Rm 1.18 – 2.29



A IRA DE DEUS CONTRA O PECADO DA HUMANIDADE


INTRODUÇÃO: 1. O significado de ira de Deus.
                             É triste ver tantos cristãos professos que parecem considerar a ira de Deus como uma coisa pela qual eles precisam pedir desculpas, ou, pelo menos, parece que gostariam que não existisse tal coisa. Conquanto alguns não fossem longe o bastante para admitir abertamente que a considera uma mancha no caráter divino, contudo, estão longe de vê-la com bons olhos, não gostam de pensar nisso e dificilmente a ouvem mencionada sem que surja em seus corações um ressentimento contra essa idéia. Mesmo dentre os mais sóbrios em sua maneira de julgar, não poucos parecem imaginar que há na questão da ira de Deus uma severidade terrificante demais para propiciar um tema para consideração proveitosa. Outros dão abrigo ao erro de pensar que a ira de Deus não é coerente com a Sua bondade, e assim procuram bani-la dos seus pensamentos.
                            Pois bem, a ira de Deus é uma perfeição divina tanto como a sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericórdia. Só pode ser assim, pois não há mácula alguma, nem o mais ligeiro defeito no caráter de Deus, porém, haveria, se Nele não houvesse "ira"! A indiferença para com o pecado é uma nódoa moral, e aquele que não odeia é um leproso moral. Como poderia Aquele que é a soma de toda a excelência olhar com igual satisfação para a virtude e o vício, para a sabedoria e a estultícia? Como poderia Aquele que é infinitamente santo ficar indiferente ao pecado e negar-Se a manifestar a Sua "severidade” (Rm.11:22) para com ele? Como poderia Aquele que só tem prazer no que é puro e nobre, deixar de detestar e de odiar o que é impuro e vil?

                             2. O significado de justiça de Deus em 1.17.
                             John Stott em seu comentário à epístola de Romanos vai dizer que: “é a iniciativa justa tomada por Deus ao justificar os pecadores consigo mesmo, concedendo-lhes uma justiça que não lhes pertence, mas que vem do próprio Deus. ‘A justiça de Deus’ é a justificação justa do injusto, sua maneira justa de declarar justo o injusto, através da qual ele demonstra sua justiça e, ao mesmo tempo, nos confere justiça. Ele o fez através de Cristo, o justo, que morreu pelos injustos, como Paulo explica mais adiante. E ele o faz pela fé quando confiamos nele, clamando a ele por misericórdia.”


I – A IRA DE DEUS CONTRA AQUELES QUE O DESPREZA, 1.18-32.
              1. Pessoas que desprezam a Revelação Divina, 1.18-27.
               O apóstolo Paulo trata aqui do fato que o Senhor concedeu a todo gênero humano um testemunho de si mesmo. Esse testemunho é chamado de revelação natural, pois é perceptível na criação, na natureza, como coloca o salmista Davi no Salmo 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” O que Paulo está dizendo é que os gentios são indesculpáveis diante de Deus em não reconhecer que há um Deus criador, todo-poderoso e digno de adoração. Evidentemente essa revelação na natureza não é útil para o conhecimento da salvação, nem do caráter santo de Deus. Tais homens suprimem a verdade pela injustiça e se tornam alvos da ira divina. Isso porque “trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” v. 23.
              O que Paulo viu claramente é que a filosofia grega abraçava facilmente as forma mais grosseiras e superstição e imoralidade.
              Em nossa cultura e época não é muito diferente, pois muitos trocam o Senhor pela obsessão ao dinheiro, a fama e o poder.
            
               2. Seu próprio modo de vida já é um castigo de Deus, 1.26 e 27.
              Paulo aqui rechaça o comportamento homossexual, mostrando que é contrário à natureza e o próprio procedimento em si já é um castigo de Deus em suas vidas. Entendamos meus irmãos que não há algo mais terrível para alguém do que o Senhor não usar de sua graça para não permitir que tal pessoa venha a ser dominado pelos mais terríveis pecados.
              Os movimentos gays obviamente não irão aceitar que a Bíblia condena a prática homossexual, ao invés disso procuram interpreta-la segundo seus preconceitos. Desse texto eles dizem que a passagem é irrelevante, visto que o objetivo dele não é ensinar ética sexual, nem denunciar o vício, mas mostrar a maneira como se manifesta a ira de Deus. De fato o tema do texto não é comportamento sexual, mas se certa conduta sexual é vista como conseqüência da ira de Deus, então é porque ela é desagradável a ele.
              Questionam também o que Paulo quis dizer com “natureza”. Afirmam que suas atitudes são naturais a eles, e o que Paulo condena é a prática homossexual por pessoa aparentemente heterossexual.
              Ora, “insinuar que a intenção de Paulo seja condenar pecados homossexuais somente cometidos por pessoas que são, por natureza heterossexuais é introduzir uma distinção completamente estranha ao mundo das idéias de Paulo, - ou seja, um verdadeiro anacronismo.
              Portanto, agir “contra a natureza” é violar a ordem que Deus estabeleceu, enquanto agir “de acordo com a natureza” significa comportar-se de acordo com a intenção do criador, sua intenção original de uma relação heterossexual monogâmica.

              3. Estão, portanto, mortos em seus pecados, 1.28-32.
              Paulo agora retrata várias práticas anti-sociais, as quais, juntas, descreve a derrocada da comunidade humana, na medida em que os padrões desaparecem e a sociedade se desintegra. Tais pessoas, que vivem também hoje dessa forma, estão de fato mortos em seus pecados, como muito bem expressa Paulo em Ef 2.1-3: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.”
              As pessoas retratadas na epístola conhecem a sentença divina para o seu estado pecaminoso, v. 32; 6.23; porém, não somente praticam como aprovam os que assim procedem. Suprimem a verdade por amor a maldade. Contra esses vem a ira do Senhor.

              O Senhor é o juiz supremo, ele julgará você antes do que você imagina.

II – O JUÍZO DE DEUS É SEGUNDO A VERDADE, 2.1-16.
              1. Ao Senhor não se engana, 2.1-8.
              O nosso apóstolo agora tece uma crítica aos falsos moralistas, àqueles que facilmente apontam o erro dos outros, mas que cometem os mesmos. Tais pessoas estão sempre prontas a julgar, a condenar, e obviamente se consideram mais santas, mais corretas, mais espirituais que as outras.
              Na realidade é algo comum nós termos prazer em condenarmos-nos outros as mesmas falhas que percebemos em nós mesmos. Freud chama isso de “projeção”. Thomas Hobes, filósofo político do século XVII, referia-se a pessoas que “se forçam a valorizar a si mesmas observando as imperfeições dos outros”. Jesus nos adverte: “Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão, porém não reparas a trave que está no teu próprio?”
              Ao Senhor não se engana, podemos passar por muito justos e santos para aqueles que estão á nossa volta, mas para o Senhor nada está encoberto.

              2. Aquilo que semeamos, colhemos, 2.5-11.
              No v. 6 está claro que o nosso procedimento atrairá para a nossa vida ou a bênção divina ou a ira divina. Aqui ele está citando provavelmente o Sl 62.12 ou Pv 24.12, que se encontra em forma de pergunta. Ver também Jr 17.10; 32.19.
              O próprio Jesus deixa claro que aquilo que o homem plantar isso também ceifará.

              3. Seu padrão de justiça é perfeito, 2.12-16.
              Do v. 12 ao v. 16 ele vai mostrar como a justiça do Senhor é equilibrada, v. 12. Ele já demonstrou que o Senhor não faz acepção de pessoa, é portanto, imparcial em Seu julgamento.
              Quão medíocre e imperfeito é o nosso julgamento. Não podemos julgar, mas acabamos julgando e geralmente somos demasiadamente parciais, demasiadamente severos ou exageradamente brandos quando não se trata de salvaguardar os nossos interesses.


III – NÃO BASTA CONHECER É NECESSÁRIO VIVER A PALAVRA, 2.17-29.
              1. Vivendo em conformidade com o que pregamos, 2.17-24.
              Paulo aqui retrata a incoerência deles, que eram presunçosos, pois se consideravam mestres e guias de cegos, mas seus pecados denunciava-os mostrando que não viviam de acordo com o seu discurso.
              De igual modo, o baixo padrão espiritual de nossos dias nas igrejas faz com que haja um comportamento por parte de muitos totalmente contrário à mensagem que crêem e anunciam.
              Tu que condenas o roubo, és fiel àquilo que é confiado em tuas mãos?
              Tu que condenas a mentira, te utilizas dela para teu benefício?

              2. Tendo consciência do que somos, 2. 28 e 29.
              O apóstolo Paulo explica o que em sentido espiritual é ser judeu legítimo diante de Deus.
              Também temos que ter consciência do que somos. Lembre-se que você é:
Luz no mundo, Mt 5.14-16 “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre o monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.”
              Ef 5.8 – “Pois, outrora, éreis trevas, porém, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.”
Sal na terra, Mt 5.13 – “Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.”
Discípulo de Cristo, Jo 8.31 – “...se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos...”


CONCLUSÃO: O apóstolo Paulo apresenta a realidade da miséria humana em um contexto interessante. Ele nunca perde de vista as boas novas de Cristo. Em 1.17 ele afirmou que “no evangelho é revelada a justiça de Deus”. Em 3.21 ele irá repetir essa colocação quase palavra por palavra: “Mas agora se manifestou uma justiça que provém de Deus...”. É entre estas duas significativas afirmações da revelação da graciosa justiça de Deus que Paulo encaixa o terrível quadro da iniqüidade humana (1.18 – 3.20).














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