Efésios 2.1-10

Introdução: "A Maravilhosa Graça de Deus"
Alguns anos atrás, numa igreja na Inglaterra, o pastor notou um ex-assaltante se ajoelhando para receber a ceia do Senhor ao lado de um juiz da Suprema Corte da Inglaterra. O juiz era o mesmo que, anos antes, havia condenado o assaltante a sete anos na prisão.
Após o culto, enquanto o juiz e o pastor caminhavam juntos, o juiz perguntou, “Você viu quem estava ajoelhado ao meu lado durante a ceia?”
“Sim”, respondeu o pastor, “mas eu não sabia que você havia notado”.
Os dois homens caminharam em silêncio por alguns momentos. Daí o juiz disse, “Que milagre da graça!”
O pastor concordou. “Sim, que milagre maravilhoso da graça”.
Daí o juiz perguntou, “Mas você se refere a quem?”
O pastor respondeu “É claro, à conversão do assaltante.”
O juiz falou “Mas eu não estava pensando nele. Estava pensando em mim mesmo.”
“Como assim?” indagou o pastor.
O juiz respondeu, “O assaltante sabia o quanto ele precisava de Cristo para salvá-lo dos seus pecados. Mas, olhe para mim. Eu fui ensinado desde a infância a ser um cavalheiro, a cumprir a minha palavra, fazer minha orações, ir à igreja. Eu passei por Oxford, recebi meu diploma, fui advogado e eventualmente tornei-me juiz. Pastor, nada, a não ser a graça de Deus, podia ter me levado a admitir que eu era um pecador igual àquele assaltante. Levou muito mais graça para me perdoar por meu orgulho, minha confiança em mim mesmo, para me levar a reconhecer que não sou melhor aos olhos de Deus do que aquele assaltante que eu mandei à prisão.”
E que maravilha a graça é. Boas pessoas só não entram no céu porque seu orgulho as impede de chegar ao Salvador.

Elucidação: O apóstolo Paulo escreve esta carta aos efésios para explicar o porquê ele se encontrava preso, e ele faz isso justamente apresentando o maravilho plano de Deus para a salvação do homem (v. 3-14), ele fala da nova sociedade em Cristo, a igreja. Dos versículos 15-23 ele ora pelos crentes trazendo à mente a maravilhosa exaltação de Cristo, que em está acima de tudo e de todos. Em seus mais altos rasgos de inspiração e oratória Paulo nunca perde a visão do fim prático que tinha em mira, que é o bem-estar espiritual dos seus leitores. Assim, ele volta aqui, na contemplação da glória do Senhor exaltado, para considerar as necessidades prementes daqueles a quem se dirige.


A GRANDIOSA MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA DIVINA


I – EM SUA GRAÇA NOS LIVROU DA MORTE ESPIRITUAL, 1-3
A Palavra não usa meios termos, mas é enfática quanto à realidade espiritual daqueles que estão sem a vida entregue ao Senhor. Diz que essa era a nossa realidade, nós que somos igreja hoje. Estávamos mortos em nossos delitos e pecados.
           Delito (paraptoma) é um passo falso que envolve a travessia de uma fronteira conhecida ou o desvio do caminho certo. Um pecado (hamartia), no entanto, significa mais um erro do alvo, deixando de chegar à altura de um padrão. Assim era a nossa realidade, estávamos desviados do caminho do Senhor e portanto, por mais que tentássemos não havia como acertar o alvo de agradar a Deus, embora que normalmente aquele que está sem Cristo nem sequer tem este desejo.
           Éramos escravos, estávamos de fato mortos, pois não havia vida espiritual num sentido de um relacionamento agradável com Deus.
           Vivíamos sim influenciados pelo senso comum, levados pelo pensamento comum do mundo, não pela revelação da Palavra. Influenciados por tudo o que esta em nossa sociedade de maligno e ofensivo ao Senhor. Éramos controlados pela expressão do demoníaco em nossas ações. Escravos do mundo. Escravos de nossa própria carne, pois fazíamos o que bem nos parecia sem preocupação de se estava agradando a Deus ou não. Ao tentar sermos senhores de nossas ações, nos tornávamos escravos de nós mesmos. Escravos também do diabo, ainda que não percebíamos, ainda que não admitíamos. Lembremos que o mundo está moralmente no domínio do maligno, 1 João 5. 19: Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.” Este “jaz” tem o sentido de corroborar, concordar coma a oposição ao Senhor. Hoje em dia quase não se menciona o fato do diabo ser um ente pessoal detentor de autoridade sobre uma hoste demoníaca e que escraviza as pessoas. Está fora de moda usar estas expressões, mas não é a moda que deve influenciar nossa percepção dos fatos e nossa linguagem teológica.
           Diz o texto ainda que éramos filhos da ira. A ira de Deus não é como a do homem. Não significa que Ele pode perder as estribeiras a qualquer momento. É a reação divina a uma situação – o mal. Não é algo oposto ao amor, mas estão presentes juntamente na mente divina. É interessante que o apóstolo Paulo menciona sem embaraço que estávamos em condição de receber a ira divina, mas ao mesmo tempo éramos objetos do Seu amor. A ira de Deus não exclui o Seu amor e o Seu amor não exclui a Sua ira.
           Esta era a nossa desalentadora realidade, mas o Senhor usou de Sua misericórdia para comigo e para com você, e nos deu vida, v. 1. Perceba então quão gracioso o Senhor foi para com você.


II – EM SUA GRAÇA NOS EXALTOU EM CRISTO, 4-7.

“Mas Deus...” Conj. Adversativa. Os versículos anteriores mostram a realidade da humanidade caída, e a partir do versículo quatro a ação de Deus de manifestar Sua graça em Cristo. Sem Cristo estávamos em uma situação desesperadora, mas O Senhor agiu graciosa e soberanamente.
           Seu ato foi pleno de liberdade e motivado unicamente por seu amor. Ele não tinha nenhuma obrigação em nos salvar. Embora sendo merecedores da ira Ele nos deu Cristo, e deu-nos a Cristo, e por isso podemos nos assentar nos lugares celestiais – isto é, sermos participantes da bênçãos espirituais pelos méritos de Cristo – quais sejam: perdão, restauração, perspectiva de eternidade.
           Temos o privilégio de sermos participantes da glorificação do Seu nome. O que é vergonha para as hostes infernais.
           A riqueza da graça do Senhor também é mostrada quando as pessoas percebem que houve em nós uma transformação radical, ainda que não entendam, mas aqueles a quem o Espírito iluminar para tal entenderá que esta mudança foi Deus agindo em nossas vidas.


III – EM SUA GRAÇA NOS FAZ ENTENDER O QUANTO SOMOS PRIVILEGIADOS, 8-9.

Recebemos da parte do Senhor esta tão grande salvação, nas expressões do autor de Hebreus quando diz: “Como escaparemos, se negligenciarmos tão grande salvação?” Portanto ao perceber nosso real estado anterior, nosso demérito, e como é maravilhoso a certeza do perdão, da presença divina, da comunhão com o Senhor, entendemos então que somos grandemente privilegiados. Tudo isto unicamente pela graça divina.
           A fé é um dom de Deus, só passamos a crer no Senhor Jesus como nosso salvador porque o Espírito Santo nos levou a tal, como nos mostra At 18.27 e Fp 1.29:
“Querendo ele percorrer a Acaia, animaram-no os irmãos e escreveram aos discípulos para o receberem. Tendo chegado, auxiliou muito aqueles que, mediante a graça, haviam crido;” (At 18.26). Por que creram? Porque o Senhor foi gracioso!
“Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele”. (Fp 1.29). Mais um texto que nos mostra que só cremos porque somos alvos da graça divina. Fora-nos dada a graça para crer nele.
           Em efésios 2.8, porém, não diz que a fé é dom de Deus, embora esta seja uma verdade teológica. “Isto”, no texto grego é (touto), um pronome demonstrativo neutro, que não indica gênero; fé é (pistis), substantivo feminino. Portanto, a expressão em Ef. 2.8 refere-se à totalidade deste evento e desta experiência como sendo dom de Deus.
           É por tudo isso que é uma loucura humana nos gloriarmos em nós mesmos até por um momento que seja do fato de sermos salvos.


IV – EM SUA GRAÇA NOS COLOCA EM SITUAÇÕES PARA VIVENCIARMOS A MUDANÇA EM NÓS OPERADA, 9-10.

As obras não são a causa de nossa salvação, mas consequência necessária para uma vida de santificação. Eu só pratico boas obras porque na verdade Deus já me predispôs para isto. Antes, praticávamos as obras da carne, como são mencionadas lá em Gálatas, agora temos o Espírito Santo, e devemos praticar obras de amor, de compartilhamento da paz, da esperança, de justiça. Por sermos novas criaturas esta posto diante de nós esta missão, é por isso que gostaria de citar aqui uma famosa oração, a oração de Francisco de Assis:
           Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. 
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
 
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
 
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
 
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
 
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
 
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
 
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
 
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
 
compreender que ser compreendido,
 
amar, que ser amado.
 
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
 
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...
 É pela graça que tudo isto é possível. E certamente o Senhor a cada dia te concederá momentos de pôr o conteúdo desta oração em pratica.

Aplicações: 1. Como você se sente quando lembra que o Senhor te resgatou da escravidão, do lamaçal do pecado? Acredito que grato(a) ao Senhor. Que esta gratidão então se traduza em valoração da graça, ou seja, que você a cada momento lembre quem você era, e o que é hoje em Cristo, e que isto seja motivação em sua vida para obediência.
2. Não desista de lutar pela sua santificação, ainda que em alguns momentos você esteja caindo, continua válida a verdade inabalável que as garras da graça de Deus estão te segurando.
3. Se você ainda não entregou sua vida a Cristo, saiba que é um ato de graça divino esta oportunidade que você esta tendo nesta noite.

Conclusão: Lembra da história da introdução? Não importa o quanto socialmente você era bem comportado, ou mesmo se era religioso, você merecia ir para o inferno da mesma forma que aquele ladrão que se arrependeu de seu pecado. Não foi outra coisa senão a graça de Deus que te trouxe aqui.



Templo Sede da Igreja Batista dos Guararapes, 22/01/12. Culto Solene.

Nenhum comentário:

Postar um comentário