores também entenderão que o que deve motivá-lo não são as vantagens pecuniárias decorridas do ministério. John Piper escreveu um livro com um titulo bastante elucidativo: “Irmãos, nós não somos profissionais”, ele comenta:
                    Nós, pastores, estamos sendo massacrados pela profissionalização do ministério pastoral. A mentalidade do profissional não é a mentalidade do profeta. Não é a mentalidade do escravo de Cristo. O profissionalismo não tem nada que ver com a essência e o cerne do ministério cristão. Quanto mais profissionais desejamos ser, mais morte espiritual deixaremos em nosso rastro. Pois não existe a versão profissional do “tornar-se como criança” (Mt 18.3); não existe compassividade profissional (Ef 4.32); não existem anseios profissionais por Deus (Sl 42.1).
           Também é dito que não devemos ser dominadores déspotas, a igreja não é nossa propriedade, devemos sim viver uma vida de santidade de tal modo que possamos ser modelo para o nosso rebanho. É maravilhoso quando um pastor, como é dito em 2 Tm 2.15, não tem de que se envergonhar.
           Meus irmãos, aqui está um dos pontos mais difíceis e importantes para o fiel exercício do ministério. Devemos nos lembrar sempre o quanto somos pecadores para estejamos cientes que na verdade não é tão fácil assim ser um exemplo para as ovelhas. O pastor de certa forma será molde de seu rebanho. Até certo ponto é correto afirmar que a igreja é reflexo de seu pastor. Isso porque será influenciada grandemente pelo comportamento do líder. Pastor descompromissado e relapso na vida espiritual gera ovelhas à sua semelhança. Pastor preocupado com a espiritualidade e a obediência verdadeira influenciará a igreja neste sentido. A igreja não está apenas atenta ao que é pregado no púlpito, ela observa toda a vida de seu pastor.
           Deus exige muito de nós meus queridos, as devemos também lembrar que seremos recompensados, e algo mais a ser dito sobre os pastores que se preocupam com santidade da igreja do Senhor.

III – SÃO PASTORES QUE NÃO ESPERAM SUA RECOMPENSA NESTE MUNDO, V. 4.
Pedro usou o adjetivo amara,ntinon imarcescível” - a idéia deste adjetivo é relativa a uma flor de amaranto, assim chamada por que nunca murcha ou seca e, quando cortada, revive ao ser molhada com água; assim, é o símbolo da perpetuidade e imortalidade. Mãos hábeis formavam uma coroa feita dessas flores, e a coroa era dada ao vitorioso como prova de sua glória. Receberemos nossa recompensa meus amados, ela será perpétua, não perderá seu brilho, não murchará. Quando Cristo vier, Sua glória se revelará (veja-se o vers. 1, acima: “ainda coparticipante da glória que há de ser revelada). O prêmio do subpastor fiel e humilde é ser participante da glória e gozo do seu Senhor.

Aplicação: 1 - Deus vocaciona homens para diferentes funções, a uns Ele vocacionou para tomar contas dos seus santos. Estes homens precisam tomar contas do rebanho de Deus com zelo, com boa vontade e sendo modelo para os santos.
2. Quanto tempo você gasta na preparação de seus sermões? Você tem orado por suas ovelhas? Você tem investido no discipulado pessoal, tem visitado suas ovelhas, tem buscado se aproximar delas, ou elas encontram uma barreira entre elas e você?
3. Entenda que ser exemplo não é passar uma imagem de super crente, não tenha receio de a igreja lhe ver como alguém também passível de queda espiritual, pois essa é sua realidade, a Palavra diz que aquele que está de pé deve ter cuidado para não cair.
4. O presbítero (ou pastor) precisa tomar cuidado para que não se orgulhe. O conhecimento é dado para o serviço e não para autopromoção.
5. O presbítero deve entender que irá prestar contas do rebanho confiado ao Supremo Pastor. Quantos não irão se sentirem envergonhados naquele dia? Mas, também, outros se regozijarão por ter cumprido fielmente seu ministério.
6. Trabalhe para o Senhor não por alguma recompensa que você possa ter neste mundo. Atrevo-me a dizer ainda que sua motivação nem mesmo deve ser a recompensa eterna, trabalhe com fidelidade simplesmente porque o Senhor é digno de sua fidelidade. Trabalhe por amor ao Senhor e à Sua igreja. Trabalhe para que a igreja viva crescendo em obediência diante daquele que é tudo em todos.

Conclusão: Se você realmente quer ver a igreja vivendo em santidade, você será um pastor segundo o coração de Deus.
          Você ama a Cristo? Pastorei o seu rebanho.
Amém!
A Deus toda a Gloria!

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