Apocalipse 2.1-7

Introdução: 1. Qual o potencial que você enxerga na sua igreja?
                      2. Até onde você imagina que podemos chegar?
                      3. O que você considera que é essencial não se perder nessa caminhada?

Elucidação: O livro de Apocalipse foi escrito pelo Apóstolo João quando se encontrava preso na ilha de Patmos devido à perseguição ao evangelho. Foi o último livro do N. T. a ser escrito, por volta de 90-96 d. C. João escreve as cartas às igrejas da Ásia, repreendendo a transigência ao pecado por parte dessas igrejas e chamando-as ao arrependimento. Também busca encorajar os irmãos a permanecerem firmes naquele momento de perseguição que a igreja estava sofrendo. Também trás a revelação dos acontecimentos dos últimos dias. É o livro de maior dificuldade de interpretação do N. T.
           No texto em apreço são dirigidas palavras à igreja de Éfeso. A cidade de Éfeso era uma cidade muito importante. Era rica e próspera, magnificente e formosa, devido a seu templo da deusa Diana. Ela tinha capacidade para aportar os maiores navios. Além disto, era facilmente acessível por terra, pois Éfeso estava ligada, por meio de estradas, com as cidades mais importantes da Ásia Menor. Era já por longo tempo o centro comercial da Ásia. O templo pagão da deusa Diana era ao mesmo tempo casa do tesouro, museu, bem como lugar de refúgio para criminosos. Fornecia empregos a muitos, incluindo os ourives que miniaturavam santuários de Diana. Foi nesta cidade que o apóstolo Paulo fundou a igreja de Éfeso. Ele passou três anos ali pregando as boas novas do Senhor Jesus. Éfeso era uma cidade idolatra. Lá as pessoas encontravam vários tipos de deuses também. O culto pagão era livres. O culto ao imperador era obrigatório. Quando muitos se converteram, muitos ourives perderam seus empregos. Porque os novos convertidos deixaram de cultuar aos ídolos e ao imperador. Bem como também queimaram seus livros de magias. Paulo fundou aqui a igreja que se tornou o centro para a evangelização do resto da província e aqui residia o apóstolo João. A igreja em Éfeso, consequentemente, deve ter-se tornado a principal do leste, com a possível exceção de Antioquia.
           O apóstolo João escreve para aquela igreja aquilo que o senhor lhe revelou sobre ela:

Tema: UMA IGREJA COM POTENCIAL, PORÉM, MORIBUNDA

I – UMA IGREJA BATALHADORA, V. 1, 2.
Quando Jesus diz “Eu sei” declara uma verdade de importância dupla. A frase encabeça cada uma das sete cartas, ora proporcionando conforto (Ap 2.9; Ap 2.13, etc.), ora envergonhando (Ap 3.1-15). Aqui ela precede uma recomendação. E a recomendação vem daquele que tem os pastores em suas mãos, que motivo de conforto e segurança para a igreja. De igual modo ele diz que anda no meio da igreja. Mais uma palavra confortadora, afinal ele sabe quem na igreja está frio espiritualmente, quem está se sentindo fraco, quem está passando por guerras interiores. Lembremos que é ele que sustenta a vida espiritual da igreja, que é representada aqui como candeeiro, igreja é para brilhar, para irradiar a luz de Cristo (v.1).
           Aquela era uma igreja proveniente da missão do apóstolo Paulo, e por ele instruída, portanto, tinha uma base doutrinária considerável. E era uma igreja que batalhava pela causa do evangelho no sentido de defendê-lo contra as heresias não aceitando os falsos mestres. Era uma igreja de labor (kopon), labor até a exaustão. E este labor era justamente a luta contra os heréticos.
          Jesus elogia aquela igreja por aquilo que há de positivo nela. O que nos faz pensar sobre o que ele veria ou está vendo de positivo em nós. Assim como a igreja de Éfeso, devemos ser igreja batalhadora, tanto na defesa de fé, quanto na obra que realizamos no Reino em quaisquer aspectos.

II – UMA IGREJA FIRME EM SUAS DOUTRINAS, V. 3, 6.
Jesus aprova a fidelidade teológica daquela igreja. Por ser assim fiel, a igreja de Éfeso (e a nossa assim deve proceder também) pôde resistir aos nicolaítas, seguidores de Nicolau de Antioquia. Pouco sabemos sobre esta heresia do primeiro século cristão. O mais comum é lhes atribuir o ensino do libertinismo, a crença de, como corpo e alma, não se comunicam, aquilo que uma pessoa fizer no plano corporal (imoralidade, prostituição, etc.) não tem qualquer significado espiritual. Há hoje poucas pessoas que acreditam nisto, mas muitas que praticam isto. Este é o verdadeiro dúplice.
           É interessante que ele diz que eles não se cansaram, do grego kekopiakas, que denota cansaço moral. Significa então que por mais que sofressem pressão permaneceram fiéis moralmente, não traíram seu discurso, não mudaram sua pregação, foram perseverantes neste sentido. Uma das pressões que as igrejas, bem como seus líderes às vezes podem sofrer é falta de resultados imediatos. Pode vir o pensamento de que as coisas (o serviço para o Reino) poderiam estar sendo feitas de uma outra forma para se alcançar os resultados mais rapidamente e mais grandiosamente. O problema é que ao se aderir a este pensamento não estará longe de trair a verdade bíblica em sua pureza. Mas que nós, como igreja, e individualmente, que também somos tentados de igual modo, sejamos perseverantes naquilo que a Palavra nos ensina.

III – UMA IGREJA QUE PERDEU O VIGOR ESPIRITUAL, V. 4.
Mas esta carta não é só elogio, agora vem aquilo que era negativo entre eles e que precisavam urgentemente corrigir. Eles abandonaram o seu primeiro amor. Não significa aqui que eles se desviaram da fé, não significa também que deixaram de crer nas doutrinas corretas. O significado é que embora trabalhassem para o Senhor, já não havia prazer espiritual no que faziam, já não havia paixão no que faziam. Refiro-me ‘paixão’ aqui não no sentido de relacionamento interpessoal, mas naquele sentido de impulso para a ação, de prazer na ação, de alegria por estar junto de quem se ama e fazer algo para quem se ama. Já não amavam ao Senhor com a intensidade que se deve amar, a consequência disso podemos imaginar é que também estariam com o amor para com o outro debilitado. A frieza espiritual estava presente nos corações, embora estivessem sendo muito ativos. Parece a teologia deísta aplicada a igreja. A teologia deísta diz que Deus criou o mundo, mas não se relaciona com ele, o abandonou às leis por Ele estabelecida na natureza. No deísmo não pode haver relacionamento com Deus. Deus instituiu e deu corda à igreja, e ela agora busca fazer algo para Ele, busca até em algumas comunidade crer n’Ele e em suas obras conforme as Escrituras; mas no relacionamento está distante d’Ele, como se fosse possível trabalhar para Ele sem relacionar-se com Ele. Não podemos esquecer que a forma como trabalhamos na obra de Deus é mais importante do que o que estamos fazendo, pois o que conta é comunhão com Deus no ato do serviço.

IV – UMA IGREJA QUE RECEBE UMA NOVA OPORTUNIDADE, V. 5.
A igreja então é chamada ao arrependimento. Metanonson – mudar de mente, pensar diferentemente, arrepender-se. É Jesus dizendo àquela igreja: “Tenham em mente os amorosos relacionamento que vocês desfrutaram uma vez, e façam uma clara ruptura na vossa maneira atual de viver”.
           O arrependimento acontece quando há consciência da necessidade de mudar. Demanda autoconhecimento, algo muito difícil. A igreja do Senhor necessita autoexaminar-se constantemente, assim como cada um de nós de forma individual.

Aplicação: Façamos uma inventário de nossas disposições e de nossas atitudes.
           Que não venhamos a nos desviar da doutrina ensinada nesta igreja. Mas que confiemos de que Jesus Cristo está cuidando dos oficiais desta igreja e que Ele está no nosso meio andando. Olhando como está a nossa vida com Deus.
           Merecemos os elogios que Éfeso recebeu?
           Merecemos a crítica que recebeu?        
           É Jesus quem nos julga, mas podemos fazer uma autoavaliação.
           Devemos nos arrepender dos nossos pecados. Eu sei, ninguém gosta de ser confrontado com seu erro. Porém, olhando a palavra de Deus, essa é a situação.
O Senhor está no meio da sua igreja andando. Ele sabe o que cada um sofre. O que cada um está em falta. E se estamos em falta do nosso amor a Jesus Cristo, devemos o quanto antes nos arrepender. Senão o Senhor afiará a sua espada e pelejará contra os infiéis. Esta advertência a Igreja em Éfeso, também serve para nós aqui na Igreja Batista dos Guararapes.

Conclusão: Conforme o versículo 7 Cristo vai recompensar aqueles que permanecer firme. Ele diz que ao vencedor darei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus. Esta árvore foi plantada no jardim do Éden. Após a queda do homem, Deus expulsou o homem do jardim para não comer daquela árvore. Porque não permaneceu firme no seu estado original. Depois de expulsar o homem colocou querubins com espadas de fogo na entrada do jardim e assim impedindo o caminho para a árvore da vida. O paraíso ficou fechado para o homem depois da queda. Mas, em Cristo ele se abre para aquele vencedor que permanece firme no Senhor. O vencedor é aquele crente que luta contra o diabo e o pecado. E por seu amor a Jesus Cristo ele persevera até o fim. A esse vencedor é oferecido a comida que dar vida. O jardim do Éden agora é chamado em Apocalipse de a nova Jerusalém. A árvore está no meio da cidade. Como diz Apocalipse 22.2: “No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas são para a cura dos povos” e também o verso 14: “Bem-aventurados aqueles que lavam as vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhe assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas”.
É dessa árvore que será dado aos fiéis ao Senhor Jesus Cristo. Porque Jesus Cristo abriu as portas do paraíso para nós entrarmos e recebermos o fruto da árvore da vida. Quer dizer, receberemos a vida eterna. Estaremos para sempre com o Cordeiro de Deus. Por isso, ouça o que o Espírito tem a dizer. Persevere naquele que morreu por você. Que te concedeu arrependimento e fé. E está disposto a te dar a vida eterna. Em face às turbulências que passamos como igreja, nunca podemos esquecer que há reservado para nós aquilo que nem mesmo Adão vivenciou, pois ele não ‘comeu’ da árvore da vida, e a nós nos é reservado este tesouro.

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