Rm 12.9-16


Elucidação: Os capítulos 12 a 15 de Romanos constituem uma firme exortação a que deixemos que o amor domine e molde os nossos relacionamentos. Alguns comentaristas só conseguem ver nos versículos 9-16 um emaranhado de instruções confusas, uma série de mandamentos, com pouca ou nenhuma conexão entre si. Mas, na verdade, cada um dos imperativos ali registrados acrescenta um novo ingrediente à “receita do amor” elaborada pelo apostolo. Esta receita nos mostra como devemos agir constantemente, mostra que devemos ter:



ATITUDES PRÁTICAS DE AMOR PARA COM NOSSOS IRMÃOS


I – AGINDO SEMPRE COM SINCERIDADE, V. 9.
          O amor seja anupocritos (anupocritos) que significa literalmente sem hipocrisia. O hipocritês era o ator que participava de um drama.
          Nós vivemos em um mundo no qual as pessoas são educadas desde cedo a agirem com certo grau de falsidade. Ser excessivamente sincero fará da pessoa alguém bastante estranha em alguns meios, e por conta de sua sinceridade poderá estar chamando para sim alguns desentendimentos. É fato que a sociedade exige certa falta de sinceridade para que seja possível um convívio social amistoso. No mundo caído no qual vivemos isso é fato. Tenha-se em vista, por exemplo, muitas atitudes que as pessoas tomam simplesmente para serem politicamente corretas, a sinceridade não é levada em conta. As pessoas representam constantemente, e muitas vezes suas palavras não denotam aquilo que de fato estão sentindo. A igreja, porém, não é palco para que estejamos representando papéis como atores. Nossos relacionamentos devem ser norteados pela sinceridade. Se de fato amamos nossos irmãos estaremos sendo sinceros para com eles. Isto significa que seremos verdadeiros em nossas palavras. Diante de um erro não diremos que o erro não é erro. Significa que os sentimentos serão claros, não dissimulados.


II – HONRANDO SEMPRE AO MEU IRMÃO, V. 10.
          Aqui primeiramente Paulo utiliza duas palavras que trazem o sentido de afeto natural entre familiares, filostorgos e filadelfia, (fhilostorgos e fhiladelfhia), de amor entre família. Então ele fala de que devemos nos preferir em honra uns aos outros, ou seja, de que devemos considerar o outro como melhor.
          Isto está de acordo com o que mencionamos nos versículos anteriores de que não devemos nos considerar mais espirituais, capacitados ou santos que os demais. E também com Fp 2.3 que diz: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo”. Devemos então ter um olhar para nossos irmãos que os enxerga como melhores do que nós. Paulo não está ensinado que devemos nutrir sentimento de inferioridade (complexo), está nos mostrando o quando é necessário para termos comunhão uns com os outros a presença do respeito mútuo, da consideração que ver no outro suas qualidades e virtudes. Estar aqui novamente a ênfase da igreja como corpo, pois afinal quando honramos nossos irmãos percebemos que não somos auto-suficientes, e que de alguma forma todos podemos cooperar uns com os outros, todos temos uma habilidade que o outro não tem. Desse modo, podemos nos ajudar mutuamente.


III – AGINDO SEMPRE COM GENEROSIDADE, V. 13; At 2.42.
          A expressão aqui é koinwnew (koinoneo), ou seja, participar dos sofrimentos dos outros, repartir os nossos recursos com eles. É exatamente aquilo que se encontra em Atos 2.42ss: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade”. (44, 45).
          Vivemos numa época de individualismo, as pessoas direta ou indiretamente são ensinadas a pensarem de forma egoísta. As pessoas são incentivadas a buscar o sucesso, a conquistar a vitória, a escalar na vida degraus cada vez mais altos. Nada contra essas coisas quando são frutos do trabalho árduo e honesto, e quando elas não estão tomando a centralidade de Cristo em nossas vidas. Um dos problemas encontra-se no fato de que muitas vezes perde-se a sensibilidade das necessidades daqueles que estão tão próximos de nós e não nos consideramos como agentes abençoadores de Deus para as pessoas. Oramos a Deus: “Deus, abençoe o irmão fulano!”, mas nos esquecemos que é justamente por meio de nós que Deus poderá estar abençoando. O Senhor pode agir de forma miraculosa na vida de alguém, mas lembremos que normalmente Deus faz coisas extaroordinárias na vida de alguém por meios ordinários, ou seja, você pode ser canal de Deus para o Senhor realizar maravilhas na vida de outros.
          Não esqueça que “... aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando” (Tg 4.17).
          Como é impactante o texto de Mt 25.31-46, onde nos mostra que a ação benevolente para o com o próximo deve ser algo característico daqueles que são de Cristo, e quando o fazemos é como se estivéssemos fazendo para o próprio Cristo. Certamente de Deus receberemos o galardão.


IV – AGINDO SEMPRE COM SIMPATIA, V. 15.
          O amor nunca se mantém longe das alegrias e das dores dos outros. O amor identifica-se com eles, canta com eles e sofre com eles. Quem ama vive profundamente as experiências e emoções dos outros, compartilha de suas gargalhadas, chora suas lágrimas e mostra-se solidário com eles, qualquer que seja o seu estado de espírito.
          Simpatia aqui, portanto, não tem aquela conotação de alguém que é educado, mas de alguém que quer ser participante das emoções daquele que está à sua volta. Infelizmente ainda estamos deixando a desejar neste aspecto. Isto fica claro quando percebemos que de fato nem sempre as pessoas entenderão as bênçãos que Deus concede a seus irmãos como motivos de alegria para elas também. A prova disto se encontra, por exemplo, na falta de participação de culto de gratidão, onde muitas vezes vemos mais pessoas visitantes do que da própria igreja. Se isto podemos dizer acerca das alegrias, o que não falaríamos sobre tristezas? O quase nunca lido livro de Rute nos traz algumas palavras, que mantendo o devido respeito ao contexto, gostaríamos de reproduzirmos aqui. São as palavras de Rute à sua sogra Noemi: “... Não me instes para que te deixe e me obrigue a não seguir-te; porque, aonde quer que fores, irei eu e, onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). De igual modo você terá que dizer para seu irmão o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus, portanto você deve sentir e viver a necessidade do seu irmão.

V – AGINDO SEMPRE EM HARMONIA, V. 16a Fp 2.2.
          No grego a frase diz literalmente: “Pensem a mesma coisa um em relação ao outro”. É aquilo que também se encontra em Fp 2.2: “..completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento”. Portanto, devemos ter as mesmas convicções e interesses básicos. Sem esta comunhão de mente não podemos viver e trabalhar juntos em harmonia. Evidentemente que isso é um desafio para nós, não é fácil termos os mesmos objetivos justamente por sermos pessoas diferentes.


VI – AGINDO SEMPRE COM SIMPLICIDADE, V. 16b.
          Há uma paráfrase no Novo Testamento Vivo que diz: “Não procurem cair nas boas graças de gente importante, mas tenham prazer na companhia de gente comum”.  O que Paulo está dizendo é que devemos na igreja nos relacionarmos igualmente, independentemente de posição social, status ou condição financeira da pessoa. Não é o nosso contexto, mas há igrejas constituídas de pessoas ricas e pobres, que devem atentar bem para textos como esse. Infelizmente às vezes ouvimos exemplos deploráveis de pessoas que tinham uma posição social de destaque e ao serem convertidas a igreja entender que tal pessoa em pouco tempo tem que ocupar algum cargo de relevância na igreja. Mas a Bíblia não nos ensina assim, nos mostra que todos somos iguais diante de Deus e que na igreja devem tratados com igualdade, independentemente de sua condição social ou cargo oficial que ocupe na vida secular.


VII – Aplicação: 1. Como é bom termos um amigo sincero que nos dirá quando estamos errados sem se preocupar com o que iremos pensar de sua sinceridade.

2. Não seja orgulhoso a ponto de recusar ser ajudado, você não tem igual habilidade em todas as coisas, não tem grande conhecimento em tudo, há sempre alguma coisa na qual alguém é melhor do você e pode lhe abençoar lhe servindo nesta área.

3. É inadmissível que como igreja vejamos nossos irmãos padecendo necessidade e nada façamos. O verdadeiro amor nos leva a ação.

4. Será que o sofrimento de seus irmãos tem lhe causado algum impacto, ou você tem se mostrado apático, frio quanto ao que seu irmão está passando?

5. Quais os seus objetivos meu irmão? Tem tido apenas objetivos egoístas ou já consegue de alguma forma perceber a necessidade de objetivos coletivos? Quero desafiar você nesta noite. Quero desafia-lo a fazer algo por alguém que você nunca tenha feito antes, algo que esteja dentro de suas possibilidades e que será uma grande bênção para alguém.

6. Nós somos uma família, a família de Deus na igreja Batista dos Guararapes. Será que você tem pelo menos conseguido manter comunicação com a maioria dos membros dessa família?

CONCLUSÃO: Que quadro impressionante do amor cristão, esse que Paulo nos dá! O amor é sincero, sensato, afetuoso e respeitador. É generoso, benevolente e compassivo. Tem a marca da harmonia assim como da humildade. As igrejas cristãs seriam comunidades muito mais felizes se todos nós amássemos uns aos outros dessa forma.

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