Tiago 1.9-11

Introdução: para que nós possamos entender bem este texto é necessário que lembremos do contexto que aqueles irmãos viviam. Era um contexto de provação, como ele mesmo coloca no v. 2. Alguns daqueles irmãos então estavam sendo provados de modos bem diferenciados uns dos outros. Alguns a prova de sua fé vinham pela escacês material. A outros vinha justamente pela abundância daquilo que é material.
           Diante dos dois contextos Tiago coloca que ambas as classes, ricos e pobres deveriam gloriar-se no Senhor.

Tema: GLORIANDO-SE NO SENHOR

I - A RAZÃO DE GLORIAR-NOS TRANCENDE O QUE TEMOS, V. 9.

Qual o sentido do que Tiago diz neste versículo? Primeiro é necessário que afirmemos que a pobreza em si não constitui nenhuma virtude. Há aqueles que na história da igreja em determinadas épocas viveram uma renúncia a todo aspecto material da vida como se a pobreza fosse uma virtude. A Bíblia não dá esse respaldo. Há aqueles também que utilizando de um pensamento teológico conhecido como Teologia da Libertação chegaram a insinuar essa virtude na pobreza e que Deus é apenas o Deus de libertação para o pobre. É bem verdade que o Senhor se revela na Palavra como o Deus que socorre o oprimido e necessitado, o Deus que cuida das viúvas e dos órfãos, o Deus que liberta da opressão como libertou o povo da escravidão do Egito. Mas também se revela como o Deus que enriquece e dá prosperidade.    O problema não está em ser ou não rico. Não existe problema nenhum em possuir dinheiro, o problema está em ser possuído por ele. A riqueza pode ser uma benção. Davi disse que as riquezas e glorias vem de Deus [I Cr 29.12].  Moises disse que é Deus quem nos da sabedoria para adquirir riquezas [Dt 8.18].  Salomão, além de adquirir sabedoria, Deus também lhe deu riquezas, mesmo que ele não as tenha pedido [I Rs 3.12-13]. A raiz de todos os males, não é o dinheiro, e sim o amor ao dinheiro [I Tm 6.10].
           O que Tiago faz literalmente é espiritualizar nossa condição socioeconômica e dizendo-nos que independente de qualquer carência material temos um motivo de nos gloriar-nos, que é justamente a nossa condição em Cristo (Fp 3.1-21). Observemos um poço este texto:
a) é dito que havia pessoas que só se preocupavam com as coisas terrenas, portanto, adoravam a si mesmas não ao Senhor e a gloria deles seria manifesta em sua infâmia. A esses o destino deles era a perdição, v. 19;
b) essas pessoas estavam na igreja, mas eram inimigas da cruz de Cristo, logo não eram salvas, v. 18;
c) em contraste a essas pessoas nos gloriamos não pelo o que temos, mas porque nossa pátria está nos céus, além de termos nossa identidade civil nesta vida, somos cidadãos celestiais, e isso é razão mais do que suficiente para que nos orgulhemos em sermos de Cristo, v. 20.
           Mas aquele que está em necessidade material tem sua fé provada justamente porque tal circunstância pode levar-lhe a desconfiar da bondade de Deus e de sua providência.
Tiago inicia falando aos irmãos sobre em que devem se gloriar. Onde deve estar o pensamento, o coração daqueles que são verdadeiros cristãos. Em outras palavras Tiago está dizendo: - O pobre deve gloriar-se no que tem permanente no céu, e o rico deve gloriar-se no que não tem na terra.
Quando Tiago diz ao pobre para se gloriar no que ele tem no céu, Tiago está simplesmente, reafirmando um ensinamento clássico de Jesus no sermão do monte.
Mateus 6.19-21
V19 “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam”
           Assim como Jesus, Tiago estava ensinando que devemos ter nossas mentes, e vidas, voltadas para o céu e não para as coisas desta terra. Jesus está ensinando com grande excelência o porquê não devemos ajuntar tesouros na terra: Porque são passageiros, momentâneos, falíveis, corruptíveis. Jesus cita que os tesouros desta terra podem ser facilmente alcançados por ferrugem e traças. E o que isso significa? Que elas têm o poder de consumir, desbotar, corroer, estragar, ou seja, a ferrugem deixa marcas, deforma os objetos tirando-as do seu estado original, fazendo com que o mesmo perca o sentido. Essa ferrugem é algo que faz toda riqueza perder o sentido, a graça, tornando-a insaciável no seu desejo de adquirir cada vez mais. Jesus descreve que os tesouros deste mundo não podem nos satisfazer por completo. Pois é facilmente corrompido. Jesus também diz que os ladrões roubam. Com isso Jesus quer mostrar a fragilidade dos tesouros desta terra.
V20 “Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam
          Jesus ensina que nós devemos nos preocupar com as riquezas celestiais, pois essas são eternas e impenetráveis a qualquer tipo de ferrugem e corrosão. [I Pe 1.4 ]. Devemos viver então “não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Co 4.18).
V21 “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”
           Se nossa mente estiver apenas nas coisas terrenas então, com toda certeza nós somos mundanos, e somos pobres e miseráveis nas regiões celestiais.

          E quantos aos ricos, que significa a observação feita por Tiago?


II – A RAZÃO DE GLORIAR-NOS NA HUMILHAÇÃO DO QUE SOMOS, V. 10-11.

Se formos ricos devemos nos orgulhar no que? No fato de Deus o ter abençoado com tantas posses e tantas vitórias na vida material? Não! Mas na nossa humilhação. Porque a riqueza é enganadora, ela dá uma falsa sensação de segurança a ponto de a pessoa substituir Deus por ela. Paulo aconselha Timóteo: “Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, afim de se apoderarem da verdadeira vida”. Era justamente aqui que consistia a provação para aqueles irmãos ricos. Pois os ricos são justamente tentados a confiar em si mesmos e na riqueza.
           Mas afinal em que consiste a humilhação na qual os ricos devem se gloriar? Consiste no fato de sua transitoriedade, consiste em sua insignificância em ser mortal, do inescapável fato da morte (v. 10) e do fato que tudo está nas mãos do Senhor e que Ele pode fazer dissipar sua prosperidade material (v. 11). Logo, ele não deve se sentir altossuficiente, mas a despeito do que tem entender sua dependência do Senhor (4.13-17).


Aplicação: 1. Independentemente de qualquer situação financeira nunca deixe de confiar no cuidado divino.

2. Busque a sabedoria de Deus para que você possa dizer juntamente com o Apóstolo Paulo: “... aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado...” (Fp 4.11b-12a).

3. Se você é jovem, não se esqueça de valorizar as oportunidades que Deus tem lhe dado, oportunidades que talvez seus pais não tenham tido. Portanto, estude, trabalhe para ter uma boa condição financeira, sabendo que isso é bênção do senhor, mas nunca coloque seu coração de uma forma idólatra no dinheiro.

4. Nunca esqueçam que devemos viver na perspectiva da eternidade, ainda que você venha a ouvir muitas vezes o contrário, pois o apelo ao materialismo em nossos dias é muito grande, busque uma vida simples em comunhão com o Senhor.


Conclusão: Escreveu Santo Agostinho, um dos mais célebres pais da Igreja: "A pobreza é o fardo de alguns e a riqueza é o fardo de outros e, talvez, o maior. Fardos que podem pesar-lhes para a perdição. Ajuda teu próximo a levar seu fardo de pobreza e deixa que ele te ajude a levares teu fardo de riqueza. Aliviarás tua carga aliviando a dele".




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