Marcos 4.35-41


Introdução: SEMPRE ESTAREI AO SEU LADO
Na Romênia, um homem sempre dizia ao seu filho:
- Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado.
Certo dia, após um terremoto de intensidade muito grande quase acabar com a cidade, este homem correu para a escola do seu filho e só encontrou um montão de ruínas.
Imediatamente, ele e outros pais começaram a cavar. Depois vieram os bombeiros e mais pessoas para ajudar. As horas passavam rapidamente e com elas, a esperança de encontrar alguém com vida.
Um a um, cansados e desesperados, os pais foram deixando o trabalho de buscas para os bombeiros, mas, esse homem, de forma obstinada, continuava. Pediram-lhe que descansasse um pouco, mas, ele não parava.
A sua promessa ao seu filho lhe renovava as forças: "- Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado".
Ao afastarem uma enorme pedra, com a ajuda de um guindaste, ele chamou mais uma vez pelo filho. E uma doce voz infantil lhe respondeu:
- Pai... estou aqui!
- Você está bem, meu amor?
- Sim, papai, mas, estamos com sede e fome.
- Tem mais alguém com você?
- Sim, todos os alunos da minha classe estão aqui.
Eles haviam ficado presos em um vão entre dois pilares de concreto.
Quando a televisão veio entrevistar o menino e perguntou se ele havia ficado com medo, ele emocionou a todos:
- Não, eu falei para os meus amigos: "Não precisam ter medo, meu pai irá nos achar. Ele prometeu que sempre irá estar ao meu lado. E meu pai nunca quebra uma promessa".
Elucidação: Estes versículos descrevem uma tempestade terrível no mar da Galiléia e o maravilhoso milagre de Jesus acalmando aquela tempestade apenas com algumas palavras. Poucos milagres realizados pelo senhor deixaram os discípulos tão impressionados, provavelmente porque alguns deles eram pescadores (Pedro, André, Tiago e João), assim sendo, conheciam os perigos de um mar tempestuoso e talvez já houvessem passado por algumas experiências de perigo de morte no mar. Conheciam os perigos do mar, e sabiam o que lhes poderia acontecer.


Tema: Enfrentando as tempestades da vida


I – AS TEMPESTADES NA VIDA DOS FIÉIS, V. 35-37.

           Percebemos pelo texto que os discípulos estavam em plena atividade auxiliando o Senhor em seu ministério. Estavam seguindo a Jesus por onde quer que ele fosse. O sentido prático para nós aqui é que mesmo sendo fiéis ao Senhor, mesmo lhe servindo em Sua obra, trabalhando para ele, não estaremos livres das aflições. Bem já sabemos disso. No entanto podemos perfeitamente nos perguntar por que tendo tais conhecimentos nos momentos em que o barco de nossa vida está sob tormenta nos sentimos inseguros e às vezes tão confusos. Sabemos que Cristo está no barco, mas mesmo assim há uma batalha interior entre a fé e a incredulidade. Isso ocorre porque aquilo que é vivenciado de modo tangível (o que sinto por meio dos sentidos, ou seja, o que vejo, o que ouço; me fala de forma muito forte) inevitavelmente portanto, somos levados em alguns momento à dúvida, ao desânimo. Mas aí está o grande desafio daqueles que são fiéis, é que nos momento das tempestades, das provações, permanecer em fidelidade perseverante.
           A vida cristã não é um cruzeiro de luxo, a uma viagem que em alguns momentos enfrentará fortes ventos, no entanto, devemos lembrar que há uma razão para tudo isso. O grande problema ao passar por tais momentos é nossa incapacidade de perceber o propósito divino com o que estamos vivendo. Perceber é diferente de saber, nós sabemos, mas perceber aqui se refere a algo mais profundo, que às vezes nós só chegamos a essa compreensão após a tempestade ter passado.
           Falando da pedagogia do sofrimento o salmista nos diz: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Sl 119.71). Também C S. Lewis disse: “O sofrimento é o megafone de Deus para um mundo ensurdecido.” Portanto, em muitos momentos ele é necessário, não significa devemos permanecer nele e que não devemos buscar socorro, muito pelo contrário.
Contudo, busque socorro na pessoa certa.


II – O SOCORRO DE JESUS CRISTO, HOMEM, V. 38.

           O texto nos revela que Cristo foi verdadeiramente homem, com todas as necessidades humanas. Jesus encontrava-se cansado, afinal tivera um longo dia de atividade ministerial. A humanidade de Cristo está revelada aqui no fato de necessidade do seu descanso.
           O salvador em quem podemos confiar tanto é homem quanto Deus, e sendo homem conhece as provações humanas de um modo prático, ele vivenciou conosco, experimentou pessoalmente. “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4.15). O fato de que Jesus estar dormindo não significa que não se importava com o que viesse a acontecer com os discípulos. As tempestades de nossas vidas estarão presentes em um momento ou outro, mas nunca esqueça que por mais que você se sinta desamparado pelas pessoas, por mais que você imagine que poucos ou ninguém se importa com sua situação; o Senhor se importa co o que passa contigo, lembre-se que ele é compassivo e misericordioso e que cuida dos seus.
          Mas o socorro de Cristo não diz respeito apenas á sua compreensão de nossas fraquezas e tribulações.


III – O SOCORRO DE JESUS CRISTO, DEUS, V. 39.

           Os versículos revelam-nos o a deidade de cristo pelo fato de ele demonstrar controle absoluto sobre os elementos da natureza. Bastou falar, e a obra de sua criação obedeceu-lhe a voz. Haverá impossível para o Senhor? E quero dizer que Cristo não apenas pode mudar as circunstâncias de nossas vidas como pode nos mudar em meio a tais circunstâncias. Talvez as tempestades de sua vida sejam externas, mas talvez ela esteja dentro de você.
                    Nenhum sentimento tempestuoso é tão forte que Jesus não possa domá-lo. Nenhum temperamento é tão rude e violento que Jesus não seja capaz de transformá-lo, nenhuma consciência é tão inquieta que Ele, dirigindo-lhe a palavra, não possa acalmá-la. Ninguém precisa se desesperar jamais, contanto que esteja disposto a desistir de seu orgulho, vindo a Cristo como um humilde pecador. Cristo pode operar milagres no coração de tal pessoa. Ninguém precisa desesperar-se, temendo não chegar ao fim da jornada, uma vez que tenha entregue a alma aos cuidados de Cristo. (RYLE, 2007).
           O maior milagre de Cristo não é acalmar tempestades ou multiplicar pães, mas é transformar o caráter de um vil pecador levando-o a uma vida santidade.


IV – AS MISERICÓRDIAS DE DEUS EM MEIO ÀS TEMPESTADES, V. 40, 41.

           Aquilo que para nós pode ser desculpável, como o medo que aqueles discípulos tiveram de morrer naquele momento, Jesus declara que se tratava de falta de fé.
           Nestes últimos versículos vemos o quanto o Senhor foi misericordioso, paciente e compassivo para com os discípulos. Mesmo depois de terem presenciado outros milagres, naquela circunstância eles ainda estavam temerosos. Jesus, portanto, denuncia e repreende a falta de fé deles.
           O Senhor Jesus não age naquele momento conforme a fé deles, mas em sua graça e misericórdia ele se compadece de seus discípulos. “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem” (Sl 103.113).


Aplicação: 1 - "Quanto maior a provação, tanto maior é o consolo e crescimento na fé."
(Lutero)

2 - Não queira o sofrimento para sua vida, mas se ele vier que seja por meio de uma provação, não de um castigo divino. Aqueles que são provados têm motivo de gloriar-se no Senhor: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes”.

3 – Assim como os discípulos, o apóstolo Paulo também enfrentou uma grande tempestade que culminou em um naufrágio, como é visto no capítulo 27 de Atos. Mas a reação dele foi de confiança no Senhor e animou aqueles que estavam com ele no navio (vv. 22-26). Que você não apenas possa se animar, mas que também seja usado por Deus para fortalecer a outros que passam por momentos difíceis.


Conclusão: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28.20).

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