Malaquias 1.6-14 - Quando Deus não aceita o culto


Introdução

           No evangelho de João 4.23 e 24 está escrito: “Mas vem a hora e já chegou , em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é Espírito; importa que os seus adoradores o adorem em espirito e em verdade”. Nada na vida é mais importante do que cultuar ao Senhor, do que viver em adoração a Ele. Entendendo isso o Catecismo de Westminster produzido pelos puritanos no sec. XVI pergunta: 1. Qual é o fim supremo e PRINCIPAL do homem? Resposta. O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Rm. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24.


Elucidação

           Neste texto o Senhor revela sua total insatisfação diante de tudo o que estava sendo realizado supostamente como culto ao senhor. Diante da realidade de que o filho honra o seu pai e o servo ao seu senhor há a denúncia divina que embora seja pai amoroso não estava sendo devidamente honrado, embora seja senhor o que podia ser notado era um grande desrespeito para com ele.
           Este é um assunto tão sério que nunca é excesso sobre ele refletir. Portanto, que este texto nos leve a mais uma reflexão quanto a nossa qualidade de culto ao Senhor. Temos prestado a devida honra a Ele? Temos sido negligentes em algumas coisas? O que precisamos corrigir? Que pensemos nesse assunto com corações humildes lembrados de que o Senhor em direito divino aceita ou não aquilo que ofertamos a Ele. Que saibamos quando Ele não aceita o culto que estamos lhe prestando e que este conhecimento nos leve a adorá-lo de modo mais digno de Sua pessoa.



I – Quando os líderes são os primeiros desviados, v.6-7.

           Entenda-se desviados aqui de diversos modos, como moralmente e doutrinariamente.
           Aqueles homens estavam a desprezar o Senhor, eram cínicos nesse desprezo, não admitiam o seu pecado. Era uma liderança sem condições de liderar, sem comunhão com Deus e que, portanto, certamente estavam exercendo suas atividades meramente observando as vantagens humanas advindas de seus ministérios. O seu desvio moral levava-os a distorções em sua teologia, já estavam a afirmar que o sacrifício ao Senhor era desprezível e que a mesa do Senhor era imunda (v.12). A distorção de sua teologia reforçava o desvio na moralidade. Aqueles que deveriam ser o exemplo de vidas consagradas ao Senhor eram os mais pervertidos, os mais mundanos, os mais demoníacos em suas ações.
           Como é terrível termos de admitir que em nossos dias há tantos líderes como aqueles sacerdotes. Pessoas que se desviaram da doutrina bíblica em sua pureza. Alguns, que talvez por falta de humildade, ou por não te havido sincera oração pedindo ao Senhor para não se afastarem da verdade, estão hoje a proclamar heresias. Estes estão enganados em seu entendimento, podem até pensar que o que ensinam é o evangelho, mas se encontram distante do mesmo. Embora errem por ignorância, isto já os incapacita para o sagrado ministério. Há outros tantos que de modo maquiavélico deturpam a palavra de Deus. Sabem que o que ensinam é mentira, mas o fazem pensando em proveito próprio, normalmente em busca de ‘seu deus’, o dinheiro. Desviaram-se a muito tempo da verdade divina. E o desvio da teologia desemboca em desvio moral. Mas não apenas estão a prejudicar a si mesmos, com suas atitudes ímpias influenciam e prejudicam a outros. Mas ai deles, pois é ao Senhor que terão de prestar contas.
           Acredito que não devemos ser amenos com este tipo de líderes. A igreja deve assumir responsabilidade, denunciá-los como heréticos, rejeita-los como separados do Senhor, não se deixar jamais influenciar por eles. Eles falam de Deus, mas não o honram verdadeiramente.
           O Senhor é digno de um culto no qual deve ser santo todo o nosso proceder. Ele não aceita o culto quando os líderes estão desviados da verdade porque também o povo tendo sido enganado e se deixado enganar por tais pessoas também não adoram a Deus de modo que lhe é aceitável. Mas, além disto, Deus não aceita adoração quando o fazemos com reservas.


II – Deus não aceita o culto no qual não ofertamos o nosso melhor, v.8-10; 12-13.

           Em Deuteronômio 15.19-23 há uma prescrição da oferta a ser dada ao Senhor de todo primogênito do gado que nascesse, deveria ser ofertado ao Senhor. No entanto há uma ressalva: “Porém, havendo nele algum defeito, se for coxo, ou cego, ou tiver outro defeito grave, não o sacrificarás ao Senhor teu Deus” (Dt 15.21). Talvez hoje essas palavras pareçam a nós um tanto grosseiras, mas o Senhor revela-se no tempo de acordo com a cultura e por isso fala ao povo daquela época de acordo com a cultura de sua época. Assim sendo, a forma de expressar a eles que a adoração ao Senhor deveria ser de tudo o que seja a primazia de nosso ser é falando que recusará as ofertas de animais com problemas físicos, pois ao Deus perfeito tudo o que fosse ofertado a Ele deveria expressar perfeição. Os sacerdotes da época de Malaquias estavam desprezando esse ditame divino. E são conclamados no v. 9 a buscar o favor divino para que Ele lhes concedesse de sua graça.
           Que nós, discípulos de Cristo, possamos também sempre clamar pela graça divina para que sob a direção do Espírito possamos ofertar ao nosso Deus uma adoração do melhor de nosso ser. Mas é evidente que a perspectiva do culto que ofertamos ao Senhor é diferente da dos judeus daquela época. Não cultuamos para sermos aceitos, mas porque fomos aceitos. Não cultuamos para conquistar algo de Deus, mas porque fomos conquistados por Cristo na cruz. Sendo assim que cada acorde de nossos músicos possa ser o melhor de suas vidas! Que cada canto seja o mais afinado possível, não para exibição pessoal, mas porque cantamos àquele que recebe o louvor dos anjos. Que cada sermão seja ouvido com a máxima reverência, não por mero respeito ao pregador, mas por honra ao Espírito do Senhor que nos transmite a verdade de Deus e nos leva ao convencimento dessa verdade! Que cada oferta em dinheiro não seja medida pela avareza, mas por um coração grato por tantas dádivas já recebidas pelo Senhor!
           Percebemos que ao pensarmos sobre o tipo de adoração que o Senhor rejeita nos reportamos a adoração que devemos lhe dar. E há algo mais a ser dito desse texto, o Senhor não aceita o culto daqueles que tem uma visão incorreta de seu Ser.


III – Deus não aceita o culto dos que distorcem sua imagem, v.11 e 14.

           A prática impura dos sacerdotes e do povo se dava também porque eles estavam formando em termos práticos uma visão incorreta de Deus. Estavam perdendo a visão do quanto o Senhor é grandioso e por isso também lhes faltava o devido temor. Essa é a razão porque tantas vezes o profeta enfatiza que Ele é o Senhor dos Exércitos (1.6, 8, 9, 10, 11, 13 e 14). Ele é o Yahweh Tsebhaoth, o Senhor dos Exércitos. E aqui sigo a defesa que faz Berkhof de que este nome se refere aos exércitos dos anjos. Os anjos são descritos nas Escrituras como um exército que circunda o trono de Deus (Gn 28.12; 32.2; Js 5.14; 1 Rs 22.19; Sl 68.17; 103.21; 148.2 e Is 6.2. O Senhor dos Exércitos é o rei da glória que governa os céus e a terra (Berkhof, 1990). Que nunca esqueçamos disso, pois alguns o esquecem não em termos doutrinários, mas na prática do dia-a-dia e no tipo de adoração e acabam vendo a Deus como um deus serviçal dos caprichos humanos. Que conheçamos melhor o poder, a graça e a majestade divina, pois desse modo estaremos melhor cultuando-o. Ore pedindo intimidade e mais conhecimento do grande Deus que temos e então também a sua adoração a ele será sempre grandiosa, conforme Ele merece.
           Depois de refletirmos sobre o que não é aceito pelo Senhor, resta-nos perceber em Sua Palavra o que Ele exige de nós positivamente quando nos reunimos para adorá-lo.


Aplicações

1. Venha adorar ao Senhor com um coração contrito. Que este breve momento seja um reflexo de toda a sua vida. Se você busca em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça (Mt 6.33) estará lhe ofertando o melhor de sua vida.

2. Lembre-se que hoje você não depende de sacerdotes e levitas para cultuar ao Senhor. A liderança da igreja organizada é algo bíblico e deve ser respeitada. No entanto, a Palavra nos diz que ele nos fez “sacerdócio real” (1 Pe 2.9). Cada cristão é um levita, todos nós somos responsáveis por um culto agradável ao Senhor. Ao realizarmos tudo o que realizamos no culto, ler a Bíblia, cantar, ofertar, pregar, ouvir a pregação, demos fazê-lo de maneira sincera e com fervor e dedicação solene.

3. Nunca perca a reverência para com o Senhor ao cultuá-lo. Reverência não é contrária à alegria e espontaneidade, mas é contrário ao pensamento de que estamos em qualquer lugar e por isso podemos nos portar de qualquer modo. O momento de adoração a Deus é momento santo, por isso deve ser rejeitado tudo o que não o glorifique.


Conclusão

           Deus exige ser honrado como senhor, como pai. Exige ser amado. E o culto verdadeiro manifesta-se em amor. Sem amor o temor é uma tormenta, é meramente medo, a honra não tem sentido. O temor sem o amor é mero medo servil e a honra sem o amor seria apenas adulação. A honra e a glorificação pertence a Deus, mas não serão aceitos se não motivados pelo amor a Ele. Que cada culto seja uma expressão extravagante de nosso amor por Ele.



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