EXPOSIÇÃO DE ROMANOS (Mensagens pregadas na Igreja Batista dos Guararapes em 2009)


TEMA: O EVANGELHO E SUAS IMPLICAÇÕES
TEXTO: Rm 1.1-6

INTRODUÇÃO: 1. Motivos de Paulo escrever a carta.
                                Todos os livros do N. T. foram escritos a partir de uma situação específica. Essa situação tinha a ver com as circunstâncias próprias do autor, e especialmente dos seus leitores, e em geral uma combinação de ambas as situações.
                                 A primeira motivação de Paulo para escrever aos romanos é que Roma serviria como um lugar para descansar e se preparar na sua ida de Jerusalém à Espanha, (Rm 15.24, 25).
                                 A segunda motivação é que Paulo nunca tinha estado em Roma, ele não fundara aquela igreja, os crentes de lá sequer o conheciam. Ele sentia então a necessidade de estabelecer suas credenciais de apóstolo fazendo um relato completo do evangelho que ele pregava.
                                 A terceira motivação encontra-se no fato de que a comunidade cristã de Roma era uma igreja mista, formada por judeus convertidos e gentios. Logo, havia um embate teológico, guardar ou não a lei.
                                
                                 2. Paulo e seu apostolado.
                                 Paulo apresenta-se como apóstolo. Não era qualquer um que era apostolo, havia algumas prerrogativas como terem sido diretamente e pessoalmente chamados e delegados por Jesus. Terem sido enviados por ele para pregar com sua autoridade.
                                Ele também faz menção ao seu apostolado em Gl 1.1.“Paulo, apóstolo, não da parte de homem algum, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos...”. E muitos outros textos.
                                É necessário entendermos que sempre que Paulo defende o seu apostolado ele não está preocupado com sua pessoa, mas com a mensagem que ele prega. Se ele de fasto não fosse apóstolo, seu evangelho seria falso.

ORAÇÃO INT: Quais implicações acerca do evangelho podemos perceber neste texto?

ORAÇÃO TRANS: Vejamos então a partir do v. 3 quatro implicações do evangelho.


I - SUA ESSÊNCIA É JESUS CRISTO, 3, 4 e 9.
       
          1. Filho de Deus, da descendência de Davi, v. 3 e 4.

          Comentando o v. 3 Lutero escreve: “Aqui se escancaram as aportas para a compreensão das Escrituras Sagradas, ou seja, que tudo deve ser entendido em relação a Cristo.” Calvino semelhantemente diz que “o evangelho inteiro está contido em Cristo”.
          O texto menciona dois títulos do qual Jesus faz uso, filho de Davi e Filho de Deus. O título filho de Davi vai indicar a humanidade de Cristo e Filho de Deus sua divindade.
          Aqui se encontra uma das grandes maravilhas do evangelho, que é o fato de que Cristo é ao mesmo tempo homem e Deus. Ele possui uma natureza humana e uma natureza divina. Um mistério incompreensível à racionalidade humana, mas deve ser aceito pela fé.
          Evidentemente o título “filho de Davi” não deve ser mais usado, pois o próprio Jesus deixa claro que ao reconhecê-lo como Deus tal título perde o sentido. (Mt 22.41-46).

          Com respeito às duas naturezas de Cristo há um erro comum cometido pela grande maioria dos cristãos. Referem-se a Jesus como às vezes agindo como Deus e às vezes agindo como homem. Isso faria de Cristo um pouco esquizofrênico, como tendo duas personalidades, uma humana e uma divina. O correto porém, é afirmar que embora ele tenha duas naturezas, tem uma única personalidade, humana e divina ao mesmo tempo. Portanto, sempre é o Cristo Deus/homem que age, nunca ele age apenas como Deus ou apenas como homem.

          2. Segundo a carne e segundo o espírito de santidade, v. 3 e 4.
          
          As duas expressões não se referem ás duas naturezas de Jesus, mas às duas fases de seu ministério, uma fraca (por assim dizer), antes da ressurreição; outra forte, depois da ressurreição.


II – DESTINA-SE A TODOS OS POVOS, V. 5.
         
         1. Implica pregação indiscriminada, 2.11.
         
         O evangelho se destina a todos os povos. Deus não faz acepção de pessoas. Essa expressão está se referindo ao fato de que tanto judeus quanto gentios estão em uma mesma situação diante de Deus e que nacionalidade alguma concede privilégio diante do Senhor. É suficiente ler os versículos anteriores do cap. 2 para ter um bom entendimento do v. 11. Infelizmente muitos ao ler esta expressão de forma isolada imaginam que se referem á eleição, e argumentam que Deus não elegeria alguns porque ele não faz acepção de pessoas. Mas a Bíblia não usa essa expressão nesse sentido. Esta expressão encontra-se em outros textos também:

At. 10.34 e 35 – “Então, falou Pedro, dizendo: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas; pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.”
          Aqui Pedro compreende que tanto faz se o indivíduo é judeu ou gentio.

          Servos ou livres, grandes ou pequenos, todos são iguais diante de Deus. Ef 6.9 – “E vós, senhores, de igual modo procedei para com eles, deixando as ameaças, sabendo que o Senhor, tanto deles como vosso, está nos céus e para com ele não há acepção de pessoas.”
          Outros textos são Tg 2.1; 1 Pe 1.17; Jo 34.19.
          Isso tudo implica que o evangelho deve ser pregado a todas as pessoas, sem levar em conta sua nacionalidade, sua posição social, etc., pois todos estão em um mesmo patamar, pecadores culpados diante de um Deus santo.

        

           2. Implica dever indiscriminado, v. 14-16.
        
          As pessoas às vezes encaram a evangelização ou até mesmo outra atividade na obra de Deus como um favor que está prestando ao Senhor. Paulo entendia que estava em débito para com todos os gentios, e ele fez três declarações pessoais interessantes acerca da evangelização:
                       v. 14 – “sou devedor...” / v. 15 – “estou disposto..” / v. 16 – “não em envergonho...”
          Paulo entendia que era devedor porque o evangelho lhe tinha sido confiado por Deus para levá-lo aos gentios, 1 Ts 2.4; Tt 1.3.
“...pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, aponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, não para que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração.”
“...e, em tempos devidos, manifestou a sua palavra mediante a pregação que me foi confiada pos mandado de Deus, nosso Salvador,...”
          Desse modo, precisamos entender na prática que somos devedores àqueles que estão à nossa volta de anunciar-lhes o evangelho. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou da trevas para a sua maravilhosa luz...” (1 Pe 2.9).
          Paulo estava disposto. E você? Qual a sua disposição para trabalhar para o Senhor? A seara é grande, e pouco são os ceifeiros.

          O nosso apóstolo não tinha vergonha de anunciar o evangelho. Ele queria ir à cidade mais respeitada da época, símbolo do poder imperial. Alguém em Roma poderia pensar: Quem é esse tal de Paulo, para querer visitar Roma como turista e ter a pretensão de dizer que tem uma mensagem que precisamos ouvir? Poderiam ridicularizá-lo. Mas isso com certeza não o intimidaria. E você, o que tem lhe intimidado?


III – DEVE SER VIVIDO PELA FÉ, V. 5.
         
          1. Fé verdadeira implica submissão, 10.3.
         “Porquanto, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus.”
          A justificação é aplicada a nós por meio da fé. Para que isso ocorra é necessário que haja o contrário do que aconteceu com os judeus descritos por Paulo em 10.3. Não se submeteram à justiça divina, procuraram colocar diante do Senhor sua própria justiça, esquecendo da reprimenda em Is 64.6.
          (Em outro momento trataremos da justificação de forma mais detalhada).

          Quando colocamos de lado nossa própria justiça estamos nos colocando em submissão ao Senhor. Aqui então se apresenta uma impossibilidade, a de ter Cristo como Salvador e não tê-lo como Senhor.

          2. Submissão que conduz ao uma vida de obediência.
           Quanto mais submissos formos ao Senhor quanto mais obediente seremos.


IV – O ALVO É HONRAR O NOME DE CRISTO, V. 5.
         
          1. Isso implica correta motivação para missões, 3 Jo 7.
“...pois por causa do Nome foi que saíram,...”
         
          Tornou-se mais comum apresentar-se a obediência à grande comissão como a grande motivação para a obra missionária. Os missionários transculturais e os apaixonados por missões transculturais enfatizam dramaticamente essa ordem divina de proclamar o evangelho a todas as nações. Louvo a Deus pelas vidas dos missionários e pela obra que realizam, porém, em seu intuito de incentivar a igreja, com muita freqüência não percebem que a grande comissão não deve ser a maior motivação para a proclamação do evangelho.

          Outra motivação que pode ser apresentada é o amor por aqueles que estão sem Cristo. Sublime motivação e que precisamos vivê-la mais.
          A motivação máxima porém, é honrar o nome de Cristo, (3 jo 7). Na pequena epístola de João vemos que os irmãos saíram em missões “por causa no Nome”.

          Percebemos que infelizmente muitas evangelizações têm um mero intuito de encher o templo, ou de honrar a organização eclesiástica.

          2. A glória de Deus é o “clímax” do evangelho, Fp 2.5-11
“...para louvor da glória da sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado,...”
“...a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo;...” Ef 1.6 e 12.

          “Por que Paulo desejaria levar as nações à obediência da fé? Era para honrar e glorificar o nome de Cristo, a quem Deus exaltou a mais alta posição, dando-lhe “o nome que está acima de todo nome”, para que “ao nome de Jesus se dobre todo joelho”... e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor”. (John Stott)
          Se Deus deseja que todo joelho se dobre a Jesus e toda língua confesse seu nome, esse deve ser também o nosso desejo. Nós deveríamos “ter ciúmes”, “zelar” pela honra do seu nome: preocupar-nos quando eles ainda continua desconhecido, sofrer quando é ignorado, indignar-nos quando é blasfemado e empenhar-nos firmemente para que lhe dêem a honra e a glória devidas”.


CONCLUSÃO: Portanto, o evangelho tem sua essência em Jesus Cristo, Deus/homem. Este evangelho se destina a todos os povos, por isso deve ser pregado indiscriminadamente, pois Deus não faz acepção de pessoas.
          O evangelho deve ser vivido pela fé – fé salvadora que leva a uma vida de obediência. E finalmente, em última instância o evangelho tem o objetivo de glorificar a Deus em Jesus Cristo.

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