NOSSO TEMPO MODERNO OU PÓS-MODERNO

CONSCIÊNCIA MODERNA

Consciência moderna é a consciência social de nosso tempo, formada pelo conjunto dos pensamentos que são comuns às pessoas. Esta consciência evidentemente está oposta à mente de Cristo, ou seja, à forma de pensar cristã. Ela é formulada pela necessidade natural que o homem tem de fazer cultura. O homem, diferentemente dos animais, trabalha o seu mundo, o modifica, embora o encontre pronto e acabado não se conforma com ele como é, mas torna-se um agente cultural transformador.
           O homem tem uma necessidade natural de compreender seu mundo para que possa viver nele, isso pode ser chamado de nomos, que são as regras sociais que são as bases para a convivência em sociedade. Outra necessidade do homem é a do outro semelhante, necessidade de viver em sociedade. O homem é um ser social. Cada sociedade corresponde a uma consciência, é necessário pois que compreendamos a consciência de nossa sociedade, para isso precisamos absorver seus códigos, seus valores, sua identidade. Quando absorvemos o nomos da sociedade somos nelas considerados como normais.
           O conceito bíblico de normal com relação a este mundo é de conformação. Somos instados pelo apóstolo Paulo em Romanos 12 a não nos conformarmos com este mundo, logo, sua ética, seus valores, sua visão das coisas deve ser observada criticamente por aqueles que têm a mente de Cristo. Lembremos que o que prevalece na mente do cidadão moderno é o pensamento fraco, convicções sem firmeza, assepsia em seus compromissos, indiferença sui generis feita de curiosidade e relativismo ao mesmo tempo. Ideologicamente o homem moderno é pragmático, sua norma de conduta é a vigência social (preocupação em levar vantagem em tudo e em seguir a moda do momento), a estatística substitui a consciência em sua ética, sua moral é neutra e ele não faz questão de torná-la pública.

COMUNIDADE MODERNA
Embora a expressão comunidade seja por demais utilizada, inclusive pela mídia, o que percebemos em nossos dias é uma ruptura com a essência da mesma. Comunidade traz a noção de comunhão que se desdobra em união e unidade, porém, devido ao afrouxamento dos laços familiares as pessoas desde cedo aprendem a não viver essa comunhão, ou seja, a partir da família as pessoas estão aprendendo a não viver corretamente em comunidade. Em nossa sociedade atual, com tantas famílias desarraigadas, sem referenciais familiares como tios e avós, e pais que normalmente não tem tempo para os filhos, não é raro então se desenvolver uma personalidade que evite valores como permanência, fidelidade e constância. É a prática do jargão atual do “dá licença?”, que significa na realidade que “você não tem nada a ver com minha vida, e eu tenho o direito de fazer o que quero com minha privacidade”. Aí já não importa conceitos morais, éticos, cada um cria sua própria ética particular. É a pluralidade das privacidades.
           É importante salientar que a mídia, que busca satisfazer a necessidade de sua Senhora, a indústria, estará dando a sua contribuição para a comunidade moderna influenciando as pessoas a ser consumidoras exacerbadas.
           Este quadro moderno evidentemente nunca é total, sempre há os focos de resistência.

CIDADÃO MODERNO
O cidadão moderno tende a distribuir sua atenção e energias em diversas relações, na verdade isso faz com que não se aprofunde em nenhuma delas. O que ocorre então é que ainda que inconscientemente, passa a selecionar as pessoas e os assuntos que receberão sua atenção. Não há tempo suficiente para todos. Então se faz necessário que se crie barreiras para evitar contatos ou aproximação.
           Como forma de auto-proteção e para “respeitar” os espaços e pensamentos alheios (e evidentemente porque quer ter os seus respeitados, e manter-se no limite do privado) o homem moderno aprende desde cedo a não ser transparente, seja em atos ou palavras. Acaba configurando para si mesmo uma espécie de relações públicas. Certa vez, quando Pelé perguntado se tinha alguma crença religiosa, respondeu que o Pelé não crer em nada, mas o Edson é outro assunto.
           Por fim, é interessante observar o quanto o homem moderno pode se tornar insensível às necessidades daqueles que estão à sua volta por meio de transferir suas responsabilidades pessoais às instituições especializadas. Para ilustrar: a pessoa pode acreditar que está isenta de dar uma esmola porque já contribui com uma creche.
           É importante salientar que essas tendências do homem moderno são maiores nas cidades grandes do que nas pequenas cidades do interior.

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