Salmo 23


Elucidação: 1. Este é com certeza o Salmo mais famoso de todos. Crentes e não crentes o conhecem. Está escrito em faixas de carros, pintado em muros (pelo menos o v. 1), citado em inúmeros livros. Este também é um dos textos mais lidos em funerais. Um dos textos mais pregados. Porém, tanta fama, tanta atenção dada a este Salmo, ou a outro texto bíblico, às vezes faz com que as pessoas apenas o decorem e não necessariamente reflita sobre ele.
2. O conceito dominante é o de Deus na qualidade de guia e protetor através das vicissitudes da vida. A sugestiva imagem de um pastor, aplicada ao Senhor recua até os dias da função pastoril dos patriarcas (cfr. a declaração de Jacó em #Gn 48.15) e desde então foi constantemente enriquecida (cfr. #Sl 78.53-54; #Is 40.11; #Ez 34.1-23; #Jo 10.1-18). Um segundo conceito é introduzido no vers. 5-o do Senhor na qualidade de anfitrião de ilimitada benevolência. Essa imagem que apresenta o homem como hóspede surpreso em vista da suntuosidade da festa que lhe foi provida por Deus é, igualmente, uma parte integral de todo o panorama bíblico, tirado do simbolismo de José como provedor de alimento (#Gn 43.34), do milagre da multiplicação dos pães aos cinco mil (#Mt 14.19) e das parábolas da grande ceia (#Lc 14.15-24) e da festa da boda do Noivo (#Mt 22.1-14; #Ap 19.9).


Tema: SENTIMENTOS DA OVELHA PARA SEU PASTOR E ANFITRIÃO


I – SENTIMENTO DE PROTEÇÃO PRIVILEGIOSA, V. 1,4.

Davi dependia completamente do Senhor, como uma ovelha depende de seu pastor. Os dois aspectos são: serenidade, por estar deitado em pastos verdejantes e águas tranqüilas, com a sugestão de bem estar físico; e segurança, pelo adiamento de uma viagem ao longo de veredas retas, com a sugestão de calma pessoal e tranqüilidade mental visto que a ansiedade é impossível quando Seu poderoso cuidado é evidente. O tema se inclina na direção de sossego inocente, e um laço de inexplicável afeição com o pastor.
           Há algo curioso aqui v. 1: Davi escolheu utilizar o nome pessoal de Deus YAHWEH. Ele poderia ter escolhido El Shaddai (Deus Todo-Poderoso), El Elyon (Deus Altíssimo) e El Olam (Deus eterno). Estes e muitos outros títulos estavam à disposição de Davi. Mas Davi escolheu Yahweh. Este nome significa “EU SOU O QUE SOU”, e traz à mente a imutabilidade divina. Como seres humanos que somos, inescapavelmente estaremos sempre mudando, da perspectiva de Deus, em alguns momentos progredindo, em outros regredindo, o SENHOR, porém, em seu SER, em sua pessoa não há sombra de variação. Não muda em sua essência, ou seja, naquilo que Ele é, não muda também em seus propósitos.
           Iaweh é meu pastor, declarou o salmista. Que privilégio saber que meu pastor é aquele que não muda os seus planos para comigo, que é imutável, que é Soberano, que é onisciente, que é onipresente.
           O salmista declara confiante: “Nada me faltará”! Esta não é uma declaração teológica do tipo de uma declaração doutrinária acerca da providência divina, é na realidade uma declaração de fé do salmista de que em Deus aquilo que temos é maior do que aquilo que não temos. Isto é, o sentido é como aquela expressão popular que diz: “quem tem Deus tem tudo, quem não tem Deus não tem nada”.
           E é justamente porque o salmista sabe quem é o Seu pastor que pode dizer confiantemente no v. 4 que não temerá mal algum, ainda que venha a andar pelo vale da sombra da morte.
           Davi conhecia muito bem o trabalho de um pastor. Sua tarefa como pastor era conduzir o rebanho de um pasto para outro a fim de providenciar alimento para as ovelhas. Ele sabia dos perigos que as ovelhas haveriam de enfrentar. Também era seu dever proteger as ovelhas dos perigos (animais ferozes). À procura de verdes pastos, as ovelhas tinham de caminhar sob a liderança do pastor. Nessa caminhada era necessário passar por caminhos pedregosos, subir montanhas e também descer por meio de vales sombrios. A região de Israel era uma região geograficamente acidentada. Havia muitas montanhas e também vales sombrios e escuros. As ovelhas eram animais sensíveis que facilmente se assustavam, principalmente quando passavam por vales escuros. Elas tinham de confiar no pastor que as conduzia.
Todos nós estamos sujeitos a passar por tais vales. Esses vales podem se traduzir em nossas vidas de diversas maneiras: desemprego, problemas de relacionamento familiar, frustração profissional, incompreensão por parte daqueles que lhe rodeiam, a perda de um ente querido, ou seja, todo sofrimento que disse Jesus não estamos isentos de vivenciar: “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33b).
            Ainda que venhamos a passar pelo vale da sombra da morte, não podemos jamais esquecer que o Senhor cuida de nós. O texto diz que o pastor faz uso da vara e do cajado, ambos os instrumentos serviam para cuidar das ovelhas. A vara para guiar pelo caminho correto e o cajado, uma vara com uma curva na extremidade era justamente para tirar a ovelha que viesse a cair em algum buraco.
           Pode ter certeza que o cuidado de Cristo em Sua vida vai além de guiá-lo, se você cair em um buraco ele irá tirar você de lá. Portanto há aqui um sentimento de segurança, mesmo em meio às adversidades.
           Mas, além disso, nos versos 2 e 3 o salmista declara um sentimento de paz, de tranqüilidade.


II – SENTIMENTO DE SER GUIADO A UMA VIDA TRANQUILA, 2-3.

Os versículos falam de tranquilidade, de paz, de serenidade. Sabemos que em muitos momentos não nos sentimos tão tranqüilos, tão em paz, porém, Jesus que é nosso sumo pastor pode sim, em meio a qualquer tribulação que possamos passar nos manter em paz. É por isso que Paulo fala da paz em Cristo como sendo aquela que foge ao entendimento humano e nos aconselha a não vivermos ansiosos: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a Paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”.
           A ovelha sabe que seu pastor a guiará, e isso não será de qualquer forma, não lhe dará qualquer pasto, mas pastos verdejantes, saudáveis. O Bom Pastor se preocupa com o seu rebanho, pois ele não lhe dá qualquer tipo de pastagem. Ele sonda primeiro o pasto e certifica-se de que aquele pasto é apropriado para alimentar a sua ovelha.

· João 10.9 - Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.
           Os pastos verdejantes então remetem ao alimento espiritual, à Palavra. Eu te pergunto: Como você poderá estar bem sem se alimentar espiritualmente, sem comer da pura Palavra de Deus?


III – SENTIMENTO DE RECEPTIVIDADE, DE ACEITAÇÃO, 5.

Estes versículos frisam o cuidadoso discernimento de Davi sobre a generosidade do Senhor na qualidade de anfitrião perfeito. Os dois aspectos são: plenitude - a provisão para as suas necessidades e usufruto é completo em todo sentido, e não é obstaculizado por quaisquer antagonistas humanos; e o finalismo - a rica relação com o Senhor é ilimitada. O laço com o anfitrião é de lealdade sem reservas.
           Comumente falamos em as pessoas aceitarem a Cristo em suas vidas, porém, se formos rigorosos na linguagem para não incorrermos em erro teológico o correto seria dizer que em Cristo fomos aceitos pelo Senhor. Como disse, o salmo expressa a ideia de provisão para as necessidades, então não apenas o Senhor nos aceita como sua providência estará presente maravilhosamente em nossas vidas. Não significa ausência de qualquer necessidade em nossa peregrinação, significa antes que nosso anfitrião na vida espiritual estará sempre a nos conceder o que é de melhor para nós. Gosto muito das palavras de Jesus quando diz: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?”, Mt 7.11. Esta sensação de aceitação de poder usufruir das bênçãos divinas deve produzir em nós um coração cheio de gratidão que deve nos levar a uma lealdade constante.
           Mas gostaria ainda de lembrar que o Senhor não é inconstante como nós o somos, suas ações em nossas vidas são perpétuas, ele é fiel, foi e sempre será bom para conosco, foi e sempre será misericordioso em nossas vidas.


IV – SENTIMENTO DE PERPETUIDADE, 6.

O salmista diz que “certamente” que a bondade do Senhor e Sua misericórdia estarão presentes. Ele não dá espaço à dúvida. Que você nunca esqueça que não importa o que venhamos a passar a bondade do Senhor estará presente, ainda que não possamos discerni-la plenamente, pois nossa visão das coisas fica turva no momento do sofrimento, porém depois que tudo passa olhamos para trás e percebemos mais nitidamente como o Senhor operou em nossas vidas.
           As misericórdias do senhor também estarão sempre presentes. Ainda que venhamos a ser castigados o Senhor continuará sendo misericordioso para conosco, pois não nos castiga com todo o peso de sua justiça e nem perpetuamente.
           Se contemplar ao Senhor já é algo indescritível, habitar na Casa do Senhor, ou seja, habitar com Ele, e por longos dias, por tempos infindos, é simplesmente glorioso e inefável. O texto aponta para a eternidade, para a morada eterna com o Senhor. Habitaremos com o Senhor para todo o sempre, por enquanto estamos peregrinando, vivenciando os riscos do mundo tenebroso e muitas vezes as consequências de nossos pecados, porém tudo isso cessará, as ovelhas se encontrarão com Seu Sumo Pastor e estará para toda eternidade em sua presença. Enquanto não chegamos às mansões celestiais que possamos usufruir de Sua presença em nosso dia a dia, e em Sua casa, o local reservado exclusivamente para buscá-lo em adoração.
           Desse modo meus irmãos, gostaria de lhes dizer como forma de aplicação desse maravilhoso Salmo.


Aplicação: 1. Você não é guiado por qualquer um, é guiado por aquele que conhece seu coração, porque é onisciente; é guiado por aquele que tem poder para resolver qualquer situação, porque é onipotente; é guiado por aquele que está presente em todos os momentos, porque é onipresente, e aqui no sentido também existencialmente        que você está vivendo: “Eis que estarei convosco todos os dias”.

2. Cristo te dá paz imensurável. Esta paz não pode ser conquistada por esforços humanos, seja por meio do dinheiro, de uma filosofia de vida ou qualquer outra coisa; esta paz é dom de Deus. É diferente em sua essência. Não é meramente ausência de conflito, é algo que você pode ter mesmo em meio ao conflito, mesmo em meio aos problemas.

3. É maravilhoso sabermos que seja lá o que venhamos a passar em nossas vidas não temos motivo de temer, pois como é dito no Salmo 118.6: “O SENHOR está comigo; não temerei. Que me pode fazer o homem?”.

4. Seja qual for o buraco que você venha a cair, o SENHOR irá tirar você dele!

5. Você é indigno da aceitação divina.
           Zaqueu também era – publicano, corrupto, ganancioso.
           Pedro também o era – embora impetuoso, era covarde, arrogante.
           Jacó também era indigno da aceitação divina – era um trapaceiro, oportunista.
           Todos esses foram aceitos, mas todos esses foram transformados. O SENHOR também te aceita, porém, também irá te transformar.

6. Você tem os dois melhores guardacostas que alguém poderia ter: o nome de um é bondade, o nome do outro é misericórdia.
           O mínimo que você pode fazer para esse Deus tão bondoso e misericordioso é estar em Sua casa todos os dias de sua vida. Sempre que sentir vontade de se afastar do SENHOR lembre-se do quanto ele é bom para você.

7. Lembre-se: mais vale um dia na presença do Senhor do que mil anos no mundo.


Conclusão: Como é maravilhoso sabermos que pertencemos ao Senhor, que o nosso Sumo Pastor estará presente em todos os momentos de nossas vidas, e que nós podemos usufruir da bênção de sermos suas ovelhas.

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