1 Pedro 3.13-17


Introdução: Havia um rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar numa pintura a paz perfeita. Foram muitos os artistas que tentaram. O rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve que escolher entre ambas.
A primeira era um lago muito tranqüilo. Este lago era um espelho perfeito onde se refletiam umas plácidas montanhas que o rodeavam. Sobre elas encontrava-se um céu muito azul com tênue nuvens brancas. Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a paz perfeita.
A segunda pintura também tinha montanhas. Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação. Sobre elas havia um céu tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com faíscas e trovões. Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. Tudo isto se revelava nada pacífico.
Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha. Neste arbusto encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho placidamente sentado no seu ninho. Paz perfeita.
Qual pensas que foi a pintura ganhadora? O rei escolheu a segunda. Sabes por quê?
"Porque", explicou o rei, "paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor."
"Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isso, permanecemos calmos no nosso coração. Este é o verdadeiro significado da paz".

Elucidação: O apóstolo Pedro dirige esta carta aos “estrangeiros dispersos” nas províncias romanas da Ásia Menor (1.1). alguns destes possivelmente se converteram quando Pedro pregou no dia de Pentecostes, e retornaram as suas respectivas cidades levando a fé que acabavam de conhecer (cf At. 2.9, 10). Estes crentes são chamados “peregrinos e forasteiros” (2.11), relembrando-lhes, assim, que a peregrinação cristã ocorre num mundo hostil a Jesus Cristo; mundo este, do qual só podem esperar perseguição. Embora não houvesse ainda uma perseguição oficial por parte de Roma, os cristãos já começavam a ser perseguidos sem a autorização do governo romano. Pedro encontrava-se em Roma quando escreveu a epístola, no cap. 5, v. 13 ele diz que escreveu de Babilônia, porém é certo que ele faz um tipo de associação de Roma com a Babilônia da época do A. T. a época é entre 60 e 63 d. C., antes do terrível banho de sangue ordenado por Nero em 64 d. C.
Pedro escreveu esta epístola de alegre esperança a fim de levar o crente a ver a perspectiva divina e eterna da sua vida terrestre e prover orientação prática aos cristãos que se encontravam sob o fogo do sofrimento entre os pagãos. Por isso mesmo em tempos de dificuldades podemos nos fazer uma pergunta, que o texto nos responde:

Tema: Como posso manifestar minha fé na prática?

1 Divisão: Sendo zeloso no que é bom (13-14)
Pedro começa o verso dizendo: Ora quem é que vos há de Maltratar, se fordes zelosos do que é bom? Será que Pedro está enganado? Ou será que ele queria enganar os irmãos? Não foi ele mesmo que iria dizer no verso 12 do cap 4 Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo” Será que Pedro está insinuando que estes irmãos eram ruins e por isso, começavam a sofrer? Sendo assim, o verso deveria ser interpretado como uma exortação para a prática do bem, pois se eles começassem afazer o que era correto, este fogo ardente (começo de discriminações) cessariam. Pedro não está enganado e não está enganando ninguém.
A idéia do verso é compreendida no restante do texto. O natural é uma pessoa sofrer quando faz o errado e não quando faz o certo. Somos chamados a fazer o certo. Entretanto, não podemos ser infantis ao ponto de pensarmos que por fazermos o que é bom, não sofreremos. Os versículos posteriores irão tratar justamente desta questão. No verso 13 Pedro usa uma palavra que foi traduzida por “zelosos” para expressar a ansiedade do crente em fazer o bem. Ela também pode ser traduzida como zelotes. Kistemaker diz que “essa determinada palavra tinha conotação política no Israel do 1 século. A idéia no grego é: Zeloso, entusiasta, pessoa zelosa. Será que Pedro está exortando aos santos a serem zelotes no sentido político do termo? O que era ser um zelote? Este movimento unia o fervor religioso com o compromisso social. Segundo eles, os sacerdotes e os demais líderes religiosos estavam preocupados demais com o poder e não faziam nada para libertar a terra prometida da dominação dos romanos. Os zelotes defendiam a guerra santa e pretendiam alcançar a libertação da Palestina através da violência. A luta deles visava combater os impostos que esmagavam o povo, a idolatria do Imperador romano que exigia ser adorado como um Deus, e a má distribuição da terra. A terra, na opinião do movimento, era propriedade de Iahweh e os romanos não tinham o direito de ocupá-la e exigir imposto dos camponeses.
O cristão não é chamado à omissão, ele presta serviço a Deus na luta por uma sociedade correta, por princípios justos diante de Deus.  A idéia não é um extremismo, mas sim, de uma atuação na pratica do bem.
No verso 14 Pedro não engana os santos. Ele fala sobre a probabilidade do sofrimento. Pedro diz que o crente que sofre em razão da justiça é feliz, bem aventurado. Pedro lembra o discurso do Senhor nas Bem Aventuranças. Ser perseguido pela justiça é ser um bem aventurado. Aqueles que pela sua fé em Cristo, procuram viver de maneira justa, honesta, íntegra são perseguidos por causa disso. A sua pureza de caráter levanta o ódio do mundo, que vê nisto a sua própria condenação. O Senhor Jesus esclarece este ponto em seguida, dizendo aos discípulos que eles serão bem-aventurados quando forem injuriados, perseguidos e caluniados por causa Dele próprio. Isto lhes será motivo de exultação e alegria, pois os profetas antes deles também sofreram da mesma forma. Grande será o seu galardão no tribunal de Cristo. Pedro termina o verso 14 proibindo aqueles crentes de ficarem com medo ou serem pertubados com as ameaças dos ímpios. Cristãos que sofrem por causas da verdade são abençoados por Deus, mesmo que sua recompense demore: Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.  11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.  12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. Mateus 5. 10-12.

2 Divisão: Sendo testemunha da fé (15-16)
Pedro começa o verso 15 dando uma ordem. A ordem deve ser cumprida de forma completa. A idéia do coração deve-se ao fato de que na concepção bíblica é a parte central da existência humana. A idéia é: todo ser dedicado a Ele. Quando isto acontece, o medo das ameaças dos ímpios não nos vence. Quando obedecemos à ordem de ter Cristo como centro de nossa vida, além de não termos medo das ameaças dos ímpios, o testemunhar flui de forma natural. Pedro continua dizendo que devemos estar sempre preparados para responder a quem pedir a razão da nossa fé. Temos aqui a idéia da apologética, e para que estejamos sempre preparados é necessário conhecermos nossa fé. Veja que isto é uma ordem que Pedro dá a todos os cristãos. Devemos estar preparados sempre. Para que? Para defesa (responder).  A palavra era usada freqüentemente acerca do argumento da defesa em um tribunal e, embora possa ter a idéia de um interrogatório judicial no qual a pessoa é convocada a responder pela maneira pela qual exerce responsabilidade, também pode ter o significado de uma exposição mais informal ou a defesa da posição da pessoa, e a palavra descreve muito bem o dar respostas ao inquiridor cético, abusivo ou dispersivo. A nossa resposta precisa vir recheada do conhecimento das Escrituras. Devemos ter como alvo aquilo que a Palavra de Deus diz Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne.  4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas  5 e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” 2 Co. 10. 3-5
A quem eu devo responder?
O sentido aqui é que o cristão deve estar pronto em todo momento para falar de sua fé, mas não de qualquer forma, dando um relato racional. As situações são as mais variadas possíveis, no trabalho, na escola, na rua, no tribunal, etc. A fé cristã tem fundamentos, têm raízes. E este relato deve ser a respeito da nossa esperança.
Como deve ser minha defesa?
O verso 16 apresenta três características de como deve ser a minha defesa
a-       “afabilidade, mansidão e gentileza”
b-        “temor”
c-        “consciência boa”
Não posso responder de qualquer maneira, não posso ser estúpido. O que irá convencer o pecador ou adversário da fé não é a minha retórica, oratória. Nem muito menos a minha arrogância, quem convence é o Espírito Santo e nem sempre o Espírito quererá convencer.
Preciso ter uma consciência limpa. Denota aqui o fato de usar o evangelho de uma forma correta, sem distorções, sendo fiel ao texto bíblico.
Qual a finalidade de ter estas três características?
A idéia é: quando Cristo ocupa todo o ser, quando dou testemunha da minha fé, quando faço isso de forma mansa, respeitosa e tendo uma boa consciência. Os ímpios são envergonhados, suas palavras caem por terra, ficam sem chão, são desmascarados. Mas se o crente não segue estes estágios, os ímpios que falam mal dele não serão envergonhados. Aqui reside uma advertência muita séria para que possamos viver de forma correta.

3 Divisão: Sendo correto, mesmo que sofra (17)
Ninguém gosta de sofrer, quando sofremos por castigo, não gostamos, mas pensamos: Mereci.
O texto de Pedro apresenta uma possibilidade: O sofrer por praticar o que é correto.
Pedro neste verso analisa duas posições:
Sofrer por praticar o bem
Sofrer por praticar o mal
A idéia aqui é de uma pratica continua do que é bom. Surge uma pergunta: Como o cristão pratica o que é bom? O cristão é chamado para ter vida diferenciada.  Estes santos a quem Pedro escreveu a carta eram gentios, portanto suas praticas antes de se converterem eram as mais terríveis possíveis, viviam na prática constante do mal. Da mesma forma, nós, antes de sermos chamados. O que é requerido de nós hoje é testemunho. Como observamos na divisão anterior do sermão, devemos estar prontos e só podemos está prontos quando Cristo é o centro de toda a nossa vida. E quando Cristo é o centro da nossa vida, temos práticas constantes do que é bom.
Quando Pedro escreve sobre praticando o mal, a idéia é de uma vida contínua na prática do mal.
Pedro também neste verso estabelece um principio: A soberania de Deus
O apóstolo literalmente utiliza uma palavra no grego que tem o sentido de desejo de Deus quanto ao nosso sofrimento por praticarmos o que é bom. Lembremos mais uma vez de Rm 8.28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Desse modo, por traz de cada sofrimento por ter sido feito o que é correto, reside a graça de Deus por trás deles.
Em praticar o mal não reside graça nenhuma, só o que merecemos de fato, castigo. Pedro irá dizer mais a frente “12 Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo;  13 pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando.  14 Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus.  15 Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem;  16 mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.  17 Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus?” 1 Pe 4. 12-17

Aplicação:
1-      Devemos ser praticantes de coisas boas. Tudo aquilo que não agrada a Deus, não pode existir nas nossas vidas.
2-      Não devo me perturbar quando sou perseguido por fazer o que é certo, devo ter em mente que quando pratico a justiça sou bem aventurado. Você pratica a justiça irmão? Você é correto? Você é honesto? Você honra sua palavra?
3-      Cristo tem sido de fato o centro de sua vida? Ou o centro de sua vida tem sido o dinheiro, família, trabalho, lazer?
4-      Você está pronto a defender a fé? Ou você nunca se preocupou com isto? Pois se você nunca se preocupou é porque Cristo não é o centro de sua vida, Ele pode até ser uma parte importante de sua vida, mais não é a mais importante.
5-      Quando defendo a fé tenho feito como? Com estupidez? Tenho sido manso? Respeitoso? Tenho tido consciência limpa?
6-      Tenho sofrido por fazer o que é correto? Ou por ter feito o que é errado?

Conclusão:
Estão lembrados da estória da introdução?
Será que em meios a conflitos, perturbações, acusações falsas, perseguições, mentiras... A minha vida está como àquele passarinho do ninho?
Será que tenho mostrado a minha fé desta forma?
Que o Senhor nos leve a um estágio de maturidade, para que as pessoas possam ver nossa fé, não apenas em palavras, mas em atos.
Para que possamos testemunhar à todos que pedir razão da esperança que há em nós.
Que Deus tenha misericórdia de nós.
A Ele toda glória!
Amém!

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