Marcos 5.21-34
E, passando Jesus outra vez num barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidão; e ele estava junto do mar.
E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés,
E rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva.
E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.
E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue,
E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior;
Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste.
Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei.
E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.
E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes?
E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?
E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera.
Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade.
E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal. 



Introdução: Uma das maiores denominações evangélicas de nosso país tem um slogan bem interessante, e totalmente bíblico: “Jesus Cristo é a única esperança”. Trata-se da Igreja Batista Brasileira. Que o Senhor abençoe esta igreja, assim como todas que pregam o genuíno evangelho de um Cristo libertador e transformador.

Elucidação: Vemos no texto, especialmente a partir do v. 24 a cura de uma mulher que estava enferma já há muitos anos. Este relato está posto nas Escrituras não apenas para nos mostrar uma cura física realizada por Cristo, mas para nos revelar de forma maravilhosa o quanto é transformador um encontro com o Senhor.


UMA MULHER QUE TOCOU EM JESUS DE UMA FORMA DIFERENTE



I – UMA MULHER SOB EXTREMO SOFRIMENTO, V. 25-26.

           O texto nos fala de uma mulher que já sofria a doze anos de uma hemorragia. É dito que ela procurou todos os recursos naturais, no entanto, nada puderam fazer por ela os médicos. Nota-se que além de seu sofrimento físico ela encontrava-se em estado de pobreza extrema, pois na tentativa de encontrar a cura gastou tudo o que possuía. A enfermidade daquela mulher diz respeito a um problema hemorrágico que afetava seu ciclo menstrual, e por conta disso sofreria também de uma exclusão social, pois os judeus, em obediência à Lei mosaica consideravam a mulher menstruada como estando em impureza (Lv 1524-33). Por isso ninguém poderia tocar em uma mulher neste estado, pois se tornaria impuro. O que implicava a impossibilidade de manter um relacionamento conjugal, pois o marido também seria considerado impuro. De igual modo estava excluída de participar do culto publico ao Senhor, era uma pessoa tratada quase com o mesmo tipo de exclusão que os leprosos da época. Quão doloroso deve ter sido para ela, doze longos anos. O texto de Provérbios 13.12 nos diz: “A esperança que se adia faz adoecer o coração...”
           Toda essa condição de sofrimento ilustra muito bem a realidade do homem no pecado. Deus criou o homem em estado de pureza. Sem a presença do pecado não havia sofrimento, não havia enfermidade, não havia sentimento de exclusão, na havia a angústia da decepção, não havia desespero. Aquela mulher como todos os seres humanos estava vivendo a consequência do pecado, ela sofria, como todo ser humano sofre como consequência por ser pecadora. Estamos todos sujeitos à enfermidade, à fraqueza porque somos pecadores. O pecado destrói, aniquila, humilha, leva a pessoa a um estado degradante em termos sociais. Faz o homem inimigo de Deus e ofende Sua santidade. É por isso que devemos odiar o pecado muito mais do que o fazemos.


II – UMA MULHER COM GRANDE FÉ, V. 27, 28, 34.

           Tantas pessoas que estavam em volta de Jesus naquele momento. O texto nos diz que o povo fazia pressão sobre ele. Certamente houve muitos contatos físicos com Jesus. Muitos estavam seguindo Jesus por curiosidade, muitos não tinham sentimentos puros e corretos para com Jesus. Havia um diferencial naquela mulher, ela tinha profundo senso da sua própria necessidade e do poder do nosso salvador para aliviá-la. Havia fé genuína nela. Na verdadeira fé a pessoa enxerga seu real estado.
           Vemos no v. 27 que ela ouviu a fama de Jesus, ela sabia que ele era poderoso para lhe dar a cura, para libertá-la. De fato, como diz as Escrituras em Rm 10.17 que vem pelo ouvir a Palavra de Deus. Ao se ouvir a pregação de genuíno evangelho o Espírito Santo gera fé no coração do pecador.
           Infelizmente muitos vêm aos nossos templos nos dias de hoje e até resolvem fazer parte de uma igreja evangélica, sem de fato obter a grande bênção da parte de Cristo. E esta bênção não é uma cura física, mas a cura de sua alma, a salvação. Muitas pessoas são impulsionadas não pelas motivações corretas, mas pela busca de novidades, pelo hábito ou pela busca das emoções fortes, por uma cura sem que haja compromisso com o Jesus que cura ou então para conquistar prosperidade nesta vida.
           A fama de Jesus que as Escrituras espalham é a fama de um Cristo que cura, mas exige compromisso. É a fama do Cristo que diz vai-te em paz, mas também diz “não peques mais” (Jo 8.11).
           No v. 34 vemos o resultado desta fé. Jesus a cura, não porque ela merecesse a cura, pois a própria fé pura e verdadeira é dom de Deus, é graça divina. Ela recebeu três curas distintas: A primeira cura foi física. O fluxo de sangue foi estancado. A segunda cura foi emocional. Jesus não a desprezou, mas a chamou de filha (5.34) e lhe disse: “Tem bom ânimo” (Mt 9.22). A terceira cura foi espiritual. Jesus lhe disse: “A tua fé te salvou” (5.34) (Lopes, 2005).


III – UMA MULHER QUE RECEBEU ALÍVIO INSTANTÂNEO, 29.

           Durante tanto tempo aquela mulher procurou inutilmente a solução com decepção após decepção e somente agora quando não havia mais recurso nenhum para ela é que encontra a saída daquela situação, e não de uma forma progressiva, mas instantânea. Certamente isto nos serve de figura para o que Cristo pode realizar na alma humana. Muitos passam tantos anos em busca de paz com Deus, buscam ‘seus próprios médicos’ (religião, crendices), vivem a pular de igreja em igreja. Outros confiam em sua própria capacidade, em sua suposta bondade, em uma atraente filosofia de vida na qual tenta apresentar a Deus os méritos de uma vida correta socialmente. No entanto: “Um toque de verdadeira fé pode fazer mais pela alma do que uma centena de sacrifícios auto-impostos” (Ryle, 2007).


IV – UMA MULHER QUE SERVIU À GLÓRIA DE CRISTO, V. 30-33.

           Jesus poderia ter prosseguido o seu caminho sem ter dado atenção ao que se passou, mas, no entanto, ele pergunta: “Quem me tocou?” (v. 30).  A mulher então não passou despercebida diante daquela multidão e a sua reação foi de confessar o que tinha feito e prostrar-se diante do Senhor. E todos puderam ver a maravilhosa obra do Senhor.
           De igual modo todos aqueles que são abençoados pelo Senhor devem declarar publicamente para a glória do nome de Deus. Devemos deixar que as pessoas tenham conhecimento do que Cristo fez em nossas almas. Devemos testemunhar de Cristo com poder e autoridade. O Senhor diz: “Aquele que me confessar diante dos homens eu o confessarei diante de meu pai” (Mt 10.32).
           Jesus expõe aquela mulher para lhe ensinar, e aos demais, que aquilo que recebemos do senhor deve ser conhecido publicamente para o louvor da graça de Deus.


Aplicações: 1. Seja qual for sua angústia, seja qual for sua dor, seja qual for sua dúvida, seja qual for sua enfermidade, só é necessária uma coisa: tocar em Cristo.
2. Assim como aquela mulher, muitos hoje estão a ouvir a fama de Jesus. O evangelho tem sido pregado. No entanto, se faz necessário que assim como aquela mulher teve uma atitude de ir a Cristo, também se faz necessário que o ouvinte de hoje faça o mesmo, e pelos motivos corretos. Que entenda sua miserável condição de pecador e que sinta que somente em Cristo há perdão.


Conclusão: Que você nunca coloque suas esperanças meramente em suas próprias capacidades, para as questões espirituais isso será inútil. Que nunca coloque suas esperanças nas pessoas, pois elas além de limitadas podem lhe decepcionar. E que sempre venha a Cristo diante de todos os problemas e sofrimentos da vida. E ao tocar em Jesus você verá que “aquela velha maneira de ser vai logo ceder, pois algo novo virá” (Armando Filho).


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