Hebreus 12.14-17


 Elucidação: É impossível fixar a data da epístola com certeza absoluta, ainda que se possa dizer com considerável confiança que, muito provavelmente, ela foi escrita entre 60 e 70 d. C. Também não se sabe com absoluta certeza quem a escreveu ou quem foram os seus destinatários originais. O que se pode afirmar é que foi endereçada a crentes judeus que viviam fora da Palestina e que o autor busca mostra-lhes que a Aliança em Cristo é muito superior ao Antigo Concerto. Porém, é identificado pelo autor o perigo de alguns deles retrocederem na fé e por isso mesmo no capítulo em questão são exortados a prosseguirem na caminhada cristã. Nos versículos que lemos podemos perceber algo que também é muito valioso para nós como para qualquer cristão em qualquer época.



DIRETRIZES PARA NÃO FRACASSAR NA VIDA ESPIRITUAL


I – LEVAR A SÉRIO A VIDA ESPIRITUAL, V.14.
           1. Seguindo a paz com todos.
Um dos grandes problemas identificados pelo autor de Hebreus para que os crentes permanecessem firmes em sua caminhada eram as discordâncias que ocorriam, e que os levava a desistirem da vida cristã. Neste capítulo doze é perceptível esta preocupação; logo nos versículos 1 e 2 eles são exortados a prosseguirem na jornada em Cristo perseverantemente com os olhos fitos no Senhor. Nos versículos 12 e 13, nova exortação. No v. 14 o autor ordena àqueles crentes a seguirem a paz uns com os outros.
           O autor de uma forma breve fala de algo prático, mas que se trata de uma ordem, o verbo se encontra no imperativo. É também algo muito difícil. O texto tem um sentido coletivo, e o autor sabia que não seria possível eles avançarem como igreja do Senhor se internamente estivessem se degladiando uns com os outros.
           Para os nossos dias é muito relevante a ordem aqui expressa. A igreja que deveria ser exemplo de uma comunidade que dar certo, ou seja, onde todos vivessem harmoniosamente, nem sempre tem sido assim. Por um entendimento enganoso de vida espiritual, muitos acreditarão poder manter a comunhão com o Senhor sem que haja qualquer relacionamento com os irmãos. Contrariando a tendência individualista do pensamento moderno a igreja é sempre exortada pelo Senhor para uma vivência coletiva. Cada cristão em particular deve ter o alvo de fazer a sua parte para que todos vivam em comunhão na igreja.  Para a igreja em seu relacionamento interno nada hoje é tão urgente do que ela reaprender o que significa na prática ser Corpo de Cristo, ser família de Deus, com todas as implicações disso decorrentes.


           2. Seguindo a santificação.

 As características da santificação são:
 a) É uma obra cujo autor é Deus; “... porque Deus é quem opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13).

b) Ela ocorre na vida subconsciente do homem, como uma operação imediata do Espírito Santo; e em parte, na vida consciente, necessitando então de certos meios como o estudo da Palavra de Deus, a oração e a comunhão com outros crentes; embora seja obra de Deus devemos observar nossa responsabilidade, que se expressa por preocupação e desejo de agradar ao Senhor, de resistir ao pecado como o próprio autor expressou no v. 4.

c) É um processo longo, e jamais alcança a perfeição nesta vida; Enquanto caminharmos como igreja teremos nossos problemas, mas não podemos permitir que tais coisas nos faça desvalorizar o Corpo de Cristo nem a importância de congregarmos com nossos irmãos.

d) A perfeição absoluta, no que diz respeito à alma, ocorre imediatamente após a morte. E concernentemente ao corpo, quando da ressurreição.

           Afirmo que biblicamente a vida espiritual só estará de acordo com a Palavra se procuro vivê-la em comunhão com meus irmãos. Não somos consumidores de um “produto espiritual”, que vem ao templo para adquirir este produto e depois volta para casa, somos família de Deus, e devemos viver como família.


II – NÃO SE DEIXAR CONTAMINAR POR EXEMPLOS NEGATIVOS, V.15.

O perigo que corriam é que viessem a abandonar a fé em Cristo, uma ação descrita no versículo 15 como separando-se da graça de Deus. Atentando diligentemente por que ninguém seja faltoso (15). O verbo aqui “episcopontês” (vigiando), significa "exercendo superintendência", ou seja, agindo como "bispos". Mas a referência aqui é à comunidade inteira, e não apenas a ministros especiais. Na congregação cristã os muitos deveriam cuidar e tratar do caso de cada um isoladamente. Cfr. #Hb 3.12,13; #Hb 4.1. É a consciência de que o Corpo só poderia estar bem se individualmente as pessoas estiverem bem.
           Alguma raiz de amargura que... vos perturbe (15). Cfr. #Dt 29.18: “...para que, entre vós, não haja homem, nem mulher, nem família, nem tribo cujo coração, hoje, se desvie do SENHOR, nosso Deus, e vá servir aos deuses destas nações; para que não haja entre vós raiz que produza erva venenosa e amarga...”, onde é usada fraseologia semelhante para descrever o homem que se volta do Senhor a fim de servir a outros deuses, isto é, o apóstata. Note-se, igualmente, que tal pessoa pode contaminar a congregação inteira. O autor utiliza as expressões de Deuteronômio que denotava a influência de pessoas que levavam outros a adorarem falsos “deuses” para mostrar que não deveriam permitir que os exemplos negativos contaminasse a muitos produzindo ressentimentos, amargura, distanciamento na comunhão.
           Todos nós ao mesmo tempo em que somos influenciadores estamos sujeitos também a ser influenciados, dependendo das personalidades diferentes de cada pessoa e de seu nível de maturidade será mais ou menos influenciável. Infelizmente notamos que as influências positivas normalmente são mais difíceis de serem assimiladas do que as negativas. Não se deixe meu irmão, minha irmã se influenciar por atitudes e ou palavras que de alguma forma venha a prejudicar sua vida espiritual ou que prejudique a igreja do Senhor em sua unidade.


III – ENTENDER O QUE É IMPORTANTE PARA A VIDA COM DEUS, V. 16 E17.

É curioso que aqui, ao ensinar sobre como deveria ser a comunhão entre eles, sobre santificação, o autor adverte para que não estejam agindo como Esaú. Esaú tinha um caráter profano, ou falta de reverência pelas coisas de Deus, de tal modo que ele foi incapaz de arrependimento autêntico. Ele chorou pelo que havia perdido (a bênção), e não pelo pecado que tinha cometido (Gn 25ss). Ao contrário de Esaú temos de valorizar aquilo que de fato é importante em nossa relação com Deus.
           Muito poderia ser dito sob este tópico, mas ficaremos apenas com o contexto imediato do próprio capítulo.
a) Lutar diariamente contra o pecado, v.1 e 4. Sabendo que temos que ser perseverantes.
Ilustração: A vida espiritual ou crescimento no processo da santificação é como alguém que se propõe a escalar uma montanha. O alpinista quando escorrega alguns metros não desiste, mas volta a subir porque sabe que ao chegar ao topo sentirá que todos os esforços foram recompensadores.

 b) Aceitar a disciplina do Senhor, v. 5-11. Sei que disciplina da parte do Senhor pode implicar momentos muito difíceis para nós. Porém esse texto é muito positivo, nos fala dessa disciplina como sendo uma dádiva da filiação em Cristo e é necessária para que possamos prosseguir na caminhada, v. 12 e 13.

c) Olhar firmemente para Jesus, v.2. Isto é muito importante em face às decepções pelas quais podemos passar com as pessoas que estão a nossa volta. Há muitos que naufragaram espiritualmente justamente por focalizar sua vida espiritual de forma equivocada. Meu caminhar com Cristo não pode estar baseado naquilo que observo na igreja, no comportamento negativo de A ou de B, mas na própria pessoa de Cristo. E em contrapartida isto não pode ser desculpa para não acreditar na verdade bíblica da Igreja como Noiva de Cristo, como congregação dos santos.


Aplicação: 1.  Algumas coisas são indispensáveis para que você possa viver sempre em paz com seus irmãos:
a) Não se posicionar como juiz diante da falha alheia.
b) Entender que momentos de conflitos também são situações que o Senhor utiliza para nos ensinar a prática do perdão, da compreensão e da intercessão.
c) Utilizar o diálogo na resolução dos problemas.

2. Coloque para si como alvo em sua vida crescer na comunhão com o Senhor. Nunca desista desse alvo, embora às vezes você venha a fraquejar o mais importante é levarmos nossa vida espiritual a sério.


3. Se você de fato não quer fracassar na vida espiritual, ou seja, se não quer cair em pecado, se afastar da comunhão com o Senhor; é necessário que esteja utilizando os meios que o Senhor disponibilizou para a sua santificação: a Palavra e a oração. Não negligenciando o fato da comunhão com os irmãos. Acredito que em nosso contexto você já foi devidamente instruído a esse respeito, o que esteja faltando às vezes é levar mais a sério essas práticas cristã.


Conclusão: “Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, retenhamos esse sentimento; e, se porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos” (Fp 3.12-16).

2 comentários:

  1. Pastor Rivaldo, que o Senhor continue a te usar para abençoar outros, e assim formemos o Corpo de Cristo, a tão fala IGREJA GLORIOSA. Parabéns.

    ResponderExcluir