O JEJUM CONFORME AS ESCRITURAS
Mateus 6.16-18
6.16   Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
6.17   Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto,
6.18   com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Introdução
           Percebemos que infelizmente este tema, que já esteve presente na mentalidade evangélica por um bom tempo, hoje, já não é algo tão popular. Em épocas passadas se deu grande ênfase ao jejum, no entanto, por falta de reflexão bíblica a respeito ele não apenas foi mal compreendido como mal utilizado, e os resultados em termos de daquilo que ficou na consciência cristã permanece até hoje.
           Mas afinal, o que a Bíblia de fato diz sobre o jejum? E por que em nossos dias quase nenhum crente pratica esta disciplina cristã?

O jejum na prática de Jesus – Mt 9.14, 15
                    Vieram, depois, os discípulos de João e lhe perguntaram: Por que jejuamos nós, e os fariseus [muitas vezes], e teus discípulos não jejuam?
Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, está tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, nesses dias hão de jejuar.
           A prática do jejum era um costume que remota ao Antigo Testamento, e Jesus em momento algum proíbe o jejum, mesmo em face à utilização hipócrita por parte dos fariseus. É bem verdade que não há uma ordem de Cristo para a prática do jejum, no entanto é bom lembrar que ele mesmo jejuou e incentivou que seus discípulos jejuassem. O texto aqui em questão apenas afirma que não havia ainda a necessidade de estarem jejuando.
           Seguindo o exemplo de Jesus, a igreja primitiva praticava constantemente o jejum, principalmente antes de tomar alguma decisão importante.

Em que consiste o jejum?
           É muito comum hoje as pessoas jejuarem por diversos motivos. Alguns jejuarão para alcançar uma bênção. Outros jejuarão como forma de gratidão por uma bênção alcançada. No entanto, biblicamente não percebemos nas escrituras nenhuma confirmação para uma ou outra intenção no ato do jejum.
           Nós, seres humanos somos constituídos por dois elementos, um material – o corpo, e outro espiritual – o espírito ou alma. Aquilo que fazemos no nosso corpo fatalmente nos afetará como um todo, pois há uma interação entre o corpo e a alma. Jejuar é justamente nos privar de algo para que possamos estar em dedicação ao Senhor, portanto, é privar o nosso corpo do alimento para que estejamos nos consagrando espiritualmente ao Senhor. É abster-se da comida e da bebida para priorizar algo mais importante.
           Sendo o jejum a abstinência de alimento e água, elementos legítimos em seu uso para nossa subsistência, podemos ainda ampliar a definição e afirmar que também podemos fazer jejum de outras atividades que também são legítimas e necessárias para nossa vida igualmente com o mesmo intuito de nos dedicarmos ao nosso Deus. Por exemplo: jejuar do nosso lazer, jejuar de alguma atividade da nossa rotina, etc. consequentemente gastar nosso tempo no dia do jejum diante da TV, navegando na internet, passeando no Shopping, é algo ridículo e inútil, embora sejam atividades legitimas. Se no momento do jejum não nos abstermos dessas coisas estaremos nos enganando a nós mesmos e zombando de Deus.
           Ademais, é bom lembrar que o jejum como um fim em si mesmo foge da definição aqui exposta, ou seja, não há base bíblica para criar a ideia de que porque sou crente tenho que jejuar dia x ou y por que é costume dos crentes jejuarem nesses dias. Isso fugiria da ideia do jejum como uma disciplina pessoal que nos leva a dedicar nosso tempo ao enriquecimento do relacionamento com Deus.

Quando jejuar?
           Para falarmos a rigor, o jejum jamais deve ser visto como um fim em si mesmo, logo, devemos jejuar não como cumprimento de um calendário da igreja ou como participação de alguma campanha. Jejum é deve ser realizado não de forma mecânica, mas quando somos conduzidos pelo Espírito para esta prática sublime.

Como jejuar?
          Em Mateus 6.16-18 Jesus taxativamente condena a atitude de autopromoção, aparentar grande espiritualidade para ser louvado pelas pessoas. Portanto fica o princípio que ao jejuarmos devemos fazê-lo da forma mais natural possível. Não significa que não se pode mencionar de modo algum que está jejuando, como se fazê-lo fosse pecado, significa ser discreto.
          Quanto à questão de como se abster ao alimento, o jejum pode ser realizado com abstinência de apenas de alimento sólido, ou com abstinência de comida e bebida. Quando Jesus jejuou no momento da tentação (Mt 4), fica implícito no texto que ele se absteve apenas de comida, pois é dito apenas que ele teve fome, não é dito que teve sede.
          Quanto ao tempo do jejum fica a critério de quem o realiza, devendo ser observado a estrutura física e psicológica de cada um, no entanto, que seja algo coerente, pois a realização de um jejum de uma hora apenas, por exemplo, parece algo bastante que exprime falta de interesse real nesta disciplina espiritual.

O jejum e a santificação
          É importante ressaltar que o jejum deve ser vivenciado em todo o contexto da vivência cristã, ou seja, deve estar estritamente relacionado com a santificação. Lembremos da advertência que o Senhor deu aos israelitas por intermédio de seus profetas:
                     No dia do seu jejum vocês fazem o que é do agrado de vocês, e exploram os seus empregados. Seu jejum termina em discussão e rixa, e em brigas de socos brutais. Vocês não podem jejuar como fazem hoje e esperar que a sua voz seja ouvida no alto. Será esse o jejum que escolhi, que apenas um dia o homem se humilhe, incline a cabeça como o junco e se deite sobre pano de saco e cinzas? É isso que vocês chamam jejum, um dia aceitável ao Senhor? O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? (Isaías 58.3b-8);
                   Assim diz o Senhor dos Exércitos: Os jejuns do quarto mês, bem como os do quinto, do sétimo e do décimo mês serão ocasiões alegres e cheias de júbilo, festas felizes para o povo de Judá. Por isso amem a verdade e a paz (Zacarias 8.19).

Conclusão
           Vivamos para a glória do Senhor. Quando há esta preocupação, o jejum, a oração, as boas obras; qualquer disciplina espiritual fluirá em nossas vidas sem que haja a necessidade de alguma pressão externa para que isto ocorra. Que o nosso jejum seja um ato de adoração ao Senhor. Que voltemos a essa prática se a abandonamos! Que possamos corrigi-la se estamos vivendo-a de forma incorreta! Que possamos adquiri-la se nunca a vivenciamos!

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