SALMO 116.12 - EXPRESSÕES DE UM CORAÇÃO GRATO AO SENHOR



INTRODUÇÃO

O salmista é alguém que relata como Deus o livrou de grandes angústias, recordando também o livramento que o Senhor concedeu à nação de Israel da escravidão egípcia. É um canto de Aleluia Pascal para esta festa que faz recordar a grande vitória para a vida daquele povo, ao mesmo tempo relata a experiência de vida do salmista.
          O salmista em questão de fato tinha um coração grato ao Senhor. Vejamos a partir da experiência do salmista como devemos expressar nossa gratidão ao Senhor.
Se verdadeiramente somos gratos ao Senhor, como deve ser expressa essa gratidão?

I – RECONHECENDO SEUS BENEFÍCIOS.

          Mas antes que possamos falar sobre tudo o que o Senhor nos concede de modo bem específico, é necessário lembrarmos que também devemos ser gratos ao Senhor por suas dádivas provenientes de Sua graça comum. Devemos ser gratos pela vida, pela saúde, pela manutenção diária, etc.
          Mas, voltemos para o caso específico do salmista. Ele relata como se sentiu em dado momento de sua vida, o quanto se sentiu triste e angustiado (v. 3). Viveu uma situação desesperadora na qual não parecia haver saída. Ninguém poderia ajudá-lo, na verdade chegou a sentir-se decepcionado com todas as pessoas (v. 11). Mas então toma a atitude correta, ele invoca ao Senhor (v. 4). Este salmista conhecia bem os salmos de Davi. Davi canta no Salmo 56.11 diz: “Em Deus ponho a minha confiança: não temerei. Que me pode fazer o homem?”. E o povo de Israel cantava as palavras do Senhor: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus: serei exaltado entre as nações, serei exaltado sobre a terra” (46.10). Sabemos então que devemos descansar no Senhor, invoca-lo em momentos de angústia, confiar n’Ele e manter a esperança, não em homens mas em um Deus vivo e Todo-poderoso.

A esperança é a certeza de que nenhuma circunstância tem o poder de se perpetuar e muito menos de determinar o curso da vida humana. Afinal, não estamos entregues ao acaso... A esperança sempre tem o poder de transcender as realidades e circunstâncias, na medida em que somos transportados do agora para o amanhã, do hoje para o eterno, daquilo que não é para aquilo que há de ser. Não nas categorias de tempo e de espaço, pois dentro do propósito do Deus eterno, já se encontra perfeitamente realizado (Rm 8.28-30). É por isso que o salmista em esperança profetizava: “A tristeza pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer” (Pr Aurivam Marinho).

          Sabemos que podemos nos encontrar em alguns momentos da vidabatidos, aflitos, ansiosos, desanimados. Mas, independentemente de como estejamos que possamos refletir o seguinte: Até que ponto é razoável nosso seu abatimento, lembremos que devemos esperar em Deus e nenhum momento da vida vir a sucumbir diante de uma tristeza. É o que mais uma vez Davi expressa no Salmo 43.5: “Porque está abatida ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda O louvarei, meu salvador e Deus meu”.
          A verdadeira gratidão enxerga o cuidado divino, percebe-o mesmo em meio à tormenta.
          Percebe, além disso, a generosidade do Senhor, v. 5 e 7.
          A gratidão então nos faz enxergar o quanto Deus é bondoso, pois não nos trato segundo nossas iniquidades, pois muitas vezes quando merecemos o castigo Ele usa de misericórdia para conosco. O Senhor nos socorre, nos abençoa, porque Ele é bom. Então ao ser abençoado(a) nunca esqueça que é bondade divina, é graça de Deus. Se perder esta consciência terá perdido a gratidão.
          Não esqueça como o Senhor tem sido bondoso para você, não deixe de valorizar as bênçãos de Deus em sua vida. Sim, o Senhor tem lhe abençoado. Agradeça a Deus pela sua família, pela sua igreja, pelos seus amigos, pelo seu emprego, pela saúde, de forma muito especial pela sua salvação. 


II – RECONHECENDO SEU CUIDADO PERMANENTE.

                    Já nos referimos a mantermos nossos olhos no Senhor em momentos difíceis em nossas vidas, lembremos também que a pessoa que tem um coração grato estará sensível à como o Senhor relaciona-se com ela. Jesus nos fala desse cuidado permanente do Senhor e como nos sentimos não apenas no momento do ingresso da nossa vida espiritual, mas em toda a nossa caminhada.

Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11.28-30).

Neste relacionamento com o Senhor devemos constantemente estar aprendendo d’Ele.
          Neste relacionamento devemos louvar a Deus pelo Seu cuidado paterno. Como Pai Ele nos sustenta. Ensinando sobre oração Jesus nos mostra o quão é importante mantermos este canal de comunhão com Deus, e exalta a bondade do Senhor:

“Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrirse-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á. Ou qual de vós é o homem que, se porventura o filho lhe pedir pão lhe dará pedra? Ou se lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7.9-11).

O salmista entendia o quanto é importante oração no relacionamento com o Senhor, pois deixa claro que buscou ao Senhor em oração, foi então que pôde usufruir de forma mais plena das dádivas divinas (v. 1 e 2).
          Como pai Ele também nos corrige quando estamos nos deixando levar pelo pecado:

Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.
É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige?” (Hb 12.4-7).

          Logo, devemos também ser gratos a Deus não apenas pelo seu sustento em nossas vidas, como pela correção, pelos açoites.
          Devemos em gratidão ao Senhor estar em estado de humildade diante d’Ele, com simplicidade de coração aceitando o seu cuidado, ou seja, de fato, reconhecermos que Ele sabe o que é melhor para nós. Nem sempre reconhecemos esta verdade de coração, às vezes queremos lutar contra ela e queremos condicionar Deus ao nosso pensamento quanto ao que deve ocorrer em nossas vidas. Mas a humildade é submissão e aceitação do que Deus faz. E como são maravilhosas as palavras do salmista no v. 6: “O Senhor vela pelos simples; achava-me prostrado, e ele me salvou”. É um privilégio ser considerado pelo Senhor como um simples ou pequenino neste mundo, como é interessante o que Jesus diz em Mt 11.25 acerca da revelação do evangelho: “Graças de dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultastes estas coisas aos sábios e instruídos e as revelastes aos pequeninos.” Seja então grato ao Senhor pelo conhecimento que o evangelho lhe concede de saber que Ele cuida de você


III – RECONHECENDO NOSSA DÍVIDA. “Que darei ao Senhor?”

          O salmista deseja saber o que poderia fazer, tendo em vista ter sido tão abençoado pelo Senhor. Você também tem uma dívida com Deus. Não falo aqui da dívida do pecado original, essa foi paga por Cristo. Este pagamento lhe concedeu um grande benefício, a salvação, além disso, se você aprender a olhar corretamente para sua vida perceberá as demais bênçãos de Deus. O que você pode fazer então para de alguma forma mostrar-se grato ao Senhor, o que você pode dar ao Senhor? Faz-se necessário aqui então primeiro observar Rm 11 32-36: Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!

Fico a me perguntar se alguém que acredita que Deus está lhe restituindo algo seu por direito terá verdadeira gratidão em seu coração. Acredito que não. Porém, a consciência de nosso demérito nos leva a sermos mais gratos, e com gratidão verdadeira e intensa. E diante disso, nada que possamos fazer poderá ser comparado ao que o Senhor fez e faz por nós. Mas ainda assim há uma resposta à pergunta do salmista, e ele mesmo a responde.
          No v. 13 ele faz menção à participação da páscoa, quando os judeus relembravam o livramento que o Senhor concedeu ao povo da escravidão no Egito. Podemos até imaginar ele tomando o cálice em alegria juntamente com seus compatriotas exaltando ao Senhor por tão grande bênção. Que darei ao Senhor? Adoração é a resposta. Diante de tudo o que o Senhor lhe fez a sua resposta deve ser de adorá-Lo. Aleluia!
          Ande na presença do Senhor, v. 9. Aquilo que você tem que fazer é o que há de mais simples e essencial na vida com Cristo, adorar e viver uma vida de obediência, dessa forma você estará expressando verdadeira gratidão a Deus.

CONCLUSÃO

            1 Ts 5.18: “Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” E essa gratidão se expressa na percepção correta da vida com Deus de modo que a vivamos em obediência.



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