TEOLOGIA PASTORAL

APRESENTAÇÃO



          A importância de estudar teologia pastoral para aqueles que são pastores, bem como para aqueles que são aspirantes ao ministério é grandiosa. Torna-se urgente então devido ao nosso contexto atual, no qual muitos perderam a visão bíblica do que é ser pastor.

          Esta singela obra então visa trabalhar questões fundamentais da atividade pastoral, tendo sempre em mente a excelência desta atividade concedida por Deus àqueles a quem Ele chamou e tem capacitado. Confessadamente temos o ponto de partida no modelo de pastor que tem grande preocupação na edificação das ovelhas, e tudo sendo realizado para a glória de Deus.

          Leitura recomendável então para todos quantos almejam o ministério. E por que não dizer para alguns que já se encontram no ministério também?








INTRODUÇÃO



          Muitos pastores hoje vivem uma crise de identidade ministerial, e ela se torna ainda mais grave quando eles não percebem esta realidade. Pastores que não encaram corretamente o seu serviço na igreja e para a igreja. Ao contrário disso, preocupam-se exageradamente com questões administrativas relativas às finanças da igreja. Enquanto isso, ovelhas se encontram desgarradas, crentes estão com vida espiritual definhando, o púlpito está repleto de mensagens de teor humanista e a igreja acomodada sem evangelizar e tímida para viver e proclamar os preceitos bíblicos.

          A tarefa pastoral é sumamente difícil, e em nossos dias muitos ministros de Deus se vêem pressionados a mostrar resultados exigidos pela igreja. Estes resultados geralmente são de caráter quantitativo. Alguns, devido ao ativismo ao qual é empurrado pelo contexto cristão de nossa época acabam esquecendo que antes de tudo têm de ser fiel ao Senhor para então estarem em condição de apascentar outros. Lembremos que antes de Jesus mandar que Pedro apascentasse suas ovelhas ele lhe perguntou se o amava (Jo 21.15-19).



O PASTOR COMO PASTOR


O supremo propósito do ministério

          Este propósito considerado como supremo no ministério é o mesmo de nossas vidas, glorificar a Deus em tudo o que somos e fazemos. O pastor tem que ser de fato um homem de Deus, caso contrário não terá um ministério próspero. E quando falamos em ministério próspero não estamos nos referindo ao padrão como muitos hoje entendem ministério. Para muitas pessoas hoje o ministério pastoral se tornou uma carreira profissional. A igreja é encarada meramente como uma fonte de lucro, e o objetivo pessoal do pastor é ascender em sua denominação. Para esses “pastores” o propósito do ministério acaba sendo sua própria exaltação. Deus não é glorificado em seus ministérios e acreditam que a prosperidade material seja fator indicador de um ministério próspero. Porém, nos padrões bíblicos a prosperidade do ministério reside em uma vida cristã verdadeira que serve ao Senhor em sinceridade e preocupa-se com o bem-estar de suas ovelhas.
          Quem se atreverá a afirmar que o ministério do apóstolo Paulo não foi um ministério próspero, embora sua experiência ministerial tenha sido repleta de perseguição e dor: “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em acoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas” (II Co 11.23-28). Muitos pastores de hoje não têm o apóstolo Paulo como modelo para o seu ministério. Querem viver um evangelho triunfalista, que não ensinará às pessoas buscarem que Deus seja glorificado. Eles mesmos então, não conseguirão enxergar que o alvo supremo do seu ministério deve ser glorificar a Deus.


O caráter espiritual do ministério

          Ministério pastoral não é um empreendimento humano, não é uma carreira profissional. É uma missão de caráter espiritual, e o pastor então deve entende que a sua obra como pastor não é a administração financeira da igreja ou organizacional da mesma ou de algum órgão denominacional. Ele foi chamado a cuidar de vidas. O seu trabalho é conscientizar o homem acerca de Deus e Sua vontade revelada. Sendo assim, tem como instrumento a Bíblia, logo, deve conhecê-la o melhor possível. Mas, não é suficiente apenas o conhecimento teológico, ele deve viver o que prega.





O objeto do nosso cuidado pastoral

          O objeto do nosso cuidado pastoral é a igreja do Senhor considerados coletivamente como o corpo de Cristo e individualmente como filhos e filhas de Deus.
Deve o pastor ter um ministério completo, ele não é um administrador de empresa, portanto, há a necessidade de acompanhar individualmente as ovelhas através de visitas, aconselhamentos e discipulados. Observemos o exemplo de Cristo em Lucas 15.4: “Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?”.
          O pastor deve viver a preocupação pelas ovelhas, e ir à busca daquelas que se encontram desgarradas.
          Lembremos que prestaremos contas ao Senhor de como estamos desenvolvendo o nosso ministério (Hb 13.7).
          Vemos então duas partes em nosso ministério com as pessoas individualmente. A primeira é anunciar o evangelho para conversão daqueles que se encontram sem Cristo.  Às vezes encontramos alguns desses que já professam ser crentes, mas que não passaram pela genuína experiência da conversão dentro das igrejas. A segunda implica edificação dos crentes e podemos citar como cinco necessidades específicas: confirmação, progresso, preservação, restauração e consolação.


A obra do ministério pastoral

          Um aspecto sumamente importante do ministério pastoral é a pregação pública da Palavra de Deus. A pregação da Palavra no culto público é papel do pastor. Ele é o responsável pela edificação da igreja.
          Um segundo aspecto é a ministração do Batismo e da Santa Ceia.
          Um terceiro aspecto é a direção do culto. Cabe ao pastor conduzir as orações e o louvor no culto. Quando dizemos que cabe a ele conduzir o louvor no culto não nos referimos a que ele seja a pessoa que estará cantando os louvores com a igreja, isso pode ficar à cargo do ministro de louvor ou do ministério de louvor. Referimos-nos sim à questão de que ele deve estar atento para que os hinos cantados realmente adorem ao Senhor.
          O quarto aspecto é o cuidado específico dos indivíduos, como já mencionamos.
          O pastor também deve ter atenção especial para com as famílias. Família bem estruturada e sadia implicará crentes sadios espiritualmente e diminuição de problemas na igreja




O PASTOR COMO PROFETA


          O papel do profeta no Antigo Testamento era de anunciar a Palavra de Deus, geralmente uma palavra de repreensão. O vocábulo hebraico nabi, profeta, significa pessoa que anuncia, tomado em sentido genérico. Os profetas eram chamados por Deus (Am 7.5), recebiam do Espírito Santo a mensagem a anunciar (2 Cr 15.1; 24.20; Ne 9.30; Ez 11.5; 1 Pe 1.10, 11). Os profetas eram homens piedosos (pelo menos os verdadeiros profetas), que tinham em suas vidas integridade moral e dedicação na oração. Tinham a autoridade divina para anunciar a Palavra de Deus. O pastor enquanto profeta deve estar nestes parâmetros.
          O pastor na qualidade de profeta refere-se ao seu dever de anunciar a Palavra de Deus. Ele é o profeta de Deus na comunidade de fé. É o responsável por anunciar as repreensões, correções, e exortações do Senhor ao povo.
          É necessário aqui corrigirmos um entendimento errado que algumas pessoas fazem a respeito do pastor enquanto pregador. A igreja ao observar os candidatos ao ministério pastoral à vezes imagina que aquele que é um pregador certamente será um bom pastor. Ser bom pregador porém, não é garantia de que alguém será um bom pastor. É excelente quando o pastor também é um bom pregador, mas nem sempre as duas coisas estarão conciliadas. Acreditamos, porém, que todo pastor deve esmerar-se na arte da pregação da Palavra.
          Ademais, pastores que têm uma boa formação teológica adequada devem optar por transmitir à sua congregação mensagem expositiva das Escrituras.
          Conforme Haddow W. Robinson* pregação expositiva é “a comunicação de um conceito bíblico, derivado de, e transmitido de um estudo histórico, gramatical e literário de uma passagem em seu contexto, que o Espírito Santo primeiro aplica à personalidade e experiência do pregador, e então, através do pregador, aplica aos ouvintes”.
          Um pregador que comumentemente opta por mensagens temáticas poderá ter momentos de dúvidas sobre qual tema abordar. O pregador expositivo que se propõe a expor as Escrituras de pronto eliminará esta dificuldade, pois estará trabalhando os textos bíblicos e o tema derivará dos textos. A pregação expositiva, além disso, é sem dúvida o tipo de mensagem que mantém uma maior fidelidade ao texto bíblico, e, portanto torna-se mais edificante á igreja e mais seguro ao pregador não permitindo que vá além do texto, evitando assim que ele fale simplesmente o que pensa e o texto seja apenas o pretexto para tal.
          O pastor é o profeta para a igreja, deve pregar aquilo o Senhor fala à igreja, e para tal missão a mensagem expositiva se presta com muito mais eficiência, pois ela é a abordagem do texto e a aplicação às vidas das pessoas. Embora seja mais desafiador e exija mais dedicação e estudo por parte do pastor, se ele realmente quer ser porta voz de Deus terá de ir à Bíblia e expô-la expositivamente. Tem que falar o que Deus fala à igreja, e o que Ele fala encontra-se nas Escrituras.






ROBINSON, Handdow W. – Pregação Bíblica: O desenvolvimento e a natureza de sermões expositivos. São Paulo – SP, Shedd Publicações, 2002.



O PASTOR COMO MESTRE


          Todo pastor deve ser um mestre na Palavra de Deus – ele tem esse dever sagrado. Sabemos e compreendemos a realidade daqueles que não tem um amplo conhecimento teológico, mas devem esforçar-se em aprender o máximo possível para estarem qualificados a ensinar a outros.
          O ensino na igreja precisa ser mais valorizado, especialmente nas igrejas de cunho pentecostal. Pela busca de algo novo e atraente para o público cristão algumas igrejas hoje excluíram de sua programação litúrgica a Escola Dominical e cultos de doutrina ou ensinamento da Palavra. Outras, nunca tiveram e não estão interessadas no aspecto do ensino da Palavra. Pelo contrário, não apenas não ensinam como distorcem as doutrinas bíblicas levando o povo a crer em verdadeiras heresias.
          O povo necessita de ensino bíblico, e aqueles líderes que negligenciam este aspecto ministerial responderão ao Senhor por sua falta. “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” (Os 4.6). Todos responderemos pelo tipo de edificação que estamos concedendo à igreja do Senhor.
          Lembremos ainda que Jesus gastou muito tempo do seu ministério ensinando.
          Não basta, porém, ao pastor – que deve ser mestre – a edificação no ensino coletivo por meio de palestras, estudos bíblicos, etc. Paralelo a isto deve estar presente o ensino individual. O pastor deve acompanhar a cada ovelha individualmente também no que tange à compreensão das doutrinas bíblicas. Este acompanhamento será um grande reforço à pregação pública e ao ensino por meio de estudo bíblico.






CONCLUSÃO



          Ter um ministério pleno segundo a Palavra de Deus é realmente muito difícil, e possivelmente mais raro de se encontrar do que gostaríamos. Cabe ao pastor além de ser um homem atualizado no seu tempo, amante dos livros, esfoçar-se por manter um ministério no qual esteja conseguindo realizar o aconselhamento, pregar com conhecimento e unção espiritual, visitar os enfermos e fracos na fé, trabalhar os relacionamentos familiares, proteger a igreja contra heresias e falsos profetas. Além de tudo isso ele em algumas denominações tem que ser hábil administrador. Muito é exigido do pastor, algumas exigências são razoáveis, outras são exacerbadas.

          O pastor tem que ser mestre, tem que ser sacerdote e profeta, mas nunca esquecendo que seu maior objetivo deve ser glorificar a Deus em toda a sua vida e em seu ministério.


































BIBLIOGRAFIA



ROBINSON, Handdow W. – Pregação Bíblica: O desenvolvimento e a natureza de sermões expositivos. São Paulo – SP, Shedd Publicações, 2002.


BAXTER, Richard – O pastor aprovado. São Paulo – SP, editora PES (Publicações Evangélicas Selecionadas), 1ª edição 1989.


BARRIENTOS, Alberto – Trabalho pastoral: Princípios e alternativas. Editora United Press, 1999.


CÉZAR, Kléos Magalhães Lenz – Vocação: Perspectivas bíblicas e teológicas. Viçosa – MG, editora Ultimato, 2002.

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